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Bom sábado!
Puxa a cadeira que em cinco minutos a gente recapitula a semana que dividiu o agro entre quem tinha escudo e quem ficou na chuva. O tarifaço americano bateu com estrondo, mas será que acertou mesmo onde dói? A Europa marcou data pra fechar a porta da nossa carne, e o motivo não é o que você imagina. A renegociação das dívidas saiu, só que tem uma letra miúda que muda o jogo. E enquanto o produtor apertava o cinto, teve gigante às compras: Bayer, Zanchetta, e até uma das maiores cafeicultoras do país devolvendo fazenda de propósito.
Para você fechar a semana sem perder um lance.
Por Luciana Stival
TÁ QUANTO?
O boi seguiu teimando firme em casa, de cabeça erguida mesmo com China e Europa apertando a porta lá fora. É o mercado interno segurando a arroba enquanto der.
O grão ficou de lado, sem susto, esperando o humor de Chicago dar o tom.
Nos tropicais, a semana foi de justiça torta: o café seguiu blindado e valorizado, o açúcar surfando a China, enquanto o cacau apanhou feio, com amêndoa sobrando e ninguém pra transformar.
E no câmbio, o de sempre: dólar e juros altos pesando na conta de quem carrega dívida.
Fontes: Cepea, Banco Central (Focus), B3 e Brapi, a partir das edições da semana. Panorama informativo, não recomendação de investimento.
DE OLHO NO PORTO
O tarifaço fez muito barulho

Fonte: Giphy
As barreiras vieram de todos os lados, mas quase nenhuma acertou o que o Brasil mais vende. Vale a régua: os EUA são só o 3º comprador do agro, ~7% do que o país exporta, atrás de China e UE, por isso, o tarifaço de 25% assustou mais no anúncio: café, carnes e frutas ficaram de fora, preservando bilhões. Quem sobrou foi o etanol, taxado e virado moeda de briga, com os produtores americanos comemorando; e a UE ainda incluiu o café solúvel na lei antidesmatamento, mais papel à porta.
No fim das contas, a barreira rende manchete, mas a semana provou que o Brasil vende o essencial mesmo sob tarifa. A briga real não é pela comida no prato, é pelo etanol e pelas regras verdes, onde o país ainda apanha.
COLHENDO CAPITAL
Perdoaram a dívida velha e fecharam a torneira do crédito novo

Fonte: Globo Rural
O crédito foi o que mais mexeu com o bolso e veio partido ao meio. De um lado, o alívio: saiu a MP 1.376, que renegocia mais de R$ 100 bilhões em dívidas, com a CPR entrando no pacote. De outro, a conta amarga: a inadimplência bateu 8,8%, recorde da Serasa, e quem mais atrasa é a turma de 30 a 39 anos (13,6%), o produtor novo. E o dinheiro minguou: os desembolsos caíram 12% na safra, com banco exigindo garantia até de quem paga em dia.
Mas estamos atentos: o governo, com a MP, apaga o incêndio da dívida velha, mas não diz quem banca a próxima safra. Com o crédito novo mais caro e escasso, o alívio de hoje pode virar o aperto de amanhã.
RADAR SANITÁRIO
O boi bate recorde em casa, e a Europa fecha a porta em setembro

Fonte: Farm News
A pecuária viveu a semana mais louca do agro: preço firme dentro, mercado sumindo fora. Em casa, o boi renovou máxima na B3, com o futuro de outubro passando de R$ 355 a arroba. Lá fora, a indústria já admite parar de vender carne à União Europeia em setembro, e não por sanidade, por papelada: o bloco tirou o Brasil da lista de aptos por não comprovar o controle de antimicrobianos. Justo o destino que mais cresceu (+132% em 2025) e um dos que melhor pagam. O preço alto de hoje esconde o problema de amanhã. Com UE e China se fechando juntas, sobra o mercado interno pra sustentar a arroba, e mercado interno tem teto.
NAS CABEÇAS DO AGRO
A Bayer comprou o trigo do futuro, e o Brasil segue refém do de hoje

Fonte: Giphy
Semana de fartura e dependência lado a lado. Na fartura, a Conab elevou a safra de grãos ao recorde de 360,1 milhões de toneladas, puxada pela soja recorde. Mas o trigo conta o oposto, e nele caiu a notícia mais estratégica: a Bayer fechou acordo exclusivo com a francesa RAGT por trigo híbrido com 10% mais produtividade, mirando 1 bi/ano, a genética do futuro trancada em patente. E o Brasil chega frágil: já importa 83% do trigo da Argentina e produz só 6 das 11 milhões de toneladas que consome. A reflexão que fica é que o Brasil é gigante no grão que planta e refém no que não domina. Colher soja recorde é ótimo, mas ver a semente do trigo virar patente estrangeira é entregar a margem do futuro a quem tem a tecnologia, não a terra.
SAFRA DE CIFRAS
A Ruiz Coffees deu dois passos pra trás

Fonte: TheAgriBiz
O café vive o melhor dos mundos, escapou do tarifaço e segue caro mesmo com a safra recorde de 2026, com estoques globais no menor nível em 25 anos; o açúcar da Tereos bateu recorde à China; e o cacau fez o inverso, com oferta +63% mas moagem patinando e o maior tombo da semana. No meio da bonança, a lição dura: a Ruiz Coffees suspendeu pagamentos pra renegociar mais de R$ 1 bilhão, devolvendo fazenda, "disciplina, não fragilidade", diz o CFO.
Nem café em alta e margem gorda salvaram a Ruiz, a conta que derruba não é a da lavoura, é a da dívida mal casada e do crédito que secou. Ou seja, ganhar dinheiro é uma coisa; sobreviver ao vencimento, é outra.
POR DENTRO DO MERCADO
Zanchetta e Pamplona foram às compras

Fonte: Giphy
Enquanto o produtor apertava o cinto, o dinheiro grande foi às compras: o Cade aprovou sem restrições a compra da Ceratti (Hormel) pela Zanchetta, e a mortadela que virou sinônimo de padaria voltou a mãos brasileiras. Não foi a única: a Pamplona, após 78 anos com a família, chamou CEO de fora e pôs R$ 150 milhões na mesa; e a Acelen fechou com a Bunge o maior contrato de óleo de soja da América do Sul. Num agro de crédito apertado, quem tem caixa consolida e quem não tem, vende ou se profissionaliza. A régua sobe a cada fusão, e quem dita o preço da prateleira é quem ganha escala.
PLANTÃO RURAL DA SEMANA
Adubo sob risco de Ormuz: a Yara projeta queda de cerca de 14% nas entregas de fertilizante no Brasil neste ano, de olho na tensão no Golfo.
Gripe aviária derruba a última ilha livre: a Nova Zelândia registrou seu 1º caso de H5N1, sinal amarelo pro maior exportador de frango do mundo.
A caderneta do gado virou app: a agtech InLida, com R$ 1 milhão da família Ermírio de Moraes, já digitaliza mais de 30 mil propriedades.
Feijão-carioca mais barato: a colheita irrigada ampliou a oferta e derrubou a saca de qualidade a R$ 386 no Cepea, enquanto o preto sobe.
Novos preços mínimos da safra de verão: o governo definiu os pisos dos produtos de verão e regionais, com vigência escalonada até junho de 2028.
Trigo argentino vende devagar: os produtores do país vizinho só venderam 2 milhões de toneladas da nova safra, um dos inícios mais fracos da década.
SE DIVERTE AÍ
No fim de semana, a dica é o Tradle: o jogo mostra a "cara" das exportações de um país, aquele mapa colorido de tudo que ele vende pro mundo, e você adivinha qual é, com dicas de distância a cada tentativa. Pra quem é do agro, é quase profissional: dá pra sacar na hora quem exporta soja, café ou minério só de bater o olho no desenho. Rápido, um por dia, e ainda te dá papo de comércio internacional pra reunião de segunda.
VIVENDO E APRENDENDO
Resposta da edição passada: o Pará, que ultrapassou a Bahia e hoje é o maior produtor de cacau do Brasil, puxado pela produção no sudeste do estado.
Pergunta de hoje: qual é a raça de gado de corte mais criada no Brasil, símbolo do rebanho nacional?
A resposta você confere na próxima edição!
