APRESENTADO POR

Bom dia!

Na edição de hoje, o agro aparece com cara de planilha e de bastidor ao mesmo tempo: tem Big Tech fechando contrato de 12 anos no mercado voluntário de carbono, a Embrapa rearrumando o cofrinho pra manter pesquisa de pé, e os números da safra virando duelo de estimativa entre IBGE e Conab. No meio do caminho, a JBS acelera a Pilgrim’s no México, o RS oferece alívio fiscal pros frigoríficos e a gripe aviária volta a dar sinal em granja comercial nos EUA, enquanto o Plantão Rural costura imposto, crédito, pasto e feijão sem deixar a xícara esfriar.

Pra você acordar bem informado

Por Enrico Romanelli

TÁ QUANTO?

COMMODITIES
Açúcar (Saca 50kg) R$106,71 -2,98%
Algodão (Centavos R$/LP) 353,22 1,32%
Arroz (Saca 50kg) R$52,99 -0,86%
Boi gordo (Arroba 15kg) R$318,55 -0,20%
Café Arábica (Saca 60kg) R$2.196,97 1,02%
Etanol anidro (Litro) R$3,417 2,03%
Milho (Saca 60kg) R$68,43 -1,54%
Soja (Saca 60kg) R$130,59 -7,39%
Trigo (Tonelada) R$1.178,26 -0,33%

Os dados são publicados por Cepea. As variações são calculadas em YTD (Year to date).

COLHENDO CAPITAL

Microsoft investe pesado em crédito de carbono

Foto: Getty Images

A Microsoft resolveu trocar parte do discurso climático por recibo e fechou a compra de 2,85 milhões de créditos de carbono da Indigo, empresa americana de insumos biológicos com programa de agricultura regenerativa nos EUA. O contrato é longo, o pacote vai ser entregue durante 12 anos, e vai deixar as compras anteriores com cara de troco de pinga. Pra se ter uma ideia, nos últimos dois anos somados, a empresa tinha comprado só 100 mil créditos de carbono.

A Indigo vende crédito, mas também vende método. A empresa trabalha hoje com agricultores em 3,24 milhões de hectares e já repassou a pequenina bolada de US$ 40 milhões aos produtores que entraram nessa jogada. No Brasil, a empresa roda um programa só pra nós, o Source, que faz a ponte entre indústrias interessadas em compensar emissões e produtores que adotam práticas que capturam carbono no solo.

E o acordo ainda vem com cinto e airbag: além do que a certificação pede, a venda inclui medidas extras pra reduzir o risco de o carbono “voltar pro ar” num período de 40 anos, com monitoramento e compensação. E o protocolo usado pela Indigo já exige garantia de captura ao longo de 100 anos, com créditos emitidos via Climate Action Reserve, onde a empresa já colocou mais de 900 mil créditos pra jogo usando o protocolo de enriquecimento do solo.

NAS CABEÇAS DO AGRO

A Embrapa e o desafio de manter a ciência no campo

Foto: Divulgação/Embrapa

Depois de quase 1 década vendo o caixa encolher, a Embrapa entrou em 2025 com um desafio puxado: manter pesquisa rodando com a verba curta e o fiscal olhando torto. A presidente Silvia Massruhá, que assumiu em maio de 2023, tá redesenhando o modelo financeiro pra tentar dar mais previsibilidade e estabilidade pra empresa, porque ciência nenhuma funciona de improviso.

E sente só o drama, a verba de custeio e investimento em pesquisa caiu de cerca de R$ 800 milhões em 2014 pro piso de R$ 160 milhões em 2022, reagiu pra R$ 335 milhões em 2025 e a LOA de 2026 prevê algo perto de R$ 410 milhões dentro de um orçamento total de R$ 4,84 bilhões.

O tamanho da engrenagem explica o aperto: são 43 centros de pesquisa, 7,5 mil funcionários e 2,1 mil pesquisadores, além de trabalhos e pesquisas nos 6 biomas do Brasil e presença lá fora com unidades e parcerias nos EUA, na França e agora até na Etiópia. A aposta da gestão tá num arranjo híbrido, com o recurso público como base de soberania e o privado ajudando a bancar as demandas de curto e médio prazo, tirando um pouco da pressão do Tesouro e acelerando a transferência de tecnologia. Hoje já rodam cerca de 1.170 acordos de inovação aberta com empresas, que colocam no bolso da Embrapa uma média de R$ 100 milhões por ano, e ainda tem uma discussão de criar um fundo próprio e outro articulado pela CNA que pode chegar a R$ 100 milhões.

O pulo do gato foi arrumar o caminho do dinheiro da inovação. Em 2024, a Embrapa implantou o Núcleo de Inovação Tecnológica pra destravar a reinjeção de royalties na própria pesquisa, em vez de ver esse valor sumir no orçamento geral. Junto disso, a Embrapa quis reforçar o time em 2025 com 1.000 novas contratações, levando o elenco pra 8,5 mil funcionários, com foco em trazer carne nova e mente curiosa pra áreas como: agricultura digital, biotecnologia, ciência de dados, IA e sustentabilidade.

E os planos pra mudar e melhorar não param. As prioridades da Embrapa tão se transformando também, e agora tão mirando bioeconomia, descarbonização e rastreabilidade, com exemplos que viram dinheiro de verdade no campo, tipo Fixação Biológica de Nitrogênio reduzindo dependência de fertilizante importado. Em cima disso tudo, ainda tem a vitrine internacional crescendo com os Labex (laboratórios no exterior) e novas parcerias em negociação na Ásia, América Central e Oriente Médio. Fica até difícil não se orgulhar da empresa desse jeito.

O AGRO EM NÚMEROS

IBGE fala em recuo e a Conab insiste no recorde

Foto: Gilson Abreu/Arquivo AEN

O IBGE chegou chegando nessa quinta-feira (15) e já avisou que 2026 não vai ter o mesmo ritmo do ano passado: a safra deve somar “só” 339,8 milhões de toneladas, queda de 1,8% ou 6,3 milhões de toneladas em comparação ao ano passado, que fechou em 346,1 milhões de toneladas e virou recorde histórico. O motivo do freio tá bem claro pra eles: milho, sorgo e arroz, além daquele detalhe que sempre manda no agro, a tal da janela de plantio e o humor do clima.

Só que a Conab chegou no mesmo dia e soltou outra leitura do termômetro: 353,1 milhões de toneladas de grãos em 2025/26, recorde novo e 0,3% acima de 2024/25, mesmo com um ajuste pra baixo de 1,3 milhão de toneladas em relação à última previsão que eles tinham feito, lá em dezembro. A soja segue liderando o pelotão, com 176,1 milhões de toneladas. O milho aparece com 138,8 milhões de toneladas e queda de 1,5%, enquanto o arroz cai 13,39% e estaciona em 11 milhões de toneladas.

Saindo dos grãos, a nossa exportação de carne bovina pros países árabes foi bem demais em 2025. Só as negociações com eles renderam quase US$ 1,8 bilhão em 2025, alta de 1,91%, com Egito em US$ 375,35 milhões, Arábia Saudita em US$ 333,10 milhões e Argélia em US$ 286,58 milhões. Segundo a Câmara Árabe-Brasileira, teve reforço de estoques por medo de bagunça na oferta global e, nessa hora, quem tem boi sobrando vira o fornecedor da vez.

SAFRA DE CIFRAS

JBS bota US$ 1,3 bi no México e tenta trocar frango importado por frango muchacho

Giphy

A Pilgrim’s Pride, braço de frango da JBS, anunciou que vai investir US$ 1,3 bilhão no México, com o dinheiro entrando parcelado nos próximos 5 anos, segundo o ministro da Economia mexicano, Marcelo Ebrard. A meta dessa jogada é reduzir em cerca de 35% as importações de carne de frango e botar a produção nacional pra ocupar essa vaga, principalmente num momento em que o México quer menos vulnerabilidade na cadeia de suprimentos e mais indústria girando.

Além de mexer no saldo da balança, o plano também mexe no tamanho da produção. O investimento vai botar mais 373 mil toneladas na capacidade da linha e criar 4 mil empregos diretos, em áreas como operação industrial, logística e administrativo. O governo ainda espera um efeito cascata de empregos indiretos, porque quando a fábrica cresce, o entorno inteiro vira fornecedor, transporte ou serviço.

A Pilgrim’s já opera no México há quase 4 décadas e o CEO, Fabio Sandri, usou o anúncio pra reforçar o compromisso com o país. No panorama geral, o investimento entra na estratégia da JBS de fortalecer a presença industrial na América do Norte, aproximar a produção de grandes centros consumidores e ganhar mais e mais eficiência, enquanto simplifica o portfólio: na mesma semana, a empresa informou ao Cade a venda dos 50% que tinha na Meat Snack Partners pra Jack Link’s, liberando espaço pra focar em ativos considerados essenciais e deixar o frango fazer o resto do trabalho.

MENTES QUE GERMINAM

Desconto bom demais pra ser verdade, mas é

Foto: Foto: Adobe Stock

O Rio Grande do Sul levantou da cadeira e lançou o Refaz Frigoríficos, um programa de regularização de débitos de ICMS feito pra quem abate bovino e mexe com subproduto, com potencial pra alcançar 194 empresas. A conta que tá na mesa chega perto de R$ 1 bilhão e o Estado ofereceu o tipo de condição que parece mentira: desconto de até 100% em juros e multas, com adesão aberta até 29 de maio.

O pacote vale pra débitos vencidos até 31 de dezembro de 2024, em Dívida Ativa ou não, inclusive judicializados, desde que a atividade principal do frigorífico seja o abate de bovinos ou abate e preparação de carne e subprodutos. O governo diz que a ideia é dar fôlego pro setor se recuperar depois de pancadas de eventos climáticos extremos e de fatores econômicos como as sobretaxas dos EUA nas exportações brasileiras.

Na prática, tem 2 caminhos. O primeiro é pra quem tem pressa, pagamento à vista até 29 de maio, com redução de 100% nos juros e até 95% nas multas. O outro é pra quem ainda tá meio apertado e não consegue pagar tudo de uma vez, parcelar a dívida com descontos que variam pelo tamanho do carnê, 90% em juros e multas em até 60 vezes, 80% entre 61 e 120 e também 80% entre 121 e 180 para empresa em recuperação judicial ou cooperativa em liquidação.

E ESSE TEMPO, HEIN?

Gripe aviária com visto americano

Foto: Lance Cheung/USDA

O APHIS, órgão de saúde animal e vegetal dos EUA, confirmou 2 novos casos de gripe aviária de alta patogenicidade (H5N1) em granjas comerciais nos EUA, daqueles que fazem o setor dormir de olho aberto. Um foco apareceu numa produção de frango de corte em Delaware, e o outro numa unidade na Georgia, e os 2 seguem listados como ativos, ou seja, ainda não dá pra guardar o alarme.

Nos números do estrago, a Georgia teve mais de 70 mil aves atingidas e Delaware levou a pior com quase 150 mil, um estrago somado de quase 220 mil aves nesses 2 focos. Em Delaware, o Estado colocou a instalação em quarentena e abateu as aves da propriedade pra evitar que o vírus saia correndo por aí, porque com H5N1 não tem conversa, tem protocolo.

E o histórico mostra por que o radar fica ligado: desde 8 de fevereiro de 2022, quando apareceu o primeiro caso, os EUA já contabilizam mais de 185 milhões de aves infectadas, com 2.022 focos em 50 Estados e 1 território. Desse total, 917 focos foram em granjas comerciais e 1.105 em aves domésticas, num vírus que se espalha pelo ar e por secreções e fezes, ou seja, basta um espirro ou um frango indo ao banheiro no lugar errado pra transformar galpão em camisa de saudade.

PLANTÃO RURAL

  • Tilápia importada ganhou pedágio. O Paraná sancionou uma lei que aplica ICMS de 22% na tilápia vinda do exterior e ainda cortou diferimento e crédito presumido na importação. A Faep comemorou a barreira dizendo que ela protege o maior produtor do país, que fez 38,2% da produção nacional em 2024, mais de 190 mil toneladas, e responde por 70% das exportações.

  • Crédito de etanol virou máquina nova. O governo do Mato Grosso publicou um decreto que autoriza usinas do estado a usar créditos de ICMS ligados ao etanol anidro pra investimento. A Sefaz diz que a regra aumenta a segurança jurídica com critérios e limites, e o governo vende como incentivo com monitoramento pra gerar emprego sem bagunçar o caixa.

  • Árabes querem virar sócios do pasto. O Ministério da Agricultura pretende apresentar a fundos soberanos da Arábia Saudita, Emirados Árabes e Catar a ideia de entrar como cotistas minoritários em Fiagros pra financiar a conversão de pastagens degradadas. O plano mira o Caminho Verde Brasil, que quer transformar 40 milhões de hectares, e aposta que o investidor ganhe na valorização da terra.

  • Feijão pode perder a Venezuela pro tio Sam. O Ibrafe alertou que o feijão brasileiro corre risco de perder mercado na Venezuela pros EUA, e sem esse destino o excedente pode apertar os preços no mercado interno e desanimar o produtor. Em 2025, a Venezuela comprou do Brasil cerca de 16 mil toneladas, gerando US$ 13,5 milhões, bem abaixo de 2024, quando levou 39 mil toneladas e US$ 45 milhões.

SE DIVERTE AÍ

Hoje o rolê é testar se tu reconhece mais lavoura que o Google. No GeoGuessr, o jogo te joga no meio de uma estrada aleatória do planeta, em visão de rua, e tu tem que adivinhar onde tá no mapa. Vale procurar pista em placa, tipo de solo, pivô de irrigação, padrão de cerca, tipo de caminhão e até formato de telhado de galpão. Entra lá, escolhe um modo mundo ou América do Sul, chuta o lugar e depois conta pra gente se tu mandou o palpite certeiro ou jogou uma fazenda do Kansas no meio do Mato Grosso.

VIVENDO E APRENDENDO

Resposta da edição passada: Milho roxo

Pergunta de hoje: Qual especiaria asiática já foi mais cara que o ouro e motivou expedições marítimas nos séculos XV e XVI?

A resposta você fica sabendo na próxima edição!

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