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Bom dia!

A edição de hoje vem com a China puxando o freio na carne bovina e o Brasil tentando salvar as cargas que já tão no mar, enquanto o Seguro Rural vira mais um ringue entre Planalto e Congresso bem na largada da safra. No meio disso, Trump botou o Irã no meio do tabuleiro e o milho brasileiro sentiu a ventania, com a ureia lembrando que fertilizante também entra na treta. Pra completar, tem soja mandando na pauta das exportações, máquinas apostando em 2026, BASF reforçando os biológicos e um Plantão Rural com crédito, habilitações, tragédia no leite e café com chuva curta e calor extra.

Pra você acordar bem informado

Por Enrico Romanelli

TÁ QUANTO?

COMMODITIES
Açúcar (Saca 50kg) R$105,40 -4,17%
Algodão (Centavos R$/LP) 350,14 0,44%
Arroz (Saca 50kg) R$52,94 -0,95%
Boi gordo (Arroba 15kg) R$318,65 -0,17%
Café Arábica (Saca 60kg) R$2.216,15 1,90%
Etanol anidro (Litro) R$3,417 2,03%
Milho (Saca 60kg) R$68,79 -1,02%
Soja (Saca 60kg) R$130,90 -7,17%
Trigo (Tonelada) R$1.178,25 -0,33%

Os dados são publicados por Cepea. As variações são calculadas em YTD (Year to date).

ASSUNTO DE GABINETE

China botou a cota na mesa e o Brasil quer tirar as cargas do radar

Foto: Freepik

O governo brasileiro sentou com o Ministério do Comércio da China (Mofcom) nessa terça (13) pra destravar as dúvidas que ainda existem sobre a salvaguarda chinesa na importação de carne bovina. Na mesa, 2 pedidos com urgência: que cargas que já tão no mar ou esperando desembaraço na aduana chinesa fiquem de fora da conta da cota e a possibilidade de puxar pro Brasil o volume que outros países não conseguirem usar ao longo do ano.

A pressão tem nome e número. A Abiec diz que o Brasil foi o mais tesourado na nova regra, com um corte que deixou a cota em só 600 mil toneladas pro ano todo. Roberto Perosa, presidente da entidade, também diz que deve sobrar uma boa parte da cota dos EUA, já que os americanos vivem um ciclo pecuário de baixa, têm 206 mil toneladas de cota de exportação pra Chine, mas exportaram só 50 mil em 2025, uma folga de cerca de 150 mil toneladas nessa conta. A lógica do setor é simples: se a China fixou um teto geral, beleza, mas se não vai usar, passa a vez.

O problema é que a salvaguarda veio antes do esperado e com manual meio embaçado, parecendo que tava em chinês. A decisão deles tava prevista pra 26 de janeiro e pegou o mercado de surpresa, então descontar o que já tá em trânsito pode virar prejuízo forte. Além disso, o setor cobra mais clareza sobre autorizações e licenças, com medo de concentração de importação em poucas estatais, e diz que previsibilidade é o que mantém o boi andando sem tropeçar. Nos bastidores, tem gente falando até em Lei de Reciprocidade como recado, mirando carros elétricos chineses, mas o time técnico do governo não parece afim de comprar essa briga com um amiguinho próximo agora.

NOS CORREDORES DE BRASÍLIA

Congresso contra veto, a queda do seguro rural

Foto: FPA

O presidente Lula vetou integralmente, na LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) de 2026, o trecho que salvava de contingenciamento algumas despesas que o agro trata como kit sobrevivência: subvenção ao Seguro Rural, Defesa Agropecuária e ações de pesquisa, infraestrutura e inovação da Embrapa. O Planalto disse que manter essa trava tiraria flexibilidade do bolso e atrapalharia as regras fiscais.

A Frente Parlamentar da Agropecuária já tá montando a tropa pra derrubar o veto assim que o Congresso voltar em fevereiro. Pedro Lupion (Republicanos-PR) chamou a decisão de preocupante pro planejamento da próxima safra, e Arnaldo Jardim (Cidadania-SP) bateu na tecla de que o Seguro Rural já é mirradinho no Brasil. É bom lembrar que a cobertura encolheu com força nos últimos anos, com a área segurada saindo de cerca de 17% em 2021 pra algo perto de 8% na última safra, o que deixa o produtor mais exposto justo quando clima e custo tão fazendo hora extra.

E não é drama, tem até número pra mostrar. Em 2024, o Seguro Rural demandou R$ 2,1 bilhões, mas só R$ 964,5 milhões entraram na LOA (Lei Orçamentária Anual) e, depois de um contingenciamento, a verba efetiva caiu pra R$ 820,2 milhões. Em 2025, o setor pediu R$ 4,0 bilhões, a LOA aprovou R$ 1,06 bilhão e, depois de mais cortes, o caixa despencou pra R$ 615 milhões.

As seguradoras entraram no mesmo trator. Elas também tão pressionando o Congresso pra restabelecer a blindagem, dizendo que o veto devolve imprevisibilidade pro mercado e encarece a conta num cenário que já é bem complicado pra todo mundo. Enquanto isso, o governo sustenta que não há pendências e que, pra 2026, a previsão é aplicar o orçamento total do PSR (Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural) previsto na LOA, com metas de ampliar atendimento, apólices e área coberta. O agro, que já viu esse filme, quer garantia no papel, não promessa no calendário.

O AGRO EM NÚMEROS

Cota batida pros EUA e soja voltou a lotar o porto

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A carne bovina brasileira começou 2026 com o pé no acelerador e sem cinto. Em só 5 dias, entre 02 e 06/01, a cota de 52 mil toneladas isentas de taxa pros EUA já acabou, segundo a Abiec. O que passar disso paga 26,4% de tarifa, e mesmo assim a entidade aposta que o Brasil pode passar de 400 mil toneladas embarcadas pro mercado americano em 2026.

E a turma das máquinas tá vendo 2026 com um otimismo brabo. A Fenabrave prevê alta de 3,4% nas vendas de máquinas agrícolas neste ano, apostando em juros mais baixos, safra robusta e consórcio ganhando espaço. Mesmo com novembro fraco em tratores e colheitadeiras, o acumulado de janeiro a novembro de 2025 ainda mostrou trator subindo 16,5% e colheitadeira avançando 7,5%.

No cereal que a gente usa pra fazer pão, o Brasil foi pras compras igual quem vê aquela promoção relâmpago no mercado. Em 2025, a importação de trigo bateu 6,89 milhões de toneladas, maior volume desde 2013, com dezembro trazendo quase 700 mil toneladas, o melhor dezembro desde 2016. Com o nosso estoque interno confortável e os compradores mais quietinhos no começo de 2026, o preço ao produtor deu uma escorregada em várias regiões.

Pra fechar, a soja seguiu mandando na pauta como dona do balcão. Em 2025, o complexo soja fez US$ 52,9 bilhões e respondeu por 31,3% das exportações do agro, com 132,8 milhões de toneladas embarcadas, quase metade do volume total do setor. E janeiro de 2026 já dá sinal de fila no cais: a Anec projeta 3,725 milhões de toneladas de soja embarcadas no mês, bem acima de janeiro de 2025, com farelo também crescendo. Enquanto isso, Mato Grosso colocou mais boi na rua: 7,46 milhões de cabeças abatidas em 2025, recorde histórico, com 43,24% dos animais tendo até 24 meses, mostrando a intensificação puxando a boiada pro frigorífico.

NAS CABEÇAS DO AGRO

Embrapa Gado de Corte troca o comando e faz história

Foto: Embrapa/Divulgação

A Embrapa Gado de Corte, lá de Campo Grande (MS), abriu 2026 com uma novidade que não cabe em nota de rodapé: Mariana Aragão Pereira assumiu a chefia-geral e virou a 1ª mulher a liderar a unidade. Zootecnista, doutora na Nova Zelândia e com uma baita bagagem internacional no LinkedIn, ela chega com uma mensagem simples pra um setor que ainda tá meio travado em fazer as coisas do jeito raiz: dá pra ser potência na pecuária e, ao mesmo tempo, ser potência em tecnologia e responsabilidade ambiental.

O plano dela tá dividido em 4 pilares: sustentabilidade, inovação, capacitação e transformação digital. Traduzindo pro idioma do curral, vai ser mais dado em tempo real, mais decisão inteligente e menos achismo e olhômetro. A IA chega com força também, mas como ferramenta e não como substituta de gente. A ideia é usar a tecnologia de forma ética pra otimizar processo, liberar tempo do time e focar no que interessa, pesquisa criativa e solução pro pepino do produtor.

Como coordenadora nacional do programa de Boas Práticas Agropecuárias (BPA), Mariana quer puxar a régua da sustentabilidade da carne brasileira e manter o Brasil no topo com eficiência e prova na mão. Pra isso, ela aposta pesado em capacitação e naquele feijão com arroz bem feito do manejo, só que sem preguiça. E ainda quer ampliar parcerias com SENAR, universidades e setor privado pra garantir que inovação não fique só no PowerPoint e chegue também no pequeno e no médio produtor, onde cada ajuste de manejo vira dinheiro no bolso.

DE OLHO NO PORTO

Milho BR sob ameaça na treta EUA x Irã

Foto: Wenderson Araujo/CNA

Trump avisou na segunda-feira (12) que quer meter uma tarifa de 25% em qualquer país que faça negócios com o Irã quando for negociar com os EUA. Sem data, sem manual de instruções e com aquele jeitão de recado jogado na mesa pra assustar todo mundo. Pra um agro que vive de previsibilidade, fica bem complicado planejar os próximos passos.

No caso do milho, o assunto pega direto no coração do escoamento. O Irã foi o principal comprador do milho brasileiro em 2025: levou 9 milhões de toneladas, que renderam US$ 1,9 bilhão, um salto de mais de 115% vs. 2024. A cota deles equivale a mais ou menos 25% de tudo que o Brasil exportou de milho e perto de 10% da produção nacional, abastecendo a indústria iraniana de frango. Se essa torneira balançar, o mercado já enxerga 2 caminhos clássicos: ruído e volatilidade no curto prazo, e um risco geopolítico mexendo no preço no médio prazo.

Do outro lado da bancada, em 2025, o Brasil importou US$ 84,5 milhões do país, e a estrela do carrinho foi a ureia: US$ 66,8 milhões, com cerca de 184,7 mil toneladas. Como o Irã é um exportador relevante de ureia no mundo, qualquer faísca no Oriente Médio vira medo de uma oferta mais apertada de nitrogenados. A treta toda reforça a pressão pra aumentar a produção doméstica de nitrogenados pra tentar matar essa dependência, com a expectativa de retomada da Petrobras ajudando, mas sem milagre de uma hora pra outra: por um bom tempo, o Brasil ainda vai precisar comprar ureia lá fora, mesmo com taxa no preço.

SAFRA DE CIFRAS

BASF reforça o time dos biológicos

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A BASF acertou, nessa terça-feira (13), a compra da AgBiTech, empresa de controle biológico de pragas, e basicamente avisou que o campo vai ter cada vez menos daquela velha dualidade, ou é químico ou é biológico. Aqui a ideia é botar tudo pra jogar junto, biológico, químico e digital, no mesmo esquema tático, sem ciúmes nem briga. O valor do negócio não foi falado, mas o movimento foi grande.

A AgBiTech tem sede no Texas, atua no Brasil também e trabalha com soluções pra culturas onde praga não pede licença, soja, milho e algodão. A empresa ficou conhecida por usar Nucleopoliedrovírus, o famoso NPV, que é aquele tipo de vírus que todo mundo quer ver trabalhando. A BASF diz que o histórico da AgBiTech encaixa direitinho no portfólio de BioSoluções deles e reforça a estratégia de um manejo mais completo, com mais eficiência e menos susto no talhão.

E o timing não é aleatório. O Brasil tá entre os mercados que mais crescem em proteção biológica, e a BASF já vinha ampliando desde 2022 o acesso às plataformas digitais pra cooperativas e distribuidores, chegando mais em produtor médio e pequeno. Com a aquisição, a promessa é dar mais ferramentas pro Manejo Integrado de Pragas, ajudar no manejo de resistência, reduzir resíduos e esticar a janela de proteção da lavoura. A conclusão do negócio tá prevista pro 1º semestre de 2026, dependendo das aprovações regulatórias.

PLANTÃO RURAL

  • Mais grana na prateleira do Plano Safra. O BNDES liberou mais R$ 15,3 bilhões pro Plano Safra 2025/26, com R$ 10,4 bilhões pra agricultura empresarial e R$ 4,9 bilhões pra agricultura familiar. No total, o banco diz que já colocou R$ 30,8 bilhões na roda e ainda tem R$ 20,1 bilhões disponíveis pra pegar crédito até junho de 2026.

  • Vietnã dobrou a porta pros frigoríficos. O país habilitou mais 4 plantas brasileiras pra exportar carne bovina com osso e desossada. Agora são 8 unidades na lista: 2 em Rondônia, 1 em Mato Grosso do Sul, 1 em Tocantins, além das 4 já liberadas em Goiás (3) e Mato Grosso (1).

  • Fertilizante também passa no caixa do mercado financeiro. A Araguaia vai emitir R$ 200 milhões em CRAs pra financiar compras de insumos, na 3ª operação do tipo da empresa. A oferta tem prazo de 5 anos, remuneração de DI + 2,2% ao ano e covenant de dívida líquida/Ebitda abaixo de 3,5x, com securitização da Ecoagro e coordenação do Itaú BBA.

  • Tragédia no leite em Novo Xingu. Uma propriedade no norte do RS perdeu 48 vacas em lactação de uma vez, prejuízo estimado em mais de R$ 600 mil e a produção diária de mais de mil litros virou silêncio no galpão. A principal suspeita é intoxicação por nitrito, possivelmente ligada à pastagem e turbinada por chuva, umidade e pouco sol. Amostras já foram pra laboratório, mas sem prazo pra laudo.

  • Café entrou em 2026 com sede e calor extra. Dezembro teve chuva abaixo da média em áreas de café no sul de MG, Triângulo Mineiro e Alta Mogiana (SP), e janeiro começou com a pulga atrás da orelha. Pra completar, a temperatura média ficou acima do normal, o tipo de combo que não ajuda produtividade.

SE DIVERTE AÍ

Hoje a brincadeira é com o Tradle, o joguinho estilo wordle da balança comercial. Você recebe a lista dos principais produtos que um país exporta e tem que adivinhar quem é o dono dessa pauta. Vale ler com olhar de agro nerd mesmo: reparou muito grão, carne e minério, já pode chutar Brasil ou vizinho forte no campo. Se pintou muito eletrônico, máquina e química, talvez seja alguém lá da Europa ou da Ásia. Bora testar se você tá afiado pra bater o olho na lista de exportações e adivinhar o país antes do sexto palpite.

VIVENDO E APRENDENDO

Resposta da edição passada: Trigo

Pergunta de hoje: Qual grão do Oriente Médio deu origem ao primeiro pão fermentado da história, há mais de 6 mil anos?

A resposta você fica sabendo na próxima edição!

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