APRESENTADO POR

Bom dia!

A edição de hoje tem novo fungo que pode ser usado como herbicida e virar antibiótico potente, exportações de café caindo forte, confinamento de bois em alta, bioinsumo impulsionando a safra de soja no Paraná, USDA perdendo moral com o mercado, Mercuria querend comprar a operação da Raízen na Argentina e muito mais.

Pra você acordar bem informado

Por Enrico Romanelli

TÁ QUANTO?

MERCADO
IBOVESPA (B3) 185.929,33 15,39%
SLCE3 R$15,79 -1,62%
SMTO3 R$15,10 -0,13%
KLBN11 R$19,83 5,70%
VALE3 R$87,05 20,97%
Bitcoin US$68.707,58 -22,23%
Solana US$82,54 -34,19%

Os dados são publicados por BCB e Brapi.
As variações são calculadas em YTD (Year to date)

APRESENTADO POR AGNEST

Chamada AgNest Safrinha 2026

O AgNest, em parceria com a Embrapa e o Banco do Brasil, tá convidando AgTechs do Brasil todo pra participarem do AgNest Campus Safrinha 2026, uma iniciativa que junta inovação, campo e agricultura digital.

As startups selecionadas terão a oportunidade de demonstrar suas soluções tecnológicas em um Farm Lab, integrando seus produtos ao processo produtivo da safrinha de milho 2026, em Jaguariúna/SP.

Buscamos soluções aplicáveis ao campo, com foco em IA, IoT, robótica e automação, sensoriamento remoto, manejo integrado de pragas e software pra tomada de decisão.

Além da demonstração em área real, as AgTechs terão acesso ao ecossistema e infraestrutura do AgNest, e exposição à rede do agro. Se você se encaixa em alguma das verticais, inscreva sua solução e faça parte de uma das principais vitrines tecnológicas do agro brasileiro.

RADAR SANITÁRIO

O fungo amazônico que joga na zaga e no ataque

Foto: Felipe Rosa

A Embrapa Amazônia Ocidental achou na casca de uma árvore nativa da Amazônia um reforço daqueles que não vem de catálogo. Em 2023, pesquisadores identificaram uma nova espécie, o Trichoderma agriamazonicum, com cara de biotecnologia de última geração e vocação dupla, ajudar a defender plantas e ainda dar empurrãozinho no crescimento vegetal, tudo no mesmo pacote.

E não é papo de laboratório pra enfeitar release. Testes in vitro mostram eficiência no controle de 9 espécies de fitopatógenos, com destaque pra inibir Corynespora cassiicola e Colletotrichum, que adoram infernizar culturas como soja e frutas. O truque vem tanto do micoparasitismo quanto da produção de compostos orgânicos voláteis, ou seja, o fungo briga no corpo a corpo e ainda solta uma fumaça tática no ambiente.

Só que a parte mais curiosa é quando ele resolve flertar com a medicina. A equipe do AmazonMicro Biotech, laboratório de inovação em microbiologia aplicada da Amazônia, encontrou peptídeos com ação antimicrobiana e alguns compostos inéditos na literatura científica, com desempenho apontado como comparável ou superior a antibióticos comerciais.

O AGRO EM NÚMEROS

Café pisou no freio, pulses ganharam tração e o boi seguiu no modo academia

GIF: Tenor

O Cecafé chegou falando que o Brasil exportou 2,78 milhões de sacas de café em janeiro de 2026, queda de 30,8% contra janeiro de 2025, com receita de US$ 1,175 bilhão e recuo de 11,7%. A explicação da queda no volume vem do combo de produtor mais capitalizado, estoque de arábica curto na entressafra e conilon e robusta segurando o mercado interno, enquanto a expectativa de recuperação da safra 2026/27 e o dólar mais fraco esfriaram o apetite lá fora.

Aí você vira a página e o grão muda de figurino, porque as pulses resolveram aparecer com roupa de festa. No Dia Mundial das Pulses, criado pela ONU, o Mapa divulgou que as exportações brasileiras do grupo cresceram 30% em 2025 e bateram US$ 448,1 milhões, com feijões secos carregando mais de 98% desse valor.

Falando em ganhar peso, o boi tá cada vez mais adepto de confinamento. Um censo anual compilado pela DSM-Firmenich e divulgado pela Reuters apontou 9,25 milhões de cabeças passando por confinamentos em 2025, avanço de 16% sobre 2024, espalhadas por 2.445 propriedades em 1.095 cidades, e em 10 anos o número dobrou. Mato Grosso liderou com 2,2 milhões de cabeças e alta perto de 30%, seguido por São Paulo com 1,4 milhão e crescimento de 7,7% e Goiás também com 1,4 milhão e alta de 13,6%, sinal de que a pecuária tá buscando eficiência sem pedir licença.

Só que eficiência também cobra pedágio no manejo, e os defensivos passaram com sem parar. Uma projeção da Kynetec Brasil, feita pro Sindiveg, estima que a área potencial tratada no ciclo de 2025 cresceu 6,1% e pode chegar a 2,6 bilhões de hectares nesse indicador, com o volume total aplicado subindo os mesmos 6,1%. No mix, herbicidas ficam com 45% do total, fungicidas e inseticidas com 23% cada, e a soja concentra 55% dessa área potencial tratada.

E já que a soja entrou na conversa, em Mato Grosso o produtor tá fazendo caixa antes de algum imprevisto chegar. O Imea aponta que a comercialização da safra 2025/26 chegou a 49,49% em janeiro, avanço de 5,34% sobre dezembro, com preço médio de R$ 104,12 por saca e queda de 3,96% no mês, num cenário em que a colheita puxou o foco e o mercado não ajudou. Já a safra 2026/27 começou devagar, com 1,46% negociada e preço médio de R$ 102,33 por saca, porque coragem pra travar preço só aparece quando o humor do mercado resolve colaborar.

COMO TÁ LÁ FORA?

USDA perde a bússola do milho e o mercado sente

Giphy

O USDA, que por anos foi tratado como o relógio oficial das safras, agora tá vendo a própria credibilidade virar tema de conversa entre produtor, trader e economista. O estopim foi uma revisão bem agressiva pra cima na área colhida de milho nos EUA, num momento em que todo mundo depende dos relatórios mensais de produção, oferta e demanda pra tentar adivinhar preço e estoque sem precisar de bola de cristal.

Essa desconfiança ganhou força porque milhares de funcionários deixaram o órgão no ano passado, no pacote de redução do governo federal da gestão Donald Trump, e a leitura do mercado é de que com menos gente, a máquina de dados perde fôlego.

O ajuste também chamou atenção pelo tamanho e pelo padrão invertido. Em vez de um retoque pequeno, o USDA elevou a estimativa de área colhida pra 91,3 milhões de acres, 1,3% acima do número anterior e 5,2% acima do que ele mesmo apontava em junho. Como revisões normalmente tendem a cortar área colhida quando o clima atrapalha, o salto veio quebrando tudo e derrubou os futuros em 5,4%.

Pra se defender, serviço de estatísticas do USDA iniciou uma revisão interna, e a explicação que circula é que o aperto de pessoal travou o processamento de dados de plantio no verão passado, o que atrasou o repasse de informação e deixou a base de estimativas mais fraca. Pra completar, a pesquisa de junho se apoia em quase 68.000 agricultores, só que esse público anda cada vez mais relutante em responder, e aí até planilha de autoridade começa a parecer rascunho. Agora o mercado volta a ficar de olho no próximo boletim de oferta e demanda global, que sai nesta terça-feira (10), pra ver se o USDA recupera o prumo ou se a novela ganha novos capítulos.

PAUTA VERDE

Bioinsumo faz a soja do Paraná render mais

Foto: Antonio Neto

No Paraná, a soja tá ganhando um reforço de peso que não vem em saco, vem em microrganismo. Há 10 anos, a Embrapa Soja e o IDR-Paraná vêm batendo ponto nas lavouras pra validar boas práticas de Fixação Biológica do Nitrogênio, e o placar médio da década é bem direto: coinoculação nas sementes e aumento de 8,33% na produtividade, juntando rentabilidade com sustentabilidade sem muito papo.

Na safra 2024/2025, o teste foi no mundo real, com 22 Unidades de Referência Tecnológica em lavouras comerciais de 17 municípios, pegando solo, clima, sistema e calendário bem diferentes entre si. No fim, as áreas coinoculadas cravaram média de 3.916 kg/ha, enquanto as áreas não inoculadas ficaram em 3.615 kg/ha.

E o campo tá comprando a ideia. Um levantamento aponta que 64% dos produtores paranaenses usaram inoculante na soja em 2024/2025, e a coinoculação com Bradyrhizobium e Azospirillum apareceu com 28% de uso no estado. A lógica por trás disso é simples, soja precisa de cerca de 80 kg de nitrogênio pra cada 1 tonelada de grão, então quando a simbiose faz esse nitrogênio sair do ar e virar combustível de planta dentro do nódulo, o bolso agradece e a lavoura também.

SAFRA DE CIFRAS

Mercuria encosta na Raízen na Argentina e o cheque pode passar de US$ 1 bi

Foto: REUTERS/Denis Balibouse

A Mercuria Energy Group avançou numa oferta pra comprar uma refinaria e centenas de postos de gasolina da Raízen na Argentina, segundo fontes ouvidas pela Reuters. O papo é que pode fechar em breve, mas ainda tá naquele estágio clássico do mercado, todo mundo confiante até alguém lembrar que contrato assinado é outro esporte.

O negócio, se sair do papel, provavelmente passa de US$ 1 bilhão, ainda sem acordo vinculante, e pode levar algumas semanas pra assinar. No aquecimento, a Vitol Group também teria rondado esses ativos antes, mas quem ganhou tração foi a Mercuria. A Bloomberg foi a primeira a noticiar que o acerto tava perto, e as empresas não correram pra comentar.

O background da parada é que a Raízen vem empilhando prejuízos trimestrais, com dívida alta e pressão financeira crescendo, o que puxou venda de bonds e rebaixamentos no começo da semana. A Fitch Ratings cortou o rating primeiro pra B e depois pra CCC no mesmo dia, e a S&P Global Ratings levou pra CCC+. Agora a empresa corre atrás de capital de várias formas, inclusive com a venda de ativos, no Brasil e fora. Pra ajudar, a ação da empresa continua em queda livre e caiu pra menos de R$ 0,80. Nos últimos 12 meses, a queda foi de mais de 58%, e deve continuar a descer a ladeira nos próximos se nada mudar.

PLANTÃO RURAL

  • São Martinho quer cana mais gorda pra cortar custo. A São Martinho aposta que as chuvas do verão vão levantar a produtividade na safra 2026/27 e ajudar a diluir custos num cenário em que o açúcar segue sem cara de reação. A meta é sair de 77 t/ha pra 85 t/ha e recuperar a sacarose de 139 kg pra 142 kg por tonelada, começando a próxima safra com produção 100% voltada pro etanol.

  • Baldan mira +12% mesmo com Selic fazendo cara feia. A Baldan projeta crescer 12% em 2026, apoiada em um portfólio novo e investimento de R$ 500 milhões até 2030 pra ampliar capacidade e erguer fábrica. O CEO diz que o produtor quer tecnologia, mas deixa as compras grandes pra quando a queda dos juros virar certeza, então a empresa reforça barter, consórcio e outras saídas pra driblar o crédito caro.

  • Etanol de milho chega em 10 bi de litros. A UNEM estima que o Brasil fecha o ano-safra com 10 bilhões de litros de etanol de milho, perto de 1/3 do mercado nacional, e projeta crescimento de 20% na próxima safra, com produção rondando 12 bilhões. O setor corre atrás de consumo fora do “clube dos 6” estados onde o hidratado pega forte e já fala em novos usos e exportação pra não produzir demais e ficar com etanol encalhado na prateleira.

  • Datagro vê etanol mais barato e mais presente no tanque. A Datagro projeta o hidratado em Paulínia caindo de R$ 3,16 por litro em fevereiro pra R$ 2,52 em maio e ficando perto de R$ 2,50 até novembro. Com isso, o etanol ganharia competitividade, podendo rodar em média a 64,9% do preço da gasolina em SP, um patamar bem abaixo da paridade de 71% a 72% que costuma empatar o jogo.

  • Bradesco quer turbinar o e-agro em até 30%. O Bradesco quer crescer 25% a 30% na carteira do E-agro em 2026, depois de saltar pra R$ 6,3 bilhões em 2025. A plataforma vai começar a emprestar também pra PJ, revendas e prestadores, além de ampliar crédito pra máquinas e CPR em dólar e pós-fixada, apostando que o produtor tá mais digital e mais chato com custo do dinheiro.

  • Fundecitrus corta a safra de laranja. O Fundecitrus reduziu a projeção 2025/26 da safra de laranja no cinturão de SP e Triângulo/Sudoeste de MG pra 292,6 milhões de caixas de, queda de 0,7% contra a previsão de dezembro e de 7% ante maio. O motivo foi fruta menor nas variedades tardias, num período com chuva 10% abaixo da média histórica, o que faz precisar de mais laranjas pra encher cada caixa, de 265 pra 267 frutos, com o greening mantendo a queda prematura em nível alto.

  • Suzano fecha recompra. A Suzano concluiu a recompra de 14,82 milhões de ações por preço médio de R$ 54,33, totalizando R$ 805 milhões. Depois do programa, a companhia ficou com cerca de 28 milhões de ações em tesouraria.

SE DIVERTE AÍ

Hoje a brincadeira é com o Tradle, o joguinho estilo wordle da balança comercial. Você recebe a lista dos principais produtos que um país exporta e tem que adivinhar quem é o dono dessa pauta. Vale ler com olhar de agro nerd mesmo: reparou muito grão, carne e minério, já pode chutar Brasil ou vizinho forte no campo. Se pintou muito eletrônico, máquina e química, talvez seja alguém lá da Europa ou da Ásia. Bora testar se você tá afiado pra bater o olho na lista de exportações e adivinhar o país antes do sexto palpite.

VIVENDO E APRENDENDO

Resposta da edição passada: Abacaxi

Pergunta de hoje: Qual leguminosa brasileira foi usada por indígenas como tinta corporal e hoje é usada pra colorir alimentos?

A resposta você fica sabendo na próxima edição!

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