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Bom domingo!
Domingo é dia de rede na varanda. Aí a rede pende para o lado do curral: o Charolês virou o noivo da vez para a vaca meio-sangue, e o sogro quer saber quem paga o cocho. E volta para a cadeira do fundador que vendeu a sementeira, ficou na roça e virou conselheiro dos próprios filhos. Descendo a tela, ainda tem o cofre de carbono do Cerrado, jogo, pergunta e muito mais.
Pra você levantar da rede na segunda sabendo quem paga melhor.
Por Luciana Stival.
RURALIDADES
Academia Jovem Novilho Precoce (processo seletivo em Tocantins): a turma de jovens que a Associação está montando para aprender com quem já toca fazenda, com visitas técnicas, dias de campo e cursos; vale para estudante de qualquer curso ou quem já trabalha no campo, morando no Tocantins, e a inscrição vai só até segunda, 12 de outubro, com currículo e um vídeo de 90 segundos.
Ataque dos Cães (filme de 2021, na Netflix, assinatura a partir de R$ 20,90): Benedict Cumberbatch faz o fazendeiro durão dos anos 1920 que declara guerra de ameaças à nova esposa do irmão e ao filho adolescente dela, faroeste de jogo mental para quem já viu sociedade entre irmãos azedar dentro da porteira.
As Vinhas da Ira (livro de John Steinbeck, pela Record, R$ 84,90): a família Joad perde a terra para a seca de Oklahoma e vai colher fruta de fazenda em fazenda na Califórnia, em 560 páginas de 1939 que levaram o Pulitzer e contam melhor que qualquer planilha o que uma quebra de safra faz com uma família.
Prosa Agro (podcast do Itaú BBA, no Spotify, grátis): o resumo semanal de mercado, do boi gordo ao petróleo, dura de 5 a 7 minutos e cabe no trajeto até o galpão, e as conversas longas, como a de 1h05 sobre o algodão brasileiro, ficam para a estrada.
Azeite Sabiá Blend de Terroir (azeite de Santo Antônio do Pinhal, SP, e Encruzilhada do Sul, RS, na loja da fazenda): safra 2026, quatro variedades de oliveira num só blend, com nota de alcachofra e grama recém-cortada, para quem quer provar azeite colhido este ano em vez do importado que chega um ou dois anos depois de feito.
PAPO DE CURRAL
O Charolês virou o noivo da vez, e a conta do casamento vem no cocho

Fonte: Giphy
Quem cria com fêmea F1 Angus x Nelore conhece a ladainha do sogro: toda raça europeia chega prometendo o genro perfeito. O pretendente da vez é o Charolês, e o AgFeed foi ouvir quem vende o noivo: o tricross põe o touro Charolês sobre a meio-sangue, e o bezerro sai com 50% Charolês, 25% Angus e 25% Nelore. O criador André Berta, do Charolês Figueira, promete mais ganho de peso e mais rendimento de carcaça no fim do confinamento; a promessa é dele, que vende o touro.
O dote tem registro em cartório: em março, o Giro do Boi mostrou números apresentados por um comprador de gado da Friboi de Campo Grande (MS), de uma fazenda que termina em pasto com cocho: carcaças de 17 arrobas nas novilhas e 21,6 nos machos tricross. Só que o filho desse casamento é três quartos europeu, e, jogado no pasto, perde ganho de peso no verão, sem conforto térmico, avisa um zootecnista e supervisor comercial da Genex. O noivo pede cocho, não varanda.
E o prêmio do frigorífico é outra conversa: quem pode chegar a um adicional de cerca de 10% sobre a arroba, em algumas operações, é o Angus certificado; o Charolês teve programa parecido em Santa Catarina, que acabou depois de uns dez anos, e hoje a porta citada é o protocolo da Friboi para animais com pelo menos metade de sangue taurino.
TRAMPO NO CAMPO
O campo trocou de painel, e a autoescola de graça abriu fila

Fonte: Giphy
O mecânico da sua fazenda não precisa de macacão novo; precisa de carteira nova. Um executivo da John Deere disse à Globo Rural que a maior mudança da tecnologia vai acontecer nas profissões tradicionais do campo, mais do que nos cargos novos de dado e IA; na mesma matéria, o mecânico passa a trabalhar no computador e o operador, a interpretar indicadores. Quem fala é quem vende o painel. O agro ocupava 28,4 milhões de pessoas em 2025, 2,2% a mais que no ano anterior, contra 1,7% do mercado de trabalho em geral.
A autoescola existe e é de graça: o Senar i, Centro de Formação em Inovação no Agro do Senar, que será inaugurado em 2027 em Salvador, oferece dois cursos híbridos gratuitos, um de drones para o agro, de 54 horas, e um de dado na pecuária, de 42 horas. A letra miúda está no botão: no site do Senar i, o botão "Quero me inscrever" é registrar interesse para ser avisado quando abrir turma, e os cursos pedem ensino superior completo ou último ano. Sem diploma, a turma não abre para você.
A porta com data é outra, e dá prioridade a quem já está no campo: em Santa Catarina, o Sistema Faesc/Senar abriu cursos técnicos gratuitos em Agronegócio e Zootecnia, em seis polos, com inscrição até 24 de novembro e prioridade para produtores, familiares e colaboradores.
Olhe quem no seu time já lê o painel; para os outros, a prova tem data.
MENTES QUE GERMINAM
A Embrapa trocou o balcão por autoatendimento para quem escolhe touro Brangus

Fonte: Giphy
Escolher touro pela DEP era pegar senha no balcão: o criador de Brangus entrava em contato com a associação e pesquisava a lista dos reprodutores com os melhores índices para o que queria. A Embrapa Pecuária Sul e a Associação Brasileira de Brangus puseram um totem no lugar: o Brangus+IA, uma inteligência artificial dentro do programa oficial de melhoramento da raça, de graça na plataforma do programa.
O pedido é em português, e dá para ponderar: você pede os animais com melhor peso ao sobreano, com peso 8, e que ao mesmo tempo resistam ao carrapato, com peso 2, e a indicação vem na hora. Testamos: a página abre numa caixa de conversa, aceita a pergunta sem cadastro e devolve uma tabela com a DEP, a acurácia e o percentil de cada animal.
A letra miúda do totem: ele só atende Brangus, não serve para Nelore nem Angus, e, a quem pergunta, ele explica o que é DEP, acurácia e percentil. O texto da Embrapa não põe número no ganho do criador; a associação da raça fala em eficiência do programa de melhoramento, valorização dos animais e avanço técnico.
Se você cria Brangus, o balcão agora é seu teclado; se cria outra raça, continue na fila.
PAUTA VERDE
O carbono do Cerrado prefere cofre de argila, e pode ser que o seu solo seja bolso furado

Fonte: Giphy
Antes de falar em estoque de carbono na sua fazenda, olhe o laudo de textura. Um estudo do CNPEM com a Esalq/USP e a Colorado State University juntou 30 trabalhos do Cerrado, de mais de cem encontrados, e chegou a uma conclusão simples: o carbono associado aos minerais, o mais protegido da decomposição, acompanha o silte e a argila. Solo argiloso é cofre; solo arenoso é bolso.
A outra parte do carbono, a dos resíduos pouco decompostos, é a que vaza: temperatura e pH mais altos andaram junto com menos carbono dessa fração, segundo o próprio CNPEM, que divulga a pesquisa. E o saldo da mata continua maior: a vegetação nativa guarda, em média, 7,3 gramas de carbono associado aos minerais por quilo de solo a mais que a lavoura, inclusive a de plantio direto. O plantio direto pode ajudar a segurar o cofre; o saldo da mata é outra conta.
O que a pesquisadora aponta cabe num extrato: o plantio direto pode proteger o carbono dentro dos agregados, e rotação, sistemas integrados e resíduo orgânico podem potencializar a retenção. E o cofre de argila ainda tem espaço: o estudo não achou sinal de saturação.
QUEM FICA COM A FAZENDA
Vendeu a sementeira, ficou na roça e hoje é cada filho numa área da empresa

Fonte: Giphy
Antônio Pimenta, de Rio Verde (GO), foi um dos fundadores, em 1999, de uma sementeira de soja e, em 2020, vendeu o negócio inteiro, com o sócio, para uma empresa canadense. Podia ter se aposentado do crachá; preferiu abrir outro organograma.
Hoje ele toca uma operação agrícola familiar com os três filhos, e cada um atua numa área: governança, finanças e operação, segundo contou ao Projeto Soja Brasil, do Canal Rural. E o fundador? Ficou no conselho, ajudando, diz ele, em todas as áreas que pode. A fazenda tem consultoria contábil, fiscal e de governança, porque, diz ele, a propriedade é tratada como empresa.
A linha mais chata do organograma é a do caixa: a família procura depender menos de crédito, antecipar compra e pagar à vista, sempre que dá, para cortar o custo financeiro.
Sucessão, nessa fazenda, tem organograma: cada filho na sua área, e o fundador na cadeira do conselho.
PRA DENTRO DA PORTEIRA
A Beggio Lorenzo faz check-up de cada área e paga 60% mais caro pela receita da soca

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Cana de custo mínimo é paciente que só vai ao médico quando dói. A Beggio Lorenzo, que planta 300 hectares de cana na região de Matão (SP) e entrega para a Raízen, faz check-up: análise e mapa de cada área para matéria orgânica, microbiota, fertilidade, conservação do solo e água. O laudo decide a receita: reposição de matéria orgânica, ajuste de NPK, organomineral e químico misturado com biológico.
A receita é cara, e ela não esconde: segundo a empresa, gasta cerca de 33% a mais que a média no plantio e 60% a mais na soca. O paciente, diz ela, respondeu: 129,15 toneladas por hectare na última safra e ATR de 141 quilos por tonelada. O retorno que ela declara é de 35%, e a matéria não informa a base nem o prazo.
Quem assina o atestado é o próprio paciente: a conta é da empresa, contada ao AgFeed numa seção que tem apoio da FERA, a frente empresarial pela agricultura regenerativa, de cujo comitê o executivo que toca a Beggio passou a fazer parte. A cana é 3% do faturamento do grupo, mas, diz ele, é 100% do seu coração.
O que dá para copiar sem fé é o exame: medir cada área e gastar onde o laudo manda; o resto você refaz na sua conta.
E AÍ, BORA?
Outubro
7ª Festa Nacional da Lavanda: quatro dias para andar no meio dos campos de lavanda e ver de perto como 15 famílias fizeram da flor uma renda, com óleo essencial, gastronomia e artesanato à base de lavanda, de 15 a 18 de outubro, no Ginásio Municipal de Morro Reuter (RS) e no entorno. Entrada gratuita.
SIAL Paris: cinco dias para ver o que a indústria de alimentos do mundo está pondo na prateleira e onde cabe o que você exporta, de 17 a 21 de outubro, no Paris Nord Villepinte, em Paris (França). Ingresso pelo site.
Capacitação em Operador de Drone Agrícola: dois dias de prática com o drone na mão na fazenda experimental da Unesp, para quem quer parar de depender de terceiro na pulverização, dias 17 e 18 de outubro, em Botucatu (SP). Pago, R$ 1.500 em até 10 vezes, com inscrição até 15 de outubro e vagas limitadas.
Seafood Show Latin America: feira da cadeia do pescado e da aquicultura. De 20 a 22 de outubro em São Paulo (SP). Gratuito para comprador e profissional do setor, com validação de perfil.
26ª Conferência Internacional DATAGRO: safra, preço e regulação do sucroenergético com quem decide, dias 26 e 27 de outubro, em São Paulo (SP).
AveSui América Latina 2026: a feira de referência em aves, suínos e peixes, com tecnologia e negócios da proteína animal, de 27 a 29 de outubro, em Cascavel (PR).
Novembro
Prêmio ABAG/RP de Jornalismo José Hamilton Ribeiro: R$ 12 mil por trabalho vencedor na categoria profissional e até R$ 5 mil no Jovem Talento, com envio de matérias até 1º de novembro.
AgTech Summit: agricultura 4.0, rastreabilidade e inteligência artificial aplicada ao campo, dia 5 de novembro, em Florianópolis (SC) e on-line. Exige inscrição.
16º Seminário DATAGRO de Custo de Produção de Cana, Açúcar e Etanol: a atualização das projeções de custo da safra 26/27, com preço de insumo agrícola e industrial destrinchado, para você comparar com a sua planilha, dia 5 de novembro, on-line. Exige inscrição.
Agro World Fórum: geopolítica, comércio internacional e competitividade brasileira resolvidos numa manhã, dia 5 de novembro, no Renaissance São Paulo Hotel, em São Paulo (SP). Credenciamento pelo site.
Curso para Aplicação Aeroagrícola Remota (CAAR): as 36 horas on-line que a Portaria 298 do MAPA cobra de quem vai pulverizar com drone, com a equipe da Unesp de Botucatu, de 9 a 23 de novembro, com prova no fim. Pago, R$ 1.500 à vista ou dez parcelas de R$ 180, e a inscrição fecha em 5 de novembro.
EuroTier: a principal feira de pecuária profissional do mundo, para ver as soluções inteligentes de manejo do rebanho funcionando antes da sua próxima obra, de 10 a 13 de novembro, em Hannover (Alemanha). Pago, a partir de 33 euros o dia na compra on-line.
EIMA International: trator, implemento e máquina de fabricante do mundo todo no mesmo parque, para você comparar antes da próxima troca de frota, de 10 a 14 de novembro, em Bolonha (Itália). Pago, a partir de 22 euros o dia, só on-line, e gratuito para empresário estrangeiro que pedir o ingresso eletrônico no site.
CONACREDI Agro: o encontro de quem decide o crédito que chega até você, dias 11 e 12 de novembro, no Centro de Convenções Frei Caneca, em São Paulo (SP). Inscrições abertas.
Semana Internacional do Café: simpósios, salas de cupping e os concursos Coffee of the Year e Espresso Design, de 11 a 13 de novembro, no Expominas, em Belo Horizonte (MG).
XXII FENACAM: camarão e aquicultura com simpósios internacionais, de 17 a 20 de novembro, no Centro de Convenções de Natal (RN). Pago, e quem deixar para depois de 29 de outubro paga R$ 100 a mais na inscrição.
Conexão Batata Brasileira: produtor, distribuidor e fornecedor da batata na mesma feira, para você sair com mercado, máquina e comprador no mesmo caderno, dias 20 e 21 de novembro, no Expo Boulevard Iguatemi, em Campinas (SP). Pago, por ingresso.
Fórum de Irrigação da Bahia (FIBA): dois dias para acertar a conta da água e da energia da irrigação, com tecnologia, gestão hídrica e custo do manejo na mesa, no maior polo irrigado do país, dias 27 e 28 de novembro, no Complexo Bahia Farm Show, em Luís Eduardo Magalhães (BA). Inscrições abertas.
Dezembro
Food Africa: quatro dias dentro da maior feira de alimentos e bebidas da África, para ver de perto quem compra alimento num dos mercados que mais crescem no mundo, de 7 a 10 de dezembro, no Egypt International Exhibition Center, no Cairo (Egito). Exige cadastro de visitante pelo site.
Janeiro
Dinetec 2027: a primeira feira de tecnologia do ano no Mato Grosso, para comparar máquina, semente e insumo antes de fechar a compra do ano, de 13 a 15 de janeiro, em Canarana (MT). Entrada gratuita.
SE DIVERTE AÍ
Treze palavras que todo mundo já ouviu e quase ninguém sabe o que significam, cinco respostas para cada uma. A pegadinha vem logo na primeira: ósculo é preguiça, rapidez ou beijo? Dali em diante, rubicundo, célere, loquaz e súcia vão testar o vocabulário que você acha que tem. Encare o Palavras Difíceis da Língua Portuguesa e veja quantas acerta sem abrir o Google.
VIVENDO E APRENDENDO
Resposta da edição passada: WASDE é o relatório mensal do USDA com as estimativas de oferta e demanda agrícola do mundo: produção, consumo, exportação e estoque de cada grão, país por país.
Pergunta de hoje: o que é a DEP que acompanha o touro no catálogo de leilão?
A resposta você confere na próxima edição!
