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Bom dia!
A edição de hoje tem governo zerando imposto de combustível às pressas por causa de guerra lá fora, soja brasileira travada no porto porque a China fez cara feia, e a maior recuperação extrajudicial da história do Brasil ganhando um respiro oficial na Justiça. No meio disso, o biodiesel ficou de fora do pacote e já tá pedindo explicação, o suíno tá no menor preço real em quase dois anos e o café se prepara pra uma safra que pode quebrar todos os recordes.
Pra você acordar bem informado
Por Enrico Romanelli
TÁ QUANTO?
SAFRA DE CIFRAS
Diesel ganha desconto no grito e o biodiesel pede lugar na fila

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A guerra no Irã bagunçou todo o mercado internacional e jogou o preço do barril lá pra lua, e o governo resolveu tentar segurar a alta na bomba. Lula anunciou que vai zerar o PIS/Cofins em cima da importação e da comercialização de diesel e ainda assinou uma MP criando uma subvenção pro diesel vendido por produtores e importadores, mas só vale se rolar prova de repasse pro consumidor, promessa sem nota fiscal aqui não entra. Na conta do Planalto, dá R$ 0,32 a menos por litro nas refinarias com o corte de imposto e mais R$ 0,32 com a subvenção, uma dupla sertaneja que custa caro, mas traz alívio. A conta fica em R$ 30 bilhões, sendo R$ 20 bilhões de renúncia tributária e R$ 10 bilhões da subvenção.
Pra fazer essa mágica sem o cofre virar abóbora, o governo puxou um imposto temporário de 12% sobre exportação de petróleo bruto. Já que tá exportando bem, então ajuda a pagar a conta. Haddad disse que a medida é independente e não mexe na política de preços da Petrobras, e ainda colocou a ANP com mais instrumentos de fiscalização e exigiu que os postos mostrem sinalização clara e visível avisando que o imposto caiu e o preço também deveria cair, pra ninguém fingir que não viu a placa. Tudo isso num momento em que o Brent chegou a encostar em US$ 120, caiu com papo de guerra curta e depois voltou a passar de US$ 100, mesmo com a AIE falando em liberar 400 milhões de barris das reservas.
No agro, a CNA assistiu de camarote e levantou a plaquinha do eu avisei e disse que a suspensão dos tributos pode aliviar o custo do produtor, já que diesel é insumo de lavoura e de estrada ao mesmo tempo. A entidade tinha pedido um corte emergencial e temporário e lembra que os impostos somam perto de 10,5% do valor do diesel, então mexer aí não é só detalhe bobo, é custo no talhão, no caminhão e na gôndola. E o reforço da ANP na fiscalização também caiu bem, porque quando o noticiário grita guerra, sempre tem gente tentando vender pânico com margem de lucro exorbitante.
Só que o biodiesel viu o diesel ganhando colo e pediu um pouco de carinho também. A Aprobio quer que o governo suspenda PIS/Cofins do biodiesel também, porque se o fóssil fica mais barato e o renovável segue pagando imposto, os 15% de biodiesel na mistura viram a parte que puxa o custo pra cima e estraga a foto do desconto. Em cima disso tudo, eles ainda lembram que a Constituição manda manter diferencial tributário pros biocombustíveis, e a AliançaBiodiesel, com Abiove e Aprobio, reforçou que capacidade instalada não falta, o setor diz que dá pra aguentar mistura de até 21,6% e que tá operando com ociosidade perto de 50%, e ainda se ofereceu pra ajudar a bancar os testes que destravam o B16 que já era pra ter entrado no começo desse mês.
Mas o Ministério de Minas e Energia pediu calma. Disse que não dá pra aumentar a mistura na canetada sem testes pra teores acima do B15, como exige a Lei do Combustível do Futuro, que sobe 1 ponto por ano até B20 em 2030. A pasta promete ensaios ainda neste 1º semestre, mas depende de grana, metodologia e todo o bingo de parcerias com montadoras, sistemistas, laboratórios e afins, porque ninguém quer virar o nome que aparece quando um motor tossir.
DE OLHO NO PORTO
Cargill, Cofco e CHS batem cabeça com a inspeção e a China espera soja sentada

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A soja brasileira tá vivendo um daqueles momentos em que o navio tá pronto, o porão tá cheio, mas a carga ganhou um passageiro clandestino e a China não quer nem ouvir explicação. Depois da Cargill dizer que travou embarque por causa de uma inspeção fitossanitária mais rígida do Ministério da Agricultura, agora Cofco e CHS também relataram pepino parecido. As duas pediram pro Mapa aceitar como amostra fiscal aquela coletada e manipulada pelas empresas supervisoras no Porto de Santos, mas a resposta do governo veio com carimbo, dizendo que o rito tá correto e que o que apareceu na inspeção foi sério o bastante pra ir pro laboratório.
O ponto sensível não é a soja estar feia, é ela estar acompanhada. O Mapa diz que encontrou espécies de plantas daninhas quarentenárias pra China, aquelas que do lado de lá não existem e, por isso, não são bem-vindas nem em forma de brinde. Como resultado, a carga perde a certificação fitossanitária pra esse destino e não tem jeitinho. E também não adianta pedir VAR, o ministério já cravou que não existe previsão legal pra uma terceira amostra quando já foi constatada praga quarentenária. Ou seja, deu positivo, acabou a conversa, o navio troca a rota.
No meio desse empurra-empurra, as empresas ainda não confirmaram publicamente se chegaram a suspender envios como a Cargill fez, mas o mercado já tá tratando como congestionamento com cara de engarrafamento em dia de feriado. Antes, já tinha notícia de cerca de 20 navios na espera por análise, com alguns laudos apontando sementes que não eram soja. E aí começa o efeito dominó, redirecionar carga custa caro, bagunça a janela, derruba a eficiência e ainda cria aquela tensão deliciosa entre fornecedor e comprador. E quando o grão precisa de banho extra, não é só no porto, pode virar operação também em armazém e, em casos mais chatos, até caminhão voltando com carga. Uma beleza pra quem gosta de logística.
O ministro Carlos Fávaro decidiu que não vai deixar isso virar novela mexicana com trilha sonora corporativa. Chamou de mentira a ideia de que o Mapa mudou procedimento do nada, disse que não vai afrouxar o sistema sanitário brasileiro por pressão de empresa e lembrou que o problema não é padrão comercial. A soja segue dentro do 1, 8, 14, com impureza, avariado e umidade no trilho. O que tá pegando é o protocolo fitossanitário com a China pra sementes de ervas daninhas proibidas. No recado dele, a solução passa por limpar melhor a soja e, se for o caso, governos e mercado discutirem ajustes no protocolo, mas sem fazer o Brasil parecer que tá passando pano pra semente intrusa.
A Abiove e a Anec entraram em campo dizendo que tão preocupadas e em diálogo constante pra destravar uma saída que mantenha o comércio fluindo, com previsibilidade, segurança jurídica e requisito sanitário em dia. E elas já soltaram o alerta que dói no bolso, se uma trading grande pisa no freio, a demanda some um pouco no interior e nos portos, o prêmio sente e o preço pro produtor pode ficar pressionado bem na hora em que a colheita tá acelerando. A boa notícia é que esse tipo de treta costuma ser resolvida na base do ajuste operacional e negociação, então a tendência é virar um susto curto, daqueles que passam em dias ou poucas semanas. Mas até lá, a soja vai precisar caprichar na higiene, porque a China tá com tolerância zero e o Brasil tá tentando provar que é aluno aplicado.
O AGRO EM NÚMEROS
O agro exporta como nunca, o suíno barateia e o café vem gigante

Foto: Claudio Neves/Portos do Paraná
O agro fechou fevereiro mostrando que, quando o mundo fica nervoso, o Brasil vira prateleira. As exportações do agro bateram US$ 12,05 bilhões no mês passado, recorde histórico pro mês e 45,8% de tudo que o país exportou, com alta de 7,4% no ano puxada por 9% mais volume mesmo com preço médio 1,5% menor. As importações caíram pra US$ 1,5 bilhão e o superávit fechou em US$ 10,5 bilhões. A China liderou com US$ 3,6 bilhões, seguida por UE com US$ 1,8 bilhão e EUA com US$ 802,9 milhões. No mix, a soja mandou US$ 3,78 bilhões, proteínas animais US$ 2,7 bilhões, e ainda teve recorde em itens menos badalados, tipo óleo essencial de laranja e DDG de milho, com o Mapa dizendo que a agenda de abertura de mercados também tá ajudando.
Na suinocultura, o clima tá com mais cara de queima de estoque do que de comemoração. O Cepea diz que as especulações do cenário geopolítico tão travando a liquidez no mercado independente e segurando ajuste, então o suíno vivo ficou andando de lado mesmo com o consumo dando sinais melhores. Em SP, o quilo do animal vivo tava em R$ 6,96 na quarta-feira (11), o menor nível em termos reais desde abril de 2024, e em SC a cotação bateu R$ 6,64, piso desde junho de 2024. O produtor entrou em março esperando aquela reação sazonal clássica, mas por enquanto quem tá sorrindo é quem compra.
E o café pode estar se preparando pra um revival de estoque global. A StoneX elevou a projeção da safra brasileira 2026/27 pra 75,3 milhões de sacas, alta de 20,8% no ciclo e revisão de 6,5% pra cima contra a prévia de novembro, com a colheita começando no próximo mês pelos canéforas. O arábica é o motor do salto, com previsão de 50,2 milhões de sacas, alta de 37,5% e primeira vez acima de 50 milhões, enquanto os canéforas devem cair 2,8% ano a ano, mas ainda assim passar de 25 milhões. A StoneX lembra que a florada não foi perfeita, mas as chuvas depois melhoraram o pegamento, e a combinação de área nova entrando em produção com tecnologia e genética vem empurrando a régua do Brasil pra cima.
NAS CABEÇAS DO AGRO
Raízen ganha fôlego na Justiça e credores já pedem um cheque maior

Foto: Divulgação/Raízen
Depois de entrar com o pedido de Recuperação Extrajudicial, a Raízen acabou de ganhar um vale de 180 dias sem cobrança, assinado pela Justiça de SP, aquele respiro oficial pra parar de apagar incêndio com balde furado. A Justiça de São Paulo deferiu a RE da empresa e suspendeu as cobranças dos créditos do plano por 180 dias, enquanto a empresa tenta reorganizar uma dívida de R$ 65,1 bilhões sem transformar o caixa em cinzas.
Só que o relógio tá correndo. A Raízen tem 90 dias pra chegar no mínimo de 50% de adesão dos créditos sujeitos ao plano, e por enquanto tá batendo na trave, com 47,2%, aquele quase que dá ansiedade. A decisão também aceitou a consolidação processual, ou seja, o pacote vale pro grupo Raízen inteiro, não empresa por empresa, evitando a série cada CNPJ por si.
Só que, enquanto o juiz deu fôlego, o rating levou um empurrão escada abaixo. A Fitch rebaixou a nota de “CCC” pra “C”, depois de a S&P já ter rebaixado de “CCC-” pra “SD”. E o problema é que a confiança ficou mais magra justo quando a empresa precisa sentar com credor e vender a ideia de um futuro menos turbulento.
E aí entra a parte em que o credor faz cara de gerente de banco e pede garantia extra até pra te emprestar caneta. Segundo apuração do Valor, o grupo de credores quer uma injeção de capital bem maior pra abrir conversa séria sobre conversão de dívida em ações. A régua que eles mandaram pros acionistas fala em capitalização total de R$ 25 bilhões, sendo R$ 12,5 bilhões em dinheiro da Shell e o restante via conversão de dívida, num esquema “eu converto, mas você coloca grana na mesma proporção”. A Shell teria sinalizado uma conversão de algo como 25% da dívida, perto de R$ 16 bilhões, mas os credores dizem que até topam 15%, desde que o cash venha junto e do tamanho certo.
COLHENDO CAPITAL
Vittia lucra R$ 32,1 mi no 4º tri e fecha 2025 com R$ 820 mi de receita

Foto: Divulgação/Vittia
A Vittia fechou o 4º tri de 2025 mostrando que biológico também sabe fazer dinheiro. O lucro líquido ajustado da empresa ficou em R$ 32,1 milhões, com Ebitda ajustado de R$ 45,6 milhões, enquanto a receita líquida bateu R$ 258,1 milhões e cresceu 0,9% na comparação anual. As despesas com vendas, gerais e administrativas subiram só 1,3% no ano e fecharam em R$ 179,9 milhões, sinal de que a empresa tentou segurar o gasto pra não deixar a margem escorregar ladeira abaixo.
No acumulado de 2025, a Vittia juntou R$ 60,2 milhões de lucro líquido ajustado e fechou receita líquida anual de R$ 820 milhões, alta de 4,2% sobre 2024. O fertilizante de solo também puxou o bonde no ano, com crescimento de 43,2% e R$ 263,6 milhões no caixa, enquanto o Ebitda ajustado ficou em R$ 115,2 milhões e a margem encerrou em 14,1%. A mensagem oficial é que a normalização gradual do agro, junto da transição pra uma agricultura mais sustentável e da eterna caça por produtividade, segue abrindo janela pra oportunidade.
E, pra não virar refém do aperto, a Vittia fez a lição de casa do endividamento. A alavancagem terminou 2025 em 1,09, com dívida líquida de R$ 125,6 milhões, dizendo que foi na base da gestão de capital de giro e tolerância zero pra caloteiro. No carrinho dos acionistas, foram R$ 50,5 milhões retornados no ano, com R$ 33,8 milhões em proventos e R$ 16,7 milhões em recompra.
PLANTÃO RURAL
Petróleo no maior nível desde 2022. O Brent subiu 9,2% e fechou em US$ 100,46, no maior nível desde agosto de 2022, com o Irã prometendo segurar o Estreito de Ormuz trancado e ataques na região. O WTI foi a US$ 95,70. O mercado tá desequilibrado e ninguém aposta em normalização rápida.
Coamo compra ativo que era “casa alugada” da Belagrícola. A Coamo levou em Tamarana (PR) uma planta de beneficiamento de sementes de soja e trigo e um silo de recebimento de grãos, antes arrendados pelo grupo Belagrícola. O valor não foi divulgado e a Belagrícola disse que faz parte da otimização de ativos.
Bahia puxa a fila da avicultura no Nordeste. A Seagri disse que a Bahia consolidou liderança regional na avicultura, com cerca de 152 mi de pintainhos alojados pra frango de corte em 2025, com sanidade e inspeção como vitrine. O estado reforçou o status livre de influenza aviária e falou em mais crédito e tecnologia pra crescer em 2026.
Cacau tomou banho frio e o Brasil freou o sonho de escala. Com o preço do cacau caindo cerca de 70% do pico de 2024 e rondando US$ 3.000 por tonelada, produtores tão pausando projetos grandes no Nordeste. Fontes falam em risco de metade das iniciativas serem canceladas, num pacote que poderia somar 75 mil ha.
Semiárido quer trocar conta alta por telhado que gera energia. A ASA lança o programa Um Milhão de Tetos Solares, com apoio da Fundação Banco do Brasil, pra levar energia solar de até 300 kWh por mês pra agricultura familiar na Paraíba, Pernambuco e norte de MG. A conta de luz pode comer mais de 10% da renda familiar no Semiárido brasileiro, e o piloto já mostra economia forte.
SE DIVERTE AÍ
Hoje o rolê é testar se tu reconhece mais lavoura que o Google. No GeoGuessr, o jogo te joga no meio de uma estrada aleatória do planeta, em visão de rua, e tu tem que adivinhar onde tá no mapa. Vale procurar pista em placa, tipo de solo, pivô de irrigação, padrão de cerca, tipo de caminhão e até formato de telhado de galpão. Entra lá, escolhe um modo mundo ou América do Sul, chuta o lugar e depois conta pra gente se tu mandou o palpite certeiro ou jogou uma fazenda do Kansas no meio do Mato Grosso.
VIVENDO E APRENDENDO
Resposta da edição passada: Sisal
Pergunta de hoje: Qual fruto paraense é alimento básico no Norte e rende polpa energética consumida com peixe e farinha?
A resposta você fica sabendo na próxima edição!
