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Bom dia!
A edição de hoje tem inadimplência no crédito rural batendo novo recorde, startup que desenvolveu um sistema de irrigação com até 99,6% de precisão e bancada ruralista pedindo pra segurar uma nova trava ambiental que entra em vigor amanhã. No meio disso, a Louis Dreyfus abre o cheque pra ampliar o esmagamento de soja em Goiás, o diesel segue fazendo estrago no Sul e a Suzano pega R$ 411 mi no BNDES pra modernizar fábrica e floresta.
Pra você acordar bem informado
Por Enrico Romanelli
TÁ QUANTO?
Os dados são publicados por BCB. A variação considerada nesta tabela é semanal.
CAMPO ATUALIZADO
IA faz irrigação muda por muda e entrega acerto de até 99,6%

GIF: WALL-E/Giphy
Irrigar lavoura sempre teve um quê de olhômetro, água jorrando sem muito controle e produtor torcendo pra ela cair mais ou menos onde deveria. O IrrigAI apareceu justamente pra trocar esse velho método de fazer tudo no chute por uma operação com bem menos achismo, desperdício e gasto e mais dado e inteligência.
Desenvolvido pela Agricef, o negócio usa inteligência artificial, visão computacional e deep learning pra identificar cada muda no campo, uma por uma, e jogar a água só onde realmente tem planta. A empresa fala em uma taxa de acerto que parece até bom demais pra ser verdade, entre 97% e 99,6%, com operação 24 horas por dia.
O sistema funciona assim: várias câmeras e sensores vão lendo o campo em tempo real e abrem a torneira só na hora certa, evitando jogar água em falha de plantio, área vazia ou mato folgado que apareceu sem ser chamado. O volume de água não é decidido pela máquina, e sim definido antes com base na recomendação agronômica. A graça da tecnologia tá justamente aí, ela não inventa moda, só garante que o plano seja executado do jeito certo, muda por muda, sem variação, sem cochilo e sem aquele desperdício que faz a conta de água subir mais que o diesel.
Outro ponto forte é que o sistema roda no computador de bordo e não depende de internet pra funcionar no campo, o que ajuda muito considerando que, na maioria das fazendas, sinal de internet é mais raro que crédito fácil. Além de tudo, ele também pode ser instalado em frotas já existentes, opera com uma, duas ou três linhas e ainda pode ser treinado pra outras culturas. No fim, a promessa da Agricef não é só economizar água. É reduzir custo operacional, padronizar a irrigação, aliviar a dependência do fator humano e deixar o trator trabalhando até de madrugada sem perder a mão.
SAFRA DE CIFRAS
Louis Dreyfus vai investir R$ 100 milhões pra esmagar mais soja em Goiás

GIF: Giphy
Dinheiro parado em crédito de ICMS não enche silo, não gira fábrica e muito menos esmaga soja. Então Goiás resolveu mexer nessa gaveta e a Louis Dreyfus Company apareceu como a primeira empresa a entrar nesse jogo. A companhia vai investir cerca de R$ 100 milhões pra ampliar a operação em Jataí (GO), onde já tem indústria de esmagamento de soja, usando o programa goiano que libera créditos acumulados de ICMS pra bancar expansão produtiva via FIDC.
A LDC confirmou que quer aderir a esse modelo pra dar uma boa ampliada na sua operação de grãos e oleaginosas em Goiás, com investimento direto nas próprias unidades ou reforçando a cadeia de fornecimento. O desenho do programa tenta resolver a conta sem meter dinheiro público novo na fogueira. A lógica é liberar crédito de ICMS de exportação que já tava acumulado e usar isso como uma isca pra atrair mais capital privado. E com juros limitados a 10% ao ano, a fatura fica mais simpática do que muita linha de crédito que o mercado costuma jogar na mesa.
A expectativa do governo é liberar R$ 350 milhões em créditos de ICMS, o que pode destravar um valor na casa dos R$ 650 milhões em investimentos no Estado. No caso da LDC, o FIDC vai ser gerido pela XP Asset, com a Zera.Ag na consultoria e o SouzaOkawa na assessoria jurídica.
O AGRO EM NÚMEROS
Ração sobe, crédito aperta e diesel segue fazendo estrago

Foto: FS/Divulgação
A indústria de ração no Brasil fechou 2025 em alta, com volume produzido de 94 milhões de toneladas, um crescimento de mais de 3%, e deve seguir nesse ritmo e bater 97 milhões em 2026, segundo o Sindirações. A avicultura continua puxando essa fila, com a ração pra frango de corte subindo de 36,9 milhões pra 37,85 milhões de toneladas em 2025 e podendo bater 39,1 milhões no ano que vem. Na suinocultura, o consumo foi pra 22,5 milhões de toneladas, uma alta de 4,2%, enquanto a ração pra bovinos de corte cresceu 7,5% e chegou a 7,76 milhões.
Na pecuária, 2025 virou quase um campeonato de recordes. O abate de suínos chegou a 60,69 milhões de cabeças, uma alta de 4,3% e a maior marca da história, com uma boa ajuda das exportações fortes e da ração mais barata. Os bovinos bateram 42,94 milhões de cabeças, um avanço de 8,2%, enquanto o abate de frangos subiu 3,1% e foi pra 6,69 bilhões de cabeças. A produção de ovos cresceu 5,7%, pra 4,95 bilhões de dúzias, e a captação formal de leite avançou 8,5%, chegando a 27,51 bilhões de litros.
No algodão, a StoneX manteve a projeção da safra brasileira em 3,74 milhões de toneladas em 2025/26, uma queda forte de 10,1% na comparação com a safra passada. Nas exportações, a consultoria deu um empurrãozinho na projeção pra 3,1 milhões de toneladas em 2026, alta de 3,3% sobre a conta anterior.
Se a produção tenta andar, o crédito continua tropeçando no cadarço. A inadimplência no crédito rural entre pessoas físicas bateu novo recorde e chegou a 7,4% em fevereiro, contra 2,9% no mesmo mês de 2025. Nas operações com taxas de mercado, o índice foi ainda mais indigesto e bateu 13,8%, um recorde bem negativo.
E como se o crédito já não tivesse dado motivo suficiente pra dor de cabeça, o diesel resolveu entrar na conversa com a delicadeza de um chute na porta. O S-10 subiu 13,6% em março e foi pra R$ 7,10 por litro, enquanto o diesel comum avançou 12,34%. A gasolina pegou rabeira e subiu 3,41% e o etanol hidratado, 1,26%.
COLHENDO CAPITAL
Suzano pega R$ 411,4 mi com BNDES e põe mais tecnologia pra rodar da floresta à fábrica

Foto: SOPA Images/Getty Images
Manter custo baixo na celulose não é só questão de plantar bem e vender muito. Tem bastante fábrica, automação e tecnologia no meio dessa conta. Foi pensando nisso que a Suzano pediu e conseguiu a aprovação de R$ 411,4 milhões no BNDES, com recursos do programa BNDES Mais Inovação, pra modernizar unidades industriais e acelerar o plano de pesquisa, desenvolvimento, inovação e digitalização da companhia.
Desse pacote, R$ 280 milhões vão pra compra de máquinas e equipamentos com internet das coisas, sistemas de controle e monitoramento remoto. Os outros R$ 131,4 milhões vão pra projetos de pesquisa e desenvolvimento com foco em inovação tecnológica. A conta ainda inclui reforço em conectividade, informática e automação, o que ajuda a deixar a operação mais esperta do chão de fábrica até a floresta. Em vez de só trocar equipamento velho por equipamento novo, a Suzano quer enfiar mais inteligência no processo inteiro.
Segundo a Suzano, o investimento chega pra reforçar principalmente a competitividade das operações florestais e ajudar a empresa a continuar entre as produtoras de celulose de menor custo do mundo. O plano de PD&I junta 49 iniciativas em genética, manejo, papel, bens de consumo, celulose e gestão da inovação, com parcerias de universidades, Embrapa, Senai e Embrapii.
ASSUNTO DE GABINETE
Bancada ruralista tenta ganhar tempo antes que nova trava ambiental chegue no crédito

Foto: Vinícius Mendonça/Ibama
O crédito rural já anda com cara fechada faz tempo, então qualquer regra nova que ameace apertar ainda mais o funil vai fazer o setor acender a luz de alerta rapidinho. Agora, a Frente Parlamentar da Agropecuária tá pedindo pro Conselho Monetário Nacional que jogue mais pra frente as exigências ambientais que entram em vigor amanhã (1) e podem começar a travar ainda mais os novos financiamentos. Essas novas resoluções cortam novos financiamentos a produtores com áreas desmatadas de forma irregular depois de 31/07/2019, com base no Prodes, o sistema que faz o monitoramento da Amazônia Legal.
O ponto que tá dando combustível pra chiadeira é que, segundo a FPA, o Prodes não separa com clareza desmatamento legal de ilegal e ainda pode trazer erro de apontamento e imprecisão de georreferenciamento. Na prática, o receio é de produtor que faz tudo certinho acabar levando bordoada junto com quem tá fora da linha. O argumento ganhou força porque tem casos em que o produtor consegue a licença, passa pela análise ambiental do banco e, mesmo assim, corre o risco de ficar sem financiamento porque o sistema resolveu levantar suspeita no meio do caminho. É basicamente o crédito sendo bloqueado por um carimbo que talvez nem devesse estar ali.
Por isso, a FPA quer empurrar a regra por pelo menos 6 meses, até que apareça um jeito mais confiável de checar o que é irregular e o que não é, ou pelo menos um mecanismo simples pro produtor provar que tá em conformidade sem virar refém de mais custo e mais papelada. No meio da história ainda entra o velho gargalo do CAR, que depende da análise dos estados e anda em velocidades bem diferentes pelo país. Em resumo, o setor não tá dizendo que o controle ambiental não tem que existir. Tá só dizendo que travar o crédito com sistema capenga é mais um jeito de transformar regra em dor de cabeça.
NAS CABEÇAS DO AGRO
Agricultura 4.0 ainda tropeça no sinal, no acesso e na distância entre a pesquisa e a porteira

Foto: Freepik
A agricultura 4.0 já virou figurinha carimbada em evento, apresentação bonitinha e discurso sobre o futuro do setor, mas na hora de descer pro barro a conversa ainda encontra bastante lombada. Um estudo publicado na revista Agricultural Systems apontou justamente os entraves e os caminhos pra ampliar o uso da agricultura 4.0 no Brasil. A principal constatação é bem conhecida por quem vive o setor, muita coisa boa nasce na academia, mas nem tudo chega de fato ao produtor ou gera o impacto que prometia. Tem inovação sobrando na teoria e conexão faltando na prática.
Entre os pontos mais chatos, a conectividade rural aparece como protagonista. E faz sentido, porque não adianta falar em sensor, internet das coisas e operação inteligente se o sinal some assim que passa da porteira. E não precisava nem de paper pra desconfiar disso, já que boa parte das fazendas ainda trata internet boa como se fosse item de luxo.
Os pesquisadores também destacaram os jovens como a principal ponte entre a rotina da propriedade e as novas tecnologias, além da necessidade de fazer a informação circular melhor, com mais demonstrações práticas, como fazendas modelo, pra reduzir a resistência de quem ainda olha pra certas soluções digitais com a mesma confiança de quem recebe ligação de número desconhecido.
Outro ponto levantado é que não dá pra jogar a mesma cartilha pra todo mundo e esperar milagre. Os grandes produtores avançam mais rápido, enquanto pequenos e médios ainda esbarram em limite de caixa, estrutura e capacitação. Por isso, o estudo defende uma “escala responsável”, que faça a agricultura 4.0 crescer sem aumentar desigualdade nem virar só mais um brinquedo que só meia dúzia pode usar.
PLANTÃO RURAL
Diesel some e a colheita do Sul vai pro acostamento. Mais de 170 cidades gaúchas, 30% do estado, já relataram falta de diesel ou preços abusivos, com litro chegando perto de R$ 9 em algumas regiões. Farsul e Famurs dizem que a colheita de soja e arroz tá travando, enquanto prefeituras racionam combustível e suspendem manutenção de estradas.
Show Safra lota. O Show Safra 2026 bateu recorde de público com 190 mil pessoas em Lucas do Rio Verde (MT), embalado por produtor capitalizado depois da maior colheita de soja da história.
Pilgrim’s vai às compras dos próprios títulos. A Pilgrim’s Pride anunciou oferta de recompra em dinheiro de até US$ 250 milhões em títulos com vencimento em 2033. Quem vender os papéis recebe cash, juros acumulados e ainda um bônus de US$ 50 a cada US$ 1 mil em valor de face.
JBS levanta US$ 2 bi e vê fila se formar no book. A JBS captou US$ 2 bilhões com emissão de bonds em duas tranches, uma de 11 anos e outra de 31. As taxas saíram abaixo do inicialmente indicado, o que já mostra que tinha investidor bem disposto.
Terra preta da Amazônia como fertilizante. Uma pesquisa conduzida por USP, Embrapa Amazônia Ocidental e Inpa mostrou que a terra preta da Amazônia acelerou o crescimento de árvores como ipê-roxo e paricá em áreas degradadas. No ipê-roxo, o ganho chegou a 55% em altura e 88% em diâmetro nos primeiros 180 dias.
Doença de Newcastle avança na Alemanha. A Alemanha já soma 40 casos da doença de Newcastle desde 20/02, primeiro registro em 30 anos, com mais de 2 milhões de aves mortas ou abatidas. Os focos estão perto das fronteiras com Polônia e República Tcheca, e o setor europeu já entrou em modo tensão máxima. Quando o vírus anda rápido, a biosseguridade precisa correr mais ainda.
Inpasa liga a nova usina e mira o déficit de etanol do Nordeste. A nova planta da Inpasa em Luís Eduardo Magalhães (BA) começou a produzir e, somada à unidade de Balsas (MA), leva a capacidade da empresa no Nordeste a 1,3 bilhão de litros por ano.
SE DIVERTE AÍ
Hoje o desafio é o Contexto, aquele jogo em que você tenta adivinhar a palavra secreta chutando termos e vendo o quão perto tá pelo sentido, não pelas letras. Vale começar com palavras do agro tipo soja, boi, clima, crédito, fertilizante e ir afinando até chegar na resposta. Joga aí, testa seu dicionário e depois conta quantos chutes você precisou pra matar a charada.
VIVENDO E APRENDENDO
Resposta da edição passada: Queijo Canastra
Pergunta de hoje: Qual criação nativa de abelhas sem ferrão fornece mel valorizado e era manejada por povos indígenas?
A resposta você fica sabendo na próxima edição!
