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Bom dia!
Sábado é dia de caça-palavras, e a grade do agro desta semana esconde quatro. A primeira está na Ceasa gaúcha, onde o tomate chegou a um preço que a própria central duvida que seja superado. A segunda está no céu da lavoura, porque o avião agrícola ficou de fora do imposto novo, com data para acabar. A terceira atravessa a grade até a China, que voltou a comprar carne bovina, mas bem abaixo do que o mercado esperava. E a última, a que abre a edição, está escrita na diagonal, em Brasília: a indústria quer imposto sobre o defensivo que vem de fora, e nem todo mundo do próprio setor riscou o mesmo nome. E descendo a tela tem mais.
Pra você começar o final de semana bem informado.
Por Luciana Stival.
TÁ QUANTO?
Os dados são publicados por CEPEA-Esalq/USP Indicadores sob licença CC BY-NC 4.0. As variações são calculadas em % diária e %YTD (Year to date)
Os preços mundiais dos alimentos recuaram em outubro, puxados por trigo e milho, com demanda fraca e expectativa de oferta farta na América do Sul, segundo a FAO. Na contramão, o açúcar subiu mais um mês, depois que a chuva atrapalhou a colheita no Brasil.
A CONTA DA LAVOURA
A indústria pede imposto de até 35% sobre o defensivo genérico importado

Fonte: TheAgriBiz
A conta do defensivo da safra que vem ganhou um capítulo em Brasília, e quem o abriu foi a própria indústria. O Sindiveg protocolou na Camex, em outubro, quatro pedidos para elevar a até 35% o imposto de importação de defensivos formulados, o teto que o Brasil consolidou na OMC. Na prática, é um muro tarifário contra o genérico de fora.
O alvo tem endereço: nos seis códigos que Sindiveg e Abifina querem sobretaxar, a China passou de 10,5% do valor importado em 2020 para 48,8%. O argumento da indústria está nos próprios processos: num grupo de fungicidas, o volume importado cresceu 109% e o preço médio caiu 42% em três anos. Só que, para quem defende os importadores, o muro tem tijolo de fora: boa parte do que se chama produção nacional é formulação de ingrediente ativo importado da própria China.
Do lado de quem planta, a conta já pesa: o Imea põe o defensivo em cerca de R$ 1.227 por hectare no custo da soja de Mato Grosso em 2026/27. E a obra rachou o próprio canteiro: a Tecnomyl, que diz não ter sido consultada, não renova a filiação ao Sindiveg para 2027, e a Alta também sai de um sindicato que tinha 22 filiadas. A Aenda, entidade que reúne importadoras, responde com outra conta: a tarifa de 12,6% que já existe sobre 2,4-D, acefato, mancozebe e glifosato não aumentou a produção nacional.
O pedido de 35% está em consulta pública na Camex, sem previsão de votação no Gecex, que é quem decide. A data que já existe é a de um segundo pedido, feito pela Abifina, para outros defensivos: ele vai ao comitê de alterações tarifárias da Camex na terça (10), depois de Aprosoja, CNA, Abrapa e Sindag votarem contra na câmara temática de insumos do Mapa; se o comitê não decidir por unanimidade, a pauta sobe ao Gecex.
COMO TÁ LÁ FORA?
O USDA em Pequim vê a China comprando menos soja em 2026/27

Fonte: Giphy
O escritório do USDA em Pequim projeta que a China importe 110 milhões de toneladas de soja em 2026/27, abaixo dos 114 milhões que ele mesmo estima para 2025/26. O número até subiu 1,8% sobre o relatório anterior, que falava em 108 milhões, mas a comparação que pesa é com o ciclo 2025/26.
Pela conta do escritório, a China vai esmagar menos soja do que no ciclo anterior, e o consumo de farelo esfriou: o rebanho de matrizes suínas caiu 10,7% em um ano, e a ração passou a levar menos farelo. O apetite continua lá; é o prato que parou de crescer.
E uma parte dele já tem dono. Pelo acordo de Busan, a China se comprometeu a comprar pelo menos 25 milhões de toneladas de soja americana em 2026/27, e até 22 de outubro tinha comprado 15,1 milhões. O relatório separa os dois fregueses: as estatais compram dos EUA por causa do acordo, enquanto a tarifa retaliatória de 10% sobre a soja americana leva os compradores comerciais para a América do Sul.
Washington quer a porção inteira: na sexta (6), os EUA cobraram da China o cumprimento dos compromissos de compras agrícolas antes dos encontros entre Trump e Xi, o primeiro na cúpula da Apec, em 18 e 19 de novembro. A ressalva é de origem: é previsão do escritório em Pequim, não número oficial do USDA, que aponta para 115 milhões de toneladas.
ASSUNTO DE GABINETE
Fosfato, potássio e enxofre entraram na lista de minerais críticos

Fonte: Giphy
Brasília fez uma lista de convocados, e o adubo está nela.
O conselho de minerais críticos, o CIMCE, aprovou na quinta (5), na primeira reunião, a lista de 27 minerais que a política nacional vai priorizar, e fosfato, potássio e enxofre fazem parte dela, pela nota do Ministério da Agricultura. É a porta de entrada: só os projetos focados nesses 27 minerais e inscritos no Cadastro Nacional de Projetos podem receber apoio do governo.
Os três ficaram na Classe II, a de prioridade média, com oito minerais, enquanto terras raras e cobre ficaram no topo. O adubo foi convocado, mas para o banco de reservas. E estar na lista não é ter dinheiro: o decreto publicado na quarta (4) diz que a classificação não garante automaticamente benefício fiscal, financiamento nem habilitação de projeto.
Enquanto isso, a partida no campo não espera. No Vozes do Agro, o country manager da Mosaic no Brasil disse que o Brasil vai aplicar 22% menos P2O5 neste ano do que no anterior, por decisão do próprio agricultor.
PAPO DE CURRAL
A China voltou ao topo da carne bovina com 77,6% menos volume

Fonte: Globo Rural
Quem está negociando boiada nesta semana quer saber se o chinês voltou ao balcão.
Voltou: pelos dados da Secex lidos pela Terra Investimentos, a China foi de novo o primeiro destino da carne bovina in natura em outubro, com 41,9 mil toneladas, contra 10,9 mil em setembro. Parte disso já mira a cota chinesa de 2027, com embarques feitos no fim de outubro. Acontece que ainda é 77,6% menos que em outubro de 2025, quando foram 187,2 mil toneladas.
A senha da cota nova foi chamada, mas o freguês chegou contando moeda. Um exportador ouvido pela CNN, que vende carne para a China, conta que os chineses vieram mais fracos do que o mercado esperava, em preço e em volume. E a tonelada embarcada em outubro saiu cerca de 5% abaixo do preço de setembro. O resto do mundo ajudou, mas não fechou o buraco: os 66 destinos que compraram mais acrescentaram 46,1 mil toneladas, só 32% do que a China deixou de levar.
Na arroba, a leitura da Safras é que a eventual gestão da cota chinesa pode distribuir os embarques e limitar compras mais agressivas de boiada, sem tirar o que sustenta o preço; em Araçatuba e Barretos, o boi seguia a R$ 387 a arroba no prazo. No mercado futuro, o contrato de novembro abriu o mês acima de R$ 410, caiu a R$ 404 e operava a R$ 406 na sexta (6).
E ESSE TEMPO, HEIN?
A FAEP pede ao Paraná um fundo de catástrofe para o agro

Fonte: Globo Rural
Passado o temporal, a pergunta de quem produz no Sul deixou de ser quanto quebrou e passou a ser quem paga para reconstruir.
O Sistema FAEP enviou ontem um ofício ao governador Ratinho Junior propondo um fundo estadual de catástrofe para o agro, para o produtor reconstruir estruturas e benfeitorias e repor insumos e máquinas danificados em temporais, vendavais, granizo e tornados. É um pedido do Sistema FAEP, e o texto não diz quanto o fundo teria nem de onde viria o dinheiro.
O estrago dos temporais aparece em casos como o de Maringá (PR), onde um tornado destruiu o barracão das colheitadeiras de um produtor, e só o maquinário tinha seguro; o resto da recuperação sai do bolso dele. Em Pinhalzinho (SC), a Cooperitaipu estima prejuízo de R$ 15 milhões a R$ 18 milhões, com o seguro acionado. E onde há seguro, o relato de um sindicato rural do Paraná, no texto da FAEP, é que a vinda do perito demora e atrasa a liberação das áreas.
O custo também é humano: pela Agência Brasil, as defesas civis do RS e de SC contabilizam ao menos quatro mortes possivelmente ligadas aos temporais entre terça (3) e quinta (5). No Paraná, pelos dados da Defesa Civil citados pela FAEP, foram 94 ocorrências em 87 municípios nos seis primeiros dias de novembro, com R$ 38,4 milhões em prejuízos.
E a próxima rodada já tem aviso: o Inmet mantém alerta vermelho de grande perigo para tempestades para este sábado (7) no oeste de Santa Catarina, nas serras do Sul, no noroeste e nordeste do Rio Grande do Sul e em quatro regiões do Paraná, áreas que já sofrem com temporais desde o início do mês.
O AGRO EM NÚMEROS
O Rabobank diz que a fase de otimismo dos biológicos passou

Fonte: Giphy
Depois de alguns anos no programa de manejo, o biológico mudou de pergunta: não é mais se ele fica, é quanto vale pagar por ele.
O Rabobank estima o mercado brasileiro de biológicos em cerca de R$ 6,7 bilhões em 2026 e acima de R$ 7 bilhões em 2027, número que o The AgriBiz também deu, pela coletiva do banco na quarta (4). Para o analista de insumos do banco, o mercado está deixando para trás a fase do otimismo, e o biológico não veio para substituir o defensivo químico, mas para atuar junto com ele.
O biológico saiu do namoro e entrou no casamento: ninguém pensa em largar, mas também ninguém compra flor toda semana. E quem está bancando as flores é o vendedor: segundo o relatório, a pressão financeira dos produtores tem levado as empresas de biológicos a consumir caixa para manter os produtos competitivos e não perder o espaço conquistado nos últimos anos.
A conta do ano ainda está aberta: pela CropLife, as vendas de biológicos cresceram 4,2% em valor no primeiro semestre, mas cerca de 73% delas acontecem no segundo.
PLANTÃO RURAL
O crédito rural com LCA caiu 71,3% em Mato Grosso do Sul: o volume passou de R$ 11,99 bilhões para R$ 3,45 bilhões em duas safras, com queda de 90,2% nas contratações do médio produtor, pelo levantamento da Aprosoja/MS.
O avião agrícola escapa do Imposto Seletivo até o fim de 2027: pela MP 1.399, o avião inscrito como agrícola no Registro Aeronáutico Brasileiro leva para o novo imposto a alíquota zero do IPI, com o Sindag atrás de isenção permanente a partir de 2028.
O Tapajós opera com 60% da carga na seca, diz a Adecon: o Madeira voltou aos 100% depois de cair a 70% em meados de outubro, pela mesma Adecon, com o frete de grãos entre Sinop e Miritituba a R$ 255,87 por tonelada no mês, pelo Sifreca.
A importação de adubo fechou outubro acima de 2025: nos 20 dias úteis do mês, o Brasil trouxe cerca de 4,26 milhões de toneladas de adubos, com média diária 2,7% acima da de outubro de 2025, pelos dados da Secex.
O tomate longa vida bateu R$ 15 o quilo na Ceasa gaúcha: é o maior preço da série histórica da Ceasa/RS, com alta de 30,43% sobre a semana anterior e pouca chance, pela própria central, de passar desse patamar.
O frango congelado teve em outubro a maior média real desde dezembro: no atacado da Grande São Paulo, o quilo ficou em R$ 8,36 em média, 4,5% acima de setembro, com o frango vivo paulista na maior cotação em um ano.
A Embrapa propõe quatro cenários para a regra de sustentabilidade do SAF: o estudo compara o CORSIA, da aviação internacional, com 21 critérios e corte de desmatamento em 2008, ao RenovaBio, com quatro critérios no escopo analisado e corte em 2018.
A ANP aprova as três primeiras certificações para emitir CGOB de biometano: os produtores certificados ao longo deste ano ganham direito a CGOB sobre o biometano vendido desde janeiro, com a emissão à espera da plataforma em desenvolvimento pelo Serpro.
DIVIRTA-SE
Uma grade de 15 por 15 letras esconde 18 palavras de três temas misturados, na horizontal, na vertical e na diagonal. O olho corre a última linha e, de repente, uma palavra de onze letras salta inteira do meio da sopa; daí em diante você não sossega enquanto não riscar a lista toda. Ache a primeira no Caça-Palavras.
VIVENDO E APRENDENDO
Resposta da edição passada: a curva de juros é a linha das taxas que o mercado cobra em cada prazo, do curto ao longo, e é por ela que se calcula o custo do crédito mais longo.
Pergunta de hoje: o que é o P2O5 da conta do adubo?
A resposta você confere na próxima edição!
