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Sabadou!
E a semana foi de dinheiro curto e conta pra depois. O crédito da safra prometeu ser o mais barato de todos e simplesmente não saiu do banco na largada do plantio, deixando muito produtor financiar a própria semente no fiado da vida. No Congresso, o Brasil resolveu parar de depender do adubo dos outros, aprovou o incentivo à fábrica nacional e ainda descobriu na raiz do algodão uma bactéria que faz de graça parte do serviço da ureia, só que a conta cheia dessa independência só chega lá na frente. Na turma das gigantes, a JBS abriu a porta pra um sócio do tamanho de um país, enquanto os EUA taxavam a nossa picanha e, sem gado em casa, acabavam pagando o preço mais caro da história por ela. E na temporada de balanços ficou claro o retrato do momento, quem tirou o dinheiro direto do chão brindou o lucro e quem só processa engoliu o prejuízo. Isso foi só a palha de cima. O detalhe de cada uma dessas histórias tá logo abaixo, é só descer o dedo.
Chega mais que a gente coloca a semana em dia em 5min.
Por Luciana Stival
TÁ QUANTO?
Lavoura: a soja no melhor do ano, o café no pior. A soja passou a semana firme, pregada perto de R$ 146 a saca e no maior patamar do ano, sustentada pela procura chinesa no porto mesmo com a supersafra recorde ameaçando afrouxar o preço. O café foi o contraste, amargando a maior queda ao consumidor desde que o real nasceu, alívio pra quem bebe e ressaca pra quem planta.
Boi: arroba firme com prazo de validade. A arroba seguiu lá em cima, perto de R$ 347, sustentada pela oferta menor de gado no pasto mesmo com a China pisando no freio, e os EUA ainda pagaram o maior preço da história pela nossa carne. O aperto de oferta é de verdade, mas quando o confinamento despejar boi no fim do ano o jogo pode virar.
Câmbio e juros: firme pelo motivo errado. O dólar fechou a semana firme, perto de R$ 5,19, só que subindo por fuga de capital de fora e não por boa notícia, com a Bolsa emendando queda atrás de queda. Câmbio alto até engorda a margem de quem exporta soja e café, mas o crédito da lavoura só respira de verdade quando a Selic, agora em 13,75%, ceder junto.
No placar da semana: a soja e o boi seguraram o time, o café e o açúcar amargaram, o câmbio jogou firme mas por medo, e o crédito ficou no banco esperando a vez de entrar em campo.
Fontes: Cepea/Esalq-USP, CME/CBOT, ICE/Nova York (Reuters), Banco Central/Focus e B3. Panorama informativo, não recomendação de investimento.
COLHENDO CAPITAL
O crédito prometeu mas não veio

Fonte: Globo Rural
O crédito foi o personagem principal da semana, e a lição que ele deixou é que taxa camarada no anúncio não paga semente na porteira. Prometeram o juro mais baixo da safra e o desembolso da largada despencou pra menos da metade do ano passado, com o Tesouro atrasando a equalização e os bancos com o pé atrás num agro que bate recorde de recuperação judicial. Quando o dinheiro oficial trava, o mercado corre por fora, e a Farmtech com a Bayer já miram R$ 2 bilhões em crédito de revenda contratado pelo zap, sinal de que o custeio da safra agora cabe no celular. No fim da semana o governo até destravou a equalização das renegociações, mas no mesmo dia o Banco do Brasil viu o calote subir e passou a pedir mais garantia antes de soltar o recurso. O gargalo não sumiu, só trocou de endereço, saiu da mesa do Tesouro e foi parar na mesa do gerente, e quem tratar o mercado de capitais como ferramenta de trabalho fecha a conta mais barato que o vizinho que ainda faz fila na porta do banco.
NOS CORREDORES DE BRASÍLIA
O Brasil correu a semana pra largar o adubo importado

Fonte: CNN Brasil
Depender do adubo dos outros sempre foi o calcanhar do agro brasileiro, e a semana mostrou o país atacando o problema em dois flancos ao mesmo tempo, o da lei e o da ciência.
Em Brasília, o Senado aprovou o Profert, que exige uma fatia mínima de fertilizante nacional na mistura, e a Câmara ainda recolocou de carona no PLP dos Combustíveis o crédito fiscal pra fábrica daqui que a relatora tinha cortado na véspera pra agradar o governo.
Por baixo, a bancada da ciência empurrou junto, com a Embrapa achando na raiz do algodão uma bactéria que puxa o nitrogênio do ar direto pra planta, o mesmo caminho que o presidente da CTNBio defende quando pede que o país deixe de só usar e passe a gerar biotecnologia.
O nó é o relógio, porque a régua da lei começa em bem pouquinho e só engrossa lá por 2037, e a bactéria ainda é ciência de casa de vegetação. Soberania do adubo virou meta de verdade nesta semana, mas quem espera sentir no custo do hectare vai ter que esperar a próxima década bater.
NAS CABEÇAS DO AGRO
As gigantes passaram a semana jogando xadrez

Fonte: AGFeed
Com crédito caro e margem apertada, gigante parado vira alvo, e essa semana foi de todo mundo se mexer pra escolher o próprio destino em vez de esperar o ciclo decidir. A JBS deu o lance mais barulhento, abriu a porta pro fundo soberano da Indonésia, que entra com US$ 2,5 bilhões por 25% da operação australiana num negócio que avalia a fatia em quase o dobro do que a ação vale em Nova York, e dias depois olhou pra dentro de casa e devolveu o comando à família Batista bem num trimestre de prejuízo.
Do outro lado do tabuleiro, sem holofote, a ICL mostrou onde mora o dinheiro no adubo apertado, reforçando a aposta na especialidade foliar de maior valor enquanto o NPK comum encolhe a margem. O recado pro produtor é que o dono da mesa onde ele compra e vende pode trocar de sobrenome, de sócio ou de estratégia a qualquer hora, e quem depende de um elo só fica sempre na ponta que menos decide.
COMO TÁ LÁ FORA?
A proteína provou que demanda de verdade não se taxa

Fonte: Canal Rural
Política manda no discurso, mas quem dita o preço da carne é a biologia, e a semana foi uma aula disso pra quem exporta proteína. Os EUA carimbaram o tarifaço na nossa carne, só que estão com o rebanho no menor nível em gerações e acabaram voltando a lotar o carrinho, pagando o preço recorde da série histórica pela tonelada mesmo com a exportação total do mês encolhendo. Por aqui, o que segura a arroba nem é a demanda, é a oferta menor de gado depois de dois anos abatendo fêmea, e a boiada curta manteve o boi gordo perto de R$ 347 mesmo com a China no freio. O reverso da moeda apareceu no porco, que embarcou mais e faturou menos porque teve que espalhar a carga por vários fregueses quando o chinês recuou. A lição da semana é dupla, sobretaxa não segura churrasco quando a fome é real, e depender de um comprador só é o risco que sempre cobra a conta na hora errada.
SAFRA DE CIFRAS
A temporada de balanços mostrou dois agros no mesmo país

Fonte: NPagro
A leva de balanços do trimestre contou sempre a mesma história por baixo dos números, quem estava mais perto da terra faturou e quem vive depois dela apanhou. No campo da cana, a São Martinho, presa no açúcar e no etanol em baixa, viu o lucro encolher, enquanto a Adecoagro disparou 170% por ter acabado de entrar no ramo do fertilizante. Na lavoura de grãos e fibra, a SLC Agrícola disparou o lucro puxada por algodão, soja e uma safra recorde, e do lado de quem processa a conta veio salgada, com a Minerva encolhendo no abate, a Suzano derretendo na celulose com o real forte e a Kepler Weber afundando nos silos. Mesmo trimestre, mesmo clima, mesmo país, e a diferença não foi sorte, foi posição na cadeia, porque quem tira o dinheiro direto do chão pega o preço cheio da commodity e quem precisa abater, prensar ou armazenar fica espremido entre o custo lá em cima e a margem lá embaixo.
DEU B.O.
O poder público mexeu no bolso do agro em três frentes

Fonte: TheAgriBiz
O setor sucroenergético foi o mais visado da semana, e o que amarra as cenas é a mesma lógica, o açúcar virou moeda de troca de uma briga que nem é dele. Washington cortou a cota que entra pagando tarifa baixa de 156 mil para 100 mil toneladas, uma tesourada de quase 36%, e deixou claro que devolve o pedaço se o Brasil ceder no etanol americano, ou seja, sacrificou o doce pra apertar o álcool. Enquanto isso, dentro de casa, a Justiça bateu à porta das usinas endividadas, autorizando penhorar 15% da produção do Grupo Itajobi e deferindo a recuperação judicial de um frigorífico do mesmo aperto de crédito caro. E a ironia fechou o círculo lá fora, com o índice de alimentos da FAO no maior nível em três anos puxado justamente pelo açúcar, que subiu quase 6% pela aposta do mundo em mais etanol brasileiro. O mundo paga mais caro pelo nosso açúcar na esperança do nosso álcool, e no tabuleiro do tarifaço peão é sempre a peça que se sacrifica primeiro.
PLANTÃO RURAL DA SEMANA
A safra recorde saiu em dois velocímetros: a Conab elevou a safra 25/26 pro recorde de 360,8 milhões de toneladas e, no mesmo dia, o IBGE cravou 353 milhões, os dois puxados pela soja e apontando pro mesmo canto, tem grão saindo até pelo ladrão.
Colher foi o fácil, tirar do campo é o problema: o governo lançou o Plano Nacional de Logística, que estima mais de R$ 1,2 trilhão em obras pra desafogar o transporte, mas o plano mira 2050 e a supersafra precisa escoar já, ainda no lombo do frete mais caro do mundo.
A carne bovina achou freguês novo nas Filipinas: com a China puxando o freio, a Abiec projetou embarcar até 96 mil toneladas ao país asiático neste ano, e o Brasil já responde por mais da metade de toda a carne que as Filipinas importam.
A China agora quer vender a semente, não só comprar o grão: a gigante DBN Biotech anunciou que mira quase um terço do mercado brasileiro de biotecnologia de soja, hoje dominado por Bayer e Corteva, disposta a abrir mão de lucro no começo pra acelerar a entrada.
Angola abriu a porteira e chamou o agro brasileiro: o presidente João Lourenço vem a São Paulo em setembro atrás de investimento, com o país africano abrindo terras e mirando justamente onde o Brasil é forte, proteína, grão e a tecnologia pra tirar os dois do chão.
O El Niño subiu de "forte" pra "muito forte": a NOAA elevou pra 93% a chance de o fenômeno ficar muito forte nos próximos meses, e o governo já correu pra encher o armazém de arroz e ração antes de o clima mexer na safra.
O mundo largou o copo de suco de laranja: a CitrusBR alerta que o consumo mundial de suco despencou quase pela metade em quinze anos, com o preço recorde espantando o consumidor de EUA e Europa, enquanto a laranja fresca segue firme.
SE DIVERTE AÍ
O jogo é o Chronophoto, que te mostra uma foto e pede pra você adivinhar em que ano ela foi tirada, arrastando o cursor na linha do tempo, e quanto mais perto do ano certo, mais pontos você faz em cinco rodadas. É aquela discussão gostosa de quem jura que sabe a idade de uma foto só de bater o olho, perfeita pra puxar almoço de família.
VIVENDO E APRENDENDO
Resposta da edição passada: a NOAA é a National Oceanic and Atmospheric Administration, a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica, a agência científica do governo dos Estados Unidos que monitora oceanos, atmosfera e clima e emite os boletins que classificam fenômenos como o El Niño, aquele mesmo que ela acabou de subir para "muito forte".
Pergunta de hoje: o que é a Moratória da Soja?
A resposta você confere na próxima edição!
