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Bom dia!
Pega o café, que em cinco minutos você sai daqui por dentro do agro. Uma câmera aprendeu a ler o ovo por dentro sem quebrar a casca. Passada a febre do açúcar, uma usina virou barganha e os últimos negócios mostram por quanto. Enquanto o mundo teme a falta de adubo, a Massari foi na contramão e triplicou o fosfato da sua mina. O Brasil quer virar a régua do mundo pra provar que a sua soja e o seu boi não derrubaram floresta. O tarifaço do Trump acabou de virar caso na mesa da OMC. E, depois de vinte anos batendo na porta, a sua picanha achou um freguês novo do outro lado do mundo.
Pra você começar a quarta um passo à frente do mercado.
Por Luciana Stival
TÁ QUANTO?
Os dados são publicados por BCB e Brapi.
As variações são calculadas em % diária e %YTD (Year to date)
A Bolsa fechou no verde com o mercado apostando que o juro vai finalmente ceder, depois da inflação vir mais fraca do que se esperava. Pra quem planta, essa é a parte boa do noticiário, corte de juros à vista significa crédito de custeio menos salgado lá na frente e mais fôlego pra investir na lavoura.
DE OLHO NO PORTO
Depois de 20 anos, a Coreia quer o nosso boi

Fonte: Giphy
Vinte anos batendo na mesma porta, e ela finalmente abriu. A Coreia do Sul está pertinho de comprar carne bovina do Brasil, e a chave que destravou tudo foi sanitária: o país conquistou no ano passado o status de livre de febre aftosa sem vacinação, exigência sem a qual os coreanos nem sentam pra conversar. Agora Lula anunciou um grupo de trabalho pra destravar o acordo Mercosul-Coreia e, o mais concreto, uma missão sanitária sul-coreana que desembarca aqui entre 11 e 20 de agosto pra vistoriar os frigoríficos, com inspeção prevista até o fim do mês. O timing é de tirar o chapéu: veio justo quando a cota chinesa de 1,1 milhão de toneladas se esgotou e o preço do boi afrouxou por aqui. E não é freguês qualquer, o coreano compra corte nobre e paga bem pela qualidade, do mesmo jeito que o Japão, que está na fila logo atrás. Pra quem vive de exportar proteína, a lição é velha e boa: quem tem mais de um comprador na porta nunca fica refém de um só.
COMO TÁ LÁ FORA?
O tarifaço virou queixa na OMC

Fonte: Canal Rural
Sabe quando você briga com o vizinho e, em vez de resolver no grito, chama o síndico pra botar ordem? Foi mais ou menos o que o Brasil fez com os Estados Unidos. Depois que os americanos encheram os produtos brasileiros de imposto na entrada, alegando de tudo, de etanol a desmatamento, o governo levou a queixa pra OMC, a Organização Mundial do Comércio, que é meio que o juiz das brigas de comércio entre países. E olha que o Brasil ainda deu só o primeiro passo, um pedido de consultas, que é o equivalente a registrar a reclamação e chamar o outro lado pra conversar antes de a coisa virar processo pra valer.
A encrenca não é pequena: as taxas americanas pegam cerca de 23% de tudo o que o Brasil vende pros EUA, de máquina a móvel, e uma parte dos produtos leva duas sobretaxas de uma vez, empilhando até 37,5% de imposto. Só que a OMC é famosa por ser lenta, então o governo já engatilha um plano B, revidar na mesma moeda e taxar o produto americano de volta. No fundo, é o Brasil batendo o pé no tribunal do comércio pra dizer que a conta veio injusta.
PAUTA VERDE
Uma régua só pra provar que a soja e o boi são limpos

Fonte: Giphy
O comprador lá fora não quer só a soja e o boi baratos, quer a prova de que nenhum dos dois saiu de floresta derrubada.
É o nó que um estudo do WRI Brasil quer desatar: o país tem ferramenta de sobra pra rastrear as duas cadeias, só que cada uma fala uma língua. A pesquisa achou 21 iniciativas de monitoramento com regras que não batem entre si. A ideia é juntar tudo num protocolo nacional único, sem lei nova. Na soja, ligar tradings, cooperativas e plataformas estaduais pra rastrear o grão até a fazenda, bloqueando quem descumpre a regra; na carne, fechar o elo mais frouxo, o do fornecedor indireto, via guias de trânsito animal.
E não é firula: soja e carne valeram 60% do valor que o agro exportou em 2024, com a China na ponta. O WRI sugere que Brasil e China criem juntos uma referência mundial, que agrade o volume chinês e o rigor europeu de uma vez.
NAS CABEÇAS DO AGRO
Enquanto o mundo teme a falta de adubo, a Massari triplica o fosfato

Fonte: Agrolink
Enquanto a guerra no Oriente Médio faz o adubo importado subir de preço, com a ureia emendando quatro semanas de alta e acumulando 14% no mês, uma empresa brasileira resolveu ir na contramão.
A fusão entre a Massari e a Morro Verde triplicou a produção de fosfato da mina de Pratápolis, na divisa de SP com MG, que é a maior reserva do país fora das mãos de multinacionais. Com um aporte de R$ 20 milhões, a capacidade saltou de 400 mil pra 1,2 milhão de toneladas por ano, e o plano é dobrar o faturamento pra R$ 1 bilhão em três anos.
A lógica é estratégica: o Brasil ainda importa mais de 80% do fertilizante que usa, então cada tensão geopolítica lá fora vira susto no custo da lavoura aqui. Como resume o CEO Sérgio Saurin, fosfato deixou de ser só adubo e virou segurança estratégica. Quem controla o insumo controla o próprio destino na hora do aperto.
COLHENDO CAPITAL
Quanto vale uma usina agora que o açúcar esfriou

Fonte: Giphy
Passada a euforia do açúcar, o mercado reprecificou quanto vale uma usina, e o número encolheu.
Um relatório do Banco ABC mapeou os M&As de 2022 a 2026 e achou a tonelada de capacidade instalada valendo hoje entre R$ 220 e R$ 330, abaixo da média dos últimos cinco anos. O piso está nos negócios mais recentes: a Raízen vendeu a usina Caarapó à Adecoagro por R$ 217 a tonelada. Comparea com o auge de dois anos atrás, quando a Bunge Bioenergia foi para a BP a R$ 448, e dá pra ver o ciclo virar na tabela.
O motivo não é mistério, açúcar rondando o custo de produção somado a juro alto tira o apetite de quem compra. Só que ativo bom em ciclo de baixa é onde o comprador paciente faz a melhor conta. Quando todo mundo vende com pressa, quem tem caixa escolhe o preço.
MENTES QUE GERMINAM
A inteligência artificial aprendeu a ler o ovo por dentro

Fonte: Globo Rural
E se dava pra saber o que tem dentro do ovo sem quebrar a casca? Pesquisadores da Universidade de Illinois criaram um sistema que faz exatamente isso, juntando imagem hiperespectral e inteligência artificial pra identificar, ainda nos primeiros dias de incubação, se o embrião está vivo, a chance de sobreviver e até o sexo do futuro pintinho. Parece detalhe técnico, mas resolve duas dores caras de uma vez: a mortalidade embrionária, que come a eficiência do incubatório, e o velho descarte de machos nas linhagens de postura, que junta bolso e bem-estar animal no mesmo prato. Enxergar antes o que só se via na eclosão muda o jogo da granja, menos desperdício e menos gente incomodada. Tem tecnologia que promete o futuro, e tem a que resolve uma chateação de sempre. Essa é da segunda turma.
PLANTÃO RURAL
O preço da comida deu uma trégua em julho: o grupo de alimentos recuou 0,66% e foi a menor variação dentro do IPCA-15, aliviando um pouco a inflação que mais dói no bolso.
O boi gordo começou a semana de lado: a arroba ficou estável em quase todo o país, com parte da indústria fora das compras enquanto define a estratégia da semana.
A soja caiu junto com o petróleo: o recuo das tensões no Oriente Médio derrubou as commodities e o grão perdeu mais de 3% em Chicago, respingando no preço interno.
O Sul está em alerta de temporal de novo: uma frente fria colocou a região em atenção, com o Rio Grande do Sul em alerta vermelho para acumulado de chuva.
Os EUA recolheram 1,6 milhão de dúzias de ovos: um surto de salmonela por lá levou a um recall gigante, num momento em que o mundo já está de olho na sanidade das aves.
O Brasil abriu novos mercados no Dia da Agricultura: o Mapa confirmou acesso para produtos do agro na China, no Paraguai e em Palau, ampliando o leque de compradores.
Um Fiagro comprou fazenda em Mato Grosso por R$ 90 milhões: a gestora AGBI abriu o quarto fundo garimpando terra de pastagem degradada pra recuperar e valorizar.
A Âmbar, da J&F, vai transformar mais gás de frigorífico em combustível: a empresa investe R$ 65 milhões pra ampliar o biometano feito do biogás da Friboi e substituir cerca de 12 milhões de litros de diesel por ano.
SE DIVERTE AÍ
Quarta-feira pede um desafio pra sacudir a memória sem cansar. A dica de hoje é o GuessThe.Game, que solta um print de um videogame por vez e te dá seis tentativas pra adivinhar qual é o jogo, liberando uma nova imagem a cada erro. É rápido, roda no celular e rende aquela discussão gostosa com a galera sobre quem reconhece o game primeiro, do clássico ao lançamento.
VIVENDO E APRENDENDO
Resposta da edição passada: USDA é o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, o órgão que solta os relatórios de safra que mexem com o preço das commodities no mundo todo.
Pergunta de hoje: o que é a febre aftosa, a doença que o Brasil precisou zerar sem vacina pra destravar mercados como o da Coreia do Sul?
A resposta você confere na próxima edição!
