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Bom dia!
Na xícara de hoje tem embrião zebuíno sendo exportado do Brasil pro mundo, 2 tretas comendo soltas no setor leiteiro, novas previsões da safra de soja no Paraná, Indonésia abrindo a porteira pra frigoríficos brasileiros, brasileiro tomando menos café em 2025, safrona de milho nos EUA derrubando preços e muito mais.
Pra você acordar bem informado
Por Enrico Romanelli
TÁ QUANTO?
Os dados são publicados por Cepea. As variações são calculadas em YTD (Year to date).
NAS CABEÇAS DO AGRO
Embrião brasileiro carimbando passaporte

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A retomada do mercado de genética bovina chegou com força no mundo dos embriões e a Zebuembryo tá chegando com tudo nesse mercado quase virando uma agência de viagem pra embrião de Gir, Guzerá e companhia. A empresa tem uma estrutura de dar inveja, consegue hospedar até 500 doadoras e tá despachando mais de 80% da sua produção lá pra fora, com presença forte na África, Ásia e América Latina, onde a demanda não é por luxo, é por acelerar melhoramento e botar mais proteína na mesa.
A empresa diz que tá grandona no mercado, e que as exportações de embriões da Zebuembryo quase dobraram no ano passado. Eles ainda dizem que o plano pra 2026 é triplicar esse volume, mas sem abrir o jogo com os números. Humberto Rosa, diretor de negócios, diz que a empresa tá fazendo sucesso porque os clientes querem importar uma genética que entregue o melhoramento o mais rápido possível, especialmente em países como Nigéria, Paquistão e Indonésia, que têm população crescendo e um detalhe inconveniente chamado demanda por proteína batendo na porta todo dia.
E o Brasil ganhou um diferencial nessa conversa por conta do clima. Com África subsaariana e sudeste asiático indo atrás de animais adaptados à condições parecidas com as daqui, a genética brasileira ganhou fama de saber sobreviver quando o tempo resolve trocar o roteiro toda temporada. Em fevereiro, a empresa deve tocar um projeto no norte de Angola, com a transferência de centenas de embriões Gir e Guzerá pra uma região que tem um clima parecido com o do Cerrado, de olho na resistência às condições áridas e semiáridas pra produção de leite. Na Nigéria, a empresa já fez a 1ª transferência de embriões da história do país e, em janeiro, nasceu a 1ª bezerra girolandinha do projeto, com muitas outras na fila pra nascer também.
E ESSE TEMPO, HEIN?
Leite entrou em liquidação em 2025 e o produtor ficou com a etiqueta na mão

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O preço do leite passou 2025 todo descendo uma ladeira que não parecia ter fim e terminou dezembro no fundo do poço. O preço médio nacional ficou em R$ 1,9966 por litro, um tombo de 25,79% contra dezembro de 2024 e queda de 5,78% em comparação a novembro. Foi o 9° mês seguidos de preços despencando. No acumulado, a média anual fechou em R$ 2,5617 por litro, 6,8% abaixo de 2024, um resultado que faz o produtor olhar pro tanque e pensar que tem que tirar leite de pedra pra sair do vermelho.
E a explicação veio sem mistério, teve leite demais rodando no mercado interno e estoque virando personagem fixo da história. O Cepea diz que a produção ganhou mais tração com investimentos que vieram no ano anterior e o clima favorável, que resultaram em um volume acumulado 15,4% maior em 2025. Pra completar o quadro, o comércio exterior ajudou a empurrar o produtor brasileiro da ponte, as importações somaram 2,21 bilhões de litros em equivalente leite em 2025, enquanto as exportações despencaram 31,6% e ficaram em 67,58 milhões de litros, o que deixou mais produto circulando aqui dentro. Ainda tem também toda a treta do leite em pó que vem da Argentina e do Uruguai a preço de banana e é reconstituído por aqui.
Com esse tanto de leite e derivados procurando lugar na geladeira do país, a negociação virou braço de ferro com desconto no meio. Em dezembro, muçarela caiu 1,38%, leite UHT recuou 6,67% e leite em pó baixou 0,79% em termos reais, segundo levantamento do Cepea com apoio da OCB, enquanto o custo de produção quase não mexeu, o COE subiu só 0,57% no ano. Só que o milho resolveu fazer sua própria festa e apertou o bolso do produtor. Em dezembro, foi necessário quase 35 litros de leite pra comprar 1 saca de 60 kg do grão, alta de 9,04% no mês e de 21,7% na média dos últimos 12 meses, ou seja, o leite caiu, a ração encareceu e a conta ficou salgada até demais.
O AGRO EM NÚMEROS
Soja engordando no Sul e cafézinho ficando salgado

Foto: Freepik
O Deral começou a semana refazendo as contas da soja no Paraná e a conta ficou mais gorda. A projeção subiu pra 22,04 milhões de toneladas na safra 2025/26, acima dos 21,96 milhões de dezembro, com o clima sendo parceiro e a colheita já beliscando 5% da área. Se o ritmo engrenar, o estado pode crescer 4% contra a temporada passada e ficar ali, na cola do recorde de 22,3 milhões de toneladas de 2022/23.
E quando a lavoura dá sinal de fôlego, o emprego tenta acompanhar o embalo. O agro fechou 2025 com saldo de 41,9 mil vagas formais criadas, alta de 2,3% no total do ano. Só que dezembro fez o clássico movimento de fim de ano e puxou o freio, o Brasil perdeu 618 mil vagas e a agropecuária sozinha caiu 44 mil, um lembrete de que a carteira assinada também tem safra e entressafra.
No meio dessa dança, o brasileiro seguiu firme no café, mesmo com o copo ficando mais caro. A ABIC calculou uma média de 1,4 mil xícaras por pessoa entre novembro de 2024 e outubro de 2025, e consumo total de 21,4 milhões de sacas de 60 kg, quase 38% da safra, que tá estimada em 56,54 milhões de sacas. O consumo recuou 2,31%, mas o preço médio do torrado e moído subiu 5,8% em 2025, deixando as coisas mais niveladas pro mercado.
Lá fora, o milho dos EUA entrou na conversa pra lembrar que, quando sobra grão, o bolso sofre. O USDA elevou a expectativa da produção pra 432,4 milhões de toneladas, com produtividade recorde de 11,7 toneladas por hectare. O estoque final deve ficar ali em 56,6 milhões de toneladas, alta de 9,8%, o que reforça um viés baixista no curto prazo segundo o Itaú BBA.
DE OLHO NO PORTO
Indonésia abre a porteira pra mais 14 frigoríficos BR

GIF: Reddit
A Indonésia liberou, nesta quinta-feira (29), mais 14 frigoríficos brasileiros pra exportar carne bovina pra lá, e essa notícia caiu no colo do setor bem na hora em que todo mundo tá recalculando rota, com medo das tretas geopolíticas e tarifárias que tão pipocando no mundo inteiro. A confirmação veio do secretário Luis Rua, do Ministério da Agricultura, e o salto é grande. Em setembro de 2025, o país asiático já tinha habilitado 17 plantas e agora o total de unidades autorizadas chegou a 52, uma virada rápida que levou o Brasil de 21 pra 52 plantas habilitadas em 6 meses.
Com a China prometendo cota de 1,1 milhão de toneladas pra 2026, o frigorífico brasileiro tá aprendendo a não colocar toda a carne no mesmo prato. Roberto Perosa, da Abiec, já vinha vendendo a ideia de que a Indonésia pode virar um “novo mundo” pra carne bovina do Brasil e comemorou o avanço como uma estratégia de diversificação de mercados consumidores e disse que isso vai ampliar ainda mais as oportunidades.
Na lista das novas habilitadas tem planta da Frigol no Pará, Pantanal em Mato Grosso, Cooperfrigu no Tocantins, Primafoods em Minas Gerais, Mercúrio no Pará, Zancheta em São Paulo, Fisacre no Acre, Minerva em São Paulo, Distriboi em Rondônia, 3 da JBS em São Paulo e Mato Grosso do Sul e a Fribal no Maranhão, que levou pela 1ª vez uma habilitação pro Nordeste.
As auditorias rolaram em dezembro de 2025 e o mercado vem ganhando tração junto com a cota brasileira na Indonésia, que hoje é de 188 mil toneladas e exige certificação halal, do jeito que o consumo muçulmano pede. E o efeito já aparece na planilha. Em 2023 o Brasil mandou só 2,7 mil toneladas e faturou US$ 13,9 milhões, em 2025 saltou pra 42,9 mil toneladas e US$ 153,9 milhões, num mercado aberto em 2019 e que agora tá deixando de ser promessa pra virar rota de verdade.
COLHENDO CAPITAL
Mais uma polêmica do mundo leiteiro

Foto: Adobe Stock
A CNA resolveu puxar a orelha do varejo e cobrou o fim do uso de termos lácteos em produtos de origem vegetal, em uma reunião extraordinária da Câmara Setorial do Leite e Derivados do Mapa, na terça-feira (27). A bronca deles é de que, quando uma bebida vegetal se apresenta como leite e uma pasta vegetal se diz um queijo, o consumidor pode comprar no automático achando que tá levando uma coisa e, na volta pra casa, descobrir que levou outra.
Quem conduziu a conversa foi Ronei Volpi, da Comissão Nacional de Pecuária de Leite da CNA, batendo na tecla da falta de regulamentação e do risco de indução ao erro. A entidade quer ampliar o debate pra ver se o colegiado finalmente fecha um posicionamento oficial pra poder municiar o Executivo e Legislativo pra tomarem uma decisão, porque essa discussão já tem anos e segue rodando, rodando, rodando e nunca sai do lugar.
A CNA também lembrou que o leite e derivados seguem RTIQ, aqueles regulamentos de identidade e qualidade que apertam bastante o cerco, enquanto os vegetais teriam mais liberdade no rótulo. O colegiado apoiou o PL 10.556/2018, da senadora Tereza Cristina (PP MS), que proíbe os termos lácteos em produtos vegetais e ainda quer barrar as velhas alegações de saudabilidade ou sustentabilidade sem comprovação técnica, nada de produto natureba milagroso por aqui. A ideia é garantir nomenclatura clara, concorrência leal e evitar propaganda atravessada, pra deixar tudo mais justo.
PLANTÃO RURAL
Café sumiu, a conta apareceu. A cooperativa cafeeira Cocapil, de Ibiraci (MG), vai apresentar um termo de transação e confissão de dívida pros cooperados enquanto segue sendo investigada por uma suposta fraude. Mais de 20.000 sacas teriam desaparecido e o prejuízo pode passar de R$ 70 milhões, com mandado de prisão em aberto e presidente foragido.
Tilápia em São Paulo segue crescendo. O estado de SP produziu 54,2 mil toneladas de tilápia em 2025, alta de 4% contra 2024, com faturamento de R$ 494,11 milhões e mantendo o posto de 2º maior produtor do Brasil, perdendo só do Paraná. Tanques rede já respondem por mais de 75% do volume, com mais de 12.000 unidades em operação.
Taiwan teve gripe aviária e confusão. A agência de saúde animal de Taiwan confirmou novos focos de H5N1 e investiga ocultação em granja que seguiu vendendo ovos, com descarte irregular de aves mortas. O governo mandou abater 7 mil aves e recolher ovos distribuídos, com multas de US$ 1.593 a US$ 31.855 e perda de compensação pra quem não notificar.
Algodão na Bahia manteve a janela e o bicudo agradeceu. O CTR decidiu manter o calendário do algodão pra 2026/2027 no território baiano, com plantio autorizado de 21 de novembro a 10 de fevereiro no Oeste e de 1º de novembro a 10 de fevereiro no Sudoeste.
Recuperação judicial virou cabo de guerra em Mato Grosso. Os credores do Grupo Pelissari rejeitaram o plano apresentado na assembleia no fim de 2025 e protocolaram uma proposta alternativa, com a regra de não cortar garantias e a promessa de transferir hipotecas aos credores em até 180 dias, se houver anuência. O grupo, que produz soja e milho, tá em recuperação desde fevereiro de 2024 com dívida declarada de R$ 45 milhões.
SE DIVERTE AÍ
Hoje o rolê é testar se tu reconhece mais lavoura que o Google. No GeoGuessr, o jogo te joga no meio de uma estrada aleatória do planeta, em visão de rua, e tu tem que adivinhar onde tá no mapa. Vale procurar pista em placa, tipo de solo, pivô de irrigação, padrão de cerca, tipo de caminhão e até formato de telhado de galpão. Entra lá, escolhe um modo mundo ou América do Sul, chuta o lugar e depois conta pra gente se tu mandou o palpite certeiro ou jogou uma fazenda do Kansas no meio do Mato Grosso.
VIVENDO E APRENDENDO
Resposta da edição passada: Manga
Pergunta de hoje: Qual raiz asiática foi usada como remédio na China Antiga e hoje está presente em sucos, chás e até na caipirinha?
A resposta você fica sabendo na próxima edição!
