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Bom dia!

Pega o café e senta que em 5 minutinhos você inicia a semana já por dentro do agro. Uma casquinha de celulose fez a ciência brasileira resolver um problema que o campo reclamava faz tempo. O boi ficou tão difícil de achar que o pecuarista voltou a mandar no preço. Aqui dentro, a Justiça bateu na porta de duas usinas no mesmo fim de semana. O açúcar, sim, o seu açúcar, virou refém numa queda de braço por causa do etanol. E a maior do agro brasileiro achou um sócio do tamanho de um país inteiro pra fincar bandeira do outro lado do mundo.

Pra você começar a semana um passo à frente do mercado.

Por Luciana Stival.

TÁ QUANTO?

MERCADO valor % dia % YTD
SOJA (Paranaguá, sc 60kg) R$145,15 0,12% 2,94%
BOI GORDO (@ 15kg) R$347,50 -0,23% 8,86%
AÇÚCAR (cristal SP, sc 50kg) R$96,02 2,28% -12,71%
MILHO (ESALQ/B3, sc 60kg) R$65,02 0,28% -6,45%
TRIGO (Paraná, R$/t) R$1.414,46 0,02% 19,65%

Os dados são publicados por CEPEA-Esalq/USP Indicadores sob licença CC BY-NC 4.0. As variações são calculadas em % diária e %YTD (Year to date)

Bolsa apanhou mais uma vez, puxada pelas gigantes de sempre, e fechou a semana no vermelho, enquanto o dólar foi na contramão da bagunça lá fora e recuou, deixando o real de pé na foto.

NAS CABEÇAS DO AGRO

A JBS e o novo sócio

Fonte: Giphy

O recado que a JBS mandou nesse fim de semana é menos sobre carne e mais sobre plataforma: a gigante dos Batista achou um sócio do tamanho de um país pra bancar a Ásia sem torrar o próprio caixa.

O fundo soberano da Indonésia, o Danantara, entra com US$ 2,5 bilhões por 25% da JBS Austrália, num negócio que avalia a operação em US$ 10 bilhões e, com a dívida que ainda vem por cima, arma um cofre de US$ 5 bilhões pra fincar bandeira num mercado de quase 745 milhões de bocas com renda subindo.

O detalhe que entrega o jogo é o preço, porque o múltiplo saiu quase o dobro do que a ação vale em Nova York, ou seja, tem valor preso que o mercado de fora não estava enxergando. Quem exporta proteína que anote o endereço, que a próxima boiada de dinheiro grande vai passar por ali.

DEU B.O.

O açúcar virou refém do etanol

Fonte: Globo Rural

Isso não foi decisão técnica, foi carta na manga, os EUA seguraram o açúcar brasileiro de refém pra arrancar o etanol na mesa de negociação. Washington cortou a cota que entra pagando tarifa baixa de 156 mil para 100 mil toneladas a partir de outubro, uma tesourada de quase 36%, e deixou no ar que devolve o pedaço sumido se o Brasil fizer uma proposta comercial do agrado deles. O que denuncia a jogada é a aritmética, o volume cortado bate exatinho com o que ficou sem dono na fila, e todo mundo sabe qual é a moeda cobrada em troca, a tarifa que o Brasil impõe ao álcool americano.

COLHENDO CAPITAL

A Justiça bateu na porta de duas usinas de uma vez

Fonte: Giphy

A conta do dinheiro caro chegou em dose dupla nesse fim de semana, e ela conta sempre a mesma verdade: quem cresceu com capital dos outros é o primeiro a sentar na mesa quando o juro sobe. Em São Paulo, a Justiça autorizou penhorar 15% da produção diária das usinas do Grupo Itajobi, que tenta renegociar R$ 3,76 bilhões com cerca de 4 mil credores sem entrar em recuperação, e agora vê um credor furar a fila e receber em açúcar antes da conciliação de 24 de agosto. No Paraná, o roteiro foi o inverso, o frigorífico BMG Foods, do grupo paraguaio Concepción, teve a recuperação judicial deferida, R$ 3,5 bilhões em dívidas e 60 dias pra apresentar o plano, menos de uma semana entre o pedido e o carimbo da juíza. Nós contamos essa novela desde a Raízen e a onda de recuperações que cresceu dois terços no ano, e a lição não muda, homologar plano ou penhorar produção não paga a conta, só decide quem senta primeiro. E juro alto não espera novela acabar.

COMO TÁ LÁ FORA?

A comida do mundo não estava tão cara há três anos

Fonte: Forbes

Preço de comida em alta lá fora é faca de dois gumes pro Brasil, e a lâmina que corta depende de que lado do balcão você está. O índice que a FAO usa pra medir o custo dos alimentos no mundo bateu em julho o maior nível em mais de três anos, puxado pelo trigo, que saltou quase 6% no mês com a encrenca no Mar Negro e o calor nas lavouras do hemisfério norte. O recorte que mais interessa aqui é o açúcar, que subiu quase 6% no índice justamente pela aposta em mais demanda de etanol no Brasil, o mesmo etanol que os americanos querem na mesa. Ou seja, o produtor brasileiro ganha vendendo grão e proteína mais caros, mas paga a conta no fertilizante importado, no trigo que a gente compra de fora e no pão da padaria. O economista-chefe da própria FAO chamou o momento de tempestade perfeita, guerra somada a El Niño, e tempestade, no campo, todo mundo sabe que molha os dois lados.

POR DENTRO DO MERCADO

O boi ficou difícil de achar, e o preço agradece

Fonte: Giphy

O que segura o preço do boi neste segundo semestre nasce na porteira, não no balcão do açougue, e é bom o pecuarista aproveitar, porque alívio de oferta tem prazo de validade. Depois de dois anos abatendo fêmea a rodo, sobrou menos animal pronto no pasto, e essa oferta menor sustenta a arroba mesmo com a China pisando no freio, tanto que o boi gordo fechou a sexta perto de R$ 347 no Cepea. E olha que a China pisou fundo, porque com a cota esgotada o embarque de carne pro país caiu quase à metade em julho, o tipo de baque que costuma derrubar cotação, mas a boiada curta segurou as pontas. O outro lado da moeda é o consumidor, que vê a picanha subir e migra pro frango, e é aí que aparece o prazo de validade, quando o confinamento despejar boi no fim do ano bem na hora que a nova cota chinesa reabre, o jogo vira. Por ora, quem tem gado pronto está com a faca e o queijo na mão, e dessa vez o trocadilho é quase literal.

MENTES QUE GERMINAM

A casquinha que faz o fungo trabalhar mais

Fonte: Giphy

Ontem a gente cravou aqui que o Brasil é o maior mercado de biológicos do mundo mas peca em pesquisa própria, e a resposta chegou rápido, com ciência nacional resolvendo um gargalo de verdade. Pesquisadores do Instituto Biológico, com apoio da Fapesp, criaram uma cápsula de celulose que embrulha o fungo Beauveria bassiana, aquele que vira inseticida natural, e fizeram a viabilidade dele subir de 69% para 85% depois de cinco meses guardado, usando a mesma fibra que dá textura a sorvete pra o fungo durar mais na prateleira e ser solto devagar na lavoura, o que vira menos reaplicação e menos custo por hectare.

Só que a ironia caiu na mesma semana, porque o setor teme a burocracia de um decreto que pode sair já já e afogar em papelada justo o registro desse tipo de inovação. É o agro brasileiro numa cena só, a bancada da ciência entrega a solução e a do carimbo ameaça travar, num mercado que o país lidera mas ainda depende de defensivo agrícola importado. Quando tem verba e paciência, a pesquisa nacional entrega, agora é torcer pra o decreto não transformar a casquinha de sorvete em fila de guichê.

PLANTÃO RURAL

  • O pão pode ficar mais caro: moinhos e padarias tentam segurar a alta do trigo, que subiu de 12% a 15% no ano, mas o pão francês deve ganhar reajuste de até 4%, e o setor fala no ano mais desafiador em duas décadas.

  • O Paraná colheu cevada como nunca: a safra recorde do cereal, quase 500 mil toneladas e 78% da produção do país, puxou R$ 5 bilhões em investimentos de cervejarias no estado desde 2020.

  • A Lar mira acima de R$ 24 bilhões: a cooperativa projeta faturar mais em 2026 mesmo com a pressão sobre as margens de proteína, mostrando fôlego onde muita gente aperta o cinto.

  • A Maringá aposta na biomassa: o grupo vai investir R$ 120 milhões em geração de energia a partir de biomassa, transformando resíduo do campo em eletricidade.

  • O Mar Negro mexe com a sua conta: a escalada da guerra na região pressiona grãos, óleos e o frete marítimo, e o efeito respinga no preço que o produtor brasileiro paga e recebe.

  • Agtech agora troca ação por dívida: com o juro alto, startups de tecnologia agrícola e limpa passaram a se financiar com empréstimo em vez de vender participação, pra não entregar fatia da empresa barata.

  • Dois em cada três cortes prime dos EUA: a maior parte da carne classificada como prime nos Estados Unidos vem do cruzamento de Angus com gado leiteiro, uma jogada de genética que muda o padrão do rebanho.

  • O bioinsumo pode ganhar mais burocracia: o setor teme que o decreto que regula registro, produção e uso de bioinsumos, esperado pros próximos dias, encha a fila de papelada num mercado que hoje corre solto.

SE DIVERTE AÍ

Segunda-feira pede um jogo pra destravar a cabeça sem doer muito. A dica de hoje é o 2048, aquele clássico de deslizar os números iguais pra ir somando até chegar na casa do 2048. Perfeito pra ganhar aquela primeira pequena vitória do dia antes de encarar a lista de tarefas.

VIVENDO E APRENDENDO

Resposta da edição passada: o maior bioma do Brasil em área é a Amazônia, que ocupa cerca de 49% do território nacional, quase metade do país.

Pergunta de hoje: o que é um fundo soberano, como o da Indonésia que acabou de entrar de sócio na JBS?

A resposta você confere na próxima edição!

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