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Bom dia!
Hoje tem Expodireto abrindo as porteiras no RS com tecnologia no palco e dívida no centro da conversa, tem parceria puxando Unicamp e startups pra mais perto do campo, e tem o mercado de commodities mexendo no humor do agro, com açúcar olhando pra alta, soja pegando carona no petróleo e a colheita seguindo no ritmo do possível. No meio disso, biológicos ganham sócio e rota nova mirando Paraguai, revenda troca de mãos com cara de reestruturação e o RS encara um drama básico com diesel virando item de luxo no meio da colheita.
Pra você acordar bem informado
Por Enrico Romanelli
TÁ QUANTO?
QUAL A BOA?
Expodireto começa hoje no RS com 280 mil pessoas no radar

Foto: Divulgação
A Expodireto Cotrijal abre as porteiras hoje (9) em Não-Me-Toque (RS) e chega na 26ª edição querendo juntar uma bolada de gente, a expectativa é de colocar até 280 mil pessoas lá dentro nos 5 dias. O cardápio vem cheio de tecnologia e inovação, com mais de 600 expositores, fóruns de soja, milho, leite, trigo e florestas, área da agricultura familiar e a Arena Agrodigital com IA e agricultura de precisão pra quem gosta de ver a lavoura numa pegada mais high tech.
Só que o clima da feira não tá só pra lançamento e foto com máquina nova, não. A Cotrijal já avisou que o endividamento do produtor gaúcho deve deixar o apetite de compra mais seletivo, depois de frustrações com as últimas safras e pancadas do clima, então negócio deve sair, mas sem aquela euforia que a gente tá acostumado. A pauta quente vai ser justamente como destravar essa conta, com conversa de securitização, alongamento de dívida, taxa de juros e seguro agrícola, além da ideia de um fundo nacional de seguro com participação de toda a cadeia, pra seca e tempestade pararem de virar boleto.
E a Expodireto tá repetindo a escolha do ano passado e não vai divulgar números finais de negócios, porque a Cotrijal quer evitar ranking e competição de placar e manter o foco em tecnologia, inovação e nas conversas que o produtor realmente precisa ter antes de assinar qualquer coisa.
MENTES QUE GERMINAM
Casa Bugre fecha parceria com Unicamp pra botar startups no campo

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A AgriforLife, hub de inovação aberta do Grupo Casa Bugre, fechou uma parceria com a Inova Unicamp que é a incubadora de startups da universidade, pra encurtar o caminho entre universidade, startup e o setor produtivo. A ideia é tirar a tecnologia do laboratório e ver se ela aguenta o sol do campo sem travar no primeiro dia.
O acordo cria uma agenda de ações pra aproximar as startups incubadas pela Inova Unicamp da rede da AgriforLife, abrindo espaço pra encontrar sinergias, desenhar projetos conjuntos e transformar pesquisa em solução aplicável. Além dessa ponte, a AgriforLife também vai entrar com o fomento dessas startups a partir de mentorias estratégicas, cobrindo mercado, propriedade intelectual, patentes e pontos regulatórios.
E essa parceria entra numa rede maior que já inclui conexões com a USP, via Agência USP de Inovação, e com a Unesp de Botucatu, pelo Escritório de Inovação INETEC, com acordo já assinado e divulgação oficial prevista.
O AGRO EM NÚMEROS
Açúcar quer ficar mais caro, soja sobe junto com petróleo e a colheita segue sem pressa

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O açúcar tá voltando a levantar a sobrancelha do mercado e já tem gente apostando que o doce vai custar mais caro até o fim de 2026. Uma pesquisa da Reuters com operadores e analistas do mercado indica que o açúcar bruto na ICE pode fechar o ano perto de 15 centavos de dólar por libra-peso, acima dos 13,72 centavos do fechamento de quinta (5), com o mercado saindo de um superávit estimado em 1,39 milhão de toneladas em 2025/26 pra virar um déficit de 1,5 milhão de toneladas em 2026/27.
No Centro-Sul do Brasil, a produção projetada aparece em 40,38 milhões de toneladas, a moagem pode subir pra 625 milhões, mas com menos cana indo pra açúcar, 48,8% em vez de 50,7%, porque quando o etanol chama, a usina costuma atender. No açúcar branco, o termômetro também esquentou. A previsão é fechar o ano em US$ 462,50 por tonelada, e o mercado ainda tá de olho na Índia, com estimativa de safra em 29,9 milhões de toneladas, acima das 29,5 milhões de 2025/26.
Em Chicago, a soja resolveu correr junto com o petróleo, num daqueles dias em que o mercado trabalha de olho no que tá rolando na guerra. Com medo dessa escalada envolvendo EUA, Israel e Irã, o contrato mais ativo fechou em US$ 12,01 por bushel e chegou a bater US$ 12,03, o maior nível desde junho de 2024. O trigo também subiu forte e fechou em US$ 6,17, e o milho terminou em US$ 4,61. Quando o petróleo sobe, boa parte do custo vai no embalo, fertilizante, defensivo, semente e até o escoamento da produção.
Enquanto a tela de Chicago pisca, aqui o produtor segue colhendo no ritmo do possível, mas parece marcha lenta. A Pátria AgroNegócios disse que a colheita de soja chegou a 47,4% da área, abaixo dos 58,7% do mesmo ponto em 2025 e dos 52,6% de 2024, mas praticamente colada na média de 47,8% dos últimos 5 anos. A consultoria vê safra positiva, mas mantém o número na faixa de 176 milhões a 177 milhões de toneladas, com risco de recuo no extremo Sul e resultados aquém do esperado no Centro-Oeste.
SAFRA DE CIFRAS
Agrivalle ganha sócio novo, limpa a casa e coloca o Paraguai no radar

Foto: Beatriz Araújo/BNews
O mercado de biológicos já não tá com o mesmo hype de alguns anos atrás, mas a Agrivalle não tá afim de esperar o mercado se animar sozinho. A empresa ganhou um sócio novo, o grupo Agrihold entrou com participação minoritária e a ideia é usar essa parceria pra continuar crescendo em dois dígitos, com o Paraguai virando a bola da vez pra expandir adoção de bioinsumos.
O percentual não foi divulgado e a gestora 10b segue como majoritária, sem reduzir sua fatia. A Agrihold só comprou ações que tavam com outros sócios minoritários, e a 10b aproveitou pra dar uma organizada no cap table, que tinha mais de 20 sócios originais no quadro e fazia reunião societária ficar com cara de churrasco de família, gente demais dando pitaco. Com isso, a empresa ganha mais clareza pra tocar uma agenda de crescimento com menos ruído.
O motivo tem endereço, Paraguai. Lá, a Agrihold é dona da Agrotec, uma rede de distribuição com participação de mercado em dois dígitos e um jeito bem técnico de atender o produtor, com assistência e prestação de serviço, exatamente o que biológico precisa pra funcionar fora do folheto. A Agrivalle já tinha distribuidor parceiro no país, mas aposta que agora dá pra acelerar num mercado que, segundo ela, ainda tá bem no começo nos biológicos, com adoção baixa fora dos inoculantes, num nível parecido com o do RS, perto de 10% pra bioinsumos.
E não é só Paraguai no mapa. No Brasil, a sinergia também entra no jogo porque a Agrihold tem a Alta Defensivos na parte química e o plano é complementar portfólio, químico e biológico andando juntos, com chance até de nascer marca própria do grupo. Pro CEO André Kraide, a expectativa pra 2026 é crescer entre 10% e 15% em receita, num ritmo parecido com de 2025, e ele diz que o volume vendido subiu 25%, mas o faturamento sofreu com queda de preços. Mas pra esse ano a aposta agora é de que a ladeira já ficou íngreme demais pra cair mais e a tendência é estabilizar.
Pra sustentar esse crescimento sem depender só do humor do mercado, a Agrivalle quer manter o motor de lançamento ligado. A empresa fala em colocar pelo menos 6 produtos novos por ano e investe perto de 10% da receita em P&D, com foco em condicionadores de solo, biofungicidas de solo e foliares e melhoradores de performance, pra complementar tanto químico quanto biológico. E se o Paraguai é a avenida principal, a Bolívia já aparece como próxima esquina. Agora que a porta da internacionalização abriu, ninguém quer ficar só na janela vendo passar.
COLHENDO CAPITAL
AGI assume revendas da Lavoro e Grupo Pátria deixa de ser acionista principal

Foto: Divulgação
A Lavoro trocou de piloto e chamou alguém que sabe mexer com avião em turbulência. A Arcos Gestão e Investimento, a AGI, assumiu o manche da administração da distribuidora de insumos no Brasil a partir da última sexta-feira (6), num movimento que rola menos de 1 mês depois de a Lavoro sair da Nasdaq. A empresa confirmou a transação e fez questão de destacar a experiência da AGI em reestruturação, aquele currículo que ninguém quer precisar, mas todo mundo quer que funcione quando a conta aperta.
Com isso, o Grupo Pátria deixa de ser o acionista principal da companhia, e a Lavoro fica mais enxuta e mais concentrada, mantendo os negócios na Colômbia enquanto no Brasil a história entra numa nova fase. A venda rolou, mas veio meio na encolha, sem detalhes de termos, preço ou o tamanho do pacote, pra não dar pano pra manga de especulação.
O roteiro de crise vinha sendo escrito há um tempo. Nos últimos 2 anos, a empresa enfrentou problemas financeiros, fechou revendas e enxugou custos operacionais, numa tentativa de passar pelo pior momento recente pra quem vive de defensivos e fertilizantes no Brasil. Uma fonte do setor disse que os funcionários começaram a ser informados no início da noite de sexta e, por enquanto, não há sinal de demissões ou mudanças no quadro, mas todo mundo sabe que “por enquanto” não dá estabilidade pra ninguém.
A Lavoro foi criada em 2017 pelo Pátria e, com menos de 10 anos de vida, já entrou com pedido de recuperação extrajudicial pra tentar driblar uma dívida estimada em R$ 2,5 bilhões, além de quedas de lucro no ciclo 2024/25 que passaram de 30% e retração de vendas no mesmo patamar. É aquele bololô que começa com expansão agressiva e termina com a calculadora pedindo arrego.
E a desmontagem já tinha começado antes da AGI aparecer. Em dezembro, a Lavoro vendeu a Crop Care, sua subsidiária de produção de insumos, pro próprio Pátria, com valor não divulgado e justificativa de manual, preservar patrimônio, reduzir alavancagem e garantir liquidez.
NAS CABEÇAS DO AGRO
Diesel some, colheita trava e produtor vai pro posto com galão na mão no RS

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No Rio Grande do Sul, a colheita tá virando aquelas cenas de filme apocalíptico, em que começa a faltar coisa básica. A Farsul disse que recebeu várias reclamações de produtores sobre falhas na entrega do combustível pelos TRRs nas propriedades e que já tem gente paralisando a colheita de arroz, com a soja também sentindo o impacto porque a colheita ainda tá começando por lá. A máquina tá pronta, a lavoura tá chamando, mas sem combustível não tem milagre.
Domingos Velho Lopes, presidente da Farsul, contou que o problema começou na terça-feira (2) e piorou na sexta (6), quando a caixa de mensagens virou central de reclamação. A colheita de arroz já chegou a 20% da área, mas tem produtor esperando o diesel chegar pra conseguir continuar. E o alerta é simples: se o reabastecimento não voltar ao normal entre segunda (9) e terça (10), as principais áreas arrozeiras vão sentir no ritmo, principalmente quem só tem estoque pra 4 dias e tá contando cada litro abastecido.
A Farsul diz que a trava teria começado nas refinarias, que teriam suspendido sem aviso a distribuição pras TRRs. E o timing não ajuda. O petróleo disparou com a guerra no Oriente Médio e já tem relato de diesel subindo até R$ 1 por litro em algumas regiões do Brasil, segundo mensagens enviadas à CNA, e no RS a alta chegaria a R$ 1,50 por litro. Só que, segundo Lopes, o problema maior nem é só o preço, é ter diesel pra comprar. Tem produtor indo ao posto com galão pra tentar segurar a bronca, mas galão não abastece colheitadeira por muito tempo, e a entidade disse que acionou o governo estadual pra buscar solução com órgãos federais.
Do outro lado, a ANP entrou em campo e disse que o RS tem estoque suficiente pra garantir o abastecimento normal de diesel, com produção e entrega seguindo em ritmo normal pela Refap, principal fornecedora da região. A agência também deu o papo de que vai notificar distribuidoras pra explicar estoque e pedidos aceitos, disse que não viu justificativa técnica pra recusar o fornecimento e lembrou que o Estado produz mais diesel do que consome. E sobre os reajustes repentinos nos postos, a ANP avisou que vai investigar aumentos injustificados com órgãos de defesa do consumidor.
PLANTÃO RURAL
Guerra no Irã cria corrida por adubo. O conflito entre os EUA, Israel e o Irã acelerou a compra global de fertilizantes, já que 1/3 do suprimento passa pelo Estreito de Ormuz e o gás da região é chave pra fabricar os insumos. Nos EUA, a ureia subiu US$ 100 em 1 semana e bateu US$ 570 por tonelada curta, com fornecedor retirando oferta.
Cosan e Suzano viram as queridinhas do mês. Um levantamento que analisou 18 carteiras de empresas do agro mostrou Cosan (CSAN3) e Suzano (SUZB3) como as favoritas de março, com 3 recomendações cada. No ano, a Cosan subiu 6,48% e a Suzano 5,88%, com Klabin (KLBN11) e JBS (JBSS32) também aparecendo no radar.
Pastagem degradada cresce com pequenos produtores. A Agroicone apontou que existem 2,6 milhões de hectares de pastagens degradadas em propriedades de até 4 módulos fiscais no MT e 2,7 milhões no PA. O estudo liga o problema a solo e a bolso, no MT só 15,9% acessam crédito e 12,5% recebem assistência técnica, no PA cai pra 6,1% e 4,7%.
Carne pode ficar mais cara em 2026. Especialistas dizem que a virada do ciclo da pecuária e o bezerro mais valorizado devem reduzir abate de fêmeas e apertar oferta, deixando o preço da carne bovina mais salgado. Em 2025, o Brasil produziu 12,40 milhões de toneladas e, no último ano, a arroba saiu de R$ 311 pra R$ 346,05, enquanto o bezerro em MS foi de R$ 2.630,21 pra R$ 3.267,63.
Agroceres Multimix cria a agCare. A Agroceres Multimix lançou a agCare, divisão nova pra concentrar seus aditivos de alta performance pra bovinos, aves e suínos, com discurso de ciência, método e protocolo rígido. Segundo a empresa, especialidades eram pouco mais de 2% do resultado há 10 anos e hoje já beiram 25%, e investiram mais de R$ 80 milhões em P&D nos últimos 5 anos.
Tarifa ilegal vai virar reembolso em 45 dias. A alfândega dos EUA disse que deixa pronto em 45 dias um sistema no ACE pra reembolsar as tarifas consideradas ilegais, com juros e pagamento único por importador. A Reuters citou 330 mil importadores e US$ 166 bilhões pagos em tarifas sobre 53 milhões de remessas, e o governo quer evitar uma maratona manual.
SE DIVERTE AÍ
Hora de dar um descanso pros números e espremer o cérebro em outra lavoura: o vocabulário. Hoje a pedida é o Termo, aquele jogo em que você tem 6 tentativas pra adivinhar a palavra do dia. Vale combinar com o pessoal da fazenda, do escritório ou da república e ver quem acerta primeiro. Depois do café, já sabe: abre o Termo, chuta uma palavra qualquer e deixa a cor dos quadradinhos dizer se sua cabeça tá mais pra lavoura bem manejada ou pra área que precisa de reforço técnico.
VIVENDO E APRENDENDO
Resposta da edição passada: Babaçu
Pergunta de hoje: Qual árvore amazônica foi base da borracha que acelerou a Revolução Industrial no fim do século 19?
A resposta você fica sabendo na próxima edição!
