
APRESENTADO POR

Bom dia!
Sábado é dia de abrir o galpão e conferir o que a semana deixou lá dentro, e o agro amanheceu com o inventário cheio de surpresa. A Nutrien estaria tirando a placa de mais uma revenda, agora em Goiás, e não confirmou o barulho. O trigo russo ficou empilhado no galpão de origem porque o caminho do Mar Negro fechou. A China saiu da reunião com Trump sem levar o pacote de soja, mas com dois fornecedores anotados na lista de compras. E a Corteva dividiu o próprio galpão em dois, com cada metade passando no banco antes de pegar a chave, uma pagando juro maior que a outra. Rolando a tela tem mais coisa na prateleira.
Pra você deixar tudo no seu devido lugar antes de segunda.
Por Luciana Stival.
TÁ QUANTO?
Os dados são publicados por CEPEA-Esalq/USP Indicadores sob licença CC BY-NC 4.0. As variações são calculadas em % diária e %YTD (Year to date)
As fintechs do agro apostam no juro caindo para crescer, mas o calote no campo segue alto e o dinheiro novo escolhe quem paga em dia. Para quem atrasou parcela, o crédito fica mais seletivo antes de ficar mais barato.
COLHENDO CAPITAL
Corteva vira duas: o defensivo paga o juro maior

Fonte: AGFeed
Quem compra semente e defensivo da Corteva vai comprar de duas empresas a partir de 1º de outubro, e o mercado já disse quanto cobra de cada uma.
A EIDP, a parte que fica com os defensivos, levantou na quinta US$ 700 milhões em títulos que vencem em 2036 e pagam 6% ao ano. A Vylor, a parte das sementes, tinha feito o mesmo em agosto, com US$ 1,1 bilhão, e o papel dela de mesmo prazo paga 5,625%.
É a separação de uma sociedade em que cada sócio passa no banco antes de assinar o distrato, e volta com uma taxa diferente no papel. Traduzindo: no prazo de 2036, o mercado cobra da empresa de defensivo 0,375 ponto percentual a mais do que cobra da empresa de semente. Juntas, as duas pegaram US$ 1,8 bilhão de dívida nova antes da cisão.
O detalhe é que parte desse dinheiro muda de mão: parte do que a Vylor levantou deve ir para a EIDP, como pagamento pelo negócio de sementes, enquanto o que a EIDP levantou fica no caixa dela, inclusive para quitar dívida curta. A letra miúda amarra tudo à separação: se a cisão não sair como previsto, a EIDP recompra os títulos a 101%, mais juros.
Na mesma quinta, a SEC, que regula a bolsa americana, deu por válido o registro da Vylor, e as ações dela estreiam em Nova York em 1º de outubro. Para você, em outubro muda a marca de quem vende a semente; o que o mercado já disse é que cobra mais caro pelo dinheiro de quem vende o defensivo.
SEGURO MORREU DE VELHO
O seguro rural trancou na hora do plantio

Fonte: Giphy
A soja e o milho já estão indo para a terra em várias regiões, e o dinheiro da subvenção do seguro rural continua trancado: o pedido do Ministério da Agricultura para destravá-lo está há três semanas sem resposta do Planejamento. São R$ 461,7 milhões bloqueados, mais R$ 307,4 milhões que existem no orçamento, mas sem autorização de uso.
O cofre tem dois cadeados. Quem abre os dois é a Junta de Execução Orçamentária, e o bloqueio está registrado no sistema do orçamento desde junho.
O problema do guarda-chuva trancado é que a chuva tem hora. O seguro só vale dentro da janela de plantio do zoneamento agrícola, que é fixa por cultura e município e não se prorroga. O próprio ministério lembra o que aconteceu da última vez em que o dinheiro atrasou: de 2024 para 2025, o número de produtores com apólice subvencionada caiu pela metade, de 86 mil para 42 mil.
Repare que quem faz o alerta é quem pede o dinheiro, e o Planejamento, procurado, não respondeu. E a revisão do orçamento anunciada na quinta usou a folga que apareceu para recompor o Bolsa Família e reduziu o espaço para liberar outros gastos.
Quem planta agora decide com o guarda-chuva ainda no armário: espera a chave chegar ou sai na chuva por conta própria.
COMO TÁ LÁ FORA?
Faltou gente no frigorífico americano, e a cota extra ganhou um projeto contra no Congresso

Fonte: TheAgriBiz
Quem vende boi para a cota americana está olhando duas filas nesta semana: a do frigorífico lá e a do Congresso. Uma ação do ICE, a polícia de imigração, começou na terça no sudoeste do Kansas, o segundo estado em abate do país, e teria deixado muita gente sem aparecer nos frigoríficos da região, segundo a imprensa local.
O abate de bovinos nos Estados Unidos caiu 7,7% na semana, para 476 mil cabeças, pelo boletim do USDA. Não há número oficial das faltas: a ligação entre a batida e a queda do abate é o que sindicatos, associações e o ritmo dos frigoríficos sugerem. A MBRF, dona da National Beef, diz que as operações estão sendo normalizadas e que não há impacto material para o negócio.
É Washington apagando o incêndio do preço da carne com uma mão e mandando o bombeiro embora com a outra. A carne moída bateu quase US$ 7 a libra no mês passado, o país deve reabrir em 1º de outubro o maior ponto de entrada de gado mexicano, e o boi que entra leva de cinco a oito meses para ficar pronto para o abate. Enquanto isso, a cota extra de 300 mil toneladas de carne importada, que já contamos aqui, ganhou um projeto bipartidário apresentado no Congresso para suspender a ampliação se os parlamentares não a aprovarem. Por enquanto nada muda: as parcelas de outubro e novembro da cota seguem valendo, e a Safras & Mercado chama o risco de político, não operacional.
Para o boi brasileiro que cabe na cota, o incêndio segue sendo apagado; a novidade é que apareceu gente no Congresso querendo decidir quem segura a mangueira.
A CONTA CHEGOU
A Cotribá trocou de presidente com R$ 1,4 bi de dívida na mesa

Fonte: Giphy
Se você é associado, fornecedor ou credor da Cotribá, a cooperativa de Ibirubá, no Rio Grande do Sul, trocou de presidente de novo na quinta: Carlos Diehl renunciou pouco mais de seis meses depois de assumir, e o vice, Sergio Strentske, ficou no lugar. Em carta, Diehl fala em divergência com o Conselho de Administração sobre o futuro da cooperativa.
A cadeira gira, a dívida fica sentada. A Cotribá reúne 11,7 mil produtores e deve mais de R$ 1,4 bilhão a bancos, empresas de insumo e milhares de agricultores, conta de maio. Em seis meses, a gestão que saiu contratou um CEO e o destituiu cinco meses depois, sem substituto.
O detalhe é o calendário. A assembleia marcada para 28 de setembro ia votar as contas da gestão, um contrato com sócio-investidor e a criação de uma S/A com sócios; na quarta ela foi cancelada, sem nova data, e na quinta saiu o presidente que buscava investidores.
E a cadeira da recuperação judicial nem está na roda. No começo do mês, o Tribunal de Justiça gaúcho decidiu que a cooperativa não pode pedir recuperação judicial, depois de recurso do Santander: a lei do cooperativismo tem regime próprio para crise, especialmente a liquidação. A cooperativa diz que a troca de comando não altera o funcionamento das operações.
E ESSE TEMPO, HEIN?
O calor forte chegou bem na janela da soja

Fonte: Globo Rural
Se a sua soja vai para a terra nesta semana no Mato Grosso do Sul, no Paraná, em São Paulo ou no centro e sul de Mato Grosso, ela entra sob aviso vermelho de onda de calor do Inmet, de sábado a quarta. Cuiabá pode chegar a 41 °C, sem chuva prevista até a onda acabar, na quinta, com uma frente fria.
É uma área de alta pressão parada em cima da região, prendendo o ar quente por baixo. Tampa na panela. E a panela não tem a mesma água em todo lugar. Pelo satélite da EarthDaily, as chuvas de setembro deixaram o solo de Goiás com umidade acima da média, e o de Mato Grosso ainda baixo; calor com pouca chuva aumenta a evaporação e pode limitar essa recuperação, principalmente em Mato Grosso.
E a semana não é o fim. O prognóstico do Inmet para outubro põe chuva abaixo da média em Mato Grosso, Goiás e no Distrito Federal, o que pode atrapalhar a semeadura e a emergência uniforme da soja; Mato Grosso do Sul e São Paulo tendem a um outubro mais favorável.
Quem planta em Goiás entra na semana com a panela cheia da água que setembro deixou; quem planta em Mato Grosso, com a panela ainda longe de encher.
DE OLHO NO PORTO
Sem pacote de soja, a China ganhou uma segunda porta

Fonte: CNN Brasil
A soja que ainda está no seu armazém esperava um anúncio de Washington na quinta, e o que veio foi pequeno. Estados Unidos e China esticaram por dois meses a trégua comercial, até 10 de janeiro, sem uma nova rodada grande de compras agrícolas.
Chicago reagiu como a loja que esperou a semana inteira pelo cliente e viu o cliente só olhar a vitrine. A soja caiu de manhã e fechou a sexta com alta de 0,11%, depois que o representante comercial americano afirmou que produtos agrícolas fazem parte do entendimento e que os detalhes saem na segunda-feira.
O efeito mais imediato para o Brasil, pela análise da CNN, não é necessariamente vender menos: é perder poder de barganha. A China se comprometeu a comprar pelo menos 25 milhões de toneladas de soja americana por ano até 2028 e está perto de cumprir a meta deste ano. Enquanto isso, as compras chinesas de soja brasileira caíram para menos de cinco cargas nas duas semanas antes do encontro, contra 20 por semana em agosto, segundo a Bloomberg.
É o prêmio que fica na mesa quando o comprador tem duas portas. O prêmio da soja brasileira em Paranaguá está em US$ 1,35 por bushel acima de Chicago e ainda não se mexeu; se a soja americana seguir mais competitiva, a China tem menos motivo para pagar caro pela nossa, embora continue precisando dela. Em Mato Grosso, 39% da safra nova já estava vendida antes do encontro.
Quem já vendeu fechou a própria porta antes da reunião; quem ainda tem soja para vender espera a segunda-feira com o comprador parado entre as duas.
PLANTÃO RURAL
A saída da Nutrien do varejo tem uma terceira parada: segundo fontes ligadas à empresa ouvidas pelo The AgriBiz, a Nutrien decidiu suspender o varejo em Goiás, sem confirmação da companhia, depois do comunicado do fechamento em São Paulo e Mato Grosso do Sul.
No mundo árabe, a venda de carne bovina subiu em dois dígitos: as exportações do agro brasileiro para os 22 países árabes cresceram 6,81% de janeiro a agosto, para US$ 9,897 bilhões, com a carne bovina subindo 20,23%, segundo a Câmara de Comércio Árabe-Brasileira.
O Paraguai quer partes iguais na cota europeia de carne: a Abiec negocia com entidades de Argentina, Uruguai e Paraguai a divisão da cota de 99 mil toneladas de carne bovina do acordo Mercosul-União Europeia, com o Paraguai pedindo 25% para cada país.
Frango mais caro que porco, coisa que o Cepea não via desde 2004: no atacado da Grande São Paulo, o frango resfriado marcou quinta-feira R$ 8,30 o quilo pelo Cepea, acima dos R$ 8,12 da carcaça suína especial pela primeira vez desde junho de 2004.
Quem atrasar a parcela do arroz a 6% em Santa Catarina paga CDI e mais um pedaço: o BRDE abriu uma linha de R$ 80 milhões para arrozeiros de Santa Catarina, a 6% ao ano, contratável até 8 de novembro, com o inadimplente perdendo a equalização e pagando CDI mais 4,74%.
Na fila do Brasil Soberano no BNDES, o adubo já pegou senha: o BNDES recebeu R$ 12 bilhões em pedidos de crédito do Plano Brasil Soberano em uma semana, com R$ 735 milhões já aprovados para empresas de fertilizantes, segundo o próprio banco.
O Mar Negro fechou, e o trigo russo ficou em casa: a Rússia deve exportar 1 milhão de toneladas de trigo em setembro, contra 5,7 milhões no mesmo mês de 2025, segundo a analista-chefe da União Russa de Grãos, com a rota do Mar Negro fechada.
Sobe o custo do algodão, encolhe a arroba que sobra: o custo do algodão de segunda safra no Médio-Norte de Mato Grosso sobe a R$ 14,6 mil por hectare em 2026/27, com a rentabilidade no estado caindo para 39 arrobas de pluma, segundo a Agroconsult.
SE DIVERTE AÍ
Cinquenta perguntas de pegadinha, e uma errada devolve você à primeira. O jogo fisga na terceira volta: você já sabe a resposta, só não lembra onde escondeu o erro, e a tela de reinício vira questão de honra. É o Gênio Quiz, o mesmo da época do Flash, ainda de pé. Comece pela número um e veja até onde a atenção segura antes de a pressa vencer.
VIVENDO E APRENDENDO
Resposta da edição passada: a medição dos limites da fazenda por coordenadas, certificada pelo Incra para garantir que a área não se sobrepõe à do vizinho, exigida no cartório para vender ou partilhar a terra.
Pergunta de hoje: o que é a carência de um empréstimo?
A resposta você confere na próxima edição!
