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Bom domingo!

Hoje a gente tira o pé do acelerador e olha pro agro que não cabe na correria da semana, o que tem de história, ciência e cultura por trás de tudo que chega no seu prato. Tem o boi que veio da Índia e virou a picanha nacional, a cooperativa que fez 50 anos provando que junto se cresce mais, o campo cheio de drone mas sem sinal de celular, a revolução que começou deixando a terra quieta, o jeito de virar sócio do agro sem ter um pé de terra e a maior festa do agro, que nasceu numa mesa de bar. Ainda tem 5 paradas de cultura pra curtir com calma, um joguinho pra distrair e a agenda dos eventos que vêm por aí.

Pra você começar a semana com a bateria recarregada.

Por Luciana Stival

RURALIDADES

  • Yellowstone: a saga da família Dutton defendendo o maior rancho de gado dos Estados Unidos vira um faroeste moderno sobre terra, herança e poder, com Kevin Costner de chapéu.

  • Kiss the Ground: narrado por Woody Harrelson, mostra como cuidar do solo, essa coisa que a gente pisa sem pensar, pode ser uma das maiores ferramentas contra a crise do clima.

  • The Biggest Little Farm: um casal larga a cidade, compra uma terra esgotada na Califórnia e passa oito anos transformando ela numa fazenda viva de novo, com todos os perrengues reais no meio do caminho.

  • O dilema do onívoro: parte da prateleira do supermercado e refaz o caminho da comida de trás pra frente, do prato até o solo, pra você entender de verdade o que está comendo.

  • Native: a marca brasileira que virou a maior produtora de açúcar orgânico do mundo, provando que dá pra sofisticar o agro sem sair da cana.

RETRATO NO CAMPO

O pequeno que virou gigante quando parou de jogar sozinho

Fonte: Giphy

No agro, força quase nunca é obra de um herói solitário, é gente pequena que se juntou pra ter tamanho de gente grande, e a cooperativa é a prova viva disso. Sozinho, o produtor compra caro, vende barato e não tem a quem recorrer; reunido, ele ganha escala pra negociar insumo, guardar a safra, agregar valor e chegar ao mercado de igual pra igual.

Não é bondade, é estratégia, e o número mostra o tamanho da jogada: no Brasil, as cooperativas agrícolas respondem por mais da metade da originação de grãos e fibras do país, com mais de um milhão de cooperados.

Pra ver a bola de neve rolando, olhe a Coopercitrus, que acaba de completar 50 anos: nasceu em 1976 da fusão de pequenas cooperativas no interior paulista e hoje reúne mais de 40 mil cooperados e movimenta bilhões por ano.

O recado pro jovem do agro é meio contraintuitivo num mundo apaixonado pelo "self-made": às vezes o caminho mais esperto pra crescer não é competir com o vizinho, é somar com ele.

MENTES QUE GERMINAM

O boi que desembarcou da Índia e conquistou o Brasil

Fonte: Nelore.org

O maior rebanho comercial do planeta não é lá muito brasileiro de nascimento, e essa é justamente a sacada. O gado que sustenta a picanha nacional é o Nelore, de origem indiana, que aportou por aqui em 1868, quando um navio a caminho da Inglaterra ancorou em Salvador com um casal da raça a bordo.

Rústico, resistente ao calor e ao carrapato, o zebu se deu bem no clima tropical onde o boi europeu penava, e virou a espinha dorsal da pecuária: hoje cerca de 80% do gado de corte do país é Nelore ou tem sangue dele, algo como 100 milhões de cabeças.

O mais bonito é o plot twist: o Brasil pegou o animal emprestado da Índia, investiu décadas em melhoramento genético e hoje exporta de volta touros, sêmen e embriões, vendendo tecnologia pecuária até pra terra onde a vaca é sagrada. É a prova de que no agro o que vale não é só de onde a semente (ou o boi) veio, é o que você faz com ela depois.

CAMPO CONECTADO

A fazenda tem drone, satélite e GPS, mas falta sinal de celular

Fonte: Giphy

O agro brasileiro adora falar em agricultura de precisão, drone pulverizando e trator que dirige sozinho, mas tem um detalhe pouco glamouroso segurando a revolução: no meio da lavoura, muitas vezes não pega internet.

O tamanho do buraco assusta, só 28% das áreas irrigadas por pivô central no Brasil têm cobertura 4G ou 5G, e apenas 13% desses equipamentos estão de fato conectados, segundo levantamento da ConectarAGRO. Ou seja, a tecnologia de ponta chega ao campo e esbarra na falta do básico.

A leitura pro setor é que a próxima fronteira de produtividade talvez não seja um insumo novo nem uma semente turbinada, e sim antena. Sem sinal, não há sensor, rastreabilidade nem gestão remota que funcione, e o produtor que gastou caro numa máquina inteligente acaba com um puta computador de bordo rodando no escuro.

Conectar o campo virou tão essencial quanto adubar.

PROGRAMA DE INDICAÇÃO

Se prepara: amanhã tem reformulação chegando

Fonte: Giphy

Reformulamos o programa de indicação e ele voltou tipo sequência de sucesso: melhor que o original.

Os prêmios subiram de nível e agora tem recompensa boa te esperando em cada indicação. Quanto mais gente você traz pra news, mais coisa você desbloqueia.

Sua missão, caso decida aceitar: reunir a sua equipe .

Chama o amigo do trabalho, o colega de faculdade, a galera do grupo do zap. Tipo os Vingadores, só que do agro.

Porque no fim é aquilo: coisa boa a gente compartilha. Eles ganham a melhor news do agro, você acumula prêmio e todo mundo sai no lucro.

Bora montar esse time? Amanhã começa o desafio!

PAUTA VERDE

A revolução que começou deixando a terra quieta

Fonte: Giphy

Por séculos, arar a terra, revirar o solo antes de plantar, foi sinônimo de agricultura, até um punhado de produtores e pesquisadores no Sul do país, lá nos anos 1970, resolver fazer o contrário: plantar por cima da palha, sem revolver nada. Parecia preguiça, era ciência.

O plantio direto deixa os restos da safra anterior cobrindo o chão, o que segura a água, trava a erosão que levava a terra fértil ladeira abaixo e ainda prende carbono no solo.

Deu tão certo que o que começou em poucos milhares de hectares virou dezenas de milhões, e o modelo tropical brasileiro hoje é referência mundial de agricultura de conservação, estudado pela própria FAO.

A moral da história é que nem toda inovação no agro é uma máquina nova e barulhenta; às vezes a maior virada é decidir, com muito conhecimento por trás, simplesmente não mexer.

COLHENDO CAPITAL

Dá pra ser dono de um pedaço do agro sem ter fazenda

Fonte: AGFeed

Sempre existiu um muro entre quem torce pelo agro e quem de fato ganha dinheiro com ele: pra botar capital no setor mais forte da economia, parecia obrigatório ter terra, trator e muita coragem. O Fiagro derrubou esse muro. Criado por lei em 2021, é um fundo negociado na bolsa, a mesma B3 das ações, que junta o dinheiro de muita gente pra emprestar ao produtor, comprar terra pra arrendar ou virar sócio de empresa do setor, e devolve o rendimento ao investidor, na maioria das vezes livre de imposto de renda pra pessoa física.

Deu tão certo que em poucos anos quase 600 mil brasileiros viraram, na prática, pequenos financiadores da safra sem nunca ter calçado uma bota, e o patrimônio dos fundos já saltou para a casa das dezenas de bilhões de reais.

A leitura pro setor é dupla: pro produtor, é uma torneira de crédito nova, além do banco e da trading; pro jovem que ama o agro mas mora na cidade, é a chance de ter pele no jogo pelo preço de um par de tênis.

O campo virou, também, um ativo de bolsa.

QUAL A BOA?

A maior festa do agro nasceu numa mesa de bar

Fonte: Independentes

Todo grande movimento cultural do agro tem uma origem menos épica do que parece, e a da maior festa country da América Latina cabe numa mesa de boteco. Em 1955, um grupo de rapazes de Barretos, Os Independentes, teve a ideia de organizar festas inspiradas na lida das fazendas pra arrecadar dinheiro pra caridade; um ano depois, sob a lona de um circo velho, rolava a 1ª Festa do Peão de Boiadeiro. O que era brincadeira de peão virou o modelo copiado pelo Brasil inteiro.

Sete décadas depois, Barretos é a capital do rodeio brasileiro, o maior rodeio da América Latina, que reúne mais de 1 milhão de pessoas todo agosto e mantém o DNA beneficente, bancando parte do Hospital de Amor com a renda da festa. Fica de lembrete pro jovem do agro de que cultura também é economia: a mesma festa que toca moda de viola e solta touro na arena move hotel, comércio, música e caridade. O agro não é só o que se planta, é também o que se canta.

E AÍ, BORA?

Agosto

  • Agroleite: a maior vitrine de tecnologia do leite da América Latina. De 3 a 7 de agosto em Castro (PR).

  • Webinar: O distribuidor do agro no futuro: uma conversa on-line com o CEO da CWS Platform sobre o futuro da distribuição no agro, dia 4 de agosto, ao vivo no YouTube.

  • Congresso ANDAV: onde a distribuição de insumos debate o futuro do balcão do agro. De 11 a 13 de agosto em São Paulo (SP).

  • Fenasucro & Agrocana: a feira mundial de bioenergia, açúcar e etanol. De 11 a 14 de agosto em Sertãozinho (SP).

  • Beefday: encontro técnico de pecuária de corte, com análises de mercado, manejo de pastagens e nutrição animal. Dia 12 de agosto em Colina (SP).

  • Congresso AvAg (Aviação Agrícola / SINDAG): o maior evento mundial de aviação agrícola. De 18 a 20 de agosto em Goianápolis (GO).

  • Conferência Brasileira Clima e Carbono (CBCC): principal encontro do mercado de carbono e clima do Brasil, em fase de implementação pós-COP30 e regulamentação do SBCE. De 27 a 28 de agosto em São Paulo (SP).

  • 71ª Festa do Peão de Boiadeiro de Barretos: o maior rodeio da América Latina, de 20 a 30 de agosto, em Barretos (SP).

  • Expointer: a 49ª edição de uma das maiores feiras agropecuárias do país reúne genética, máquinas e a agricultura familiar, de 29 de agosto a 6 de setembro, em Esteio (RS).

Setembro

  • Expointer: a maior feira agropecuária da América Latina. De 29 de agosto a 6 de setembro em Esteio (RS).

  • Feedlot Summit Brazil: o maior encontro técnico de confinamento da América Latina. De 16 a 18 de setembro em Goiânia (GO).

  • Fórum Pecuária Brasil: um dia inteiro de mercado do boi, do indicador do preço ao futuro na B3, reunindo frigoríficos e pecuaristas, no dia 16 de setembro, em São Paulo (SP).

Outubro

Novembro

  • ACATE AgTech Summit: o encontro das agtechs, com foco em IA e rastreabilidade. Dia 5 de novembro em Florianópolis (SC) e online.

SE DIVERTE AÍ

Domingo pede passatempo sem compromisso, e a dica de hoje é pra quem não desgruda de uma boa playlist: o Bandle toca uma música famosa começando por um instrumento só, o baixo, depois entra a bateria, o violão, e vai somando camada por camada enquanto você tenta cravar qual é em até seis tentativas. Tem versão diária e até modo multiplayer pra desafiar a família na mesa do café, roda no celular, é rapidinho e a interface está em português. Cuidado que vicia.

VIVENDO E APRENDENDO

Resposta da edição passada: a cota de importação é o limite de quantidade que um país libera para a entrada de um produto estrangeiro com imposto baixo (ou zero); o que passar desse teto paga tarifa bem mais alta. No caso da carne, a China deixa entrar cerca de 1,1 milhão de toneladas nessas condições melhores, e o que exceder encarece, é assim que o comprador controla quanto o Brasil vende lá dentro sem precisar fechar a porta de vez.

Pergunta de hoje: de qual país veio originalmente o gado zebu, base do rebanho de corte brasileiro?


A resposta você fica sabendo na próxima edição!

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