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Bom dia!
Se ontem tinha altar montado pro maior casório da armazenagem, hoje já tem fato relevante jogando o buquê no lixo. A Kepler Weber anunciou fusão com a GPT e desanunciou tudo em menos de 24 horas. No resto do cardápio, Tarcísio de Freitas corta cargos na pesquisa agro e leva crítica de sucateamento, o agro aparece turbinando o PIB de 2025 enquanto 2026 já vem com VBP mais azedo, a Embrapa chega com ozônio no silo e IA pra ferrugem da soja, a Fendt abre mapa novo no Brasil e a Shell bota R$ 3,5 bilhões na mesa pra salvar a Raízen chamando a Cosan pra rachar a conta.
Pra você acordar bem informado
Por Enrico Romanelli
TÁ QUANTO?
Ibovespa desaba com guerra. O Ibovespa levou a maior queda do ano na terça-feira (3), com tombo de 3,46% e fechamento em 182.763 pontos. O gatilho foi o medo do risco com a escalada no Oriente Médio, depois de um rali puxado por estrangeiro. O volume financeiro bateu R$ 42,9 bilhões.
NAS CABEÇAS DO AGRO
Kepler Weber anuncia casamento com a GPT num dia e divórcio no outro

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A Kepler Weber voltou atrás e cancelou a fusão com a americana Grain & Protein Technologies, a GPT, em menos de 24 horas. Depois de anunciar a combinação de negócios na segunda-feira (2), a empresa soltou um novo fato relevante cedinho na terça-feira (3) dizendo que o acordo não vai pra frente porque não rolou consenso num ponto que era condição pra oferta continuar valendo.
O combinado tinha prazo e tinha trava. Até às 18h de segunda, a operação precisava de 2 coisas andando junto, o Conselho de Administração aprovar a minuta do acordo, o que rolou, e a GPT tinha que assinar um compromisso de voto com a Trígono Capital, maior acionista da Kepler Weber. Sem esse papel assinado, a GPT retirou a oferta e a Kepler Weber disse que tudo que tinha sido deliberado e encaminhado sobre o deal ficou sem efeito.
A Trígono, por sua vez, saiu do silêncio e explicou por que não assinou. A gestora disse que não podia assumir uma obrigação “irrevogável e irretratável” de votar a favor do negócio, por conta de várias regras que ela precisa seguir por ser gestora de recursos de terceiros. Segundo a Trígono, essa limitação foi avisada desde o começo e a GPT já sabia de tudo, mesmo assim, a condição entrou no pacote final.
O mercado não curtiu o plot twist. Na B3, as ações da Kepler Weber chegaram a cair quase 20% na largada do pregão e, às 10h45, tavam em R$ 8,10 com queda de 15,89%, mesmo ainda acumulando alta de 6,72% no ano. Do lado da empresa, o discurso foi de que a casa segue sólida e vai manter o foco no plano KW 2030, enquanto a GPT confirmou que a oferta expirou e o casamento naufragou antes mesmo de marcar a data da festa.
ASSUNTO DE GABINETE
Tarcísio corta cargos da pesquisa agro e recebe críticas por sucateamento da ciência

Foto: CrofpLife/Divulgação
O Governo de São Paulo, do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), publicou na sexta-feira (27) o Decreto 70.410 e passou a faca em uma pilha de cargos da pesquisa pública. No total, o corte chega a 67,8 mil cargos, e a Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo (APqC) calcula que só nos institutos públicos de pesquisa vão embora 5,28 mil postos. No agro, a pancada seria a maior, com 2,8 mil cargos ligados a estruturas como IAC, Instituto Biológico, IEA, Instituto de Pesca, Ital, Instituto de Zootecnia e a Apta Regional.
O decreto bota na fogueira não só os que usam jaleco, mas também os coadjuvantes dos laboratórios que fazem a engrenagem girar, como agentes e técnicos de apoio agropecuário, técnicos e assistentes de apoio à pesquisa, técnicos de laboratório, além de cargos como engenheiros e médicos veterinários. Pra APqC, isso vai complicar o dia-a-dia e sufocar a capacidade de rodar experimentos novos, manter os equipamentos funcionando, cuidar das áreas de conservação e deixar as pesquisas de pé sem transformar o pesquisador em faz-tudo.
O medo é o corte virar um gargalo. Menos gente no apoio significa mais demora pra preparar área, coletar dado, organizar amostra, manter banco de germoplasma e tocar as atividades que não aparecem no paper, mas garantem a publicação e o resultado.
A Secretaria de Agricultura e Abastecimento (SAA) rebateu dizendo que a extinção integra a reforma administrativa São Paulo na Direção Certa, com objetivo de deixar o Estado mais ágil, eficiente e sustentável no longo prazo. E diz também que reestruturou as carreiras de pesquisa e especialidades agropecuárias, além de uma proposta em desenvolvimento pra modernizar as carreiras de apoio.
O AGRO EM NÚMEROS
Agro puxa o PIB, VBP deve cair em 2026 e máquinas começam o ano devagar nas vendas

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O PIB da agropecuária cresceu 11,7% em 2025, segundo o IBGE, e ajudou a empurrar o PIB do Brasil pra 2,3%, fechando o ano em R$ 12,7 trilhões. Em valores correntes, a riqueza gerada pelo setor somou R$ 775,3 bilhões, algo perto de 6,1% do PIB nacional, com milho subindo 23,6% na produção e soja avançando 14,6%.
Só que a CNA já tá olhando pra 2026 com a calculadora mais azeda. A entidade projeta queda de 4,6% no Valor Bruto da Produção, pra R$ 1,4 trilhão, com preço mais baixo pesando mais que o volume. No recorte, a agricultura deve recuar 4,5% pra R$ 926,9 bilhões, o milho apanha com preços caindo 5,3% e produção cedendo 1,92%, e a cana perde 6,5% com preços caindo 7,0%. O café arábica foge do padrão, produção sobe 23,29% e o VBP cresce 18,4% mesmo com preço recuando 3,9%.
Do lado do investimento, a Abimaq mostrou que a indústria de máquinas e equipamentos começou o ano no sapatinho. A receita líquida de vendas caiu 17% em janeiro, pra R$ 17,28 bilhões, com o mercado interno encolhendo 19% pra R$ 12,8 bilhões e o consumo aparente caindo 21,5% pra R$ 26,5 bilhões. Exportação até subiu 3,1% na comparação anual, chegando a US$ 838,2 milhões, enquanto importação caiu 10,3% pra US$ 2,48 bilhões, e a capacidade instalada rodou em 78,6%.
MENTES QUE GERMINAM
Embrapa põe ozônio no silo e IA na lavoura pra cortar micotoxina e ferrugem da soja

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Sanidade de grão e sanidade de folha resolveram marcar reunião na mesma semana. De um lado, a Embrapa Milho e Sorgo, em Minas, tá colocando no mercado um silo biorreator que usa gás ozônio pra baixar micotoxinas, fungos, pragas e até resíduo químico em grãos usados na ração. Do outro, um time de pesquisadores brasileiros colocou inteligência artificial na nuvem pra ajudar produtor a prever risco de ferrugem asiática da soja e gastar fungicida com mais juízo e menos no susto.
O lançamento do momento é o SiloBio, criado em parceria entre a Embrapa e a empresa Nascente. A promessa é tratar grãos em escala grande, começando pelo milho mas já de olho em sorgo, soja e farelos. Em testes, a aplicação de ozônio reduziu em mais de 90% a incidência de micotoxinas e derrubou fungos em níveis que chegam perto de 96%, sem mexer na qualidade nutricional, mantendo água, proteína, lipídeo e cinzas tudo dentro do normal.
O pulo do gato nem é o ozônio em si, porque o mundo já usa essa ideia faz tempo. A novidade tá na engenharia pra rodar em volume, botando os grãos pra se movimentar dentro do biorreator e injetando o ozônio de um jeito mais homogêneo. A estreia oficial do SiloBio tá marcada pra 11/03 às 8h, no evento de 50 anos da Embrapa Milho e Sorgo, e o argumento comercial vem com calculadora junto. A Nascente diz que o retorno do investimento pode vir em menos de 2 anos, na soma de menos complemento químico, menos perda e ração mais limpa. E tem o bônus verde, o sistema roda com ar e eletricidade, o ozônio faz o serviço e depois volta a ser oxigênio. O processo todo com resíduo zero, sem deixar rastro no solo e nem na água.
Na soja, a briga é outra, mas o objetivo é igual, reduzir prejuízo sem virar escravo de aplicação. Essa nova ferramenta digital junta dados de sensores ambientais, imagens das folhas e parâmetros agronômicos como cultivar e calendário de plantio, e entrega um painel online com um diagnóstico de risco em níveis baixo, médio e alto, além de relatórios com recomendações técnicas. A ferrugem asiática pode derrubar até 80% da lavoura e o prejú com ela já passou de US$ 2 bilhões por safra em custo e controle, então qualquer sistema que ajude a acertar o timing da decisão vira economia, e os pesquisadores já tão buscando parceiros privados pra colocar a solução rodando no setor produtivo.
SAFRA DE CIFRAS
Fendt bota o Brasil como prioridade e amplia a rede no agro

Foto: Reprodução/Fendt
A Fendt resolveu tratar o Brasil como vitrine e alavanca ao mesmo tempo. Em uma entrevista pro CNN Agro News ontem (3), o diretor comercial no país, Rafael Antonio Costa, disse que a gente virou um dos principais pilares da expansão internacional da marca alemã, com a estratégia apoiada em mais distribuição e mais portfólio, sem firula e com foco em presença no campo.
O próximo passo já tá marcado pra 2026, com 2 novos pontos de apoio, 1 no Tocantins e outro no interior de São Paulo em uma região forte de grãos. Costa ainda puxou o PIB recente pra mesa pra defender que o investimento faz sentido e disse que o objetivo é entregar ganho de eficiência e mais margem pro produtor, daquele tipo que aparece no fim da safra e no bolso, não só nas promessas. E, pra manter a marca em evidência no calendário do produtor, a empresa também falou que vai ter novidades na Expodireto, no Rio Grande do Sul, e na Agrishow, em São Paulo.
E, já que o plano é ampliar território, a Fendt também quer começar operações na terra dos hermanos, com a criação de 4 postos de atendimento na Argentina. No Brasil, a marca chegou em 2019 e montou sua base lá em Sorriso (MT), focando em tratores de alta potência, colheitadeiras e plantadeiras.
COLHENDO CAPITAL
Shell bota R$ 3,5 bilhões na mesa pra salvar a Raízen e chama a Cosan pra dividir a conta

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A Shell Brasil cansou de ver a Raízen patinando e resolveu falar sem filtro que a situação financeira tá pedindo uma solução grande, daquelas que não cabem só no bolso de trás. O presidente da Shell, Cristiano Pinto da Costa, disse ontem (3) que a empresa já se comprometeu a injetar R$ 3,5 bilhões numa capitalização da joint venture e quer a Cosan, dona da outra metade, colocando o mesmo valor na mesa. Meio a meio no capital, meio a meio no cheque.
E isso não tá rolando só na conversa de corredor, não. O papo ainda envolve o BTG, que virou novo acionista da Cosan, e os bancos credores, com reunião diária e senso de urgência no talo. A crise veio daquele combo que o agro e energia conhecem bem, expansão acelerada, preços de açúcar e etanol mais baixos, juros apertando o pescoço e a transição energética andando num ritmo menos animador do que o marketing prometia. De lá pra cá, com um time novo desde o fim de 2024, a Raízen vem tocando desinvestimentos pra reenquadrar a operação e concentrar energia onde dá retorno, etanol e distribuição de combustíveis. A Shell diz que já tem resultado operacional aparecendo, mas o ponto agora é estrutural.
Na mesa, tem 2 caminhos bem diferentes. Ou mantém a companhia integrada, com etanol e distribuição convivendo no mesmo endereço, ou separa tudo em 2 casas. A Shell prefere manter integrado por enquanto, porque considera alto o risco de a estrutura de dívida virar um castelo de cartas antes de o balanço ganhar estabilidade, e os credores, segundo o executivo, tão na mesma vibe, capitaliza primeiro, discute cisão depois.
Como a busca por investidor externo em 2025 não virou, sobrou o plano raiz, sócios discutindo aporte próprio, bancos entrando na engenharia e o governo acompanhando de perto. Enquanto isso, a Shell faz questão de separar os mundos e dizer que o upstream dela no Brasil tá em outra prateleira. A empresa investiu R$ 12,5 bilhões em 2025 e segue expandindo seu portfólio no país todo, inclusive com 29 novos blocos comprados com a Petrobras na bacia de Pelotas (RS). E planeja continuar nesse plano mais agressivo.
PLANTÃO RURAL
Daabon compra a Agropalma no Pará. A colombiana Daabon fechou acordo pra comprar as operações da Agropalma no Pará, num M&A gigante que inclui 1 refinaria na Grande Belém, 6 extratoras e 107 mil hectares, com mais de 40 mil cultiváveis.
Trump promete cortar comércio com a Espanha. Donald Trump disse ontem (3) que os EUA vão cortar todas as relações comerciais com a Espanha, depois de o país negar que os militares estadunidenses usassem suas bases militares em missões ligadas aos ataques contra o Irã.
Comitiva da MBRF encurta viagem na Arábia. Uma comitiva do varejo liderada pela MBRF, com mais de 100 pessoas, antecipou o retorno da Arábia Saudita após ataques na região. O grupo saiu de Riad e foi pra Londres, sem fretado direto pro Brasil.
RS registra gripe aviária em ave silvestre. O Rio Grande do Sul confirmou um foco de H5N1 em aves silvestres na Reserva do Taim, em Santa Vitória do Palmar, com identificação em cisne coscoroba. A secretaria reforçou que isso não muda o status sanitário do Estado e do país, e que não há risco no consumo de carne e ovos.
Piracanjuba assume a Básel. O Cade aprovou e a Piracanjuba assumiu oficialmente a Básel Lácteos na segunda-feira (2). A fábrica fica em Antônio Carlos (MG), e a Básel é conhecida por queijos mais premium, tipo emmental, gruyère, maasdam e gouda.
Senar e CNA levantam centro de tecnologia rural. O Sistema Faesp/Senar e a CNA tão construindo, em São Roque (SP), o 1º centro de excelência do Senar focado em tecnologia rural. A previsão é ficar pronto em 2026, com 9 mil m², 24 cursos e capacidade pra 5 mil alunos por ano, com IA, conectividade e IoT no pacote.
Hubbard injeta R$ 60 milhões em genética avícola em Goiás. A Hubbard vai investir R$ 60 milhões na sua unidade de avós em Luziânia (GO), pra aumentar em pelo menos 27% a capacidade de produção.
Leite só se for de vaca e carne só se for de bicho. A Câmara aprovou um projeto que reserva termos como leite, queijo e manteiga pra produtos de origem animal e tenta impedir que análogos vegetais usem essas palavras. O texto ainda passa por ajustes antes de ir pra sanção.
SE DIVERTE AÍ
Hoje a brincadeira é geográfica. O Flagle te joga uma bandeira qualquer no meio da tela e te deixa adivinhar que país é aquele com base nas cores, formatos e nos chutes anteriores. Vale testar conhecimento de geopolítica, decorar bandeira de parceiro comercial do agro e ainda disputar quem acerta em menos tentativas no grupo da fazenda ou da firma.
VIVENDO E APRENDENDO
Resposta da edição passada: Cupuaçu
Pergunta de hoje: Qual erva típica do Pará deixa a boca formigando e é estrela do tacacá?
A resposta você fica sabendo na próxima edição!
