APRESENTADO POR

Bom dia!

A edição de hoje vem com Brasília voltando do recesso com a caixa de entrada lotada e um trio na pauta que mexe com o agro. No noticiário, a laranja na Flórida tenta sobreviver, as planilhas daqui seguem falando em safra grande de soja e o Sul já aparece no radar de onda de calor. E no Plantão Rural, tem portão travado em Santarém e Raízen escorregando pra baixo de R$ 1.

Pra você acordar bem informado

Por Enrico Romanelli

TÁ QUANTO?

FOCUS 2026 Semana 2027 Semana
Câmbio (R$/US$) 5,50 0,00% 5,50 -0,11%
IPCA (%) 3,99 -0,24% 3,80 0,00%
PIB (%) 1,80 0,00% 1,80 0,00%
Selic (% a.a.) 12,25 0,00% 10,50 0,00%

Os dados são publicados por BCB. A variação considerada nesta tabela é semanal.

ASSUNTO DE GABINETE

Volta às aulas em Brasília

Foto: Wikipedia

O Congresso Nacional voltou aos trabalhos nesta segunda-feira (2) com cara de quem abriu o e-mail e achou uma pancada de mensagens não lidas. Tem 73 vetos presidenciais na fila e 53 deles travam toda a rotina do Congresso. No topo do cardápio tão o acordo Mercosul-União Europeia, os vetos que sobraram na lei do licenciamento ambiental e uma alteração na Lei de Cultivares.

Do lado do acordo, o governo resolveu tirar a pauta da fila pra tentar botar em jogo o quanto antes. O presidente Lula jogou o texto no peito do Congresso e pediu aprovação no menor prazo possível, com a ideia de o Mercosul fazer a lição de casa rápido e dar sustentação política pra quem, do lado europeu, ainda enfrenta judicialização e resistência de vários lados.

Enquanto isso, o licenciamento ambiental volta pro centro da roda porque a Lei 15.190 de 2025 saiu com 59 dispositivos vetados e, mesmo depois de o Congresso votar e derrubar uma boa parte em novembro, ainda tem 7 pontos pendurados, esperando pra ver o que vai rolar. O mais tenso é o licenciamento ambiental simplificado, aquele modelo que tenta resolver tudo num processo só pra facilitar a vida de certos empreendimentos. Pro povo do Executivo, isso pode abrir uma certa margem pra impactos ambientais mais relevantes, o que pode enfraquecer a função do licenciamento. No Congresso, o assunto racha o elenco, principalmente com gente ligada a infraestrutura e expansão agropecuária defendendo que sem destravar, o país fica estacionado pelo caminho.

No meio desse pacote, entrou também a novela da Lei de Cultivares. O projeto que altera a proteção de variedades vegetais avançou na Câmara e divide o campo porque mexe direto no tempo de cobrança de royalties. A proposta empurra o prazo das culturas anuais como soja e milho de 15 pra 20 anos e o das perenes como frutíferas e cana-de-açúcar de 18 pra 25 anos, com o argumento de alinhar o Brasil aos padrões internacionais e incentivar investimento em melhoramento genético e ainda mais pesquisas e inovações tecnológicas. A semente salva vai continuar de boa, com produtor de até 4 módulos fiscais sem pagar royalties pela semente feita na própria propriedade desde que não comercialize, e acima disso a cobrança média gira em torno de 7% do valor da saca de semente.

COMO TÁ LÁ FORA?

Laranja tentando sobreviver no frio da Flórida

Foto: Freepik

A USDA já tinha jogado a bomba que dá calafrio mesmo sem frente fria: a colheita de laranja pra suco nesta temporada pode ser a menor desde 1930. E aí a Flórida resolveu colaborar com o roteiro dramático e entrou numa sequência de frio bruto, com alertas de congelamento pelo estado inteiro, segundo o National Weather Service. Em números, teve mínima de -6 °C em Jacksonville, -4 °C em Orlando e -2 °C em Tampa, com recordes diários no pacote.

Na citricultura, esse tipo de frio não entra como susto e sai como história pra contar. O meteorologista Jim Roemer disse que rolaram muitos danos significativos nas laranjas que ainda tavam sendo colhidas na região central do estado, com áreas importantes ficando abaixo de -2 °C por mais de 4 horas. E ainda rolou alerta de que algumas árvores podem ter sofrido dano permanente, já que a temperatura ficou abaixo de -4 °C por 4 horas. Ou seja, não foi só geada, foi quase uma prova de resistência do BBB.

O detalhe cruel é que o setor já vinha mal das pernas por causa do greening, a doença que vem puxando o tapete faz tempo e derruba fruto antes da hora. Aí, quando o termômetro resolve virar vilão, o estrago pega uma cadeia que já tava fragilizada e deixa a safra com cara de Last Dance. Mesmo assim, o mercado futuro de suco de laranja fez o contrário do que o senso comum esperaria e caiu até 11%, a maior queda intradiária desde 2010, como se tivesse alguém lá fora apostando que dá pra salvar mais fruta do que parece.

E a pressa nesse caso é amiga da produção. Teve produtor apelando pra pulverizador de água pra criar uma camada de proteção e tentar salvar o que dá, além de correr pra tirar fruta e processar antes que amoleça e apodreça. Pra completar, o frio puxou a tomada junto, a Duke Energy pediu economia de eletricidade e o U.S. Department of Energy liberou mais usinas ligadas pra segurar a demanda, num cenário em que mais de 138.000 imóveis ficaram sem energia nos EUA, com o Sul no meio do aperto. É bom que resolvam isso logo, com o frio que tá fazendo no país todo, não vai ser só fruta que vai sofrer e apodrecer

O AGRO EM NÚMEROS

Planilhas mais gordas e calotes crescendo

GIF: Pinterest

A StoneX precisou dar uma engordada nas previsões da safra 2025/26 e colocou a soja em 181,6 milhões de toneladas, apoiada em uma área plantada de 48,7 milhões de hectares com uma produtividade esperada de 3,73 toneladas por hectare. E saindo um pouco da projeção e indo pro barulho da colheitadeira, a AgRural diz que a colheita da soja tá acelerando e saiu de 5% na semana passada pra 10% da área no Brasil nessa semana, um leve aumento sobre os 9% da mesma época no ano passado. Mato Grosso segue puxando o bonde com 28,5% colhidos, Rondônia aparece com 15% e o Paraná vem com 11,4%.

No milho 1ª safra, a projeção também deu uma crescida, e foi pra 26,6 milhões de toneladas, com destaque pro Paraná flertando com rendimento médio de 11,5 toneladas por hectare. Largando as expectativas de lado e botando o pé no campo, 10% já tá colhido no Centro-Sul, ritmo melhor que o da semana anterior, mas ainda atrás dos 14% de 1 ano atrás. Já a 2ª safra ficou estimada em 106,3 milhões de toneladas, com ajuste bem fininho, só pra não passar em branco. E o plantio da safrinha 2026 engrenou com força e chegou a 12% da área no Centro-Sul, acima dos 5% de 1 semana atrás e também acima dos 9% do mesmo período na última temporada.

Só que nem toda planilha tá sorrindo, e o crédito rural foi o lembrete mais duro nessa virada de ano. O Banco Central do Brasil fechou 2025 com inadimplência recorde de 6,5%, bem acima dos 2,3% de 2024. Nas operações com taxas livres, a pessoa física encerrou o ano em 12%, e no crédito direcionado do Plano Safra a inadimplência da pessoa física foi pra 2,6%, enquanto entre empresas do agro o índice geral ficou em 0,6%.

E ESSE TEMPO, HEIN?

Calor pesado no Sul e soja com o olho na previsão

GIF: Spongebob on Tenor

O Inmet já avisou que fevereiro começa com o forno ligado no máximo e sem botão de desligar. Saiu um alerta vermelho de onda de calor a partir de terça-feira (3) até sábado (7), pegando Rio Grande do Sul e Santa Catarina com força e arrastando áreas do Paraná também. Pela definição da Organização Meteorológica Mundial, a tal onda de calor é quando a temperatura fica 5°C ou mais acima do normal por pelo menos 5 dias seguidos, e o aviso cobre mais de 500 municípios. Não é calor de verão comum, bom pra tomar sol e pegar marquinha, é daqueles que não dá nem vontade de sair do ar condicionado.

Esse bafo não fica só na sensação térmica e no humor da humanidade, ele entra no campo sem pedir licença. O alerta maior tá no Rio Grande do Sul, porque cerca de 15% das lavouras de soja do estado tão em fase de enchimento de grãos, aquela em que a produtividade decide se vai sorrir ou fazer cara fechada dependendo de quanta água ela bota pra dentro, e ainda existe risco pra áreas mais tardias do Paraná, de Santa Catarina e do sul de Mato Grosso do Sul se a chuva continuar fazendo corpo mole.

PAUTA VERDE

Moratória da soja perde os pesos-pesados e o barulho já chegou no caixa

Foto: Fundação Solidaridad

Greenpeace Brasil, WWF Brasil e Imaflora meteram a boca no trombone e quiseram enfiar o dedo na ferida a respeito da saída da Abiove e de 19 tradings da Moratória da Soja. Na visão delas, a decisão afrouxa um dos principais freios que ajudavam a vender a soja brasileira como limpa no mercado internacional e, de quebra, aumenta o risco de a Amazônia virar plano de expansão sem muita fiscalização no olhar do comprador.

O argumento é que, ao abandonar o acordo, as empresas tão assumindo o risco e vão carregar a responsabilidade pelos efeitos do que pode vir depois, principalmente se a expansão da soja abrir espaço pra mais derrubada de floresta e mais emissões. As entidades citam estimativas da The Nature Conservancy que projetam até 9,2 milhões de hectares de desmatamento potencial com o fim da moratória, o que também atrapalha a meta brasileira de zerar o desmatamento até 2030. E tem um tempero bem direto nessa decisão, desde 01/01 entrou em vigor em Mato Grosso a Lei Estadual nº 12.709/2024, que tira os benefícios fiscais de empresas que seguem na moratória, então deixou de ser algo ambiental pra virar contabilidade.

No meio disso, a lista de quem saiu pesa, com ADM do Brasil, Amaggi, Bunge, Cargill, Louis Dreyfus Company, Cofco e 3tentos, e isso já acendeu luz amarela na União Europeia. O Retail Soy Group mandou carta cobrando de tradings quais critérios vão segurar daqui pra frente, com cópia pra Marina Silva, enquanto as ONGs pedem pros grandes compradores de soja apertarem os fornecedores pra manterem padrão de desmatamento zero, mesmo sem a moratória fazendo o papel de porteiro.

PLANTÃO RURAL

  • Portão travado em Santarém. Manifestantes bloquearam a entrada do terminal da Cargill em Santarém (PA) e travaram a ida e volta de caminhões com grãos. A empresa diz que não há ocupação dentro da operação. Segundo o g1, o protesto envolve indígenas contra obras no Rio Tapajós.

  • Halal com manual de instruções. O Projeto Halal do Brasil lançou curso online e gratuito pra quem quer exportar alimento e bebida pra mercados muçulmanos. O mercado halal gira perto de US$ 1,88 trilhão ao ano e o Brasil já exportou US$ 26,44 bilhões em alimentos e bebidas pra países da OCI em 2025, mas ainda dá pra trocar commodity por produto com mais valor.

  • Biometano no caminhão do suco. A Citrosuco vai testar biometano em 3 caminhões por 3 meses, com tração a gás e alcance de 500 km por abastecimento. As rotas rodam entre fazendas e fábricas no entorno de Matão (SP) e Araras (SP) e também até o terminal em Santos (SP), com promessa de evitar até 80 toneladas de CO2 no período.

  • Raízen escorregou pra menos de R$ 1, de novo. A ação da Raízen caiu 8,74% e bateu R$ 0,94, voltando a ser considearada uma penny stock, enquanto o mercado olha o pacote completo, compra da fatia da Sumitomo na Raízen Biomassa pra virar dona de 100% e uma dívida líquida de R$ 53,4 bilhões no 2º tri da safra 2025/26, alta de 48,8% em 1 ano.

  • Febreiro virou sala de aula em MT. O Senar MT prometeu agenda lotada e vai rodar mais de 1.000 cursos em 127 municípios, com apoio de 95 sindicatos rurais. Tem Formação Profissional Rural e Promoção Social, com foco em NRs pra reduzir acidente, inclusão digital pra colocar tecnologia no bolso e capacitação em máquinas e implementos, porque modernização sem operador treinado só dá dor de cabeça e oficina cheia.

SE DIVERTE AÍ

Hoje o desafio é o Contexto, aquele jogo em que você tenta adivinhar a palavra secreta chutando termos e vendo o quão perto tá pelo sentido, não pelas letras. Vale começar com palavras do agro tipo soja, boi, clima, crédito, fertilizante e ir afinando até chegar na resposta. Joga aí, testa seu dicionário e depois conta quantos chutes você precisou pra matar a charada.

VIVENDO E APRENDENDO

Resposta da edição passada: Painço

Pergunta de hoje: Qual fruta amazônica tem mais vitamina C que a laranja e já foi usada em campanhas de combate à desnutrição?

A resposta você fica sabendo na próxima edição!

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