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Bom dia!
Sábado de aviso vermelho no Sul é dia de ficar no galpão fazendo conta. Tem um pasto gaúcho onde a contagem do gado não bateu com o papel. O diesel da Petrobras, cuja defasagem passou do tamanho da subvenção, e ainda tem a conta do trigo, que pode vir mais de fora em 2027, além do adubo, que entra menos na lavoura enquanto a indústria jura que não falta. Descendo a tela tem mais.
Pra você fechar o fim de semana sem erro de conta.
Por Luciana Stival.
TÁ QUANTO?
Os dados são publicados por CEPEA-Esalq/USP Indicadores sob licença CC BY-NC 4.0. As variações são calculadas em % diária e %YTD (Year to date)
O preço do frete marítimo de contêiner subiu pela segunda semana seguida e chegou ao maior valor em quinze semanas, segundo a Drewry, puxado pelas rotas que saem da Ásia. A consultoria espera taxas firmes na próxima semana, sinal para quem embarca algodão e carne em contêiner.
A CONTA DA LAVOURA
Adubo deve cair 11%, diz a Agrinvest

Fonte: Globo Rural
Adubar menos neste ano foi cautela de muita lavoura, talvez da sua, e a indústria acaba de somar o tamanho dela. A conta é uma só, em toneladas entregues: 2025 fechou no recorde de 49,1 milhões, e a Agrinvest estima que 2026 feche em 43,6 milhões, 11% a menos. O analista avisa que a projeção é revista todo mês e que a queda ainda pode ser maior, e a CNA, no Valor, acha que faz sentido pensar num consumo total ainda menor.
Acontece que o presidente do Sindiadubos-PR, Aluisio Schwartz Teixeira, diz que não faltou adubo e não vai faltar, e, para ele, quando a conta não fecha o produtor diminui ou deixa de usar. Vitrine cheia, cliente de mão no bolso. E o dono da vitrine defende a repactuação das dívidas rurais, a redução dos juros, a revisão da tabela de frete mínimo e a regulamentação da reforma tributária.
Para o ano que vem, a mesma indústria projeta 47,5 milhões de toneladas entregues, acima de 2026 e ainda abaixo do recorde de 2025. Já a Mosaic, fabricante que anunciou paralisações temporárias ou parciais em plantas no Brasil, avisa que o mercado pode chegar a 2027 com estoques menores.
Fica você entre dois recados da mesma vitrine, o de que adubo não vai faltar e o de que 2027 pode chegar com estoque menor.
DE OLHO NO PORTO
Trigo: só 23% das leituras passam no PH

Fonte: Giphy
Se você ainda tem trigo para entregar, o preço do seu lote passa primeiro por uma prova: o PH, o peso hectolítrico, um dos requisitos do Tipo 1 e a nota de corte da história. E este ano, só 23,2% das leituras entre agosto e 13 de outubro bateram o PH mínimo, nos números da Motomco.
É aí que a nota de corte tem preço. Nas referências da CEEMA, o trigo que passou ficou perto de R$ 1.750 por tonelada, CIF Curitiba, e o de PH 73, perto de R$ 1.250, sem ser tabela oficial de descontos. Traduzindo, o mesmo caminhão vale menos se o grão reprovou na prova.
A outra nota da história é a do comprador. Um diretor de originação e trading de trigo da Bunge Alimentos vê o país importando até 10 milhões de toneladas em 2027, com a produção nacional em queda e a qualidade do cereal em dúvida, e a Argentina seguindo como principal fornecedora. Do lado de lá, a Bolsa de Comércio de Rosário elevou a estimativa da safra argentina, e a safra seria a segunda maior em 17 anos, com a ressalva de um outubro de frio e chuva abaixo do esperado, que pode limitar os rendimentos.
PAPO DE CURRAL
China compra 52% menos carne bovina, e a cota do Brasil acabou

Fonte: Giphy
Sumiu o comprador do seu boi? A China importou 52,37% menos carne bovina em setembro que um ano antes, o menor volume mensal desde maio de 2020. Só que, para a Agrifatto, quem explica a maior parte da queda é a cota de salvaguarda do Brasil, que a China deu por preenchida em 29 de setembro.
No acumulado do ano ela ainda compra um pouco mais que em 2025, e, enquanto a fatia do Brasil encolhia em setembro, Argentina e Uruguai ganharam espaço. A China não saiu da fila, o Brasil é que gastou a senha.
A senha nova sai em janeiro. A China conta a carne na chegada, e, pela Agrifatto, o que embarcar de meados de novembro em diante desembarca lá em janeiro, já dentro da cota nova. A consultoria prevê embarques acelerando antes do Ano Novo Chinês, e a Scot nota que nem todos os compradores retomaram as compras para a China.
Repare que, enquanto a fila não anda, o boi não sobra. Aqui, Agrifatto e Scot apontam que a cria mais atraente estimulou a retenção de fêmeas, e o Cepea registra escalas de abate mais curtas que as de outubro de 2025. E não é só aqui: nos Estados Unidos os produtores começaram a reter novilhas e vacas para recompor o rebanho, e na Argentina analistas locais veem a oferta de boi curta nos próximos meses.
Até janeiro, o seu boi espera a senha nova numa fila em que a Argentina, que ganhou espaço enquanto a fatia brasileira encolhia, também está curta de boi.
E ESSE TEMPO, HEIN?
Após aviso vermelho no Sul, risco de geada nas serras

Fonte: Globo Rural
O fim de semana no Sul virá com altas cobranças, como estrada em SP, um pedágio atrás do outro:
Sábado (24), aviso vermelho do Inmet, das 6h às 21h: vale para o oeste e o sudoeste do Paraná, o oeste e o norte de Santa Catarina e o noroeste do Rio Grande do Sul. Guarapuava, Chapecó e Erechim estão entre as cidades que podem receber mais de 100 milímetros em 24 horas, com vento acima de 100 km/h e granizo, e o aviso lista risco de prejuízos às plantações.
Domingo (25), pela Climatempo: a chuva segue forte e volumosa no leste do Paraná, e Mato Grosso do Sul fica com risco de chuva de moderada a forte.
Segunda (26), pela Climatempo: o afastamento do ciclone para o oceano favorece a melhora do tempo em grande parte do Sul, com a ressalva de que os modelos ainda divergem sobre o momento exato e a evolução do sistema.
Terça (27), pela Meteored: é o pico de frio, com mínimas perto de 0 °C e risco de geadas na Serra Gaúcha e na Serra Catarinense.
O detalhe é que o Rio Grande do Sul entra nessa estrada com a lavoura atrasada. A soja está abaixo da média: pela Emater, na quinta (22), só 3% da área estava semeada, contra 5% de média para a época, com a umidade do solo segurando as plantadeiras. E no trigo gaúcho, 19% da área já foi colhida, segundo a TF Agroeconômica com dados da Emater, com grãos avariados e chochos.
SAFRA DE CIFRAS
Usinas moem mais cana e fazem 10% menos açúcar

Fonte: CNN Brasil
Se você vai fixar açúcar, repare no balanço que a Unica soltou na sexta: as usinas do Centro-Sul moeram mais cana e fizeram menos açúcar. No acumulado da safra 2026/27 até o fim de agosto, a produção de açúcar caiu 10,29% sobre o mesmo período da safra passada.
A cana sai da usina por duas portas, a do saco e a do tanque, e nesta safra a do tanque ficou mais larga. Foram 53,44% da cana para o etanol, contra 47,23% no mesmo período da safra passada. E o que saiu por essa porta achou comprador: as vendas de etanol no mercado interno bateram recorde histórico em agosto.
Do lado do saco, o preço respondeu. O açúcar fechou a sexta em alta nas bolsas, e o balanço da Unica foi um dos fatores que sustentaram as cotações.
NAS CABEÇAS DO AGRO
Copersucar vende etanol a navios, e a conta pede crédito de carbono

Fonte: Giphy
Na quinta (22), a Copersucar assinou com a Bunker One e a CMA CGM um contrato de sete abastecimentos no Porto de Santos até o fim do ano, cerca de 10 milhões de litros de etanol anidro. Segundo o CEO da Copersucar, outros operadores já tinham testado etanol em navio; o que o contrato inaugura é o fornecimento comercial recorrente. Já o valor do contrato as companhias não informaram.
E é aí que o freguês novo paga bilhete mais caro. Aos preços atuais, o etanol posto no navio em Santos custa de US$ 300 a US$ 400 a tonelada a mais que o VLSFO, o bunker de origem fóssil, na mesma base de energia. Para o CEO, a conta só empata quando entra o custo de abatimento, o que um armador teria de pagar em crédito de carbono para compensar as emissões. Traduzindo, o crédito de carbono é o cupom que iguala a tarifa.
Na ponta da sua cana, o que existe hoje é um contrato de 10 milhões de litros até o fim do ano e um bilhete de US$ 300 a US$ 400 a mais por tonelada, que só empata com o cupom do carbono.
PLANTÃO RURAL
O rebanho de um pecuarista gaúcho de 91 anos fechou 2.388 cabeças abaixo do registro: a Polícia Civil do RS investiga o desvio de gado, tendo o ex-gerente como principal investigado, em um rebanho com 4.793 animais registrados na Seapi e 2.405 achados na contagem física.
O risco do Newcastle está na reabertura da China e da Arábia Saudita, avalia o Itaú BBA: o banco vê impacto agregado limitado, com a maior parte dos Estados habilitada a exportar para os principais mercados compradores, e Santa Catarina exposta, com cerca de 63% da produção destinada à exportação.
A defasagem do diesel da Petrobras ultrapassou pela primeira vez o valor da subvenção: pelos dados da Abicom, associação dos importadores, a diferença média chegou a R$ 3,53 por litro, ou 108%, contra R$ 3,52 de desconto, antes da reunião do conselho da Petrobras, marcada para segunda-feira (26).
O faturamento bruto do campo foi estimado em R$ 1,44 trilhão em setembro: a Secretaria de Política Agrícola do Mapa atribui às lavouras R$ 921,7 bilhões, ou 64% do total, e à pecuária R$ 517,9 bilhões, ou 36%, do valor estimado.
A soja de Mato Grosso chegou a 75,81% da área estimada até sexta-feira: o avanço semanal foi de 23,95 pontos percentuais, com projeção do Imea de passar de 80% da área semeada na última semana de outubro, mantido o ritmo atual.
A Copacol pode abater 300 mil tilápias por dia em 2027, contra 210 mil hoje: a unidade de Toledo, com operação de um só turno, abre espaço para dobrar o volume, numa ampliação mais lenta, para ajustar a oferta à demanda, segundo o gerente de marketing.
A auditoria do Reino Unido na carne bovina brasileira acabou sem ressalvas, segundo fontes: a posição oficial do Reino Unido só será conhecida com o relatório da missão, com decisão do Defra prevista até dezembro e as vendas de carne bovina mantidas.
O tomate para processamento industrial irrigado ganhou zoneamento de risco climático: a Portaria nº 378, publicada pelo Mapa em 23/10, inclui a cultura no programa, com estudo dos períodos mais favoráveis ao plantio por município e o tomate de mesa mantido fora.
DIVIRTA-SE
São cinco letras e seis chances para achar a Palavra do Dia. É como semear em linha: cada tentativa tinge os quadradinhos de verde, amarelo ou cinza e mostra onde a muda pegou e onde falhou. O prazer é ver a palavra fechar na última fileira. Abra no celular e plante a primeira.
VIVENDO E APRENDENDO
Resposta da edição passada: o míldio é uma doença da videira causada pelo oomiceto Plasmopara viticola, que ataca folhas e cachos em tempo úmido.
Pergunta de hoje: o que é a doença de Newcastle?
A resposta você confere na próxima edição!
