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Bom dia!

A edição de hoje tem Coreia do Sul abrindo conversa pro agro BR com papel assinado e auditoria no radar, a BR-163 virando estacionamento de soja e o mercado dos EUA mexendo na tabela de tarifas de novo. No resto do cardápio, tem agroindústria patinando em 2025, açúcar exportando no volume e um pacote de tecnologia e cultura, com simulador pra botar número no rebanho e o tal Novo Agro mostrando que o campo tá influenciando até o guarda-roupa.

Pra você acordar bem informado

Por Enrico Romanelli

TÁ QUANTO?

FOCUS 2026 Semana 2027 Semana
Câmbio (R$/US$) 5,45 -0,91% 5,50 0,00%
IPCA (%) 3,91 -1,42% 3,80 0,00%
PIB (%) 1,82 0,91% 1,80 0,00%
Selic (% a.a.) 12,13 -1,02% 10,50 0,00%

Os dados são publicados por BCB. A variação considerada nesta tabela é semanal.

NAS CABEÇAS DO AGRO

BR-163 virou estacionamento de soja

Foto: Lucas Nunes/Sistema Famato

A colheita de soja tá andando até que bem, mas o escoamento tá andando só de ré. Na BR-163, rumo ao porto de Miritituba (PA), uma cena chata e que ninguém quer ver tá aparecendo de forma repetida, ano após ano. Tem uma fila de caminhões carregados esperando a liberação pra descarregar tudo, e essa fila tá andando em ritmo de tartaruga, com o Arco Norte operando no limite bem na hora em que a safra acelera. É aquele clássico brasileiro em que a produção cresce e a infraestrutura finge que não tá vendo nada.

E não é por falta de movimento. Segundo a Antaq, a movimentação no Arco Norte cresceu 10,33% no último ano e chegou a 163,3 milhões de toneladas, bem pra cima da média nacional de 6,1%. A soja puxou esse bonde com quase 30% de tudo que passou por ali, somando 48,6 milhões de toneladas e alta de 19,24%, só que agora o corredor engasgou. A Famato foi conferir na segunda-feira (23) e encontrou mais de 25 km de fila antes do porto, uma fila que parece não ter fim e só atrapalha todo mundo, produtor, caminhoneiro, exportador e até o comprador lá de fora.

Na ponta, quem tá no volante descreve o pacote completo, não tem estrutura básica de banheiro e nem atendimento pros caminhoneiros, que tão sofrendo com o desgaste físico e emocional, sem falar dos dias de trabalho perdidos na triagem e na organização do fluxo, com empresa sem capacidade de receber caminhão e a fila só crescendo. O presidente da Famato, Vilmondes Tomain, pediu que o gargalo pare de ser tratado como algo normal, porque não é, e cobrou os governos de MT e PA e chamou o Ministério da Agricultura e Ministério dos Transportes pra ver essa fila ao vivo. Ele também aproveitou pra defender o aumento da capacidade portuária e de triagem, reforçar equipes no pico e, no médio prazo, viabilizar mais armazéns, porque quando dá pra guardar uma parte da produção, o porto deixa de virar o funil da safra.

ASSUNTO DE GABINETE

Coreia do Sul abre a agenda pro agro BR

Foto: Ricardo Stuckert / PR

A comitiva brasileira mal chegou na Coreia do Sul e a segunda-feira (23) já veio com papel assinado e agenda andando. Foram 3 acordos na área agro, juntando Mapa, Anvisa, Ibama, os coreanos da Administração de Desenvolvimento Rural, além de um memorando entre os ministérios da agricultura e outro com a Embrapa. O ministro Carlos Fávaro vendeu essa ideia como uma nova etapa de cooperação com confiança, tecnologia, sustentabilidade e produção responsável na mesa.

No miolo, tem coisa bem prática. Um dos documentos fica de olho na cooperação em registro e avaliação de agrotóxicos e bioinsumos, com troca de pesquisa e informação, pra ninguém ficar reinventando a roda com o mesmo problema. Outro cria um intercâmbio científico e tecnológico em segurança alimentar, agricultura digital, infraestrutura agrícola e medidas sanitárias e fitossanitárias, com um Comitê de Cooperação Agrícola Brasil-Coreia pra tocar a agenda sem deixar a conversa virar promessa perdida no e-mail. E o terceiro abre caminho pra projetos conjuntos com a Embrapa em agricultura, pecuária, floresta, meio ambiente e recursos naturais.

Só que o que todo mundo quer ver mesmo é porta abrindo. O Mapa disse que a Coreia do Sul recebeu a documentação pra liberar o mercado de ovos e o Fávaro falou que o certificado deve sair nos próximos dias. Também ficou marcada a auditoria de técnicos sul-coreanos pra uva brasileira ainda neste ano.

Nas proteínas, a notícia vem com um finalmente bem discreto, mas que existe. A Coreia do Sul confirmou auditoria nas plantas frigoríficas brasileiras pra carne bovina, um mercado que o Brasil tenta abrir desde 2008, e o ministro disse que o presidente Lee Jae Myung foi quem agilizou essa etapa pra nós. Na carne suína, o avanço é ampliar os estados que podem ser avaliados, hoje só Santa Catarina exporta, e a ideia é colocar na fila os estados reconhecidos como livres de febre aftosa sem vacinação e sem peste suína clássica. No fim, foi um dia de viagem em que a mala voltou com tarefa e prazo, não só com lembrancinha.

O AGRO EM NÚMEROS

Agroindústria não sobe e nem desce, enquanto açúcar decola sem olhar pra trás

Foto: Globo Rural

A agroindústria terminou 2025 quase no zero a zero, tipo aquele jogo truncado de final de campeonato, com juros altos atrapalhando e mercado interno tentando empurrar. O PIMAgro da FGV Agro fechou o ano com uma leve retração de 0,1%, só que por dentro a história foi bem desigual. Bebidas apanharam o ano inteiro e caíram 2,6%, com alcoólicas recuando 4,7% e não alcoólicas 0,3%, enquanto alimentos cresceram 1,5% e os de origem animal subiram 3% puxados por carnes bovina, suína e de aves, com laticínios e pescados também avançando. Do lado vegetal, a turma fechou 2025 em queda de 0,9% com arroz, café e refino de açúcar pesando, e nos não alimentícios a retração de 1,3% veio do tombo de 18,6% nos biocombustíveis, com etanol de cana caindo com força e o resto fazendo o possível pra segurar o rojão.

Falando em cana, o açúcar do Brasil acelerou no volume e deixou o preço fazendo cara feia. Nos 13 dias úteis de fevereiro, a média diária exportada de açúcar e melaços ficou 51,8% acima de fevereiro de 2025, com 138,5 mil toneladas por dia útil e 1,8 milhão de toneladas no acumulado. Só que o preço caiu 22,4% e foi pra US$ 370,6/t, e aí entra aquela matemática que tá virando recorrente: embarca mais, mas vale menos. Mesmo assim, a receita média diária subiu 17,7% e chegou a US$ 51,34 milhões, com faturamento acumulado de US$ 667,39 milhões.

Nas proteínas, a carne suína tá com ritmo mais forte na receita, mesmo com o preço dando uma escorregada de leve. Até a 3ª semana de fevereiro de 2026, as exportações somaram US$ 206,94 milhões, enquanto fevereiro de 2025 inteiro fechou em US$ 253,43 milhões, e a média diária agora tá em US$ 15,92 milhões contra US$ 12,67 milhões no ano passado. Em volume, foram 83 mil toneladas embarcadas até a 3ª semana, e o preço médio ficou em US$ 2.490,70/t, recuo de 0,6% frente a fevereiro de 2025, quando bateu US$ 2.506,20/t.

E pra amarrar o calendário da safra, a soja tá andando, só não tá no ritmo que o milho queria. A AgRural disse que a colheita da safra 2025/26 chegou a 30% da área até quinta-feira (19), com avanço de 9 pontos na semana, mas ainda bem abaixo dos 39% dessa mesma época do ano passado. O índice também tá no limite pra essa fase desde 2020/21, com plantio mais tarde, ciclo alongado e chuva atrapalhando a colheita em várias regiões, e esse gargalo já começa a olhar de lado pro relógio da 2ª safra.

DE OLHO NO PORTO

Adivinha quem se deu bem com as novas tarifas dos EUA

GIF: by identity on Giphy

A nova tarifa global de 15% dos Estados Unidos, que veio pra substituir o tarifaço que foi derrubado pela Suprema Corte de lá, tá pra entrar em vigor na terça-feira (24) e, no meio desse troca-troca de tarifa, o Brasil apareceu como o principal beneficiado do ajuste. Um levantamento da Global Trade Alert estima que a tarifa média aplicada aos produtos brasileiros no mercado americano deve cair 13,6 pontos percentuais, a maior redução entre os países analisados. China vem depois com queda de 7,1, Índia 5,6, Canadá 3,3 e México 2,9.

A mágica não tá em tarifa virar zero, e sim em tarifa parar de ser castigo seletivo. O estudo mostra o que a gente já sabe: antes da mudança, uma parte grande das exportações brasileiras encarava umas sobretaxas meio bem altas, até abusivas, e que em alguns casos chegavam a 40%. Com a regra nova, a tarifa média efetiva pros produtos do Brasil deve ficar em torno de 12,8%, ainda dói, mas pelo menos não é mais aquele pedágio que faz a viagem ser cancelada de tão caro.

Na sexta-feira (20), quando a tarifa anunciada era de 10% e ainda não tinha subido pra 15% no fim de semana, o vice-presidente Geraldo Alckmin disse que o Brasil não deve perder competitividade porque a alíquota vale pra todo mundo, então a desvantagem específica some. Ele também deu o papo de que a decisão da Suprema Corte americana tende a aumentar o fluxo comercial bilateral e colocou na roda mel, café solúvel e algumas frutas, que vinham enfrentando uma série de barreiras e tarifas cumulativas de até 50%, e que agora podem voltar a ganhar um espacinho no mercado gringo.

CAMPO CONECTADO

Aplicativo de gestão de rebanho pra quem cansou de fazer no achismo

Foto: Felipe Rosa

A Embrapa Pecuária Sul resolveu dar uma mão pra quem vive de boi e tá cansado de tomar decisão no escuro, decidindo tudo no chute. Junto com a Inovatechl, a empresa lançou o Simulador Pecuaria.io, uma ferramenta gratuita que roda no computador ou no celular e deixa o pecuarista brincar de “e se” com o próprio rebanho, comparando cenários, projetando indicadores zootécnicos e planejando investimento, fazendo tipo um test drive antes de botar a decisão em prática mesmo. A promessa é simples e boa, transformar gestão de gado em coisa previsível, sem precisar adivinhar no feeling e depois culpar o clima, o amigo, o vendedor.

O pesquisador Vinicius Lampert diz que a ideia nasceu como um sistema de apoio pra toda decisão que tem que ser feita, com indicador zootécnico e econômico traduzindo dado complicado de um jeito que todo produtor consegue entender. Por enquanto, o foco tá em rebanhos estabilizados em sistema de ciclo completo, do nascimento ao abate, aquele esquema fechado em que a fazenda se equilibra com nascimentos, mortes e vendas sem precisar comprar gado de fora. E já tem continuação anunciada, em breve sai uma versão específica pra sistemas de cria, pra quem vive de bezerro e quer parar de dar tiro no escuro.

Na prática, o simulador estima coisas como quilos de peso vivo por hectare e taxa de desfrute a partir dos parâmetros que o usuário coloca, e aí vem a parte boa, ele mostra o efeito de cada escolha sem precisar pagar o preço em tempo real. Dá pra simular produtividade com taxa de desmame, mortalidade, idade de monta, idade de venda e lotação por hectare, comparar cenários pra ver quanto precisa investir pra chegar na meta, fazer simulação de sensibilidade pra descobrir qual variável entrega mais retorno, dimensionar rebanho e área e ainda gerar tabelas comparando produção por hectare e taxa de desfrute em combinações diferentes.

MENTES QUE GERMINAM

Tá saindo da porteira o Novo Agro

GIF: Giphy

Saiu ontem (23) um estudo chamado Novo Agro, feito pela Estúdio Eixo em parceria com a Zygon Digital, e que diz que o agronegócio brasileiro não cabe mais só como um setor isolado, já passou faz tempo da porteira e hoje mexe com consumo, linguagem, identidade e cultura no país inteiro, não só no interior. A pesquisa juntou desk research, análise semiótica, netnografia de mais de 100 mil comentários em redes sociais e entrevistas com gente de agro, tech, moda e música pra mostrar como o agro tá mandando em estilo de vida, valores e práticas culturais.

Pra explicar esse boom e a mistureba de influências, o estudo separa os códigos culturais em 3 camadas. Tem o AgroRaiz, com fé, família, trabalho e a masculinidade raiz, tem o AgroStyles, com AgroTech, AgroPop e AgroLuxo misturando tradição, tecnologia e cosmopolitismo, e tem o AgroFuture, com sustentabilidade (GreenTech) e protagonismo feminino (FeminAgro). A ideia é que não existe mais um produtor padrão, tem do cara que pilota drone ao vaqueiro pop que combina bota texana com grife internacional, e as marcas que quiserem entrar nesse universo precisam traduzir esses códigos em estratégia consistente, não em ação pontual de última hora.

E onde isso aparece na vida real, a pesquisa vai listando os sinais. O sertanejo tá no topo de todas as paradas, com 7 em cada 10 brasileiros ouvindo o gênero e 9 dos 10 álbuns mais ouvidos no país sendo sertanejos. Já tem mais de 1 mil rodeios por ano, que movimentam mais de R$ 9 bilhões e juntam de 9 milhões de pessoas. Ainda tem Agrishow com R$ 14,6 bilhões em negócios e 197 mil visitantes, tem picape premium crescendo 74% e a RAM ganhando status de carro oficial do agro de luxo, e tem moda com buscas explodindo, crescimento de 379% pra botas western e 265% pra camisas com franja.

No FeminAgro, o estudo fala em mais de 1 milhão de produtoras no país e 30 milhões de hectares de terras sob o comando de mulheres, com crescimento de 109% na participação delas nos empregos formais. Sem falar do protagonismo das AgroPatys e AgroPeoas que tá crescendo bastante, inclusive como influencers em redes sociais.

PLANTÃO RURAL

  • Agrotis cruza a fronteira. A Agrotis, desenvolvedora de softwares paranaense com 35 anos só de agro, vai abrir unidade no Paraguai seguindo os próprios clientes. Em 2025, fez R$ 70,6 milhões, alta de 19,6%, e mira R$ 100 milhões em 2027, com crescimento médio de quase 24% ao ano, aquele cálculo de engenheiro que não promete lua.

  • Brasil e Índia se unem no etanol. As usinas Unica (BR) e Isma (Índia) assinaram um memorando pra cooperação técnica e regulatória, com foco em harmonizar contabilização de carbono. No Brasil, o RenovaBio paga conforme redução de emissões, via RenovaCalc da Embrapa. Na Índia, a mistura já tá em 20% de etanol na gasolina, depois de subir 18 pontos em 10 anos.

  • Europa subiu o tom. A Comissão Europeia cobrou que os EUA cumpram o acordo comercial do ano passado e pediu clareza depois do vai e vem de tarifas anunciado por Trump. Bruxelas resumiu na frase “um acordo é um acordo” e disse que imprevisibilidade derruba confiança. Pelo Global Trade Alert, a UE pode ficar em média 0,8 ponto percentual pior, com a Itália levando 1,7 a mais.

  • Klabin com grana pra inovação. O BNDES aprovou R$ 122,55 milhões pra Klabin via BNDES Mais Inovação, com projetos até 06/2027 em Telêmaco Borba (PR) e Otacílio Costa (SC). Do total, R$ 41,1 milhões vão pra P&D florestal, incluindo melhoramento genético de eucalipto e pínus, manejo de pragas e adaptação a clima adverso.

  • Abelha conectada, cheque assinado. A Ubees captou US$ 9 milhões, cerca de R$ 45 milhões, numa Série A pra expandir polinização de precisão na América Latina, mirando México, Colômbia e Brasil. Desde 2023, implantou mais de 2 mil colmeias conectadas na Colômbia e treinou mais de 300 agricultores. Em abacate, a empresa cita ganhos de 30% a 50% de rendimento.

  • Explosão em silo no interior de SP. Uma explosão atingiu um silo da Coopermota em Cândido Mota (SP) no domingo (22), após superaquecimento de esteiras. 1 vítima foi levada em estado grave pra Assis (SP) e outras 4 pro pronto-socorro municipal. A cooperativa disse que a explosão foi numa área subterrânea e propagou pra regiões adjacentes. As causas seguem em investigação.

  • Piscicultura com anuário novo. A PEIXE BR lança hoje (24) às 15h a 10ª edição do Anuário Brasileiro da Piscicultura, com transmissão ao vivo. O material traz dados atualizados de produção, consumo, tecnologia e oportunidades do setor, além de um apanhado dos principais acontecimentos de 2025 e leitura do cenário pros próximos anos.

SE DIVERTE AÍ

Hoje o desafio é o Contexto, aquele jogo em que você tenta adivinhar a palavra secreta chutando termos e vendo o quão perto tá pelo sentido, não pelas letras. Vale começar com palavras do agro tipo soja, boi, clima, crédito, fertilizante e ir afinando até chegar na resposta. Joga aí, testa seu dicionário e depois conta quantos chutes você precisou pra matar a charada.

VIVENDO E APRENDENDO

Resposta da edição passada: Amendoim

Pergunta de hoje: Qual tubérculo africano ajudou a combater a fome no Brasil colonial e até hoje é base da culinária nordestina?

A resposta você fica sabendo na próxima edição!

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