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Bom dia!
Pega o café antes que o calor do fim de semana chegue, que em cinco minutinhos você sai daqui sabendo mais que o vizinho. Depois de meses de bomba barata, a demanda por etanol enfim reagiu e o preço já ameaça subir. Angola abriu as porteiras e vem a São Paulo em setembro atrás do agro brasileiro. O país anunciou um plano trilionário pra tirar a safra do atoleiro, mas a conta fecha só lá em 2050. E, no meio disso tudo, a colheita vem recorde, com dois institutos batendo o martelo no mesmo dia e nem eles concordando no número.
Pra você começar a sexta um passo à frente do mercado.
Por Luciana Stival
TÁ QUANTO?
Os dados são publicados por BCB e Brapi.
As variações são calculadas em % diária e %YTD (Year to date)
Wall Street respira com a inflação americana mais fraca, mas a Bolsa brasileira foi na contramão e emendou mais uma queda, com o estrangeiro arrumando as malas e o dólar batendo no topo do ano. Câmbio alto engorda a margem de quem exporta soja, carne e café, só que, quando ele sobe por medo e não por confiança, o alívio no caixa já vem com prazo de validade.
O AGRO EM NÚMEROS
O Brasil vai colher como nunca

Fonte: Giphy
Parabéns, produtor, o Brasil vai colher a maior safra de grãos da sua história.
A Conab subiu a safra 25/26 pro recorde de 360,8 milhões de toneladas e, no mesmo dia, o IBGE cravou 353 milhões, os dois puxados pela soja batendo recorde. Mas não estranhe os dois darem números diferentes, cada um fez a conta com a régua que preferiu, o que importa é que apontam pro mesmo rumo, tem tanto grão que estão até vendendo.
Brincadeira à parte, acontece que safra cheia não enche bolso sozinha, com tanta oferta o preço sente o baque, e ainda falta a parte chata, "levar a montanha até Maomé", que é o assunto logo aqui embaixo. No fim das contas, colher a maior safra da história é só o começo, agora o desafio é vender bem e conseguir escoar.
NOS TRILHOS DO AGRO
O lado B do recorde

Fonte: Giphy
Pro produtor, o problema da safra recorde não está da porteira pra dentro, e sim depois dela, e o governo enfim admitiu o tamanho do buraco.
Foi lançado o Plano Nacional de Logística, que estima a necessidade de mais de um trilhão de reais em obras pra desafogar o transporte, boa parte esperada da iniciativa privada, com a promessa de tirar carga do caminhão e botar no trem e na barcaça.
A solução precisava de uma “viagem no tempo”: governo marcou pra novembro o novo contrato da BR-163 entre Mato Grosso e o Pará, com bilhões em obras e duplicação prometida, só que o problema é o relógio, o plano mira 2050 e a safra recorde precisa escoar neste ano, não na próxima década.
Enquanto o trilho não vem, a supersafra continua saindo pela estrada esburacada, no lombo do frete mais caro do mundo.
DEU B.O.
O mundo largou o copo de suco de laranja

Fonte: TheAgriBiz
O que assusta na crise da laranja não é a safra, é o freguês, porque o consumidor não abandonou a fruta, abandonou o copo. A CitrusBR, reunida no Nordeste esta semana, mostrou que o consumo mundial de suco de laranja despencou quase pela metade nos últimos quinze anos, enquanto o da laranja fresca quase não mudou.
O gatilho foi o preço, as quebras de safra e o greening secaram a oferta, empurraram o valor pra recordes e afugentaram o americano e o europeu do suco do café da manhã. A conta bate no exportador, o Brasil embarca quase o mesmo volume, mas fatura bem menos, com a Europa comprando quase um terço a menos.
É o poder do preço na mudança de hábitos.
COMO TÁ LÁ FORA?
Angola abriu a porteira, e chamou até a Vale

Fonte: Giphy
Pra quem queria uma barraquinha na feira, a Angola entregou a feira inteira.
O presidente João Lourenço vem a São Paulo em setembro atrás de investimento, num momento em que o país quer produzir em casa e importar menos comida, e já abriu terras mirando onde o Brasil é forte, proteína e grão. Na lista de convidados pra plantar junto entram pesos-pesados como Vale e Gerdau, além das agros já internacionalizadas, com promessa de sociedade, não só venda de máquina.
O negócio deixa de ser exportar soja e passa a ser vender o modelo do Cerrado, nossa “mina de ouro”.
NAS CABEÇAS DO AGRO
A China quer vender a semente, não só comprar o grão

Fonte: Globo Rural
A gigante chinesa DBN Biotech, da bilionária Mo Yun, anunciou que mira quase um terço do mercado brasileiro de biotecnologia de soja, aquele hoje dominado pela Bayer e pela Corteva, e disse estar disposta a abrir mão de lucro no começo pra acelerar a entrada.
A estratégia é de longo prazo, a empresa trouxe dezenas de sementeiros brasileiros pra conhecer a China, monta centro de pesquisa em Campinas e já prepara um pacote de sementes com controle de lagarta e tolerância a herbicida pra chegar à lavoura no fim da década.
Mais gente disputando o traço da soja pode baratear a tecnologia, mas troca um fornecedor conhecido pode ser arriscado.
POR DENTRO DO MERCADO
O etanol finalmente começou a reagir

Fonte: Giphy
Desde o começo da safra, em abril, o preço do etanol hidratado caiu quase um terço nas usinas paulistas enquanto a gasolina ficou parada, o que deixou o álcool competitivo na bomba e encheu o tanque das distribuidoras, mas afundou a margem de quem produziu.
Agora o jogo virou, o BTG reparou que os estoques pararam de crescer bem na época em que deveriam subir, sinal de que a demanda enfim respondeu, empurrada pela volta às aulas e pela paridade lá embaixo, a menor desde 2018. As tradings dizem a mesma coisa, o mercado está mais comprador, e o Cepea já registra o preço ensaiando a subida pra reequilibrar a conta.
Pro produtor de cana é rentabilidade na veia, cada centavo a mais no litro engorda direto o resultado das usinas, e o analista já fala em preço disparando na bomba. Depois de meia safra vendendo barato só pra girar caixa, a usina começa a enxergar a luz no fim do canavial.
PLANTÃO RURAL
O Banco do Brasil abre R$ 30 bilhões pra renegociar dívida: apresentando o balanço, o banco disse esperar renegociar cerca de R$ 30 bilhões em dívidas rurais na linha de juro controlado da MP das dívidas, com prazo de até oito anos; o vice de agro chamou o momento de "meteoro caindo no agro", mas disse enxergar retomada.
A NOAA subiu o El Niño de "forte" pra "muito forte": a agência americana elevou pra 93% a chance de o fenômeno ficar "muito forte" nos próximos meses, com o pico entre outubro e dezembro, o que acende alerta sobre a produtividade da safra de verão 2026/27.
A Minerva sangra caixa pra não perder a China: em vez de vender tudo, o frigorífico montou estoque recorde e ampliou o confinamento na América do Sul no segundo trimestre, redirecionando volume pra manter a fatia no mercado chinês apesar das cotas.
O pulverizador não parou nem na crise: a área tratada com defensivos cresceu 5% no primeiro semestre, com o volume subindo junto, puxada pela maior pressão de pragas, com destaque pra mosca-branca na soja, sinal de que veneno é dos últimos gastos que o produtor corta.
O governo abre R$ 850 milhões pra encher o armazém: o crédito é pra formação de estoques públicos, medida estratégica contra os efeitos do El Niño na safra, mais um capítulo do pacote de abastecimento que o governo vem montando de olho no clima.
O mundo largou o copo de suco de laranja: a CitrusBR alerta que o consumo mundial de suco despencou quase pela metade em quinze anos, com o preço recorde espantando o consumidor de EUA e Europa; a laranja fresca segue firme, quem murchou foi o suco.
A Cooperativa Piá pausa os laticínios no RS: a cooperativa gaúcha suspendeu a produção de laticínios, sinal de que o aperto de margem e custo também respinga na cadeia do leite do Sul.
SE DIVERTE AÍ
O jogo de hoje é sobre estratégia de tabuleiro. A dica é a Batalha Naval da Racha Cuca, aquela clássica de posicionar a frota na grade e ir chutando coordenada pra afundar os navios do adversário antes que ele afunde os seus, jogando contra o computador ou contra um amigo. Bora lá.
VIVENDO E APRENDENDO
Resposta da edição passada: a alienação fiduciária é a garantia em que o bem financiado (ou outro ativo dado em troca) fica juridicamente em nome do banco até a dívida ser quitada. Se o produtor não paga, o credor retoma o bem de forma bem mais rápida do que numa penhora comum, e é justamente esse risco menor que faz o banco soltar o crédito com mais facilidade, e exigir cada vez mais esse tipo de lastro.
Pergunta de hoje: o que é a NOAA, que acabou de elevar o El Niño para "muito forte"?
A resposta você confere na próxima edição!

