APRESENTADO POR

Bom dia!

A edição de hoje passa pelo sorgo do Brasil dando sinal de vida na China depois de mais de 10 anos, Ministério abrindo um e-mail pra alerta de pragas antes que o problema vire morador fixo e Rosário travada na Argentina, deixando a logística no modo fila e ansiedade. No meio disso, tem uva nova da Embrapa pra mexer com a viticultura do Sul e um giro de números com colheita, exportação e preço fazendo sua coreografia de sempre.

Pra você acordar bem informado

Por Enrico Romanelli

TÁ QUANTO?

MERCADO
IBOVESPA (B3) 188.534,42 17,01%
SLCE3 R$16,15 0,62%
SMTO3 R$15,75 4,17%
KLBN11 R$20,17 7,52%
VALE3 R$84,09 16,86%
Bitcoin US$66.814,18 -24,37%
Solana US$82,07 -31,30%

Os dados são publicados por BCB e Brapi.
As variações são calculadas em YTD (Year to date)

DE OLHO NO PORTO

Oi, sumido! Sorgo BR volta a pisar na China depois de mais de 10 anos

Foto: REUTERS/Khaled Abdullah

Depois de mais de 10 anos de espera, o Brasil voltou a exportar sorgo pros chineses em janeiro, segundo a Reuters. Mas o retorno foi discreto e bem tímido. Foram só 25,8 toneladas, um volume que cabe dentro de um contêiner e ficou parecendo um tipo de embarque que tá mais pra um cartão de visitas e um gesto simbólico do que qualquer outra coisa. O embarque só rolou depois que estabelecimentos comerciais foram habilitados em novembro do ano passado pra exportar pra China, aí o cereal resolveu reaparecer no radar.

A última vez que os chineses compraram sorgo brasileiro foi em 2014 e aquele ano inteiro somou 1.374,5 toneladas, enquanto 2013 passou um pouco de 5 mil toneladas. Depois disso, as vendas simplesmente sumiram das estatísticas, e agora a expectativa é de reatar esse relacionamento porque a China quer diversificar insumos pra ração, ainda mais depois de ter uma DR comercial com os Estados Unidos em 2025, que costumam ser fornecedor tradicional por lá.

O setor diz que a porta abriu porque a parte sanitária saiu da frente. Glauber Silveira, diretor executivo da Abramilho, contou que teve vistoria chinesa em áreas no Brasil no ano passado e que as preocupações fitossanitárias foram sanadas, o que viabilizou as habilitações e agora os embarques. Só que ele também jogou a real, não dá pra fingir que tem sorgo sobrando por aqui, já que o consumo interno também puxa com bastante força.

Por isso esse 1º envio tem cara de teste de qualidade ou compra de importador menor, segundo uma fonte do setor, e o tamanho do histórico ajuda a explicar. Em 2025, o Brasil exportou míseras 105 toneladas de sorgo e o Catar levou tudo, enquanto em 2024 foram 178,4 mil toneladas com África do Sul comprando a maior parte, mesmo assim longe de soja e milho. E com a Conab projetando quase 10% de alta na safra atual, pra 6,7 milhões de toneladas, o cereal tá com mais volume no radar, só não tá com passe livre pra virar estrela das exportações do dia pra noite.

RADAR SANITÁRIO

Disque-denúncia de praga

GIF: aardman on Giphy

Praga nova no campo costuma chegar sempre do mesmo jeito, sem avisar e na pior hora. Pra tentar pegar essas visitas cedo, a Secretaria de Defesa Agropecuária, do Ministério da Agricultura, criou um canal exclusivo pra receber notificação de suspeitas de pragas quarentenárias, exóticas ou emergentes. O e-mail já tá valendo e é esse aqui, [email protected].

A ideia é reforçar a vigilância fitossanitária e tentar pegar cedo qualquer ameaça que possa entrar ou se espalhar por aqui, barrando essas pragas ainda na fila da imigração, antes de virar prejuízo grande no agro, na economia e no meio ambiente. E como praga não manda convite nem avisa no zap quando chega, o recado do ministério é simples, quanto mais cedo der pra detectar, maior a chance de resposta rápida.

O canal tá aberto pra produtor, técnico, empresa, instituição e cidadão, basicamente qualquer um que topar ser os olhos do sistema. O material que chegar vai ser avaliado pela equipe técnica do ministério e, se fizer sentido, podem acionar unidades de vigilância pra inspeção em campo, coleta de amostras e os procedimentos necessários pra transformar boato em diagnóstico e diagnóstico em ação, se precisar.

Pra fazer essa delação é só mandar uma mensagem descrevendo o que tá rolando, com local e data da observação, imagens quando tiver e um contato que ajude na análise técnica. O ministério diz que esse contato direto facilita a comunicação e ajuda a mitigar prejuízos, então se você viu algo fora do padrão, melhor mandar o e-mail do que deixar a praga fazer check in.

O AGRO EM NÚMEROS

Grão recordista no mundo, colheita no Brasil sem pressa e exportação no turbo

Foto: Adobe Stock

O Conselho Internacional de Grãos recalculou a rota e manteve o otimismo lá no alto. A projeção pra produção mundial de grãos em 2025/26 foi pra 2,46 bilhões de toneladas, 1 milhão abaixo da previsão de janeiro por conta de uma revisão na cevada, mas ainda 6% acima do ciclo anterior. No termômetro de preços, o índice do IGC subiu 4% em 5 semanas, com a soja avançando 8%, o trigo 2% e o milho 1%.

E falando em planilha, por aqui a soja tá colhendo no ritmo que o clima deixa, não no ritmo que o produtor queria. A Conab informou que o Brasil colheu 24,7% da área plantada até o último sábado (14), avanço de 7,3 pontos na semana, mas abaixo de 2024/25 e da média de 5 anos. Mato Grosso lidera com 60,7%, e o plantio já fechou 100% no país. No milho de 1ª safra, a colheita chegou a 14,9%, e na 2ª safra o plantio foi pra 32,2%, com Mato Grosso na dianteira com 52,7% conforme a soja sai de campo.

Da lavoura pro porto, o milho já tá fazendo hora extra no cais. Em 10 dias úteis de fevereiro, a Secex registrou exportação de 992,7 mil toneladas de milho não moído, quase 70% do total embarcado em fevereiro de 2025. A média diária foi de 99,3 mil toneladas, alta de 40% na comparação anual, mas o preço médio caiu 1,2%, pra US$ 224,00 por tonelada. No faturamento, o acumulado chegou a US$ 222,3 milhões, com média diária de US$ 22,2 milhões, alta de 38,1%, aquele roteiro clássico de volume salvando o dia enquanto o preço faz cara de paisagem.

No pasto, o boi resolveu fazer cara de mercado firme e não largou a pose. O indicador de preços do Cepea fechou a arroba em R$ 343,90 na quarta-feira (18), acumulando alta de 5,20% em fevereiro, e em São Paulo teve negócio entre R$ 345,00 e R$ 350,00. Em Mato Grosso, o preço médio citado ficou em R$ 316,55 na semana pré-Carnaval, alta de R$ 19,76 sobre janeiro.

E enquanto o boi segura, o algodão quer acelerar no exterior mesmo com a produção olhando pra baixo. A Anea projetou exportações de 3,225 milhões de toneladas em 2026, alta de 6,5% sobre 2025, com 1,575 milhão no 1º semestre e 1,65 milhão no 2º, apostando em capacidade portuária pra sustentar o ritmo, apesar de gargalos pontuais em Santos.

MENTES QUE GERMINAM

Embrapa lança uva nova

GIF: Giphy

A Embrapa colocou uma uva branca sem sementes novinha na vitrine do Sul e ela já nasceu com um currículo de respeito. A BRS Pérola é resultado de mais de 18 anos de pesquisa e chega como opção pra consumo in natura, com potencial de até 30 toneladas por hectare quando entra o cultivo protegido com cobertura plástica. O lançamento rolou ontem (19), durante dia de campo em Alto Feliz (RS), e as mudas já podem ser reservadas com viveiristas licenciados.

O ponto é que tem mercado no Sul pra uva de mesa fina e existe demanda por uma branca sem sementes que consiga substituir parcialmente a Itália, que é clássica mas vem com semente pra encher o saco. O pesquisador João Maia também lembra que o turismo rural e o enoturismo tão empurrando o plantio de uva de mesa pra venda direta, inclusive no esquema colha e pague, que aumenta a margem e aproxima produtor e consumidor sem intermediário tomando uma golada no lucro.

NAS CABEÇAS DO AGRO

Santarém virou cabo de guerra e a Justiça mandou liberar o terminal da Cargill

GIF: gameofthrones on Giphy

O acesso ao terminal portuário fluvial da Cargill em Santarém (PA) ganhou uma ordem de liberação na noite de quarta-feira (18), segundo decisão assinada pelo juiz federal Shamyl Cipriano. A portaria tava sendo bloqueada por grupos indígenas, que protestam contra planos de dragagem do rio Tapajós, e o resultado foi o básico da logística, portão fechado, fluxo travado e planilha de embarque olhando pro relógio com pressa.

Na sexta-feira passada (13), a Justiça Federal do Brasil já tinha mandado o governo fazer alguma coisa em 48 horas pra tirar essa galera de lá e restabelecer o acesso, só que aí entrou um freio. Procuradores federais disseram que recorreram, dando o papo de que a decisão ignorava normas do Conselho Nacional de Justiça que pedem participação direta dos povos indígenas e audiências de mediação antes de qualquer remoção, e isso acabou anulando a sentença no domingo (15), segundo os procuradores.

Só que na quarta-feira o carimbo voltou pra mesa e a liberação foi restabelecida, o que foi tratado como vitória pra Cargill, enquanto os procuradores dizem que ainda estão analisando o novo texto. A empresa preferiu não comentar, e o roteiro segue daquele jeito, a Justiça apertou o botão de destravar, mas a discussão sobre dragagem continua ali, rodando em segundo plano e sem data pra acabar.

COMO TÁ LÁ FORA?

Greve geral trava Rosário e o agro fica olhando o navio que não anda

GIF: iww on Giphy

A Argentina parou, cruzou os braços e bateu o pé de que não vai fazer nada até a reforma trabalhista de lá ser rediscutida, e o efeito foi daqueles que não ficam só no twitter. A greve geral começou na quarta-feira (18) e deve durar até hoje (20), liderada pela Confederação Geral do Trabalho, e já travou transporte aéreo internacional e também os portos.

O coração da dor de cabeça tá em Rosário, um dos maiores polos agroexportadores do planeta e escoadouro de boa parte do farelo e do óleo de soja que alimentam o mercado global. Com os trabalhadores marítimos parados, serviços como atracação de navios e praticagem não tão rolando, e o efeito bate na hora, com exportação emperrando e a fila do navio virando fila de ansiedade. E não é só saída, com o setor marítimo travado também complica a entrada de insumos industriais e matérias-primas, então o estrago vem em mão dupla.

Por trás de toda essa confusão tá o ruído de uma reforma trabalhista que tenta mudar as regras do jogo e virou combustível da crise. Entre os pontos que acenderam o pavio tem período de experiência podendo chegar a 12 meses, jornada flexível com turnos de até 12 horas, redução e parcelamento de indenizações, exigência de funcionamento de até 75% em setores essenciais em caso de greve e mudança no enquadramento de motoristas e entregadores de apps. Enquanto Rosário não volta a respirar e trabalhar, o mercado de grãos da América Latina fica só de olho até segunda ordem, com preços sob pressão e a sensação de que o navio tá parado, mas o estresse tá a todo vapor.

PLANTÃO RURAL

  • Agro puxou o ritmo de 2025. O Banco Central disse que a agropecuária cresceu 13,1% no ano e liderou a alta do IBC-Br, que avançou 2,5% em 2025. Indústria subiu 1,5% e serviços 2,1%, e sem o agro o índice teria ficado em 1,8%.

  • Floresta mecanizada. A John Deere comprou a propriedade intelectual e os ativos ligados ao plantio mecanizado de árvores da Risutec Oy. O valor ficou em off e a conclusão da operação deve sair até o fim do mês. A empresa diz que quer reflorestamento mais produtivo, seguro e sustentável, com plantadeiras integradas a software de silvicultura de precisão.

  • Lucro no freio. Ainda sobre a John Deere, a empresa teve lucro líquido de US$ 656 milhões no 1º trimestre fiscal encerrado em 01/02, queda de 25%, mesmo com receita global subindo 13% pra US$ 9,61 bilhões. Pra 2026, a empresa passou a prever queda de 5% nas vendas de tratores e colheitadeiras na América do Sul.

  • Açúcar amargo. A Tereos registrou um prejuízo líquido de quase 600 milhões de euros nos primeiros nove meses do ano fiscal 25/26 e disse que o ciclo de baixa no açúcar foi o culpado. A receita caiu 16% e os preços bateram mínimas históricas.

  • Nutrien no modo turbo. A Nutrien fechou 2025 com lucro líquido de US$ 2,3 bilhões, alta de 228%, e Ebitda ajustado de US$ 6,05 bilhões, avanço de 13%, puxada por preços médios mais altos, volumes recordes no upstream e varejo contribuindo mais.

  • Conversa esticada. A Kepler Weber prorrogou até 27/02 a exclusividade pra negociar com a Grain & Protein Technologies. O novo prazo passa pelo balanço que sai em 25/02. O Citi chamou a extensão de sinal construtivo, e a proposta inicial de novembro falava em R$ 11 por ação.

  • Trimestre no vermelho. A ICL teve prejuízo líquido de US$ 73 milhões no 4º tri de 2025, contra lucro de US$ 70 milhões um ano antes. No Brasil, foi o 2º maior mercado em vendas, com US$ 315 milhões. Pra 2026, a empresa mira Ebitda ajustado entre US$ 1,4 e 1,6 bilhão, tentando trocar susto por previsibilidade.

  • Mapa novo nos EUA. O USDA estima soja subindo pra 34,40 milhões de ha em 2026/27, alta de 4,68%, enquanto o milho cai pra 38,04 milhões de ha, recuo de 4,86%, de olho nas possíveis negociações com o mercado chinês. A área total de soja, milho e trigo fica em 90,65 milhões de ha, e a soja ganha espaço por rentabilidade mais forte e rotação esperada.

SE DIVERTE AÍ

Hoje o rolê é testar se tu reconhece mais lavoura que o Google. No GeoGuessr, o jogo te joga no meio de uma estrada aleatória do planeta, em visão de rua, e tu tem que adivinhar onde tá no mapa. Vale procurar pista em placa, tipo de solo, pivô de irrigação, padrão de cerca, tipo de caminhão e até formato de telhado de galpão. Entra lá, escolhe um modo mundo ou América do Sul, chuta o lugar e depois conta pra gente se tu mandou o palpite certeiro ou jogou uma fazenda do Kansas no meio do Mato Grosso.

VIVENDO E APRENDENDO

Resposta da edição passada: Cardamomo

Pergunta de hoje: Qual fruta tropical foi batizada em homenagem a uma ave e é símbolo da Colômbia?

A resposta você fica sabendo na próxima edição!

Keep Reading