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Bom dia!
Sexta de feriadão é dia de encher o tanque e cair na estrada, então pega o café que em cinco minutinhos você está pronto pra viajar. O diesel que o Brasil importa para o plantio chega quase todo de um fornecedor só, e a agência de energia abriu a reserva. Na carreta ao lado, o sorgo que ninguém embarcava virou carga cheia para a China. Na lavoura que passa pela janela, a SLC tirou o milho do time e botou o algodão no gramado irrigado. E no caixa do posto, o crédito da safra veio mais curto, e quem anotou o fiado já passou a caderneta adiante. Descendo a página tem mais.
Pra você entrar no feriado sabendo quem vai cobrar a conta quando voltar.
Por Luciana Stival
TÁ QUANTO?
Os dados são publicados por BCB e Brapi.
As variações são calculadas em % diária e %YTD (Year to date)
O índice que corrige muito contrato de arrendamento acelerou forte em setembro, puxado por soja, milho e energia. Quem tem contrato corrigido por ele vê a conta subir no próximo reajuste, e vale olhar se a correção é em reais ou em sacas.
NAS CABEÇAS DO AGRO
Todo mundo quer escalar o algodão, mas SLC mostra o preço do passe

Fonte: Giphy
A pluma passou dos 90 centavos de dólar por libra-peso em Nova York este ano, depois de dois anos andando de lado, e virou o jogador que todo técnico quer na segunda safra. A StoneX já espera mais área plantada no Brasil no próximo ciclo, e em Mato Grosso quem compra fibra diz que a conta contra o milho virou desde o plantio passado.
A SLC já mexeu no time: amplia a segunda safra da cultura, e o milho vai pro banco. Só que ela mostra o que o passe custa. O hectare de algodão sai por R$ 13 mil, o do grão por R$ 4,5 mil, e na SLC ele cresce em cima da área irrigada, num projeto de irrigação pago em parte com dinheiro levantado com o BTG. Craque é assim: cobra caro e pede gramado regado.
E tem a letra miúda da StoneX: mais lavoura, menos colheita, porque a safra que acabou rendeu acima do normal, e a base de comparação ficou alta.
Fica você entre um preço que chama o algodão e um contrato que pede água e caixa.
ASSUNTO DE GABINETE
O milho safrinha mora de aluguel, e o contrato vence em janeiro

Fonte: Globo Rural
A margem do milho safrinha empatou com a do ano passado, e quem segurou a conta foi o preço, não a lavoura: nas fazendas que a Aegro acompanha, a produtividade caiu e a saca subiu.
Esse preço, como já contamos aqui, é cada vez mais a usina de etanol quem faz. A Hedgepoint projeta 34 milhões de toneladas de milho virando combustível em 2026/27, e a StoneX vê o mundo com o menor estoque de milho em dez anos, em relação ao consumo, com o Brasil consumindo mais grão dentro de casa. Inquilino bom: paga em dia e ainda pede mais espaço.
Mas o contrato tem data. A mistura de 32% de etanol na gasolina, que sustenta essa demanda, vence em janeiro de 2027, com uma prorrogação possível. O mercado aposta que renova com qualquer presidente; Flávio Bolsonaro já disse que quer rediscutir a mistura, e a Hedgepoint admite que, se ela recuar, a conta do milho para etanol se refaz.
Você não assina essa renovação. O que você assina é a data de plantio: semear a safrinha até 15 de fevereiro rendeu de 15 a 25 sacas por hectare a mais, e a soja que entra agora é quem marca esse dia.
POR DENTRO DO MERCADO
O arroz barato cortou quase metade do lucro da Camil

Fonte: AGFeed
Para quem plantou arroz, o inverno foi de preço baixo, e para quem compra esse arroz também: a Camil fechou o trimestre de junho a agosto com lucro líquido 47,5% menor que um ano antes, e põe a conta na matéria-prima barata, sobretudo o grão que dá nome à marca. O volume de grãos até cresceu, mas o açúcar caiu e o preço do arroz ficou no chão; o que rendeu foi café, pescado, biscoito e massa. A panela do básico ficou cheia e no fogo baixo, e quem segurou a casa foi o cafezinho.
O detalhe é que o fogo mudou em setembro. A saca no Rio Grande do Sul subiu 8,8% pelo Cepea, com produtor segurando o grão e indústria disputando o que aparecia, e a própria Camil viu sinais de retomada no fim do trimestre.
Acontece que outubro começou travado: parte dos compradores deu um passo atrás, negócios foram adiados e a cotação quase não saiu do lugar na primeira semana. E a oferta nova encolhe: a chuva limitou o plantio gaúcho, e o Irga prevê área 3,4% menor na safra 2026/27.
A CONTA DA LAVOURA
Vendedor de adubo está no soro do BNDES, e o potássio novo só chega em 2028

Fonte: Giphy
Que o adubo subiu, você já sentiu no pedido. O que é novo é o outro lado do balcão: quem vende fertilizante também está pedindo socorro. Até 1º de outubro, 62 empresas do setor pediram R$ 2,9 bilhões ao BNDES no Brasil Soberano, quase o triplo do que tinham pedido até junho, com os maiores pedidos em nome da Mosaic e da Fertipar (a Mosaic diz que ainda não formalizou o dela) e a maior parte vinda das misturadoras, atrás de capital de giro para não parar de produzir. A Mosaic já tinha parado, em parte ou por um tempo, cinco plantas em julho, em meio à alta do enxofre, que quase triplicou de preço com a guerra no Irã.
A conta que levou a indústria ao soro é a mesma que você fez no pátio. Pela StoneX, no pior momento da guerra uma tonelada de ureia custou 75 sacas de milho, o dobro das 37 de antes, e fábricas de superfosfato simples pararam no Brasil porque não aguentaram o custo.
E a vacina? Tem dona e tem data: a BHP, maior mineradora do mundo, constrói no Canadá o que espera ser a maior mina de potássio do planeta e conta o Brasil, que importa 96% do potássio que usa, entre os clientes principais. Por enquanto, a produção só começa em meados de 2027, nenhum contrato foi assinado, e as primeiras cargas nos portos brasileiros só são viáveis em 2028.
Quem compra adubo para 2027/28 encontra o fornecedor na fila do pronto-socorro, e o remédio novo chega uma safra depois.
MENTES QUE GERMINAM
Etanol de sobra? A JetBio quer virar diesel, e o navio quer encher o tanque

Fonte: TheAgriBiz
A JetBio, do mesmo grupo da FS, contou à AgriBiz que achou um copo novo para esse etanol: a planta de US$ 2 bilhões em Paulínia, anunciada como a maior de SAF do mundo, vai poder transformar etanol em diesel renovável, com tecnologia da Honeywell que ninguém tinha usado para isso. É a mesma planta: o contrato de venda decide se sai combustível de aviação ou diesel, e o diesel tem um mercado cinco vezes maior, que entra em caminhão, navio e máquina de mina sem mexer no motor. Para quem vende etanol, o que importa é o tamanho do freguês: 1,8 bilhão de litros por ano, o maior comprador individual do país, com a FS originando.
Na porta do bar tem mais gente. Pela SCA Brasil, a navegação pode adotar etanol antes da aviação: testes com etanol puro deram certo, Vale e Maersk testam biocombustível em embarcações, e 10% do combustível dos navios do mundo daria perto de 30 bilhões de litros de demanda, perto de 70% da safra de etanol do Brasil.
A conta vem junto. O diesel renovável vai custar mais que o fóssil, a JetBio só fecha contrato de venda depois de saber o custo, a decisão final de investir fica para março de 2027, e a produção começa em 2030; na navegação, a SCA pede regra clara, meta e investimento em porto.
A CONTA CHEGOU
Banco cortou 30% do crédito da safra, e o fiado passou para a revenda

Fonte: Giphy
A safra está no chão, e o banco pagou bem menos dela. De julho a setembro, as linhas tradicionais de crédito rural liberaram R$ 80 bilhões, quase 30% menos que um ano antes, com queda em toda modalidade e em todo porte, e os grandes levando o corte maior. A área financiada, no entanto, cresceu. Com que dinheiro? Recurso próprio e CPR, que em julho e agosto passou de R$ 32 bilhões, custa mais que o crédito rural e fica fora da renegociação e da recuperação judicial.
E a renegociação que ia limpar a caderneta? Pela MP, menos de R$ 6 bilhões foram renegociados até o começo da semana, de um potencial de R$ 120 bilhões, e a Aprosoja prevê recorde de inadimplência até vir uma medida que alcance a maioria dos que precisam renegociar. A Opea, securitizadora que administra 1,3 mil operações de crédito, vê o pico das recuperações judiciais entre o fim deste ano e o começo de 2027, porque as dívidas renegociadas nos últimos anos estão voltando a vencer; no campo, 1.263 produtores estavam em recuperação judicial no primeiro semestre, 66% mais que um ano antes, com safra recorde. O juro cai, mas, na conta da Opea, o alívio ainda não chegou.
Quem vende insumo a prazo já percebeu e passou a caderneta adiante. O Grupo Ceres criou um braço que compra o recebível da indústria e assume o calote, R$ 100 milhões no primeiro mês, e quem conta é quem vende o serviço.
Para quem assinou o fiado desta safra, o cobrador mudou de nome, e a conta velha vence antes do juro novo.
PLANTÃO RURAL
O ovo brasileiro achou o Chile depois que os Estados Unidos sumiram: a exportação cresceu 29,4% em setembro, mas o acumulado do ano cai 34,1% porque o comprador americano da gripe aviária de 2025 não voltou.
O sorgo saiu de 105 toneladas para 791 mil exportadas em um ano, quase tudo para a China: o line-up da Anec já programa 1,44 milhão de toneladas só para outubro, programação que não se compara ao embarque feito.
Trump mandou ao produtor americano o maior cheque de proteção de renda desde 2014: o USDA paga US$ 13,8 bilhões pelos programas de risco e preço de 2025, às vésperas das eleições de meio de mandato, com o Meio-Oeste insatisfeito com a guerra no Irã e com a guerra comercial.
Três de cada quatro litros de diesel importado vêm dos EUA, e a AIE acelera a liberação do estoque de emergência: o Brasil importou 26,7% menos diesel em setembro, com o russo caindo 84,3%, enquanto Ormuz voltou a reduzir o fluxo de navios e o país depende de importação para cerca de 30% do que queima.
A associação do bioinsumo feito na fazenda fechou antes de a regra sair: a Abbins encerrou as atividades, e os associados vão se unir ao GAAS, com a regulamentação da Lei de Bioinsumos travada na Casa Civil e empresas cogitando investir menos.
A Moratória da Soja saiu do Cade sem veredito, e a Aprosoja-MT saiu com multa: o tribunal do Cade rejeitou os embargos da associação e manteve o arquivamento, em cumprimento à decisão do STF de agosto que declarou a moratória compatível com a Constituição.
O Engeo Pleno S voltou à prateleira por liminar, semanas depois de sair: a Justiça Federal do DF deu dez dias úteis para a comissão recursal reavaliar a troca do cancelamento por multa, sem afastar a infração de 2021 nem o uso do estoque já vendido.
A NOAA dá 83% de chance ao El Niño mais forte desde 1950, e a StoneX olha para o Cerrado: a StoneX vê calor com pouca chuva para soja e milho no Cerrado e no Matopiba e calor para o café em novembro e dezembro, enquanto o Sul tende a chuva acima da média.
DIVIRTA-SE
Hoje o jogo é o Anagramania, do Racha Cuca: quinze palavras embaralhadas, cada uma com uma ou duas letras de dica, e você digita a certa no campo lá em cima. OLOG vira LOGO num segundo e fica verde; aí chega TOÇICOR, com R-T-I no meio, e você trava olhando a tela. Até quantas você vai antes de empacar?
VIVENDO E APRENDENDO
Resposta da edição passada: TEU é a unidade que mede o movimento de contêineres num porto, equivalente a um contêiner padrão de 20 pés, uns seis metros; um contêiner de 40 pés conta como dois TEUs.
Pergunta de hoje: o que é o SAF, que aparece sempre que se fala de etanol para avião?
A resposta você confere na próxima edição!
