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Bom dia!
Sexta-feira é noite de show, e o agro amanheceu disputando palco. A cota premium que a Europa fechou para a carne brasileira já tem preço, e os vizinhos já cobram mais caro por ela. O biológico está subindo em mais palcos do que o faturamento acompanha. E duas gigantes do defensivo trocaram o cenário, uma delas dividindo o camarim com um sócio novo. Descendo o dedo tem mais te esperando.
Pra você fechar a semana bem informado.
Por Luciana Stival
TÁ QUANTO?
Os dados são publicados por BCB e Brapi.
As variações são calculadas em % diária e %YTD (Year to date)
O juro futuro subiu de novo com o Treasury americano e o petróleo, e a eleição entrou no preço. Para o agro, esse prêmio de risco chega antes no custo do dinheiro com prazo do que em qualquer decisão do Copom.
NAS CABEÇAS DO AGRO
A Basf mudou a planta, e a FMC alugou um quarto

Fonte: Globo Rural
Duas das empresas que vendem defensivo para a sua lavoura mexeram na própria casa nesta semana, e nenhuma das duas foi pela porta da frente do preço. A Basf separou o Brasil do resto da América Latina na divisão agrícola e pôs Marcelo Batistela no comando daqui, numa planta nova que vale a partir de 1º de janeiro de 2027 e que a Basf apresenta como passo para a divisão agrícola virar negócio independente, só de agricultura. É a mesma divisão que já tinha escalado bancos para ir à bolsa, como já contamos aqui.
A FMC carrega uma dívida de uns US$ 4 bilhões e, em fevereiro, dizia avaliar a venda da empresa inteira. Nesta semana, concluiu a venda de um quinto do próprio capital à belga Tessenderlo, por US$ 403 milhões, e o novo sócio já indicou o próprio presidente para o conselho. Em fevereiro a conversa era vender a casa. Nesta semana, o que saiu foi um quarto alugado, e o inquilino já tem cadeira reservada à mesa.
O contrato do inquilino é amarrado. São três anos sem poder vender as ações e, passado esse prazo, ainda sem repassar a concorrente da FMC nem a investidor ativista.
Na prateleira desta safra nada muda. A planta nova da Basf só vale em janeiro, e o sócio novo da FMC chega com as mãos amarradas por contrato.
MENTES QUE GERMINAM
O biológico ganhou palco mais rápido que cachê

Fonte: Giphy
A segunda voz da lavoura ganhou agenda neste ano. A área tratada com bioinsumos no país chegou a 46 milhões de hectares no primeiro semestre, 18% a mais que um ano antes, enquanto as vendas cresceram 9,6%, para R$ 1,82 bilhão, pela conta da CropLife Brasil.
É a área andando quase no dobro do ritmo do faturamento, e a leitura da própria CropLife é que o biológico está chegando a mais hectares combinado ao defensivo químico, no manejo integrado. É a segunda voz da dupla sertaneja, que sobe em cada vez mais palcos, ao lado da primeira, com o cachê crescendo mais devagar que a agenda. Onde isso aparece mais forte é no inoculante, que ganhou quase 40% de área e perdeu uns 21% de valor no semestre. E tem quem cante outra música: a Anpii Bio, que também reúne fabricantes, vê o valor das vendas parado no semestre.
A agenda ainda depende de papel. O registro de produto novo ficou mais lento, com prazo médio maior que o do ano passado, e o decreto que regulamenta a Lei dos Bioinsumos é esperado pelo setor nas próximas semanas, sem data marcada.
Para quem fabrica, a agenda lotou mais rápido que o caixa. Para quem aplica, o biológico está entrando na lavoura ao lado do químico.
O AGRO EM NÚMEROS
Mais gente na fila do consórcio, menos gente chegando

Fonte: Agrolink
Entrar num grupo de consórcio para trocar a máquina esfriou em 2026. De janeiro a agosto, a venda de cotas novas de veículos pesados, mercado em que a máquina agrícola responde por metade na estimativa da ABAC, caiu 6,6%, e o crédito comercializado para máquinas também encolheu.
Acontece que a fila não diminuiu. O número de consorciados de máquinas cresceu em um ano, e as contemplações ficaram praticamente iguais. É padaria cheia em que entra menos gente nova pegando senha, e quem já estava lá continua esperando a vez.
Na leitura do economista André Galhardo Fernandes, estoque crescendo com adesão caindo pode significar menos grupo novo se formando lá na frente, e a máquina importada mais barata pode estar mudando o jeito de renovar a frota.
E o número é de intenção, não de trator na garagem. Carta contemplada é potencial de compra, não venda feita, e o dado é da associação das próprias administradoras.
HORA DO CAFÉ
O recorde do café saiu no replay

Fonte: Giphy
Quem ainda tem café para vender esperava um número grande da Conab, e ele veio. A estatal estimou a safra 2026 em 67,6 milhões de sacas, quase 20% acima da anterior e o maior resultado da série dela, com a colheita praticamente feita. Quem puxou foi o arábica; o conilon veio menor.
O mercado assistiu como quem vê gol no replay. No dia, o arábica para dezembro em Nova York caiu 0,2%, e a leitura de Gil Barabach, da Safras & Mercado, é que as projeções já convergiam para o recorde, então pouca coisa mudou.
O detalhe é que a própria Conab não espera tombo no preço por causa do recorde. A pressão é para baixo, mas sem queda forte, com estoque baixo e demanda mundial em alta segurando a outra ponta.
O placar desta safra está fechado, e o preço já sabia dele. O que ainda não passou no replay é o El Niño, que a Conab põe como fator de atenção para a produção de café em vários países neste ciclo.
DE OLHO NO PORTO
Vai faltar trigo? Quem disse?

Fonte: CNN Brasil
Desta vez, quem pede mais trigo de fora é quem compra. A Abitrigo, a associação dos moinhos, avalia que o Brasil pode precisar importar perto de 9 milhões de toneladas no ciclo 2026/27, acima da projeção inicial de 7,5 milhões, diante das perdas da safra com o clima.
É a cozinha da pensão abrindo a despensa, vendo a horta encharcada e avisando que vai ter de comprar na cidade vizinha. E a despensa confere com o que se vê fora dos moinhos. O Deral cortou a safra do Paraná em 10%, e a chuva já tira qualidade do grão no Paraná, com a colheita perto da metade, e já preocupa no Rio Grande do Sul, onde ela mal começou.
Comprar fora também tem preço. A própria Abitrigo lembra que a demanda extra vai buscar trigo nas mesmas origens, numa janela curta e mais exposta a frete, seguro, câmbio e diesel, e a Rússia só ajuda até onde as regras sanitárias do Mapa deixam.
Quem colhe grão bom no Sul vai encontrar o moinho do outro lado do balcão procurando oferta. Para quem faz farinha, o trigo mais valorizado já é custo maior.
A CONTA DA LAVOURA
O mesmo carrinho de milho passou mais caro no caixa

Fonte: Giphy
Fechar a compra de insumo do milho da safra 2026/27 em Mato Grosso ficou bem mais caro do que no ano passado. O Imea estimou o custeio em R$ 3.780,59 por hectare, quase 14% acima da safra anterior.
É o mesmo carrinho passando no caixa com o total maior, e o item que mais subiu foi o defensivo, 23% mais caro em um ano, na frente da semente e do adubo, que subiram uns 9% cada.
O susto é anual, não do mês, porque de julho para agosto o custeio praticamente não se mexeu. E a conta é de Mato Grosso, não do Brasil. O milho não está sozinho na fila do caixa, a soja da mesma safra já passou o custeio consolidado da anterior, e o algodão precisa de uns R$ 120 por arroba só para cobrir o custo operacional efetivo.
O custo já está na conta do Imea. O preço que o milho vai valer, ainda não.
PLANTÃO RURAL
O veto europeu à carne brasileira já tem preço na Cota Hilton: o bloqueio pode custar mais de US$ 100 milhões em vendas na Cota Hilton até 2027/28 no pior cenário, pela conta da Abiec, com argentinos e uruguaios já cobrando mais caro, segundo a indústria.
O CNJ mandou cancelar R$ 4,7 bilhões em precatórios de usinas ligadas ao Banco Master: os 16 precatórios, contestados pela AGU por terem saído antes do fim do processo, são a ponta de uma disputa que a própria AGU estima em cerca de R$ 145 bilhões no STF.
Os contratos para comprar terra quase dobraram no Sul: o crédito fundiário passou de 191 para 383 contratos entre 2024 e 2025, com o dinheiro liberado subindo 179% e mais de 500 propostas ainda na fila.
O etanol de milho pode chegar a um terço da produção dois anos antes do previsto: a StoneX projeta a fatia já em 2027/28, com quase 3 bilhões de litros a mais procurando comprador enquanto a mistura na gasolina segue em definição.
O bezerro está custando ao terminador mais arroba do que em quase cinco anos: são 9,7 arrobas de boi gordo paulista por bezerro de Mato Grosso do Sul na parcial de setembro, pela conta do Cepea, a pior troca desde outubro de 2021.
Exportador e indústria estão disputando o mesmo arroz no Rio Grande do Sul: o indicador Cepea/Irga subiu 4,5% em setembro até o dia 22, a R$ 81,90 a saca, com a briga mais forte perto do porto de Rio Grande e o produtor resistindo a vender.
O suíno paranaense está sendo vendido abaixo do custo: o produtor recebeu R$ 5,31 o quilo em agosto, quase 11% abaixo do custo de R$ 5,96, pela conta da Embrapa Suínos e Aves, e um quarto a menos que um ano antes.
A produção florestal bateu o maior valor da série do IBGE: chegou a R$ 47,9 bilhões em 2025, puxada pela silvicultura do eucalipto, em valores correntes, sem desconto da inflação.
DIVIRTA-SE
Cada rodada mostra uma moeda, às vezes só o símbolo, e quatro países disputam ser o dono dela. O peso, o dólar e a coroa aparecem em meio mundo, e é aí que o chute que parecia fácil emperra. Entre no Adivinhe a Moeda e veja quantos países você acerta por trás de cada símbolo.
VIVENDO E APRENDENDO
Resposta da edição passada: cana bisada é a cana que fica em pé no campo sem ser colhida e passa para a safra seguinte, quando a chuva ou o atraso da moagem não deixam cortar a tempo.
Pergunta de hoje: o que é o georreferenciamento de um imóvel rural?
A resposta você confere na próxima edição!
