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Bom dia!
Pega o café, que em cinco minutinhos você sai daqui sabendo o que muda na sua conta. O El Niño ganhou data pra ir embora, e ela cai bem depois da sua segunda safra. A sua renegociação, sim, a sua, empacou em Brasília, e é a dívida velha que decide se a safra nova sai. A dona de terra que ganha dinheiro se desfazendo dela ficou o ciclo inteiro sem fechar negócio, e o balanço mostrou o que sobra. O maior processador de carne dos Estados Unidos cortou a projeção de novo, e o gado que falta por lá não explica sozinho o tombo. A porteira da Europa fechou de vez, e o governo foi buscar na gaveta a resposta que vinha evitando dar. E o seguro do campo finalmente ganhou marco, mas com uma condição no fim que muda o jogo.
Pra você fechar a semana sabendo de onde vem a próxima conta.
Por Luciana Stival
TÁ QUANTO?
Os dados são publicados por BCB e Brapi.
As variações são calculadas em % diária e %YTD (Year to date)
A Bolsa emendou mais uma máxima com o dinheiro apostando em mudança de governo, e não em safra boa, o que faz do rali eleitoral uma festa para a qual o agro não foi convidado. E isso tem preço prático, porque quem fica de fora da alta chega à mesa de renegociação sem o argumento de valorização que os outros vão levar embaixo do braço.
ASSUNTO DE GABINETE
O seguro rural virou lei com asterisco

Fonte: Giphy
Cobertura que só existe no orçamento não paga sinistro nenhum, e é essa a distância entre o que o Senado aprovou e o que chega na sua apólice. Os senadores passaram o marco do seguro rural e mandaram pra sanção, com a subvenção ao prêmio, que é o desconto com que o governo faz a apólice caber no bolso, virando despesa obrigatória, e a apólice podendo entrar no pacote de garantias de uma operação de crédito, que é a parte que mexe de verdade no seu balanço, porque muda o que você põe em penhor pra levantar custeio, e o texto ainda prevê juro, prazo e prioridade melhores pra quem contrata a cobertura.
A obrigatoriedade saiu amarrada a compensação fiscal, e o artigo que puxava sobra do Proagro caiu na votação, ou seja, obrigatório por aqui quer dizer previsto, não liberado. Com a área que o programa de subvenção cobre no menor nível de uma década, arrumar a regra já é meio caminho, e meio caminho, nesse assunto, é bem mais do que o setor tinha até esta semana.
COMO TÁ LÁ FORA?
O Brasil respondeu com a palavra reciprocidade

Fonte: Giphy
Com a Europa fechando a porta pra proteína animal brasileira, a nota conjunta do governo diz que o país se reserva o direito de recorrer a medidas de reciprocidade, previstas na lei brasileira e nos mecanismos do acordo do Mercosul com a própria União Europeia, o que em bom português é responder na mesma moeda, com respaldo jurídico atrás e não bravata de microfone.
O detalhe é que o Mercosul não conseguiu nem repartir o que já tem, e Montevidéu terminou sem acordo sobre a cota de carne com tarifa reduzida, de modo que a cota segue sendo preenchida por ordem de chegada, independentemente de quem embarca, e com o Brasil fora da lista quem tende a encher o navio nas próximas semanas é o vizinho, que continua liberado.
A auditoria europeia nas cadeias de aves e mel está prevista pra terminar hoje, e é por ali que pode vir a primeira boa notícia.
QUEM COMPROU E QUEM SÓ OLHOU
Nos EUA falta boi, e a conta chegou na Tyson

Fonte: TheAgriBiz
Escassez não vira preço sozinha, e a maior processadora de carne dos Estados Unidos acabou de aprender isso do jeito caro. A Tyson Foods cortou de novo o guidance, que é a projeção de resultado que ela dá ao mercado, com a carne bovina saindo ainda mais no vermelho do que a própria empresa tinha avisado semanas antes, e a ação derreteu, com a JBS recuando junto.
O ponto é que falta gado pronto pra abate por lá, só que o preço do animal caiu forte desde o pico do meio do ano, porque Washington reabriu a porteira pro gado mexicano e liberou carne de fora pra segurar a gôndola, e boi barato hoje derruba o estoque vivo que foi comprado caro ontem.
O que come a margem não é o preço alto, é o solavanco. Tanto que a margem dos frigoríficos americanos voltou ao positivo no trimestre, na conta do UBS, o que sugere problema mais da Tyson do que do setor. Aqui a mesma escassez joga do outro lado, com o pecuarista segurando o lote e a arroba subindo, e é essa a diferença que interessa, aperto de oferta vira prejuízo pra quem processa e prêmio pra quem cria.
COLHENDO CAPITAL
Um ano inteiro sem vender uma fazenda

Fonte: CNN Brasil
Terra não desvaloriza sozinha, ela só para de ter comprador, e o balanço da BrasilAgro é a prova disso fora da lavoura.
A companhia fechou o ciclo com prejuízo porque foi o primeiro ano em mais de sete sem uma venda relevante de fazenda, já que, tirando a terra, a operação até andou pra frente, puxada por soja e milho. O CEO deu o mapa do mercado em sacas de soja por hectare, e o recado é que preço alto e comprador não moram no mesmo lugar, porque o Mato Grosso vale um múltiplo do Maranhão e é justamente lá que a venda está mais difícil, enquanto a liquidez se juntou em bolsões no Maranhão, no Piauí, no Paraguai e na Bahia, esta com a demanda que a irrigação força.
De brinde veio o recado que interessa, a empresa volta a vender no ciclo que vem, mas de olho nas oportunidades de compra em meio ao stress do mercado, ou seja, quem tem caixa está esperando quem não tem. Se a sua garantia no banco é hectare, o que importa não é quanto diz a avaliação, é quantos compradores existem pra ela hoje.
NOS CORREDORES DE BRASÍLIA
O custeio ficou esperando uma comissão que não anda

Fonte: Giphy
Ninguém assume dívida nova sem saber o tamanho da antiga, e é essa fila que está segurando o custeio da safra que começa agora. A comissão mista da MP das dívidas foi instalada, elegeu presidente, indicou relator, tirou a foto e, pelo relato das próprias entidades, não avançou desde então, o que já rendeu carta ao Congresso assinada por dezenas delas. O tamanho do buraco antigo saiu do Banco Central e dá a dimensão da fila, com o saldo problemático do crédito rural, que junta atraso, inadimplência, prorrogação e renegociação, batendo recorde da série, e com o Rio Grande do Sul, onde seca e enchente se revezam há anos, concentrando o pior pedaço.
Do outro lado do balcão o Sicredi confirma o mecanismo, o produtor está esperando a MP sair do papel pra reestruturar o passivo antes de assinar custeio novo. O freio não é igual em todo canto, com Paraná e Mato Grosso andando e o Rio Grande do Sul e o oeste paranaense dependendo da renegociação pra destravar, mas a conta aqui é de calendário e não de taxa, então, se o seu enquadramento depende da MP, o plano B precisa estar pronto agora, não em novembro.
E ESSE TEMPO, HEIN?
A porteira do calendário abre, a do céu não

Fonte: Canal Rural
O risco desta safra não está na soja, está no milho que vem depois dela.
O vazio sanitário da soja em Mato Grosso acaba domingo, liberando a semeadura, e Famato e Imea vieram pedir a mesma coisa, não confunda autorização com hora certa, porque a primeira chuva isolada não decide nada, quem decide é o volume que se repete.
O pano de fundo endureceu ontem, com a Organização Meteorológica Mundial dizendo que o El Niño está firmemente estabelecido, vai à faixa de muito forte e segue até fevereiro do ano que vem com chance praticamente certa, e o próprio fim de semana já avisa, com frente fria e risco de geada no Sul.
Semeadura atrasada empurra a segunda safra pra fora da janela boa, e é ali que o estrago aparece no caixa, tanto que o Itaú já pôs preço nisso e projeta PIB agropecuário negativo no ano que vem, puxado justamente por quebra de milho.
Esperar também custa, mas uma semana de paciência sai mais barata que uma semeadura repetida.
PLANTÃO RURAL
A arroba subiu de novo em agosto: o indicador Cepea/Esalq de São Paulo teve média de R$ 345,92, alta real de 3,1% sobre julho e de 9,8% em um ano, com pecuarista segurando animal à espera de mais.
O E35 ganhou cronograma: o plano de testes da gasolina com 35% de etanol vai ao comitê técnico do CNPE em 11 de setembro, e o Ministério de Minas e Energia prevê publicar a portaria no dia 18.
A Mantiqueira vai botar R$ 565 milhões pra fazer 6 bilhões de ovos: o plano adiciona mais de 7 milhões de aves até 2028 e eleva a produção anual em 50%, com unidade nova em Minas e ampliação em Lorena.
A fruta brasileira embarcou um quinto a mais: as exportações em contêiner subiram 20,4% no primeiro semestre, com 36.552 TEUs, e o volume total chegou a 498,9 mil toneladas, alta de 29,2%.
O Brasil passou a rodar previsão do tempo com modelo próprio: o Monan, do INPE, opera no supercomputador Jaci com resolução de 10 km e previsão de até 11 dias, atualizada duas vezes ao dia.
A Yoki e a Kitano agora são da 3corações: a General Mills concluiu a saída do Brasil por R$ 800 milhões, passando para a 3corações duas fábricas, seis centros de distribuição e cerca de 3.500 funcionários.
A Unicamp criou uma levedura pra tirar mais etanol do milho: a linhagem produz as próprias enzimas e dispensa parte das compradas, num setor que já responde por cerca de 30% do etanol brasileiro.
A Be8 projeta crescer 15% em 2027 com a biorrefinaria nova: a unidade de Passo Fundo entra no primeiro trimestre e leva a empresa a quatro mercados novos além do biodiesel, com etanol de cereais e DDG.
SE DIVERTE AÍ
Pra treinar o raciocínio sem dor de cabeça, o Sumplete monta uma grade de números e pede que você elimine os que sobram até cada linha e cada coluna baterem o valor de fora. Tem nível fácil a difícil, e a lógica é a de sempre: o que fica é o que faz a conta fechar.
VIVENDO E APRENDENDO
Resposta da edição passada: escala curta é o frigorífico com poucos dias de abate garantidos pela frente. Quando ela encurta, falta boi na fila e o pecuarista ganha poder de barganha, porque a indústria precisa comprar pra não parar a linha.
Pergunta de hoje: na conta do Plano Safra, o que é a tal da equalização de juros que o governo paga aos bancos?
A resposta você confere na próxima edição!
