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Bom dia!

Pega o café e acomode-se, pra se atualizar em 5 minutinhos. Uma cana nova apareceu rendendo o dobro na roça. O cafezinho ficou mais barato do que em qualquer ano desde que o real nasceu. O Senado bateu o martelo pra o Brasil parar de depender tanto do adubo dos outros. O crédito da sua revenda, sim, a sua, agora quer chegar por um zap no celular. E uma gigante da carne devolveu o comando pra família bem no tri em que amargou prejuízo.

Pra você começar a quarta um passo à frente do mercado.

Por Luciana Stival

TÁ QUANTO?

MERCADO valor % dia % YTD
IBOVESPA (B3) R$167.874,64 -2,50% 4,19%
IFIX R$3.721,88 -0,55% -1,51%
JBSS3 R$67,03 -2,73% -15,29%
SMTO3 R$15,01 0,40% -0,73%
TTEN3 R$10,88 -3,29% -34,06%
SLCE3 R$13,30 -0,52% -17,13%
KNCA11 R$88,35 -0,64% -8,45%
JGPX11 R$60,58 0,18% -12,76%
Ethereum US$1,880.70 0,41% -37,05%
Bitcoin US$63,621.00 -0,49% -27,99%

Os dados são publicados por BCB e Brapi.
As variações são calculadas em % diária e %YTD (Year to date)

Gringo saindo do Brasil, dólar subindo e juro futuro firme no embalo do risco Brasil. Pro caixa da fazenda isso corta dos dois lados (“la ele”) o câmbio alto engorda a receita de quem exporta soja, carne e café, mas encarece o adubo importado e mantém o crédito caro. Se você vende pra fora, é janela pra travar preço enquanto a moeda ajuda, e se depende de insumo dolarizado ou de dívida nova, é hora de segurar a mão.

NAS CABEÇAS DO AGRO

A JBS voltou pra mão da família

Fonte: Giphy

Dias depois de abrir a porteira pra um sócio do outro lado do mundo, a JBS olhou pra dentro de casa e devolveu o comando à família que a fundou. Wesley Batista Filho assume o topo global da maior empresa de carne do planeta em 2027, e a volta dos Batista cai num trimestre salgado, com prejuízo no fim da conta mesmo faturando o recorde da história.

O vermelho veio do boi que ainda dá dor de cabeça nos Estados Unidos e do frango barato demais sobrando lá fora. Na JBS, herdar o trono é fácil, difícil é herdar o ciclo, e o novo chefe assume com a margem no fundo do poço à espera de o rebanho americano voltar a crescer, porque boi mais farto é boi mais barato de comprar, e é o animal mais em conta que faz o caixa do frigorífico respirar de novo.

SAFRA DE CIFRAS

Mesmo trimestre, dois humores

Fonte: Giphy

No mesmo trimestre, duas empresas do agro contaram histórias opostas, e a diferença foi só uma, onde cada uma foi buscar a margem.

  • A São Martinho, presa no açúcar e no etanol, viu o lucro encolher com os preços em baixa;

  • A Adecoagro disparou por ter acabado de entrar no ramo de fertilizante que comprou da Nutrien.

Mesmo tempo, mesmo país, mesmo clima, mas quem ficou colado na commodity pura levou o baque e quem diversificou pro produto certo abriu o sorriso. Na baixa do ciclo, tamanho não segura o tranco, quem segura é a esperteza de não pendurar todo o caixa numa cotação só.

COLHENDO CAPITAL

O crédito da revenda quer chegar pelo zap

Fonte: AGFeed

Imagina fechar a compra do insumo e, na hora de pegar o crédito, esbarrar numa papelada que não anda. É essa etapa final, a tal última milha entre o balcão e a fazenda, que a Farmtech resolveu atacar. Junto com a Bayer, a fintech ampliou o programa de financiamento e mira R$ 2 bilhões pra revendas e distribuidores, agora com o WhatsApp destravando a contratação.

Num país onde o zap já resolve da consulta médica ao boleto, faz todo sentido o custeio da safra passar por lá também. A conveniência, porém, tem contraindicação, o mesmo toque que adianta o dinheiro também adianta a dívida, e crédito fácil de pegar costuma ser difícil de pagar. Muita “hora nessa calma”.

NOS CORREDORES DE BRASÍLIA

O Brasil resolveu fazer o próprio adubo

Fonte: Giphy

Depender do adubo dos outros sempre foi o calcanhar do agro brasileiro, e o Senado enfim resolveu encarar o problema aprovando o Profert, que exige uma fatia mínima de fertilizante nacional na mistura e abre financiamento pra indústria daqui. É a resposta que faltava desde que o fosfato importado virou refém de guerra e câmbio. Só que o texto saiu mais magro, porque a relatora cortou o fundo e os créditos fiscais pra atender ao pedido do governo por menos gasto.

Soberania do adubo é meta, mas a régua começa em bem pouquinho e só engrossa lá por 2037. Era pra ser sobre adubo, mas do jeito que arrasta ficou com cara de azeite artesanal, aprovada hoje no papel e sentida na lavoura só daqui a mais de uma década. Credo.

POR DENTRO DO MERCADO

O café ficou baratinho, e amargou

Fonte: Giphy

O café brasileiro está vivendo o pior dos mundos pra quem planta e o melhor pra quem só bebe, porque na prateleira o preço teve a maior queda para um período de doze meses desde que o real existe. Lá fora, o país embarcou mais volume em julho, mas voltou com menos receita no bolso, travado por atraso de colheita e porto lento. Depois da disparada quase surreal dos últimos dois anos, o preço só está desinflando o balão que ele mesmo encheu. Pro cafeicultor, a lição é que preço nas alturas nunca foi moradia fixa, e quem não travou a boa fase agora bebe o próprio café mais amargo, sem açúcar do lucro de antes.

DEU B.O.

Terra invadida e ainda pagando imposto?

Fonte: Giphy

Poucas coisas irritam mais o produtor do que pagar imposto sobre uma terra avaliada nas alturas por uma tabela que nunca pisou na fazenda, e o Senado resolveu desatar esse nó.

Relatado por um senador da própria bancada ruralista, o projeto aprovado na Comissão de Assuntos Econômicos livra do ITR o imóvel invadido enquanto a ocupação impede o dono de produzir, e ainda dá a quem discorda da avaliação do Fisco o direito de apresentar contralaudo pra contestar a conta.

Cobrar de quem não consegue nem entrar na própria porteira, ou taxar pelo valor que a planilha inventou, sempre foi o Leão batendo na casa errada. O texto ainda vai à Câmara, então nada de soltar rojão antes da hora, mas a conta da terra enfim pode ser discutida de igual pra igual.

PLANTÃO RURAL

SE DIVERTE AÍ

A dica é o Mathler, aquele desafio diário em que a "resposta" já vem dada e o que você tem que descobrir é a continha escondida que chega nela, em até seis tentativas, com as cores mostrando o caminho, verde é número ou sinal no lugar certo, amarelo é o que existe mas está fora de posição, cinza é o que nem entra.

VIVENDO E APRENDENDO

Resposta da edição passada: a Secex é a Secretaria de Comércio Exterior, ligada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, e é ela que compila e divulga todo mês os números oficiais de exportação e importação do Brasil, a tal balança comercial que o agro acompanha de perto.

Pergunta de hoje: o que é o Ebitda, aquela sigla que aparece em todo balanço de empresa que a gente vê no noticiário?

A resposta você confere na próxima edição!

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