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Bom dia!

Pra fechar essa semana e te liberar pro pré-carnaval, a xícara de hoje vem com FMC tentando sair do vermelho de qualquer jeito, AgroGalaxy desmentindo fofoca sobre quem manda lá dentro, exportações a milhão, preço do leite ao produtor continua em queda livre, agro lidera ranking de recuperações judiciais, Zarc vem de cara nova e muito mais.

Pra você acordar bem informado

Por Enrico Romanelli

TÁ QUANTO?

MERCADO
IBOVESPA (B3) 182.127,25 13,03%
SLCE3 R$15,59 -2,87%
SMTO3 R$14,64 -3,17%
KLBN11 R$19,43 3,57%
VALE3 R$86,45 20,14%
Bitcoin US$63.204,21 -28,46%
Solana US$78,88 -37,11%

Os dados são publicados por BCB e Brapi.
As variações são calculadas em YTD (Year to date)

SAFRA DE CIFRAS

FMC vê o vermelho no extrato e cogita pendurar placa de vende-se

Foto: Divulgação/FMC

A FMC saiu do balanço de quarta-feira (4) com um prejuízo de US$ 1,72 bilhão no 4º tri de 2025 e, no embalo do susto, já avisou que vai avaliar opções estratégicas, incluindo uma possível venda. Só que o recado já nasce com o freio de mão puxado, o papo ainda tá bem no começo e não tem garantia de que qualquer transação vá sair do campo das ideias.

O buraco ficou bem evidente no comparativo. No 4º tri de 2024, o prejuízo tinha sido de US$ 16,3 milhões e agora virou aqueles números assustadores. A FMC disse que o tombo reflete principalmente uma baixa contábil ligada à queda do preço das ações, enquanto no mundo real a receita do trimestre caiu 12% e ficou em US$ 1,08 bilhão, com preço médio 6% menor e volume total 1% abaixo, num cenário em que a concorrência apertou e a América Latina não deu moleza.

Com esse pano de fundo, a FMC diz que também tá tentando reforçar a competitividade do portfólio, administrar o pós-patente do Rynaxypyr e acelerar a comercialização de novos ingredientes ativos, incluindo investimentos extras em 4 moléculas novas que, segundo a empresa, podem dar aquele boom que eles tanto precisam. Pra 2026, a projeção fica em lucro ajustado entre US$ 1,63 e US$ 1,89 por ação, com receita entre US$ 3,60 bilhões e US$ 3,80 bilhões, enquanto a diretoria avalia as tais opções estratégicas sem prometer final feliz antes do último capítulo.

COLHENDO CAPITAL

AgroGalaxy desmente fofoca sobre Tauá Partners

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A AgroGalaxy passou a corda no buchicho dessa quinta-feira (5) e lançou um fato relevante na CVM pra deixar claro que não rolou venda de ações nem transferência de controle do Aqua Capital pra Tauá Partners. Em bom português, ninguém vendeu a porteira, ninguém trocou a chave, e a história de troca de dono não procede.

O zum-zum-zum ganhou força porque, na quarta-feira (4), a empresa fez aquela dança das cadeiras que dá inveja em qualquer gincana de escola. Saíram o então CEO Eron Martins, o CFO e diretor de RI Luiz Conrado Sundfeld e a diretora Marina Alves, enquanto Sebastian Popik, fundador e sócio do Aqua, largou a presidência do conselho. No lugar, Luiz Gabriel Piovezani assumiu como CEO e ainda ficou acumulando o financeiro e o RI de forma interina, aquele combo que economiza cargo mas cobra no estresse.

No meio da confusão, a Tauá entrou na conversa, mas sem o papel de dona da fazenda. O que a AgroGalaxy diz é que a Tauá tá ali como prestadora de serviço de turnaround, contratada pra assessorar a reorganização operacional e financeira, com trabalho iniciado no 4º tri de 2025. A própria Tauá também disse que não assumiu controle nenhum e que o escopo dela fica restrito à assessoria, com a ligação mais visível aparecendo na indicação de Marcos Carvalho Ramos, que tem envolvimento com a assessoria, pra diretoria da AgroGalaxy.

E mesmo com a nota desmentindo tudo em letras grandes, o barulho de bastidor não some do mapa. A apuração do mercado segue apontando que uma venda de controle é uma das alternativas que o controlador avalia, mas não a única, e não é como se tivesse sido decidida ontem.

O AGRO EM NÚMEROS

Exportações, exportações e mais exportações

Foto: Adobe Stock

Janeiro de 2026 começou com o agro fazendo hora extra no porto, igual você em fim de mês quando precisa bater meta. As exportações agropecuárias somaram US$ 3,87 bilhões, alta de 2,1% na comparação com janeiro de 2025, e o volume embarcado cresceu bem mais que o caixa, 17,5%, passando das 7,4 milhões de toneladas. A China comprou mais e ajudou a segurar o placar, o Oriente Médio também entrou no jogo, mas os Estados Unidos reduziram o ritmo e fizeram a conta de cá pra lá cair 25,5% em valor contra janeiro do ano passado.

Dentro desse bolo, a soja foi a peça que mais apareceu na foto. Em janeiro, o Brasil mandou pra fora mais de 1,87 milhão de toneladas do grão, com cachê total de US$ 830,98 milhões. Na comparação com janeiro de 2025, a bufunfa diária cresceu 91,7%, empurrada por um salto de 75,5% no volume e ainda com preço médio mais alto, batendo US$ 442,80 por tonelada, alta de 9,2%. E o roteiro de fevereiro também já tá escrito, a ANEC projeta 11,42 milhões de toneladas, volume que parece grandão mas é normal nessa época, puxado pela colheita que tá a todo vapor.

E a carne bovina veio no embalo, só que em outra caixinha da estatística. Pelo recorte de indústria de transformação, a carne bovina fresca, refrigerada ou congelada fez US$ 1,2 bilhão em janeiro, com volume total de 231,8 mil toneladas, aumentos de 42,5% no dinheiro e 28,6% no volume na comparação com janeiro de 2025. No detalhe do in natura, o mês virou recorde pra janeiro, com receita de US$ 1,292 bilhão e preço médio de US$ 5.573,20 por tonelada, 10,8% acima do valor de janeiro passado.

DE OLHO NO PORTO

Preço do leite escorrega de novo

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O preço do leite começou 2026 com a mesma vibe do ano passado todo, caindo. No pagamento de janeiro, que se refere ao leite entregue em dezembro de 2025, o preço ao produtor caiu 3,1%, segundo a Scot Consultoria. Na prática, deu R$ 0,07 a menos por litro, e já é o 9º mês seguido de recuo.

No retrato mais amplo, a conta tá bem apertada. O valor médio nacional ponderado nos 18 estados acompanhados ficou em R$ 2,07 por litro, e no comparativo anual o produtor tá recebendo 12,9% menos. Desde que essa ladeira começou em abril de 2025, a queda acumulada já chega a 18,6%. A justificativa tá no básico do básico, oferta subindo, estoque enchendo e a margem do produtor afinando tanto que investimento começa a virar artigo de luxo, do tipo que só entra no carrinho quando sobra um bom troco no fim do mês.

E o curto prazo não promete trégua. Pro pagamento de fevereiro, referente à produção entregue em janeiro, a maioria dos laticínios consultados pela Scot ainda enxerga viés de queda, com 58,8% apostando em novo recuo, 35,7% falando em estabilidade e só 5,5% vendo chance de alta. A esperança de virar o jogo fica pro segundo bimestre, quando a entressafra entra em cena e pode dar uma levantada no preço.

NAS CABEÇAS DO AGRO

Agro lidera o ranking da RJ em 2025

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Se 2025 fosse um campeonato, o campo terminou no 1º lugar de um troféu bem ingrato, o das recuperações judiciais. O Monitor RGF de RJ tá falando que o agro fechou o ano com 493 empresas do setor em recuperação judicial, alta de 14,2% contra o trimestre anterior. E no tal do IRJ, que mede quantas empresas em RJ existem a cada 1.000 ativas, o agro marcou 13,53, contra uma média nacional que ficou em 2,13, disparado na liderança, ou na lanterna, depende do ponto de vista.

Quando abre a planilha por dentro, dá pra ver quem tá mais no aperto. O cultivo de soja liderou em número absoluto, com 217 empresas em RJ, seguido por criação de bovinos de corte, com 84, e cana-de-açúcar, com 50. O próprio relatório resume o enredo com um combo que já é clássico pro setor: clima atrapalhando, preço balançando e crédito curto, aquele trio que assusta qualquer um.

CAMPO ATUALIZADO

Zarc dá upgrade e deixa a janela de plantio mais fácil de achar

Foto: Divulgação/Mapa

O Zarc resolveu fazer uma harmonização e apareceu com painel novo, mais rápido, mais limpo e com uma navegação que não parece teste de paciência. Essa atualização vem pra modernizar a consulta das janelas de plantio e das indicações de risco, que viraram o mapa oficial do Brasil pra decidir onde e quando semear com menos chance de dar ruim por causa do clima.

A lógica continua a mesma, só que agora tá de um jeitinho mais intuitivo. Você filtra safra, cultura, tipo de solo, grupo de cultivar, unidade da federação e o resto dos detalhes, clica em aplicar e o mapa já mostra os municípios indicados. Aí, se quiser ver o risco no detalhe, entra na tábua de risco e acompanha por decêndio, que é aquele corte de 10 dias que separa plantio bem planejado de plantio na coragem.

Esse upgrade também tá alinhado com a ideia de deixar o Zarc conversando melhor com as ferramentas digitais, tipo o app Zarc Plantio Certo da Embrapa. A proposta é aproximar a informação técnica do dia-a-dia da fazenda, o produtor consulta o que plantar, quando plantar e onde plantar com base no menor risco, e não naquele feeling ou achismo que costuma custar caro quando o céu decide brincar. No fim, é o mesmo objetivo, planejar melhor a safra e tirar a decisão do chute, sem precisar se basear em conselho de vizinho.

PLANTÃO RURAL

  • Porco premium, passaporte carimbado. O Paraná tá usando o status de área livre de febre aftosa sem vacinação pra mirar mercados que pagam melhor pela carne suína. Já rolou avanço no Peru e agora o estado quer espaço em EUA e Canadá, onde a remuneração costuma bater acima da média de US$ 2,55/kg. Em 2025, foram US$ 573 milhões, alta de 41%.

  • Soja no RS passando sufoco. Com o plantio praticamente fechado e 99% semeado, o Rio Grande do Sul tá esperando a chuva virar rotina. A Emater fala em lavouras bem desiguais, até dentro do mesmo município, com 46% já em floração. Onde tem várzea, solo profundo e palhada, a soja respira melhor.

  • 17 toneladas de insumo irregular. A Operação Ronda Agro apreendeu mais de 17 toneladas de agrotóxicos e fertilizantes irregulares em Minas Gerais, com prejuízo estimado acima de R$ 3 milhões. Tinha fracionamento e manipulação clandestina, produto sem identificação, rótulo em idioma estranho e venda sem receituário, sem bula e com alto risco.

  • Coamo segurou o tranco e ainda devolveu mimo. Em ano de grão barato, a Coamo fechou 2025 com receita praticamente estável em R$ 28,7 bilhões. A sobra líquida ficou em R$ 2,019 bilhões e a distribuição aos cooperados chegou a R$ 716 milhões, alta de 3,2%. A segunda parcela pinga nesta sexta-feira (6).

  • BRF pagou, Marfrig recebeu. A BRF liberou dividendos intermediários de R$ 532,4 milhões pra Marfrig, única acionista após a fusão que formou a MBRF. O valor foi de R$ 0,601773821 por ação, com base no balanço de 31/12/2025, e o pagamento rolou em parcela única na quarta-feira (4).

  • AGCO vendendo cada vez menos. Com margem apertada e crédito caro, o produtor pisou no freio em 2025 e a AGCO sentiu. As vendas líquidas caíram 13,5% no ano e fecharam em US$ 10,1 bilhões, com queda forte na América do Norte. Pra 2026, a empresa projeta US$ 10,4 a 10,7 bilhões, mas com o pé no chão.

  • Hereford certificada crescendo no capricho. O programa de carne certificada Hereford fechou 2025 com abate de 50 mil animais, alta de 5,04%. A ABHB credita o avanço a mais certificações e criadores. Nas exportações, foram 263,31 toneladas no ano, o dobro de 2024, com destinos como México, Itália, Canadá e Suíça.

  • Comunicação no campo sem enrolação. O Instituto Folio lançou um treinamento gratuito de comunicação digital pra quem tá na agricultura regenerativa e no orgânico de grãos. A turma vai ter até 20 pessoas, dura 4 meses e começa na sexta-feira (27). As inscrições vão até sexta-feira (20), com formação híbrida e mentorias.

  • Lar cresceu, investiu e ainda espalhou proteína. A Lar Cooperativa fechou 2025 com receita líquida de R$ 23,2 bilhões, alta de 14,4%, e sobras de R$ 101 milhões. O pacote de distribuição aos associados soma R$ 335,9 milhões. Teve investimento de R$ 1,379 bilhão, mais unidades de grãos, lojas de insumos e entrada na piscicultura no Paraná.

  • Brasilagro voltou pro positivo, mas a cana deu trabalho. A Brasilagro registrou lucro líquido de R$ 2,5 milhões no 2º trimestre fiscal, virando a chave frente ao prejuízo de R$ 19,6 milhões no mesmo período de 2025. A receita subiu 25% pra R$ 191,06 milhões, com grãos e algodão ajudando, enquanto a cana teve queda de 56% no volume vendido.

SE DIVERTE AÍ

Hoje o rolê é testar se tu reconhece mais lavoura que o Google. No GeoGuessr, o jogo te joga no meio de uma estrada aleatória do planeta, em visão de rua, e tu tem que adivinhar onde tá no mapa. Vale procurar pista em placa, tipo de solo, pivô de irrigação, padrão de cerca, tipo de caminhão e até formato de telhado de galpão. Entra lá, escolhe um modo mundo ou América do Sul, chuta o lugar e depois conta pra gente se tu mandou o palpite certeiro ou jogou uma fazenda do Kansas no meio do Mato Grosso.

VIVENDO E APRENDENDO

Resposta da edição passada: Jabuticaba

Pergunta de hoje: Qual grão africano foi levado ao Brasil no período colonial e se tornou ingrediente essencial do acarajé?

A resposta você fica sabendo na próxima edição!

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