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Bom dia!
A edição de hoje tem frigorífico que fechou 2025 no azul mesmo com o boi comendo boa parte do resultado, grupo de biocombustíveis que mais que dobrou o plano de investimentos na semana em que o diesel virou pauta nacional, e El Niño ganhando força no radar com probabilidade de 97% de aparecer até setembro. No meio disso, um estudo sueco colocou a carne bovina no topo da lista do desmatamento global, o Senado aprovou um novo marco do trabalho rural e 166 cidades gaúchas estão relatando escassez de diesel.
Pra você acordar bem informado
Por Enrico Romanelli
TÁ QUANTO?
SAFRA DE CIFRAS
JBS lucra US$ 2 bilhões em 2025, mas boi caro nos EUA ainda flopa a festa

GIF: Tenor
A JBS fez bonito e fechou 2025 com um lucro líquido de US$ 2,02 bilhões, alta de 15% em cima de 2024, e receita de US$ 86,18 bilhões, crescendo 12%. Falando do 4º trimestre sozinho, o lucro ficou em US$ 415 milhões, com crescimento tímido de quase 1%, enquanto a receita subiu 15% e bateu US$ 23,06 bilhões.
Quem mais ajudou a puxar esse caminhão foi o frango. Pilgrim’s Pride e Seara carregaram nas costas quase 64% do Ebitda ajustado da firma em 2025, mesmo com o custo de ração mais alto, dólar mexendo na conta e o episódio de gripe aviária bagunçando as exportações da Seara em boa parte do ano passado.
Ainda assim, a JBS saiu dizendo que os dois negócios seguem bem encaminhados, com demanda crescendo cada vez mais na Europa e nos Estados Unidos, onde a carne bovina mais cara tá empurrando o frango e o suíno pro prato de mais gente.
O freio maior veio da carne bovina na América do Norte, onde o boi caro resolveu virar o vilão do balanço. No 4º trimestre, o Ebitda ajustado da JBS Beef América do Norte despencou 49,8% e ficou em US$ 56 milhões. No ano, a operação fechou com Ebitda negativo de US$ 319 milhões. Um prejuízo de respeito e que preocupa o mercado.
A conta apertou porque o preço do gado subiu mais do que a carne conseguiu acompanhar, e a empresa já avisou que 2026 ainda deve ser mais um ano difícil por lá. Mesmo assim, a JBS segue apostando em eficiência, mix de produtos e expansão de canais pra continuar fazendo o caixa trabalhar, inclusive no Brasil, na Austrália e em outros mercados na gringa.
NAS CABEÇAS DO AGRO
Potencial vê petróleo caro, sobe aposta nos biocombustíveis e mira R$ 6 bi até 2030

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Os biocombustíveis já tavam ganhando espaço no discurso de político e até na prosa entre amigos, mas agora também tão ganhando mais cheque na mesa. A Potencial bateu na mesa e deu um all-in no seu plano de investimentos, que vai até 2030. O investimento tava planejado pra ser de R$ 2,8 bilhões, mas agora subiu pra mais de R$ 6 bilhões, tudo isso pra ficar ainda mais de olho na expansão do etanol de milho, do biodiesel e da esmagadora de soja que eles tem lá no Paraná. E o empurrãozinho pra dar esse raise foi justamente o aumento do preço do diesel e do petróleo por conta da guerra que tá rolando no Irã.
A companhia decidiu que vai mais que dobrar a capacidade do projeto de etanol de milho, que passou a mirar processamento de 2,6 milhões de toneladas por ano e produção final de 1 bilhão de litros. Na soja, a esmagadora que inauguraram em Lapa (PR) também vai mais que dobrar de tamanho e chegar a 2,5 milhões de toneladas por ano, pra abastecer a fábrica de biodiesel da própria empresa. E a usina, que hoje já produz 900 milhões de litros por ano, deve decolar pra 1,65 bilhão de litros até o início de 2027.
No pacote ainda entram 2 dutos de 55 Km, produção de 9 milhões de m³ de biogás por ano e a meta de levar o faturamento de R$ 12 bilhões pra R$ 20 bilhões até 2030. O discurso da companhia mistura oportunidade e alerta. Segundo a Potencial, o Brasil ainda depende de 25% a 30% de diesel fóssil importado, e o petróleo perto de US$ 100 por barril ajuda a martelar a ideia de que etanol e biodiesel não são só alternativa bonitinha de apresentação, mas uma peça-chave na soberania energética tupiniquim. E com milho e soja sobrando no quintal, o grupo quer aproveitar essa deixa antes que outro choque internacional resolva mexer no tanque de novo.
O AGRO EM NÚMEROS
Milho safrinha pede chuva e soja mira recorde

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A área plantada do milho safrinha chegou a 97% do previsto no país, segundo a Agroconsult, com uma estimativa de 18,5 milhões de hectares na 2ª safra. O ritmo ficou ligeiramente abaixo dos 98% de 1 ano atrás, e em Goiás o atraso pesou, com só 56% da área plantada na 2ª quinzena de fevereiro, quando o ideal seria 80%. Por enquanto, o tamanho da safra segue em aberto e abril e maio é que vão decidir se esse milho vai sair do quase pra conta fechada.
A soja, por outro lado, tá com número de quem quer chamar atenção. A Agroconsult projeta uma produção de 184,7 milhões de toneladas em 2025/26, alta de 11,5 milhões de toneladas sobre a safra passada. A produtividade média foi estimada em 62,7 sacas por hectare, enquanto a área plantada deve chegar a 49,1 milhões de hectares, com avanço de 933 mil hectares.
E ESSE TEMPO, HEIN?
El Niño ganha força no radar e já promete mexer no humor do inverno

Foto: Getty Images/Canva
Clima no agro nunca é notinha de rodapé, e quando o assunto é El Niño o produtor já começa a olhar pro céu querendo fazer outro tipo de nota, a de repúdio. Segundo o Centro Climático da Ásia-Pacífico, a chance de o fenômeno aparecer entre abril e junho subiu pra 84,6%, bem acima dos 62% que a NOAA tinha apontado na semana passada pro período entre junho e agosto. E pro fim desse intervalo, a probabilidade já encosta em 97,4%, com o índice Niño 3.4 saindo de 0,47 °C em abril pra 1,75 °C em setembro, num desenho que indica um episódio de moderado a forte.
Na prática, isso significa que a La Niña tá perdendo força e o El Niño vai entrando na sala com mais confiança. Se esse roteiro se confirmar, o inverno tende a ser menos seco e menos frio, com mais umidade e temperaturas mais altas. No Sul, a primavera também pode vir mais chuvosa, o que já muda a conversa pra quem depende de janela climática bem comportada e de chuva caindo no lugar certo, sem exageros.
A APCC lembra que isso ainda é só uma projeção baseada em modelos internacionais e que o acompanhamento oficial e regional precisa passar pelos serviços meteorológicos nacionais. Mas o sinal já ficou forte o suficiente pra ninguém ficar de bobeira.
PAUTA VERDE
Bois lideram a conta do desmatamento ligado à produção de alimentos

Foto: Reuters/Pascal Rossignol
Desmatamento é um daqueles assuntos que vivem rondando o agro e voltam com força sempre que alguma pesquisa aparece com informação nova. Desta vez, a carne bovina apareceu liderando disparada a lista e respondeu por 40% de todo o desmatamento global ligado à produção de alimentos, segundo um levantamento divulgado por pesquisadores da Universidade de Tecnologia de Chalmers, na Suécia. Depois dela vêm óleo de palma com 9%, soja com 5%, milho e arroz com 4% cada, mandioca com 3%, cacau com 2% e café e borracha com 1% cada.
Pra montar esse raio-X, o estudo cruzou dados de satélite com estatísticas agrícolas pra analisar 184 commodities em 179 países entre 2001 e 2022, num retrato que os autores descrevem como o mais abrangente já feito sobre o tema. Nesse intervalo, o mundo perdeu 121 milhões de hectares de floresta, com emissão de 41,2 gigatoneladas de CO2 equivalente. E embora o desmatamento pra agricultura represente cerca de 5% das emissões globais de dióxido de carbono, ele continua sendo uma peça bem barulhenta quando o debate mistura clima, comida e uso da terra.
No recorte por país, o Brasil vai junto com o boi e também aparece no topo, com 32% de todo o desmatamento global nesse período, seguido por Indonésia com 9%, China e República Democrática do Congo com 6% cada, Estados Unidos com 5% e Costa do Marfim com 3%. Como o Brasil é gigante tanto na carne bovina quanto na soja, o estudo inevitavelmente joga o país pro centro da conversa. E isso acontece num momento em que rastreabilidade, pressão internacional e exigência ambiental tão cada vez menos presas ao discurso bonito de conferência e cada vez mais presentes na mesa de negociação.
E não foi só commodity de exportação que apareceu na conta. Milho, arroz e mandioca somados responderam por 11% do desmatamento causado pela agricultura, mais do que cacau, café e borracha juntos. Segundo os pesquisadores, o problema vai além do comércio internacional e exige ação também dentro dos próprios países produtores, onde o mercado doméstico continua abrindo área sem pedir licença pra mata.
ASSUNTO DE GABINETE
Senado aprova marco do trabalho rural e tenta trocar regra de 1973 por menos jurássico

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O trabalho rural e suas condições são alguns dos temas que passaram décadas perseguindo o agro, com remendo, puxadinho e regra espalhada em todo canto. Agora, a Comissão de Agricultura e Reforma Agrária do Senado aprovou o relatório do PL 4.812/2025, que cria um novo marco legal pro trabalho no campo e tenta substituir a legislação que tá em vigor desde 1973.
A proposta junta em um único texto regras sobre contrato, jornada, saúde, segurança e negociação coletiva, num movimento que tenta tirar a legislação rural da era do papel amarelado e trazer a coisa pra um mundo em que o campo já tem tecnologia, gestão e bem mais complexidade.
Além de reorganizar a bagunça normativa, o texto ainda cria a Política Nacional de Qualificação, Tecnologia, Inovação e Sustentabilidade no Trabalho Rural, com foco em capacitação e incentivo ao uso de novas tecnologias no campo. O projeto também prevê programas de gerenciamento de risco, comissões internas pra prevenção de acidentes e assédio e regras pra modalidades como trabalho temporário, intermitente e por safra. Agora a proposta segue pra Comissão de Assuntos Sociais do Senado e, se avançar em caráter terminativo, pode ir direto pra Câmara. Por enquanto, o que o Senado fez foi dizer que a CLT do campo talvez já mereça parar de andar de carroça.
PLANTÃO RURAL
Klabin respira mais leve. A Fitch elevou a perspectiva da Klabin pra positiva e manteve os ratings em BB+ no exterior e AAA(bra) no mercado local. A aposta é de alavancagem líquida perto de 3 vezes até 2027, com caixa forte, menos investimento pesado e dividendo mais comportado.
Etanol de milho chega na Bahia. A Inpasa disse que sua nova usina em Luís Eduardo Magalhães (BA) começa a operar em abril. A planta vai processar 1 milhão de toneladas de milho por ano e produzir 470 milhões de litros de etanol.
MDA faz troca na liderança. Fernanda Machiaveli será a nova ministra do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, substituindo Paulo Teixeira (PT-SP), que vai disputar uma vaga na Câmara. Atual secretária executiva da Pasta, ela participou da formulação dos últimos Planos Safra da agricultura familiar e da estruturação de 112 mil quintais produtivos pelo país.
Conab troca de comando. Sílvio Porto será o próximo presidente da Conab e vai substituir Edegar Pretto, que deixa o cargo pra disputar o governo do Rio Grande do Sul. Porto já foi diretor da estatal, participou da criação do PAA e agora assume a cadeira principal da companhia.
ADM quer mais soja daqui. A ADM colocou a América do Sul no centro do mapa e quer ampliar o peso da região nos negócios, com mais processamento de soja no Brasil. O alvo tá no mercado interno, puxado por biodiesel, farelo e proteína animal.
Guerra bate no preço do prato. A ABPA disse que a guerra no Oriente Médio deve pressionar os preços de ovos, frango e carne suína. Fretes subiram de 10% a 20%, embalagens já avançaram até 30% e as taxas de guerra entraram na conta.
Diesel some e alerta cresce no Sul. Subiu pra 166 o número de cidades gaúchas com relatos de escassez de diesel, segundo a Famurs. Prefeituras já tão direcionando combustível pra saúde e transporte de pacientes, enquanto obras e atividades com maquinário foram suspensas.
Embrapa finca bandeira no ES. A Embrapa lança nesta quinta-feira (26) uma Unidade Mista de Pesquisa e Inovação no Espírito Santo, em parceria com Incaper, Ufes, Ifes e governo estadual. O foco vai de cafeicultura e fruticultura até agroecologia, bioinsumos e recuperação de áreas degradadas.
SE DIVERTE AÍ
Hoje a brincadeira é geográfica. O Flagle te joga uma bandeira qualquer no meio da tela e te deixa adivinhar que país é aquele com base nas cores, formatos e nos chutes anteriores. Vale testar conhecimento de geopolítica, decorar bandeira de parceiro comercial do agro e ainda disputar quem acerta em menos tentativas no grupo da fazenda ou da firma.
VIVENDO E APRENDENDO
Resposta da edição passada: X-caboquinho de tucumã
Pergunta de hoje: Qual estado responde historicamente pela maior parte do arroz irrigado do Brasil?
A resposta você fica sabendo na próxima edição!
