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Bom dia!
Sábado, e o agro amanheceu de olho, medindo tudo. No porto, a soja de setembro pode ter medido menos do que qualquer mês desde janeiro, e a chuva não foi culpada sozinha. Na China, o estoque nas fábricas bateu o maior nível em pelo menos uma década e meia e já mexe na compra dos próximos meses. No Paraná, o temporal do domingo vai medir a soja recém-semeada justo onde a semeadura está mais adiantada. E a Corteva mediu a meta de crescer acima do mercado no Brasil. Rolando a tela, tem mais chuva e mais conta para medir.
Pra você tomar as melhores decisões antes do churrasco.
Por Luciana Stival.
TÁ QUANTO?
Os dados são publicados por CEPEA-Esalq/USP Indicadores sob licença CC BY-NC 4.0. As variações são calculadas em % diária e %YTD (Year to date)
Com portos parados pela chuva, navio espera na fila e a diária da espera sai do bolso de quem vendeu, ou seja, a margem some no atraso do embarque antes de aparecer em qualquer cotação.
NAS CABEÇAS DO AGRO
Corteva traz fungicida novo contra ferrugem e aposta em biocontrole

Fonte: Globo Rural
Quanto tempo faz que não chega um fungicida novo para a soja?
O Haviza, fungicida da Corteva para a ferrugem-asiática da soja e outras doenças de final de ciclo, é, pela conta da própria empresa, o primeiro novo modo de ação levado a esse mercado no país em cerca de 14 anos. Brook, executiva comercial global da Corteva, calcula que levar uma molécula nova ao mercado custa cerca de US$ 300 milhões e 13 anos. No mundo, a empresa prevê 12 tecnologias para a próxima década, sete ingredientes ativos e cinco biológicos, num pipeline global que avalia em cerca de US$ 11 bilhões. Mas é agenda de década, não de safra.
No Brasil, a Corteva quer crescer acima do mercado, inclusive em biológicos. Brook calcula que cerca de 65% dos produtores do país já usam algum biológico. A próxima onda deve vir principalmente dos biocontroles, segmento que começa a oferecer ferramentas para problemas antes enfrentados só com defensivo químico. Com juro alto e crédito restrito, a empresa diz procurar alternativas financeiras para o produtor incorporar as tecnologias novas.
Agora só resta saber quanto do pipeline vem para o Brasil.
SEGURO MORREU DE VELHO
O seguro rural está nos planos de Flávio, Lula e Renan?

Fonte: giphy
A questão é que quem planta quer ver quanto o guarda-chuva vai de fato proteger sem importar com torcida organizada.
O plano de governo de Flávio Bolsonaro registrado no TSE promete ampliar o seguro rural, dando previsibilidade a quem planta. No questionário da AgriBiz, a promessa é aumentar a subvenção do governo aos prêmios.
O plano de Lula defende a modernização do seguro rural alinhada à sustentabilidade. Para a campanha, qualquer ampliação deve ter financiamento previsível e foco maior nos produtores, culturas e regiões mais expostos.
No índice de propostas do TSE, a seção agrária do plano de Renan Santos não tem item de seguro rural, traz o AgroBrasil 2030, de segurança jurídica e fim das invasões de propriedade rural, a soberania em fertilizantes e linhas de crédito condicionadas a metas produtivas e de exportação.
Depois da urna, sobra a pergunta de onde vem o dinheiro. A discussão do próximo mandato tende a ser menos sobre simplesmente aumentar o volume nominal do Plano Safra e mais sobre como combinar recursos públicos, mercado de capitais, garantias e seguro para ampliar a oferta de crédito.
POR DENTRO DO MERCADO
Safra nova de trigo chega com qualidade em dúvida

Fonte: giphy
No Rio Grande do Sul, a colheita chegou a 1% da área nesta semana, e as geadas de setembro reduziram o potencial produtivo nas áreas atingidas, pela Emater. Em Tenente Portela, as primeiras áreas colhidas renderam 2.280 quilos por hectare, abaixo do esperado. Nas cotações da TF Agroeconômica, há lotes novos com glúten baixo, entre 21 e 22. O glúten é a proteína que dá força à farinha. Mesmo com 57% das lavouras em condição boa ou excelente, a consultoria vê receio de perder qualidade se chover na colheita.
No preço, há dois patamares no Rio Grande do Sul, pelas cotações da TF: o trigo da safra passada está no fim, com negócios entre R$ 1.500 e R$ 1.530 por tonelada, e pela safra nova os compradores sinalizam de R$ 1.350 a R$ 1.400 por tonelada no interior, com vendedores retraídos.
A TF teme também ter de importar mais, e os moinhos gaúchos já tentam garantir trigo do Paraguai antes da entrada do argentino.
DE OLHO NO PORTO
Milho: Argentina x Brasil

Fonte: giphy
Vender o milho para o porto ou para dentro de casa?
Até a quarta semana de setembro, o Brasil embarcou 4,6 milhões de toneladas de milho, e a média por dia ficou 25,7% abaixo da de setembro de 2025, pelos dados da Secex. A partir da terceira semana do mês, os embarques perderam força e interromperam, ao menos por enquanto. Na análise da CEEMA, as exportações de julho e agosto somaram 6,59 milhões de toneladas, 28,9% menos que um ano antes, e o crescimento da demanda interna aumentou a disputa pelo grão no país e reduziu o que sobra para exportar.
Para quem vende, o preço no mercado brasileiro está entre R$ 52 e R$ 63 por saca, entrando na faixa de um ano atrás, e o prêmio do milho no porto de Santos recuou 9,7% em julho e agosto, pela mesma análise. O prêmio é o valor pago acima ou abaixo da bolsa de Chicago. Lá fora, no mesmo período, os concorrentes do Brasil ampliaram presença no comércio internacional.
E ESSE TEMPO, HEIN?
Aviso vermelho no Paraná, com 28% da soja semeada

Fonte: giphy
No domingo, o Inmet pôs aviso vermelho de grande perigo para tempestades no oeste do Paraná, nas regiões de Cascavel e Toledo, e no sudoeste, nas regiões de Francisco Beltrão e Pato Branco.
A Climatempo prevê, para o domingo, risco de temporais e acumulados elevados, principalmente no Paraná, no oeste de Santa Catarina e em áreas do noroeste e do centro-sul gaúchos.
Nos primeiros dez dias de outubro, o Inmet prevê de 70 a 150 mm na maior parte das regiões agrícolas do estado, com pico entre domingo e terça.
De acordo com dados atualizados do Deral, cerca de 28% da área de soja do Paraná já foi semeada, com mais avanço no oeste, em Cascavel e Toledo.
Já quem tem soja recém-semeada, cujo prejuizo pode ser maior, fica de olho, principalmente, no oeste e sul do Paraná, por onde a chuva passa de 150 mm.
SAFRA DE CIFRAS
Mato Grosso planta 10,23% da soja, atrás do ano passado

Fonte: CNN Brasil
Em Mato Grosso, a plantadeira espera a chuva.
O Imea contou 10,23% da soja de Mato Grosso plantada até sexta, 4,79 pontos percentuais atrás da mesma época do ano passado e abaixo da média de cinco anos, de 11,23%, e os produtores aguardam chuva mais volumosa para semear. A previsão é de 25 a 30 mm em Goiás e no sul, centro e oeste de Mato Grosso, inclusive ao longo da BR-163, até segunda, dia 5.
Só que a segunda semana de outubro será mais seca e quente no centro e no norte do país, inclusive em Mato Grosso, e na semana seguinte a chuva volta a se espalhar. A EarthDaily, empresa de monitoramento de áreas agrícolas por imagens de satélite, registrou umidade do solo abaixo da média em Mato Grosso durante praticamente todo setembro.
O modelo europeu indica recuperação rápida da umidade do solo no início de outubro, mas a queda projetada em seguida indica que o quadro pode ser temporário. É chuva que deixa o produtor com um olho no pluviômetro e outro na previsão.
Para o Matopiba, os dois modelos não concordam: nas próximas duas semanas, o europeu pode chegar a cerca de 49 mm, e o americano prevê cerca de 29 mm.
PLANTÃO RURAL
ADM e CJ se juntam em aminoácido para ração animal: controlada pela CJ e com direitos exclusivos de fabricar e vender esses aminoácidos na América do Norte e na América do Sul, a nova empresa tem o início das operações condicionado a aprovações regulatórias.
A Jon Deere mira sistemas autônomos a partir de 2030: com R$ 180 milhões investidos num centro de automação, a fabricante destaca a inteligência artificial e a visão computacional para otimizar a aplicação de produtos nas lavouras.
Fiagro da AZ Quest despenca, e o motivo é a Cotribá: os cotistas venderam diante da interrupção dos proventos de setembro e outubro, ligada a investimentos na cooperativa gaúcha, com retomada gradual dos pagamentos planejada a partir de novembro.
Frango no atacado paulista tem as maiores altas reais desde 2022: medido pelo Cepea na Grande São Paulo, o resfriado teve média de R$ 8,31 o quilo, alta de 3,87%, e o congelado de R$ 8,30, alta de 3,75% sobre agosto.
O índice de alimentos da FAO subiu 1,5% em setembro: o trigo subiu 6,3% e o milho 5,6% sobre agosto, com os gargalos logísticos no Mar Negro pesando nos dois.
Embarque de soja de setembro pode ser o menor desde janeiro: a Anec estima 7,24 milhões de toneladas exportadas em setembro, com o excesso de chuva também atrapalhando as atividades portuárias do mês.
China tem o maior estoque de soja em pelo menos 15 anos: com a demanda fraca por ração animal no país, a CEEMA aponta tendência de redução das compras chinesas de soja nos próximos meses.
Cacau dispara 5,37% em Nova York com Gana pagando mais ao produtor: o contrato de dezembro fechou a US$ 5.670 por tonelada, maior nível em duas semanas segundo a Barchart, com Gana pagando US$ 3.647 por tonelada ao produtor da safra 2026/27.
DIVIRTA-SE
Uma grade de letras, oito animais escondidos (tamanduá, golfinho, tucano) e o dedo arrastando de ponta a ponta. O jogo pega na hora em que a primeira palavra acende em verde e o olho começa a enxergar as outras no meio da bagunça. Abra o Caça Palavras e divirta-se.
VIVENDO E APRENDENDO
Resposta da edição passada: CIOT, o código que registra cada operação de transporte rodoviário remunerado de cargas perante a ANTT.
Pergunta de hoje: o que é o peso hectolitro do trigo?
A resposta você confere na próxima edição!
