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Bom dia!

Pega o café, que em cinco minutos você sai daqui por dentro do agro. Uma câmera aprendeu a ler o ovo por dentro sem quebrar a casca. Passada a febre do açúcar, uma usina virou barganha e os últimos negócios mostram por quanto. Enquanto o mundo teme a falta de adubo, a Massari foi na contramão e triplicou o fosfato da sua mina. O Brasil quer virar a régua do mundo pra provar que a sua soja e o seu boi não derrubaram floresta. O tarifaço do Trump acabou de virar caso na mesa da OMC. E, depois de vinte anos batendo na porta, a sua picanha achou um freguês novo do outro lado do mundo.

Pra você começar a quarta um passo à frente do mercado.

Por Luciana Stival

TÁ QUANTO?

MERCADO valor % dia % YTD
IBOVESPA (B3) R$176.564,75 0,70% 9,58%
IFIX R$3.807,17 0,24% 0,75%
MBRF3 R$16,30 2,58% -18,42%
BEEF3 R$3,41 -1,45% -40,80%
RAIZ4 R$0,27 3,85% -66,67%
SLCE3 R$13,16 -1,64% -18,01%
BTRA11 R$65,68 1,02% 7,25%
KNCA11 R$89,70 -0,36% -7,05%
Solana US$74.07 -1,88% -40,94%
Bitcoin US$63,892.89 -1,34% -27,68%

Os dados são publicados por BCB e Brapi.
As variações são calculadas em % diária e %YTD (Year to date)

A Bolsa fechou no verde com o mercado apostando que o juro vai finalmente ceder, depois da inflação vir mais fraca do que se esperava. Pra quem planta, essa é a parte boa do noticiário, corte de juros à vista significa crédito de custeio menos salgado lá na frente e mais fôlego pra investir na lavoura.

DE OLHO NO PORTO

Depois de 20 anos, a Coreia quer o nosso boi

Fonte: Giphy

Vinte anos batendo na mesma porta, e ela finalmente abriu. A Coreia do Sul está pertinho de comprar carne bovina do Brasil, e a chave que destravou tudo foi sanitária: o país conquistou no ano passado o status de livre de febre aftosa sem vacinação, exigência sem a qual os coreanos nem sentam pra conversar. Agora Lula anunciou um grupo de trabalho pra destravar o acordo Mercosul-Coreia e, o mais concreto, uma missão sanitária sul-coreana que desembarca aqui entre 11 e 20 de agosto pra vistoriar os frigoríficos, com inspeção prevista até o fim do mês. O timing é de tirar o chapéu: veio justo quando a cota chinesa de 1,1 milhão de toneladas se esgotou e o preço do boi afrouxou por aqui. E não é freguês qualquer, o coreano compra corte nobre e paga bem pela qualidade, do mesmo jeito que o Japão, que está na fila logo atrás. Pra quem vive de exportar proteína, a lição é velha e boa: quem tem mais de um comprador na porta nunca fica refém de um só.

COMO TÁ LÁ FORA?

O tarifaço virou queixa na OMC

Fonte: Canal Rural

Sabe quando você briga com o vizinho e, em vez de resolver no grito, chama o síndico pra botar ordem? Foi mais ou menos o que o Brasil fez com os Estados Unidos. Depois que os americanos encheram os produtos brasileiros de imposto na entrada, alegando de tudo, de etanol a desmatamento, o governo levou a queixa pra OMC, a Organização Mundial do Comércio, que é meio que o juiz das brigas de comércio entre países. E olha que o Brasil ainda deu só o primeiro passo, um pedido de consultas, que é o equivalente a registrar a reclamação e chamar o outro lado pra conversar antes de a coisa virar processo pra valer.

A encrenca não é pequena: as taxas americanas pegam cerca de 23% de tudo o que o Brasil vende pros EUA, de máquina a móvel, e uma parte dos produtos leva duas sobretaxas de uma vez, empilhando até 37,5% de imposto. Só que a OMC é famosa por ser lenta, então o governo já engatilha um plano B, revidar na mesma moeda e taxar o produto americano de volta. No fundo, é o Brasil batendo o pé no tribunal do comércio pra dizer que a conta veio injusta.

PAUTA VERDE

Uma régua só pra provar que a soja e o boi são limpos

Fonte: Giphy

O comprador lá fora não quer só a soja e o boi baratos, quer a prova de que nenhum dos dois saiu de floresta derrubada.

É o nó que um estudo do WRI Brasil quer desatar: o país tem ferramenta de sobra pra rastrear as duas cadeias, só que cada uma fala uma língua. A pesquisa achou 21 iniciativas de monitoramento com regras que não batem entre si. A ideia é juntar tudo num protocolo nacional único, sem lei nova. Na soja, ligar tradings, cooperativas e plataformas estaduais pra rastrear o grão até a fazenda, bloqueando quem descumpre a regra; na carne, fechar o elo mais frouxo, o do fornecedor indireto, via guias de trânsito animal.

E não é firula: soja e carne valeram 60% do valor que o agro exportou em 2024, com a China na ponta. O WRI sugere que Brasil e China criem juntos uma referência mundial, que agrade o volume chinês e o rigor europeu de uma vez.

NAS CABEÇAS DO AGRO

Enquanto o mundo teme a falta de adubo, a Massari triplica o fosfato

Fonte: Agrolink

Enquanto a guerra no Oriente Médio faz o adubo importado subir de preço, com a ureia emendando quatro semanas de alta e acumulando 14% no mês, uma empresa brasileira resolveu ir na contramão.

A fusão entre a Massari e a Morro Verde triplicou a produção de fosfato da mina de Pratápolis, na divisa de SP com MG, que é a maior reserva do país fora das mãos de multinacionais. Com um aporte de R$ 20 milhões, a capacidade saltou de 400 mil pra 1,2 milhão de toneladas por ano, e o plano é dobrar o faturamento pra R$ 1 bilhão em três anos.

A lógica é estratégica: o Brasil ainda importa mais de 80% do fertilizante que usa, então cada tensão geopolítica lá fora vira susto no custo da lavoura aqui. Como resume o CEO Sérgio Saurin, fosfato deixou de ser só adubo e virou segurança estratégica. Quem controla o insumo controla o próprio destino na hora do aperto.

COLHENDO CAPITAL

Quanto vale uma usina agora que o açúcar esfriou

Fonte: Giphy

Passada a euforia do açúcar, o mercado reprecificou quanto vale uma usina, e o número encolheu.

Um relatório do Banco ABC mapeou os M&As de 2022 a 2026 e achou a tonelada de capacidade instalada valendo hoje entre R$ 220 e R$ 330, abaixo da média dos últimos cinco anos. O piso está nos negócios mais recentes: a Raízen vendeu a usina Caarapó à Adecoagro por R$ 217 a tonelada. Comparea com o auge de dois anos atrás, quando a Bunge Bioenergia foi para a BP a R$ 448, e dá pra ver o ciclo virar na tabela.

O motivo não é mistério, açúcar rondando o custo de produção somado a juro alto tira o apetite de quem compra. Só que ativo bom em ciclo de baixa é onde o comprador paciente faz a melhor conta. Quando todo mundo vende com pressa, quem tem caixa escolhe o preço.

MENTES QUE GERMINAM

A inteligência artificial aprendeu a ler o ovo por dentro

Fonte: Globo Rural

E se dava pra saber o que tem dentro do ovo sem quebrar a casca? Pesquisadores da Universidade de Illinois criaram um sistema que faz exatamente isso, juntando imagem hiperespectral e inteligência artificial pra identificar, ainda nos primeiros dias de incubação, se o embrião está vivo, a chance de sobreviver e até o sexo do futuro pintinho. Parece detalhe técnico, mas resolve duas dores caras de uma vez: a mortalidade embrionária, que come a eficiência do incubatório, e o velho descarte de machos nas linhagens de postura, que junta bolso e bem-estar animal no mesmo prato. Enxergar antes o que só se via na eclosão muda o jogo da granja, menos desperdício e menos gente incomodada. Tem tecnologia que promete o futuro, e tem a que resolve uma chateação de sempre. Essa é da segunda turma.

PLANTÃO RURAL

SE DIVERTE AÍ

Quarta-feira pede um desafio pra sacudir a memória sem cansar. A dica de hoje é o GuessThe.Game, que solta um print de um videogame por vez e te dá seis tentativas pra adivinhar qual é o jogo, liberando uma nova imagem a cada erro. É rápido, roda no celular e rende aquela discussão gostosa com a galera sobre quem reconhece o game primeiro, do clássico ao lançamento.

VIVENDO E APRENDENDO

Resposta da edição passada: USDA é o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, o órgão que solta os relatórios de safra que mexem com o preço das commodities no mundo todo.

Pergunta de hoje: o que é a febre aftosa, a doença que o Brasil precisou zerar sem vacina pra destravar mercados como o da Coreia do Sul?

A resposta você confere na próxima edição!

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