APRESENTADO POR

Bom dia!

Sexta de feriadão é dia de encher o tanque e cair na estrada, então pega o café que em cinco minutinhos você está pronto pra viajar. O diesel que o Brasil importa para o plantio chega quase todo de um fornecedor só, e a agência de energia abriu a reserva. Na carreta ao lado, o sorgo que ninguém embarcava virou carga cheia para a China. Na lavoura que passa pela janela, a SLC tirou o milho do time e botou o algodão no gramado irrigado. E no caixa do posto, o crédito da safra veio mais curto, e quem anotou o fiado já passou a caderneta adiante. Descendo a página tem mais.

Pra você entrar no feriado sabendo quem vai cobrar a conta quando voltar.


Por Luciana Stival

TÁ QUANTO?

MERCADO valor % dia % YTD
IBOVESPA (B3) R$206.220,23 0,94% 27,99%
IFIX R$3.949,64 -0,14% 4,52%
KEPL3 R$7,44 3,05% -24,39%
TTEN3 R$12,98 3,10% -21,33%
SMTO3 R$19,81 -2,27% 31,02%
VCRA11 R$56,98 1,66% -10,13%
CRAA11 R$95,20 -0,69% -0,70%
Ethereum US$2,471.12 -3,87% -17,29%
Bitcoin US$81,662.84 -1,95% -7,56%

Os dados são publicados por BCB e Brapi.
As variações são calculadas em % diária e %YTD (Year to date)

O índice que corrige muito contrato de arrendamento acelerou forte em setembro, puxado por soja, milho e energia. Quem tem contrato corrigido por ele vê a conta subir no próximo reajuste, e vale olhar se a correção é em reais ou em sacas.

NAS CABEÇAS DO AGRO

Todo mundo quer escalar o algodão, mas SLC mostra o preço do passe

Fonte: Giphy

A pluma passou dos 90 centavos de dólar por libra-peso em Nova York este ano, depois de dois anos andando de lado, e virou o jogador que todo técnico quer na segunda safra. A StoneX já espera mais área plantada no Brasil no próximo ciclo, e em Mato Grosso quem compra fibra diz que a conta contra o milho virou desde o plantio passado.

A SLC já mexeu no time: amplia a segunda safra da cultura, e o milho vai pro banco. Só que ela mostra o que o passe custa. O hectare de algodão sai por R$ 13 mil, o do grão por R$ 4,5 mil, e na SLC ele cresce em cima da área irrigada, num projeto de irrigação pago em parte com dinheiro levantado com o BTG. Craque é assim: cobra caro e pede gramado regado.

E tem a letra miúda da StoneX: mais lavoura, menos colheita, porque a safra que acabou rendeu acima do normal, e a base de comparação ficou alta.

Fica você entre um preço que chama o algodão e um contrato que pede água e caixa.

ASSUNTO DE GABINETE

O milho safrinha mora de aluguel, e o contrato vence em janeiro

Fonte: Globo Rural

A margem do milho safrinha empatou com a do ano passado, e quem segurou a conta foi o preço, não a lavoura: nas fazendas que a Aegro acompanha, a produtividade caiu e a saca subiu.

Esse preço, como já contamos aqui, é cada vez mais a usina de etanol quem faz. A Hedgepoint projeta 34 milhões de toneladas de milho virando combustível em 2026/27, e a StoneX vê o mundo com o menor estoque de milho em dez anos, em relação ao consumo, com o Brasil consumindo mais grão dentro de casa. Inquilino bom: paga em dia e ainda pede mais espaço.

Mas o contrato tem data. A mistura de 32% de etanol na gasolina, que sustenta essa demanda, vence em janeiro de 2027, com uma prorrogação possível. O mercado aposta que renova com qualquer presidente; Flávio Bolsonaro já disse que quer rediscutir a mistura, e a Hedgepoint admite que, se ela recuar, a conta do milho para etanol se refaz.

Você não assina essa renovação. O que você assina é a data de plantio: semear a safrinha até 15 de fevereiro rendeu de 15 a 25 sacas por hectare a mais, e a soja que entra agora é quem marca esse dia.

POR DENTRO DO MERCADO

O arroz barato cortou quase metade do lucro da Camil

Fonte: AGFeed

Para quem plantou arroz, o inverno foi de preço baixo, e para quem compra esse arroz também: a Camil fechou o trimestre de junho a agosto com lucro líquido 47,5% menor que um ano antes, e põe a conta na matéria-prima barata, sobretudo o grão que dá nome à marca. O volume de grãos até cresceu, mas o açúcar caiu e o preço do arroz ficou no chão; o que rendeu foi café, pescado, biscoito e massa. A panela do básico ficou cheia e no fogo baixo, e quem segurou a casa foi o cafezinho.

O detalhe é que o fogo mudou em setembro. A saca no Rio Grande do Sul subiu 8,8% pelo Cepea, com produtor segurando o grão e indústria disputando o que aparecia, e a própria Camil viu sinais de retomada no fim do trimestre.

Acontece que outubro começou travado: parte dos compradores deu um passo atrás, negócios foram adiados e a cotação quase não saiu do lugar na primeira semana. E a oferta nova encolhe: a chuva limitou o plantio gaúcho, e o Irga prevê área 3,4% menor na safra 2026/27.

A CONTA DA LAVOURA

Vendedor de adubo está no soro do BNDES, e o potássio novo só chega em 2028

Fonte: Giphy

Que o adubo subiu, você já sentiu no pedido. O que é novo é o outro lado do balcão: quem vende fertilizante também está pedindo socorro. Até 1º de outubro, 62 empresas do setor pediram R$ 2,9 bilhões ao BNDES no Brasil Soberano, quase o triplo do que tinham pedido até junho, com os maiores pedidos em nome da Mosaic e da Fertipar (a Mosaic diz que ainda não formalizou o dela) e a maior parte vinda das misturadoras, atrás de capital de giro para não parar de produzir. A Mosaic já tinha parado, em parte ou por um tempo, cinco plantas em julho, em meio à alta do enxofre, que quase triplicou de preço com a guerra no Irã.

A conta que levou a indústria ao soro é a mesma que você fez no pátio. Pela StoneX, no pior momento da guerra uma tonelada de ureia custou 75 sacas de milho, o dobro das 37 de antes, e fábricas de superfosfato simples pararam no Brasil porque não aguentaram o custo.

E a vacina? Tem dona e tem data: a BHP, maior mineradora do mundo, constrói no Canadá o que espera ser a maior mina de potássio do planeta e conta o Brasil, que importa 96% do potássio que usa, entre os clientes principais. Por enquanto, a produção só começa em meados de 2027, nenhum contrato foi assinado, e as primeiras cargas nos portos brasileiros só são viáveis em 2028.

Quem compra adubo para 2027/28 encontra o fornecedor na fila do pronto-socorro, e o remédio novo chega uma safra depois.

MENTES QUE GERMINAM

Etanol de sobra? A JetBio quer virar diesel, e o navio quer encher o tanque

Fonte: TheAgriBiz

A JetBio, do mesmo grupo da FS, contou à AgriBiz que achou um copo novo para esse etanol: a planta de US$ 2 bilhões em Paulínia, anunciada como a maior de SAF do mundo, vai poder transformar etanol em diesel renovável, com tecnologia da Honeywell que ninguém tinha usado para isso. É a mesma planta: o contrato de venda decide se sai combustível de aviação ou diesel, e o diesel tem um mercado cinco vezes maior, que entra em caminhão, navio e máquina de mina sem mexer no motor. Para quem vende etanol, o que importa é o tamanho do freguês: 1,8 bilhão de litros por ano, o maior comprador individual do país, com a FS originando.

Na porta do bar tem mais gente. Pela SCA Brasil, a navegação pode adotar etanol antes da aviação: testes com etanol puro deram certo, Vale e Maersk testam biocombustível em embarcações, e 10% do combustível dos navios do mundo daria perto de 30 bilhões de litros de demanda, perto de 70% da safra de etanol do Brasil.

A conta vem junto. O diesel renovável vai custar mais que o fóssil, a JetBio só fecha contrato de venda depois de saber o custo, a decisão final de investir fica para março de 2027, e a produção começa em 2030; na navegação, a SCA pede regra clara, meta e investimento em porto.

A CONTA CHEGOU

Banco cortou 30% do crédito da safra, e o fiado passou para a revenda

Fonte: Giphy

A safra está no chão, e o banco pagou bem menos dela. De julho a setembro, as linhas tradicionais de crédito rural liberaram R$ 80 bilhões, quase 30% menos que um ano antes, com queda em toda modalidade e em todo porte, e os grandes levando o corte maior. A área financiada, no entanto, cresceu. Com que dinheiro? Recurso próprio e CPR, que em julho e agosto passou de R$ 32 bilhões, custa mais que o crédito rural e fica fora da renegociação e da recuperação judicial.

E a renegociação que ia limpar a caderneta? Pela MP, menos de R$ 6 bilhões foram renegociados até o começo da semana, de um potencial de R$ 120 bilhões, e a Aprosoja prevê recorde de inadimplência até vir uma medida que alcance a maioria dos que precisam renegociar. A Opea, securitizadora que administra 1,3 mil operações de crédito, vê o pico das recuperações judiciais entre o fim deste ano e o começo de 2027, porque as dívidas renegociadas nos últimos anos estão voltando a vencer; no campo, 1.263 produtores estavam em recuperação judicial no primeiro semestre, 66% mais que um ano antes, com safra recorde. O juro cai, mas, na conta da Opea, o alívio ainda não chegou.

Quem vende insumo a prazo já percebeu e passou a caderneta adiante. O Grupo Ceres criou um braço que compra o recebível da indústria e assume o calote, R$ 100 milhões no primeiro mês, e quem conta é quem vende o serviço.

Para quem assinou o fiado desta safra, o cobrador mudou de nome, e a conta velha vence antes do juro novo.

PLANTÃO RURAL

DIVIRTA-SE

Hoje o jogo é o Anagramania, do Racha Cuca: quinze palavras embaralhadas, cada uma com uma ou duas letras de dica, e você digita a certa no campo lá em cima. OLOG vira LOGO num segundo e fica verde; aí chega TOÇICOR, com R-T-I no meio, e você trava olhando a tela. Até quantas você vai antes de empacar?

VIVENDO E APRENDENDO

Resposta da edição passada: TEU é a unidade que mede o movimento de contêineres num porto, equivalente a um contêiner padrão de 20 pés, uns seis metros; um contêiner de 40 pés conta como dois TEUs.

Pergunta de hoje: o que é o SAF, que aparece sempre que se fala de etanol para avião?

A resposta você confere na próxima edição!

PROGRAMA DE INDICAÇÃO

CONTATO

📧 Leitor: [email protected]

📧 Imprensa: [email protected]

Keep Reading

VOLTAR À PÁGINA INICIAL