APRESENTADO POR

Bom domingo!

Hoje o café pode ser sem pressa, porque a edição inteira é sobre coisa que estava na nossa frente e ninguém tinha reparado. Tem três siglas que todo mundo embaralha no balcão, e uma delas não protege nada. Tem uma janela de 90 dias na lei que abre justamente no dia em que você pede socorro. Tem australiano gastando fortuna em cerca de arame enquanto o resto do mundo compra sensor. E tem 27 espécies de abelha batendo ponto na sua soja. Ainda ficam 5 paradas pra abrir com calma, a pergunta de hoje pra responder de cabeça e a agenda dos eventos que vêm por aí.

Desce o dedo e vem comigo.

Por Luciana Stival.

RURALIDADES

  • Territory (série, Netflix): a maior fazenda de gado do mundo fica sem comando definido e as facções da família partem pra cima do controle da terra. São 6 episódios de 57 minutos, sucessão mal feita filmada de perto, do tipo que qualquer um que já sentou numa reunião de família reconhece na hora.

  • Planejamento Financeiro do Produtor Rural (livro, José Luís Bassani, Editora B18, 2026): 305 páginas em 11 partes que tratam a fazenda como balanço, e não como lavoura. Passa por custo de produção, crédito rural, derivativos, seguro e gestão de patrimônio, na ordem em que a decisão aparece. Serve de checklist antes de assinar a próxima safra financiada.

  • Aegro (plataforma de gestão, teste grátis por 7 dias): tira o controle da fazenda do caderno e da planilha e junta financeiro, custo por talhão, emissão de nota, máquina e monitoramento por satélite no mesmo lugar. O teste não pede cartão de crédito, então dá pra ver em uma semana se a sua operação cabe no sistema antes de pagar qualquer coisa.

  • Agro Jovem Podcast (podcast, grátis no Spotify e no YouTube): 129 episódios com produtor e especialista falando de sucessão familiar, dinheiro, inovação e o que dá errado no meio do caminho. O apresentador é o Lucas Dierings.

  • Prosperato (produto, Caçapava do Sul/RS): azeite extravirgem da Campanha Gaúcha que a marca apresenta como o mais premiado do Brasil, com monovarietais e blends de 55 mL a 5 litros.

A HISTÓRIA POR TRÁS

Ele foi procurar polo de inovação e estava sentado dentro de um

Fonte: Giphy

Em 2005, um pesquisador de Piracicaba resolveu contar os polos tecnológicos reconhecidos do país e achou cinco: três de informática e dois setoriais, petróleo e aeroespacial. Agricultura, nada. E ele fez a conta numa cidade que tinha escola de agricultura desde 1901.

Faltava só o nome. O resto estava montado havia um século: em 1892 um fazendeiro doou a fazenda da família ao governo paulista com uma condição, que ali nascesse uma escola de agricultura. Virou a Esalq. Depois vieram cooperativa, centro de pesquisa e, em 2013, um coworking de agro numa época em que falar de inovação aberta no setor soava quase como palavrão.

O batismo veio em 2016, numa reunião do conselho municipal, sem CNPJ, sem verba e sem sede. Hoje são 136 organizações no perímetro. Nem sempre, quem mora dentro é quem enxerga primeiro.

POR AÍ NAS REDES

Você está defendendo o agro do público errado

Fonte: Canal Rural

Repara na distância entre o que a gente sente e o que o outro pensa. Numa pesquisa com 3.100 produtores, 65% acham que a cidade os enxerga mal. Só 5% acreditam ter boa imagem.

Aí vem a pegadinha. Outro levantamento, com outra amostra, mostra 7 em cada 10 brasileiros com visão positiva do setor. E entre os que torcem contra, mais da metade tem de 15 a 29 anos. Não é a cidade, é uma faixa etária.

E olha que pensavam ser a “geração da informação”. Não devem gostar de “leite de vaca, preferem “leite de caixinha”. A moral da história é que tem muita gente que anda muito de elevador e nunca andou a cavalo pra expandir a visão de mundo.

DICA AGRO ESPRESSO

Quebrou a safra. Qual dos seus três papéis paga?

Fonte: Giphy

Faz o teste comigo, de cabeça, sem abrir a gaveta. Seguro rural, Proagro e CPR: um repõe a sua receita, um perdoa a dívida e um não faz nada disso.

O que repõe é o seguro, e só ele. O Proagro é programa do Banco Central, perdoa o custeio e não devolve a safra. A CPR é promessa de entrega, e chuva não é desculpa que o comprador aceita de graça. Indenização quem paga é seguradora, e apólice se contrata antes, por fora do banco. Conclusão: é o mal-entendido mais caro do balcão.

E tem dinheiro do governo na mesa. A subvenção federal paga 20% do prêmio na soja e 40% nas outras culturas, mais no Norte e no Nordeste, até R$ 120 mil por ano. Pede-se à seguradora na hora de contratar, não depois. E a régua é dura. Menos de 5% da área plantada do país tem apólice, contra quase 90% nas grandes lavouras americanas. Proteção que ninguém contrata não é proteção. E, nem sempre, quem mais precisa é quem vai ligar pro corretor amanhã.

COLHENDO CAPITAL

O juiz pode desfazer o que você pagou nos últimos 90 dias

Fonte: Giphy

Imagina a cena: o caixa apertou, o fornecedor que mais liga recebe primeiro, e um mês depois a empresa pede recuperação judicial. Parece esperto, mas a lei chama de outra coisa.

A Lei 11.101 marca uma janela de 90 dias antes do pedido e olha tudo que aconteceu ali dentro. Pagou dívida que nem tinha vencido? Quitou de um jeito diferente do contrato? Deu a fazenda em garantia de dívida velha? Se a recuperação virar falência, o juiz desfaz, e quem recebeu devolve o dinheiro pra ser dividido entre todos os credores. Sem ninguém precisar provar má-fé. Doação é pior: dois anos pra trás.

E isso corta dos dois lados (“Lá ele!”). Se a empresa em apuros é a sua, o pagamento que calou o credor barulhento pode voltar. Se você é quem recebeu na véspera, pode ter que devolver. A blindagem está no plano homologado: o que está escrito nele fica de pé. Só no primeiro trimestre foram 474 pedidos no agro. Pagar por fora, na véspera, não é acordo. É prova de que alguém foi passado na frente.

COMO TÁ LÁ FORA?

Enquanto você orça sensor, a Austrália orçou arame

Fonte: InDaily

Imagina uma cerca que começa no mar e só para na divisa do estado vizinho. A Austrália do Sul está refazendo os trechos centenários dessa barreira de 2.110 quilômetros contra cão selvagem, uns 1.600 quilômetros de arame velho. A obra começou em 2020, era pra acabar em 2024 e a meta virou junho deste ano.

O número que interessa está do outro lado da cerca. No norte do estado, os ataques ao rebanho caíram de cerca de mil por ano para 65. E o governo não justificou a obra com produtividade, justificou com benefício líquido de até 112,9 milhões de dólares australianos em vinte anos, protegendo uma cadeia pecuária de 4,3 bilhões.

Ressalva honesta: tem biólogo lembrando que o dingo controla herbívoro também. Além disso, fica o incômodo pra quem vende tecnologia.

Pra você, quanto do risco deve estar coberto por arame e quanto por painel?

PAUTA VERDE

Você tem 27 funcionárias a ponto de serem despejadas

Fonte: Giphy

Em Rio Verde e Montividiu, no sudoeste de Goiás, um levantamento espalhou pratos azuis pelas lavouras e contou 764 abelhas de 53 espécies. Quarenta apareceram dentro da soja, e 27 nunca tinham sido registradas na cultura.

Porém, seis em cada dez dessas espécies fazem ninho no chão. Traduzindo pro seu talhão, a borda de mata que entra na planilha como custo ambiental é o alojamento delas, e gradear a divisa é pôr várias com “ordem de despejo” no meio do expediente. A janela de inseticida entra na mesma conta, e as fazendas com bioinsumo, aliás, mantinham a turma mais equilibrada.

O que dá pra fazer é barato: antes de mexer no solo da borda, lembra quem mora lá.

E AÍ, BORA?

Setembro

  • Feedlot Summit Brazil: o maior encontro técnico de confinamento da América Latina. De 16 a 18 de setembro em Goiânia (GO).

  • Fórum Pecuária Brasil: um dia inteiro de mercado do boi, do indicador do preço ao futuro na B3, reunindo frigoríficos e pecuaristas, no dia 16 de setembro, em São Paulo (SP).

  • 15º Congresso Brasileiro do Algodão: plenárias, hubs temáticos e cursos curtos ligando ciência aplicada, rastreabilidade e qualidade de fibra ao planejamento da cadeia, de 22 a 24 de setembro, no Expominas, em Belo Horizonte (MG).

Outubro

  • GAFFFF, Global Agribusiness Festival: o festival que junta painéis, música e gastronomia do agro num estádio. Dias 1 e 2 de outubro no Allianz Parque, São Paulo (SP).

  • Seafood Show Latin America: feira da cadeia do pescado e da aquicultura, com foco em sustentabilidade e mercado internacional. De 20 a 22 de outubro em São Paulo (SP).

  • 26ª Conferência Internacional DATAGRO: safra, preço e regulação do sucroenergético com quem decide, dias 26 e 27 de outubro, em São Paulo (SP).

  • AveSui América Latina 2026: a feira de referência em aves, suínos e peixes, com tecnologia e negócios da proteína animal, de 27 a 29 de outubro, em Cascavel (PR).

Novembro

SE DIVERTE AÍ

Domingo pede jogo que cabe entre um café e outro. No GeoPin você tem 2 minutos e meio pra cravar o alfinete no mapa: escolhe se a pista vem por foto, por bandeira ou pelo nome do lugar, olha o painel e clica onde acha que é. O ponto é por proximidade, então chegar perto já conta. Dica de amigo: dá zoom antes de confirmar, porque no mapa aberto o dedo erra por país inteiro.

VIVENDO E APRENDENDO

Resposta da edição passada: é a genética da galinha, e só. Poedeira leve põe ovo de casca branca, semipesada põe vermelha. A ração muda a cor da gema, nunca a da casca, e no valor nutricional os dois empatam.

Pergunta de hoje: o amendoim dá flor no alto da planta. E a vagem, onde é que ela se forma?


A resposta você confere na próxima edição!

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