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Bom dia!
Pega o café e acomode-se, pra se atualizar em 5 minutinhos. Uma cana nova apareceu rendendo o dobro na roça. O cafezinho ficou mais barato do que em qualquer ano desde que o real nasceu. O Senado bateu o martelo pra o Brasil parar de depender tanto do adubo dos outros. O crédito da sua revenda, sim, a sua, agora quer chegar por um zap no celular. E uma gigante da carne devolveu o comando pra família bem no tri em que amargou prejuízo.
Pra você começar a quarta um passo à frente do mercado.
Por Luciana Stival
TÁ QUANTO?
Os dados são publicados por BCB e Brapi.
As variações são calculadas em % diária e %YTD (Year to date)
Gringo saindo do Brasil, dólar subindo e juro futuro firme no embalo do risco Brasil. Pro caixa da fazenda isso corta dos dois lados (“la ele”) o câmbio alto engorda a receita de quem exporta soja, carne e café, mas encarece o adubo importado e mantém o crédito caro. Se você vende pra fora, é janela pra travar preço enquanto a moeda ajuda, e se depende de insumo dolarizado ou de dívida nova, é hora de segurar a mão.
NAS CABEÇAS DO AGRO
A JBS voltou pra mão da família

Fonte: Giphy
Dias depois de abrir a porteira pra um sócio do outro lado do mundo, a JBS olhou pra dentro de casa e devolveu o comando à família que a fundou. Wesley Batista Filho assume o topo global da maior empresa de carne do planeta em 2027, e a volta dos Batista cai num trimestre salgado, com prejuízo no fim da conta mesmo faturando o recorde da história.
O vermelho veio do boi que ainda dá dor de cabeça nos Estados Unidos e do frango barato demais sobrando lá fora. Na JBS, herdar o trono é fácil, difícil é herdar o ciclo, e o novo chefe assume com a margem no fundo do poço à espera de o rebanho americano voltar a crescer, porque boi mais farto é boi mais barato de comprar, e é o animal mais em conta que faz o caixa do frigorífico respirar de novo.
SAFRA DE CIFRAS
Mesmo trimestre, dois humores

Fonte: Giphy
No mesmo trimestre, duas empresas do agro contaram histórias opostas, e a diferença foi só uma, onde cada uma foi buscar a margem.
A São Martinho, presa no açúcar e no etanol, viu o lucro encolher com os preços em baixa;
A Adecoagro disparou por ter acabado de entrar no ramo de fertilizante que comprou da Nutrien.
Mesmo tempo, mesmo país, mesmo clima, mas quem ficou colado na commodity pura levou o baque e quem diversificou pro produto certo abriu o sorriso. Na baixa do ciclo, tamanho não segura o tranco, quem segura é a esperteza de não pendurar todo o caixa numa cotação só.
COLHENDO CAPITAL
O crédito da revenda quer chegar pelo zap

Fonte: AGFeed
Imagina fechar a compra do insumo e, na hora de pegar o crédito, esbarrar numa papelada que não anda. É essa etapa final, a tal última milha entre o balcão e a fazenda, que a Farmtech resolveu atacar. Junto com a Bayer, a fintech ampliou o programa de financiamento e mira R$ 2 bilhões pra revendas e distribuidores, agora com o WhatsApp destravando a contratação.
Num país onde o zap já resolve da consulta médica ao boleto, faz todo sentido o custeio da safra passar por lá também. A conveniência, porém, tem contraindicação, o mesmo toque que adianta o dinheiro também adianta a dívida, e crédito fácil de pegar costuma ser difícil de pagar. Muita “hora nessa calma”.
NOS CORREDORES DE BRASÍLIA
O Brasil resolveu fazer o próprio adubo

Fonte: Giphy
Depender do adubo dos outros sempre foi o calcanhar do agro brasileiro, e o Senado enfim resolveu encarar o problema aprovando o Profert, que exige uma fatia mínima de fertilizante nacional na mistura e abre financiamento pra indústria daqui. É a resposta que faltava desde que o fosfato importado virou refém de guerra e câmbio. Só que o texto saiu mais magro, porque a relatora cortou o fundo e os créditos fiscais pra atender ao pedido do governo por menos gasto.
Soberania do adubo é meta, mas a régua começa em bem pouquinho e só engrossa lá por 2037. Era pra ser sobre adubo, mas do jeito que arrasta ficou com cara de azeite artesanal, aprovada hoje no papel e sentida na lavoura só daqui a mais de uma década. Credo.
POR DENTRO DO MERCADO
O café ficou baratinho, e amargou

Fonte: Giphy
O café brasileiro está vivendo o pior dos mundos pra quem planta e o melhor pra quem só bebe, porque na prateleira o preço teve a maior queda para um período de doze meses desde que o real existe. Lá fora, o país embarcou mais volume em julho, mas voltou com menos receita no bolso, travado por atraso de colheita e porto lento. Depois da disparada quase surreal dos últimos dois anos, o preço só está desinflando o balão que ele mesmo encheu. Pro cafeicultor, a lição é que preço nas alturas nunca foi moradia fixa, e quem não travou a boa fase agora bebe o próprio café mais amargo, sem açúcar do lucro de antes.
DEU B.O.
Terra invadida e ainda pagando imposto?

Fonte: Giphy
Poucas coisas irritam mais o produtor do que pagar imposto sobre uma terra avaliada nas alturas por uma tabela que nunca pisou na fazenda, e o Senado resolveu desatar esse nó.
Relatado por um senador da própria bancada ruralista, o projeto aprovado na Comissão de Assuntos Econômicos livra do ITR o imóvel invadido enquanto a ocupação impede o dono de produzir, e ainda dá a quem discorda da avaliação do Fisco o direito de apresentar contralaudo pra contestar a conta.
Cobrar de quem não consegue nem entrar na própria porteira, ou taxar pelo valor que a planilha inventou, sempre foi o Leão batendo na casa errada. O texto ainda vai à Câmara, então nada de soltar rojão antes da hora, mas a conta da terra enfim pode ser discutida de igual pra igual.
PLANTÃO RURAL
Quem pensa em renegociar dívida pela nova MP tem lição de casa antes: advogados alertam que a MP 1.376/2026 ainda depende de regulamentação e que o produtor precisa entender juros, prazos e enquadramento antes de aderir.
O etanol de milho cresce, mas ainda tem que provar que é sustentável lá fora: o Brasil avança na produção, porém precisa convencer o comprador internacional das suas credenciais ambientais para abrir mercado.
A Hidrovias do Brasil achou a virada em Santos: a nova estratégia da companhia no porto melhorou os resultados operacionais e reforça a aposta no escoamento pelo litoral paulista.
Uma gigante do açúcar tenta renascer dois anos depois da recuperação: a Usina Santa Terezinha, que encerrou sua RJ em 2024, planta agora a retomada num setor ainda pressionado por preço e custo.
A Aprosoja acende o alerta: a crise de agora pode ser das grandes: a entidade avalia que o aperto atual de margem, dívida e juro pode se igualar ou superar as crises históricas do setor.
O BNDES liberou dinheiro novo pro agro do São Francisco: o banco aprovou R$ 54 milhões, via Fundo Clima, para a Agrovale modernizar a irrigação por gotejamento e a geração de energia a biomassa da sua unidade de cana em Juazeiro (BA).
Uma cana nova rendeu o dobro no teste, mas com asterisco: a variedade CTC9009 (CTC + Bambuí Bioenergia) mais que dobrou a produtividade num ensaio comercial, só que em condições privilegiadas de solo, irrigação e primeiro corte, o que limita a adoção em larga escala.
SE DIVERTE AÍ
A dica é o Mathler, aquele desafio diário em que a "resposta" já vem dada e o que você tem que descobrir é a continha escondida que chega nela, em até seis tentativas, com as cores mostrando o caminho, verde é número ou sinal no lugar certo, amarelo é o que existe mas está fora de posição, cinza é o que nem entra.
VIVENDO E APRENDENDO
Resposta da edição passada: a Secex é a Secretaria de Comércio Exterior, ligada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, e é ela que compila e divulga todo mês os números oficiais de exportação e importação do Brasil, a tal balança comercial que o agro acompanha de perto.
Pergunta de hoje: o que é o Ebitda, aquela sigla que aparece em todo balanço de empresa que a gente vê no noticiário?
A resposta você confere na próxima edição!
