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Bom dia!
Pega o café e acomode-se, pra se atualizar em 5 minutinhos. A maior cooperativa do país saiu às compras e amanheceu dona dos silos do vizinho. A terra mais cara do Brasil apareceu com plaquinha de promoção na porteira. A soja subiu tanto que foi esbarrar no teto. Uma velha vilã da Amazônia está pertinho de virar mocinha. A sua semente, sim, a sua, virou caso no Cade contra uma gigante. E a Europa reabriu a porteira pro frango, mas deixou o boi esperando sem data.
Pra você começar a semana um passo à frente do mercado.
Por Luciana Stival.
TÁ QUANTO?
Os dados são publicados por CEPEA-Esalq/USP Indicadores sob licença CC BY-NC 4.0. As variações são calculadas em % diária e %YTD (Year to date)
A semana fechou com quase tudo no verde, mas o ano conta outra história: o arroz e o algodão são os que estão realmente bem no acumulado, e o milho segue no vermelho apesar da alta do dia. Vale olhar essas duas colunas juntas, porque quem só acompanha o dia comemora cedo e quem só olha o ano esquece que o mercado vira rápido.
DE OLHO DO PORTO
Salvaram o frango e esqueceram o boi

Fonte: Giphy
A Europa deu senha de volta pro frango e esqueceu o boi na fila. Como a ave tem ciclo curto, dá pra auditar rápido, e ela retorna em novembro. Já a carne bovina, que sozinha vale US$ 1,05 bilhão do que embarca pro bloco, ficou sem data e sem promessa.
E o pior é que a suspensão nem é mais risco, é agenda: a auditoria só chega dia 24 de agosto e o veto começa em 3 de setembro, ou seja, não dá tempo nem se todo mundo correr. Pro pecuarista, a conta é simples e amarga, o freguês que pagava melhor sai do radar por tempo indeterminado.
Quem já tem porta aberta na Ásia respira; quem só tinha o carimbo europeu vai precisar de plano B antes que o comprador se acostume com o vizinho.
DEU B.O.
O Cade quer condenar a Bayer pela sua semente

Fonte: Canal Rural
Você escolheu a sua semente ou escolheram por você? O Cade acha que foi a segunda opção.
O que saiu: a Superintendência do órgão recomendou condenar a Bayer por dar incentivo pra quem desenvolve semente adotar a Intacta, patenteada, em vez de tecnologia que já caiu em domínio público.
Traduzindo do economês: domínio público é semente sem royalty. Se colar, você passou anos pagando por uma tecnologia enquanto a opção de graça ficava escondida no fundo da prateleira.
E daí pra você: o caso ainda vai ao tribunal, e os produtores de Mato Grosso já cobram R$ 10 bilhões de royalties pagos a mais. Quem guardou nota fiscal de semente fez, sem saber, o melhor arquivo da fazenda.
PAUTA VERDE
Vamos abraçar a palma na Amazônia

Fonte: Giphy
Palma na Amazônia?
Calma, não é o que você está pensando, eu posso explicar.
A fama de vilã veio da Indonésia, que derrubou floresta em série. Aqui a lei só deixa plantar em terra já desmatada pouco produtiva, e é essa palma que pode triplicar a área em dez anos, de 280 mil para 1 milhão de hectares, virando combustível de avião.
O número impressiona: com meio por cento da área da soja, ela entrega o equivalente a 5% de todo o óleo do grão, e o avanço no Norte vem puxado por agricultura familiar. Melhor ainda, a lei antidesmatamento europeia barra o que saiu de área derrubada depois de 2020, e a nossa palma, com regras desde 2008, passa com doze anos de folga.
Ironicamente, o Brasil importa um terço do óleo que consome, boa parte da Indonésia, comprando lá fora justo o que não passaria na régua que a Europa aplica na gente.
Uma ótima notícia, finalmente.
SAFRA DE CIFRAS
A soja bateu no teto

Fonte: TheAgriBiz
O agro se acostumou a resolver tudo plantando mais, e essa conta bateu no limite. O Rabobank projeta área de soja estável na safra 26/27, coisa que não acontece há vinte anos, num setor que abria lavoura a 4% ao ano. Não é colapso, é pausa, com margem apertada, crédito caro e demanda mundial em marcha lenta. E o freio chega de barriga cheia, porque nesse mesmo período o Brasil saiu de 28% para 42% da soja do planeta. A virada é essa: sem hectare novo, o lucro passa a vir de produtividade, custo e hora de vender. Menos enxada, mais planilha.
COLHENDO CAPITAL
A terra mais cara do país entrou em liquidação

Fonte: Giphy
A terra mais nobre do país está saindo por um quarto do que valia.
O hectare em Sorriso valia R$ 200 mil há três anos, hoje vale R$ 100 mil, e tem produtor aceitando R$ 50 mil numa venda com direito de recompra.
Do outro lado do balcão, os Fiagros dizem que agora fecham negócio com gente que dois anos atrás nem atendia telefone, e o juro cobrado caiu de CDI mais 5% para CDI mais 3%, sinal de fila de dinheiro querendo entrar. Quem vende hoje resolve o caixa e entrega o patrimônio de uma vida.
Moral da história, quem atravessa o ciclo sem passar a matrícula adiante costuma ser quem compra a fazenda do vizinho depois.
NAS CABEÇAS DO AGRO
A Coamo saiu comprando os silos do vizinho

Fonte: TheAgriBiz
Quem tem armazém escolhe quando vende, e quem não tem entrega a safra no pior preço do ano, o da colheita. Foi essa peça que a Coamo, a maior cooperativa do país, acabou de reforçar: comprou por R$ 136 milhões quatro unidades no norte do Paraná que eram de um fundo do Pátria, e ainda assumiu a operação de outras dez da Belagrícola, que está em recuperação.
A pressa tem explicação: o Brasil só consegue guardar cerca de 60% do que colhe. Enquanto o fundo sai e a revenda encolhe, a cooperativa avança onde o cooperado precisa segurar grão. Silo é aquele investimento chato que parece caro demais, até o dia em que o preço despenca e você é o único da região que pode esperar.
PLANTÃO RURAL
Uma gigante do Japão comprou um pedaço de Goiás: a Zen-Noh, federação de cooperativas japonesas, comprou 30% do Grupo Cereal, de Rio Verde, que faturou R$ 5,2 bilhões em 2025.
Os EUA vão reabrir a fronteira ao gado mexicano: o USDA anunciou a reabertura em 30 dias, depois de mais de um ano fechada por causa da mosca-varejeira, o que aumenta a oferta de boi por lá.
O leite de jumenta pode substituir antibiótico no gado: uma pesquisa avalia o potencial do alimento como diluente na conservação de sêmen de equinos, numa hora em que o mundo cobra menos antimicrobiano.
O tabaco pode perder US$ 100 milhões com o tarifaço: o setor estima o prejuízo com a tarifa americana, num elo em que o Sul concentra a produção.
O acordo entre EUA e China mexeu com a soja: a aproximação ganhou tração no grão, mas o Brasil segue competitivo no preço posto no porto.
A China abriu a porta para frutas congeladas do Brasil: o país divulgou os procedimentos para exportação de polpas e frutas congeladas, e os estabelecimentos já podem se registrar.
A Argentina vai fabricar ureia de olho no Brasil: o vizinho investe US$ 1 bilhão numa fábrica pensando no mercado brasileiro, que importa a maior parte do adubo que usa.
A soja está avançando sobre os parreirais gaúchos: no Rio Grande do Sul, a expansão do grão pressiona as áreas históricas de uva e muda a paisagem do vinho brasileiro.
SE DIVERTE AÍ
Segunda-feira pede algo pra acordar a cabeça sem doer muito. A dica é o Letreco, a versão brasileira do clássico das cinco letras: você tenta adivinhar a palavra do dia em seis tentativas, e as cores vão dizendo o que está no lugar certo. É rápido, roda no celular e é perfeito pra ganhar aquela primeira pequena vitória do dia antes de encarar a lista de tarefas.
VIVENDO E APRENDENDO
Resposta da edição passada: o café veio originalmente da África, mais precisamente da Etiópia, de onde se espalhou pelo mundo árabe e só depois chegou às Américas, onde o Brasil viraria o maior produtor global.
Pergunta de hoje: o que é o CBAM, a "taxa de carbono na fronteira" da União Europeia?
A resposta você confere na próxima edição!
