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Bom dia!

Hoje tem virada na carne, com a Minerva voltando a lucrar e a MBRF perdendo fôlego no resultado mesmo com receita alta. IBGE confirmando recorde no abate, Brasília apertando o cerco no frete mínimo com a greve rondando e a China segue bagunçando o jogo das cotas. No plantão, diesel e ICMS na mesa, café da Cooxupé mais travado, Raízen levando novo rebaixamento e uma mandioca gigante roubando a cena.

Pra você acordar bem informado

Por Enrico Romanelli

TÁ QUANTO?

MERCADO
IBOVESPA (B3) 179.639,90 11,97%
SLCE3 R$18,01 12,21%
SMTO3 R$18,18 20,24%
RAIZ4 R$0,55 -32,10%
TTEN3 R$14,82 -10,18%
Bitcoin US$71.080,86 -19,54%
Ethereum US$2.195,11 -26,53%

Os dados são publicados por BCB e Brapi.
As variações são calculadas em YTD (Year to date)

SAFRA DE CIFRAS

Minerva sai do buraco no 4º tri e lucra R$ 85 milhões

GIF: Giphy

A Minerva virou a página e deixou o drama pra trás pra fechar o 4º tri de 2025 no azul, com lucro líquido de R$ 85 milhões depois de ter queimado R$ 1,6 bilhão no mesmo período de 2024. No ano inteiro, a música também mudou, R$ 848,3 milhões de lucro em 2025 contra resultado negativo de R$ 1,57 bilhão em 2024, aquela virada que o mercado gosta porque vem com número e não com promessa.

Na operação, o motor foi o Ebitda. No 4º tri, a Minerva cravou R$ 1,2 bilhão, com margem de 8,2% e crescimento de 24,1% na comparação anual. Na soma de 2025 veio o recorde histórico, R$ 4,8 bilhões de Ebitda, alta de 54,1% e margem de 8,8%, num recado de que a empresa encontrou tração depois do período mais chato da integração dos novos ativos.

E quando a engrenagem gira, a receita acompanha. A receita bruta foi de R$ 15,1 bilhões no 4º tri, alta de 31,8%, com exportações fazendo 60% do total. No acumulado do ano, chegou a R$ 58 bilhões, salto de 59,7%, mantendo os mesmos 60% vindos lá de fora. A geração de caixa livre de 2025 ficou em R$ 1,5 bilhão, somando R$ 8,9 bilhões desde 2020, e a alavancagem líquida fechou o ano em 2,6x, com a empresa tentando mostrar que o boi tá andando e o endividamento tá na rédea curta.

COLHENDO CAPITAL

MBRF fatura R$ 164 bilhões, mas lucro encolhe pra R$ 91 milhões no 4º tri

GIF: disneymoana on Giphy

A MBRF, dona de Sadia, Perdigão e Qualy, fechou o 4º tri de 2025 com lucro líquido de R$ 91 milhões, uma queda de 92% em comparação com o mesmo período de 2024. Na soma do ano todo, o lucro também perdeu peso e caiu 78%, indo pra R$ 358 milhões, com a empresa jogando a conta em despesas financeiras maiores e custos de reestruturação e da fusão entre Marfrig e BRF, que gerou a MBRF.

Na linha do operacional, o Ebitda ajustado recuou 9,1% no trimestre e bateu R$ 3,41 bilhões, com margem de 7,8%. Já na soma do ano passado inteiro, o Ebitda ajustado caiu 3,2% e fechou em R$ 13,2 bilhões, margem de 8%. Só que, enquanto o lucro fazia dieta forçada, a receita líquida fez o contrário e cravou recorde de R$ 164 bilhões, alta de 12%, com 8,2 milhões de toneladas vendidas no ano, avanço de 4%, aquele cenário em que o volume tá lindo, mas o resultado final chega meio amassado.

A empresa disse que 2025 veio com restrições temporárias no frango por causa da gripe aviária, mas que segurou a disciplina e tirou R$ 1 bilhão do programa de eficiência. Também botou grana na rua com R$ 1 bilhão em aquisições, incluindo fábrica de processados na China, entrada no frango resfriado na Arábia Saudita e 50% da Gelprime. E o roteiro pra 2026 já vem com spoiler, retomada de exportações pra União Europeia, reabertura do mercado chinês, demanda crescente no Golfo, lançamento da Sadia Halal e R$ 5,3 bilhões investidos em expansão e modernização.

O AGRO EM NÚMEROS

Boi bate recorde no gancho e fêmeas se tornam protagonistas

GIF: Giphy

O IBGE mostrou que 2025 foi um ano em que os frigoríficos trabalharam mais que ventilador no verão. O abate de bovinos chegou a 42,94 milhões de cabeças, alta de 8,2% e recorde da série, com todos os trimestres acima de 2024. Suínos também bateram máxima com 60,69 milhões, alta de 4,3%, e frangos foram pra 6,69 bilhões, avanço de 3,1%. No boi, a surpresa veio na composição, fêmeas chegaram a 46,83% dos abates e ainda passaram os machos no 2º trimestre, com exportação forte, demanda interna firme e mais animal jovem entrando na conta.

No Paraná, o porto seguiu sendo a passarela oficial do agro. Entre janeiro e fevereiro de 2026, os portos paranaenses movimentaram 10,25 milhões de toneladas, com soja em grão subindo 16% e chegando a 2,4 milhões de toneladas. A proteína animal também veio forte, a carne de frango liderou com 434,3 mil toneladas e a bovina cresceu de 89,7 mil pra 123,5 mil, com contêiner ganhando fôlego no bimestre. Açúcar ensacado avançou 81% e óleos vegetais cresceram 63%.

NOS CORREDORES DE BRASÍLIA

Frete mínimo vira caça às bruxas e governo ameaça cortar caminhão de quem insiste

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Com a greve dos caminhoneiros rondando, o governo resolveu apertar o cinto e a fiscalização junto. Renan Filho, ministro dos Transportes, disse que qualquer empresa que for reincidente em contratar abaixo da tabela do frete mínimo vai ficar impedida de contratar transporte, e jogou na fogueira os nomes de gigantes tipo MBRF, Raízen, Cargill, Vibra, Ambev e Unilever como supostas campeãs de descumprir essa regrinha nos últimos 4 meses. A promessa é de que a ANTT fique em cima de todos os fretes, de olho em tudo, com o instrumento legal sendo definido ainda hoje.

O ministro também disse que a tabela já foi reajustada com o petróleo mais caro por causa da guerra no Oriente Médio e que a fiscalização eletrônica virou o novo guarda de trânsito do setor. No balanço dele, as autuações dos últimos 4 meses somaram o equivalente a R$ 419 milhões, e o volume de multas saltou de 300 por mês no governo anterior pra 40 mil só em janeiro desse ano. É multa pra dar e vender.

E pra não deixar a logística virar novela em ano eleitoral, o governo abriu mais frentes no mesmo pacote. Haddad disse que vai levar ao Confaz uma proposta sobre ICMS dos combustíveis, a Polícia Federal abriu inquérito pra investigar suspeita de aumento abusivo nos preços do diesel, e a categoria segue pressionando com o diesel S-10 subindo 18,86% desde 28 de fevereiro e o diesel comum passando de 22% no mesmo período. Depois do trauma de 2018, todo mundo tá tentando evitar que o Brasil veja o caminhão virar peça de museu por alguns dias.

DE OLHO NO PORTO

Regulação de cotas da China perde força e mercado vira um salve-se quem puder

GIF: puffingraphx on Giphy

A indústria queria um árbitro pra dividir as cotas de carne bovina pra China pra evitar aquela corrida estilo a que rola pelo último pedaço de picanha no churrasco, tudo pra não correr risco do preço do boi gordo sofrer de tabela, mas parece que não vai rolar nada disso. O Ministério da Agricultura até tentou emplacar a ideia e mandou pra Camex uma sugestão de rateio por frigorífico, usando histórico de exportação e um espacinho pra novos entrantes, com um aviso claro de que, sem coordenação, o fluxo pode virar uma zona e respingar em toda a cadeia. Só que no MDIC rolou resistência, com técnico vendo risco de a medida cheirar a intervenção contra livre concorrência, e o assunto foi perdendo tração.

Com esse medo, o tema foi passando de mão em mão. Carlos Fávaro já disse que divisão de cota é assunto do setor privado, e a esperança da indústria tá pendurada na próxima reunião da Gecex, marcada pra 26 de março, mas a galera não tá muito otimista não. Se a negativa prevalecer, o cenário base vira um salve-se quem puder na exportação, rompendo aquele acordo de cavalheiros que vinha segurando a onda das plantas habilitadas.

E aí vem o risco que tá dando medo em todo mundo. A China colocou um teto de 1,1 milhão de toneladas por ano e, sem regra, quem tem mais planta habilitada, tipo JBS e Minerva, larga na frente e pode comer uma fatia grande rápido. Depois que a cota encher, o sumiço de um comprador do tamanho da China pode virar um baita tombo nos preços do boi gordo, porque sobra carne procurando destino.

Pra piorar, o setor queria que cargas embarcadas antes da salvaguarda não entrassem na conta, estimadas em cerca de 350 mil toneladas, mas até agora Pequim não deu nenhum sinal de flexibilidade e, do jeito que tá, a cota pode encher até agosto. Sem o efeito Ormuz na logística, talvez até antes.

NAS CABEÇAS DO AGRO

Louis Dreyfus vende mais, lucra menos e segue jogando xadrez com tarifa e turbulência

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A Louis Dreyfus fechou 2025 com mais caminhão na estrada e menos gordura no resultado. O Ebitda da empresa caiu pra US$ 1,83 bilhão depois de US$ 1,88 bilhão em 2024, e o lucro líquido recuou pra US$ 653 milhões contra US$ 726 milhões, num ano em que o milho e a soja ficaram mais baratos e o mercado ficou mais nervoso, com tarifa nova, preocupação com economia global e crise geopolítica pipocando no radar.

Só que volume é volume, e nisso a LDC acelerou. Os embarques cresceram 10,6% e ajudaram as vendas líquidas a subirem pra US$ 53,2 bilhões, contra US$ 50,6 bilhões no ano anterior, com expansão de capacidade e demanda firme por milho e soja. E pra não perder o timing, a LDC dobrou o capex e botou US$ 2 bilhões na mesa, daquele jeito que o pessoal do financeiro engole seco e sua fria, mas o negócio precisa.

Onde o sapato apertou mais foi em óleos vegetais, com a incerteza da política de biocombustíveis dos EUA pesando no desempenho, repetindo o coro que já apareceu em outras gigantes do agro. Sobre a guerra no Oriente Médio, a LDC disse que não sentiu impacto relevante nas operações até agora, mas o mercado sentiu o tremor, com tensão em fertilizantes, transportadora olhando rota alternativa e grãos em Chicago reagindo junto do petróleo na semana passada.

PLANTÃO RURAL

SE DIVERTE AÍ

Hoje a brincadeira é com o Tradle, o joguinho estilo wordle da balança comercial. Você recebe a lista dos principais produtos que um país exporta e tem que adivinhar quem é o dono dessa pauta. Vale ler com olhar de agro nerd mesmo: reparou muito grão, carne e minério, já pode chutar Brasil ou vizinho forte no campo. Se pintou muito eletrônico, máquina e química, talvez seja alguém lá da Europa ou da Ásia. Bora testar se você tá afiado pra bater o olho na lista de exportações e adivinhar o país antes do sexto palpite.

VIVENDO E APRENDENDO

Resposta da edição passada: Zebu

Pergunta de hoje: Qual peixe africano virou o mais criado na aquicultura brasileira?

A resposta você fica sabendo na próxima edição!

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