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Bom dia!
Terça depois da disparada do dólar é dia de refazer a conta, e a balança começa pela arroba, no maior valor em dólar da série do Cepea. No outro prato, o leite spot caiu em todos os estados, e a China deixou uma planta da MBRF esperando resposta sem dizer por quê. A conta que abre a edição é a do dólar, que disparou na segunda e separou, na bolsa, quem vende lá fora de quem deve aqui. Descendo a tela tem mais.
Pra você pôr cada coisa no prato certo antes de vender.
Por Luciana Stival.
TÁ QUANTO?
Os dados são publicados por BCB. A variação considerada nesta tabela é semanal.
A Holanda promete até meio bilhão de dólares, ao longo de uma década, ao fundo florestal liderado pelo Brasil. O fundo funciona como uma poupança que rende e faz repasses anuais aos países conforme a área de floresta tropical que conseguem manter de pé.
MEXEU NO SEU BOLSO
Dólar bate R$ 5,60 e agro da B3 vira gangorra

Fonte: Giphy
No primeiro pregão pós-reeleição, o dólar bateu R$ 5,60 de manhã e fechou a R$ 5,40. A B3 acionou o circuit breaker pela primeira vez desde 2020, e o Ibovespa fechou em queda de 13,88%.
No agro, a bolsa virou gangorra com o dólar no meio. Suzano e JBS subiram com ele, Cosan, Camil, 3tentos e Raízen caíram. Para Luca Vello, da Genial, a curva de juros abriu muito, e isso castiga a empresa muito endividada.
Fora da bolsa, a gangorra é a mesma. Para Eduardo Vanin, da Agrinvest, o câmbio pode melhorar o preço da soja e do milho, e na soja pode acelerar a venda, sobretudo da safra 2026/27. Mas, para ele, diesel mais caro encarece o frete e leva parte do ganho. Fertilizante e defensivo importados podem subir em reais. Felippe Serigati, do FGV Agro, segue o diesel até o banco: inflação, juro e crédito mais caro para o produtor.
Ainda de manhã, a curva de juros já apostava mais numa alta da Selic na semana que vem, depois de dar o corte como quase certo antes do segundo turno. A duração e a força da alta do dólar, dizem os analistas, passam pelos primeiros sinais da política fiscal e da equipe econômica.
DE OLHO NO PORTO
China suspende planta da MBRF em Promissão, sem dizer motivo

Fonte: Giphy
Quem negocia boi pelo celular conhece o vácuo, a mensagem lida e nenhuma palavra de volta. Foi o que a MBRF recebeu da China em Promissão (SP). Desde 22 de outubro, a alfândega chinesa, a GACC, suspendeu a importação de carne bovina do frigorífico da empresa na cidade, e o comunicado não informa por quanto tempo.
E Promissão não é a única esperando resposta. Com ela, são seis plantas brasileiras habilitadas que estão suspensas pela GACC, as outras cinco da Prima Foods, da Frialto, da Sulbeef e duas da JBS. Antes, quando interrompeu compras de outras plantas, de diferentes empresas, a China alegou resíduo de substância proibida. Desta vez, o site da GACC não informa o motivo.
A régua de tempo que se tem é da própria unidade, que em 2022 também foi suspensa e ficou fora do mercado chinês por cerca de quatro semanas. A MBRF diz que já redireciona a produção para o complexo de Várzea Grande (MT), com capacidade plena para a demanda chinesa, e que Promissão mantém as demais habilitações, inclusive para os Estados Unidos, seu principal mercado de exportação. A Abiec disse que ainda não tinha sido comunicada.
Se você vende boi para planta habilitada à China, as quatro semanas de 2022 são o único prazo que cabe na planilha, e o de agora continua no vácuo.
SAFRA DE CIFRAS
Soja chega a 40% plantada, diz AgRural, com sinal trocado

Fonte: Globo Rural
Até quinta (22), a soja 2026/27 chegou a 40% da área no Brasil, contra 26% uma semana antes, pela AgRural. E passou o ano passado, que no mesmo período marcava 36%. O milho verão do Centro-Sul foi junto, a 58%.
No Sul, os trabalhos aceleraram com a redução das chuvas; em parte do Cerrado, com a melhora delas. Mesmo semáforo, cores invertidas: num lado o verde acende quando a água para; no outro, quando ela chega.
A Conab mediu, por conta própria, outra janela: de 1º a 21 de outubro. Mato Grosso avança e o Rio Grande do Sul espera a terra desencharcar. Em Mato Grosso do Sul, a umidade levou à suspensão temporária da semeadura na maior parte das regiões; no Paraná, o excesso de água pode provocar falhas na germinação.
Para quem ainda vai plantar, fica o alerta: nas regiões produtoras de soja, chuva isolada não garante umidade para germinar. Em estados como Mato Grosso, a água só na superfície pode fazer a semente germinar e enfrentar déficit hídrico, com falhas no estande. É arrancar no verde e pegar o vermelho no meio do cruzamento.
POR DENTRO DO MERCADO
Chicago cai, dólar leva soja a R$ 158 em Paranaguá

Fonte: Giphy
Quem tem grão sem preço ouviu da Céleres que o melhor momento tinha ficado para trás, salvo clima adverso no Brasil ou na Argentina, ou uma China mais agressiva. Na segunda, com a moeda americana fechando acima de R$ 5,40, a soja em Paranaguá foi de R$ 153 para R$ 158.
Em Chicago, o grão caiu com o dólar em disparada até a menor cotação em dois meses, e operadores ligaram a queda ao real fraco. Para a Grainsights, é mão dupla: o grão vale menos em dólares, e cada dólar vale mais reais no interior.
Só que, com o câmbio balançando, o trader teve dificuldade para formar preço, e as ofertas de até R$ 160 nos portos saíram sem indicação de volumes expressivos negociados.
Para a Grainsights, o tom da semana sai da estabilização do câmbio nas próximas sessões. Até lá, os R$ 158 são preço de poucos negócios.
COMO TÁ LÁ FORA?
Datagro prevê déficit global de açúcar, e preço cai 5,6%

Fonte: Giphy
Quem decide se fixa o açúcar agora ou espera ganhou, na segunda, um argumento para cada lado.
O primeiro é da Datagro: o mundo deve ter déficit de 3,9 milhões de toneladas de açúcar em 2026/27, ante sobra no ciclo passado. O Centro-Sul deve moer mais e fazer 5% menos açúcar nesta safra, com mais cana indo para o etanol.
A chuva tirou da moagem mais que o dobro dos dias da média, e parte da cana fica bisada para 2027. Em maio, quando a chuva ainda não tinha atrapalhado as usinas, a Datagro esperava mais açúcar e mais etanol do que espera agora.
Na mesma segunda, porém, o açúcar de março caiu 5,6% em Nova York, e o principal fator, para a StoneX, foi o dólar, que disparou depois da eleição. Dólar caro faz cada venda lá fora render mais reais, e levou ao desmonte de uma aposta recorde na alta. É promoção de câmbio: baixou a etiqueta, não a projeção. E, pela StoneX, o câmbio nesse patamar aumenta a procura pelo açúcar do Brasil.
QUEM COMPROU E QUEM SÓ OLHOU
Lindsay acerta compra da Setorial e vê demanda brasileira reprimida

Fonte: Giphy
Onde o seu pivô não chega, no canto torto, na área temporária ou no talhão menor, quem irriga é o carretel. E a americana Lindsay, dona dos pivôs Zimmatic, fechou acordo para comprar a Setorial Irrigação, fabricante de carretéis de Limeira (SP).
A linha da Setorial vai do carretel de até 10 hectares, do pequeno produtor, ao de até 80 hectares, para o canavial das grandes usinas. O negócio, de valor não divulgado, deve fechar nos próximos meses. A Setorial continua com a marca e o fundador no comando, e a fábrica de Limeira e a equipe devem ficar.
No balanço entregue à SEC, a CVM americana, a Lindsay escreve que a demanda por equipamento de irrigação no Brasil continua reprimida, com juro alto e crédito restrito como freio, e que no trimestre a queda no Brasil anulou o ganho no Oriente Médio, no Norte da África e em outros mercados desenvolvidos. Mesmo assim, no slide da compra, o Brasil aparece como mercado em expansão. É comprar o terreno enquanto a rua ainda está parada.
A Lindsay diz que quer estar bem posicionada quando o financiamento melhorar, e mira a carteira de usinas, cooperativas e produtores da Setorial para vender Zimmatic.
Para quem pensa em pivô novo, a conta é a mesma da Lindsay: depende do crédito.
PLANTÃO RURAL
A arroba do boi fechou a sexta a US$ 76,40, o maior valor em dólar da série do Cepea: pela conta da Agrifatto, o desconto do boi brasileiro frente ao mercado mundial caiu de 28% para 15,5%, com a arroba do Brasil ainda a mais barata entre os grandes exportadores.
O leite spot caiu em todos os estados na segunda quinzena de outubro: a média do MilkPoint Mercado recuou para R$ 2,586 por litro, com a importação 25,99% acima de setembro de 2025, pelo Cepea, e o movimento ainda sem aparecer integralmente no último preço pago ao pecuarista.
Os confinamentos dos EUA tiveram a menor entrada de setembro da série, iniciada em 1996: pelos dados do USDA levantados pela Terra Investimentos, entraram 1,777 milhão de bovinos, 12% menos que em 2025 e abaixo da expectativa do mercado, sinal de reposição menor dos lotes de abate dos próximos meses.
O Brasil embarcou menos fruta e faturou mais no terceiro trimestre: pelos dados da Abrafrutas, a associação de produtores e exportadores, a receita chegou a US$ 354,2 milhões, alta de 8%, com o valor médio por tonelada cerca de 16,8% acima do de 2025.
A Copacol prevê investir R$ 1 bilhão até 2028 no Paraná: no anúncio da cooperativa, o pacote leva um incubatório de R$ 165 milhões em Rancho Alegre, uma unidade de produção de leitões em Cafelândia e unidades de recebimento de grãos.
O carioca e o preto subiram na maior parte das regiões, com reposição do varejo e oferta restrita de lotes de melhor qualidade: pelo Cepea/CNA de sexta, a saca do carioca superior ficou em R$ 316,67 no noroeste de Minas, 1,05% acima da semana anterior, com o preto a R$ 274,21 no sul do Paraná, alta de 3,48%.
O IBGE lança hoje, às 10h, no Mapa, o cadastro prévio do Censo Agropecuário 2027: pela plataforma, produtores, cooperativas e escritórios de contabilidade poderão cadastrar estabelecimentos como base da coleta pela internet, prevista para março de 2027, depois de um censo experimental entre 3 de novembro e 4 de dezembro.
O enxofre voltou para baixo de US$ 900 a tonelada, sem mudanças significativas nos fosfatados: na relação de troca de referência, com o milho na bolsa dos EUA e o MAP nos portos brasileiros, eram necessárias cerca de 75 sacas por tonelada, oito a mais que um ano antes.
DIVIRTA-SE
No Soletra, sete letras formam uma flor e você caça palavras de quatro letras ou mais, sempre com a letra do miolo. Fisga no primeiro acerto: a palavra sobe com um "Boa! +1", cai na lista e o contador mostra quantas ainda faltam no dia. Bora lá.
VIVENDO E APRENDENDO
Resposta da edição passada: as células somáticas são células da própria vaca no leite, sobretudo glóbulos brancos de defesa, que sobem quando o úbere inflama; a contagem (CCS) denuncia a mastite.
Pergunta de hoje: o que é a relação de troca do adubo?
A resposta você confere na próxima edição!
