
APRESENTADO POR

Bom dia!
Sexta é dia de feira, e o agro amanheceu com as barracas montadas antes do sol. Logo na entrada, o piso do frete foi refeito, com o diesel puxando a tabela do caminhão. Na barraca do dinheiro, uma gestora de fundos de startups do agro disse no GAFFFF que o caixa está curto, mas que a barraca dos biológicos é a que mais promete. Na do açougue, o boi saiu caro da porteira e a carne no atacado subiu bem menos. E a barraca nova da rua, a Vylor, abriu dizendo quanto quer vender de semente no Brasil, com o primeiro lançamento chegando só daqui a dois anos. Rolando a tela, a feira continua.
Pra você saber em que barraca pechinchar antes de fechar a semana.
Por Luciana Stival
TÁ QUANTO?
Os dados são publicados por BCB e Brapi.
As variações são calculadas em % diária e %YTD (Year to date)
Até frigorífico grande adiou dívida lá fora porque o investidor estrangeiro passou a cobrar caro de quem é do agro. Quando a porta de fora estreita, o dinheiro daqui fica mais disputado, e o produtor sente no prazo e na taxa da próxima renovação.
NAS CABEÇAS DO AGRO
A Vylor nasce querendo um terço da soja licenciada no Brasil

Fonte: CNN Brasil
Quem compra Pioneer ou Brevant passou a tratar com outra empresa nesta quinta, e ela já disse onde quer crescer.
A Corteva concluiu a cisão que já contamos aqui desde agosto, e a Vylor, com as sementes, estreou na Bolsa de Nova York como VYLR. A estreia foi em Nova York, mas o discurso foi em São Paulo. No GAFFFF, evento do agro em São Paulo, a Vylor disse que o Brasil é o seu segundo país mais relevante e que quer um terço do mercado brasileiro de soja licenciada até o fim da década; hoje passa de dois dígitos.
Para cá a Vylor quer trazer quatro biotecnologias, duas de soja e duas de milho, todas ainda em aprovação regulatória, inclusive na China, que compra a soja. A meta de um terço passa pela Enlist. Ou seja, pelo saco de semente que já está na sua fazenda ou na do vizinho.
O detalhe é que a primeira prevista é de milho, o Abranvo, na safra 2028/29, e a tecnologia nova de soja fica para o começo da próxima década. O quanto vai cobrar de royalty, a Vylor não revelou. É o cartaz na rua com a estreia marcada para daqui a dois anos.
BATEU O MARTELO
A Zen-Noh fechou 30% do Grupo Cereal sem dizer o preço

Fonte: Giphy
Se você entrega soja ou milho em Goiás, um dos compradores da região, o Grupo Cereal, de Rio Verde, ganhou um sócio japonês nesta quinta. A Zen-Noh, braço comercial das cooperativas agrícolas do Japão, concluiu a compra de 30% do Grupo Cereal, e a família Baraúna fica com os outros 70% e com o comando, o fundador na presidência do conselho.
Como já contamos aqui, o negócio foi anunciado em julho; o Cade aprovou sem restrições em agosto, e só agora o contrato fechou de fato. Acontece que o contrato veio com dois campos em branco. Os valores do negócio não foram divulgados, e, perguntado quanto vai investir agora com o sócio novo, o Cereal respondeu que não divulgaria valores específicos. O que as empresas prometem é começar o plano de julho: silos e recebimento de grão em locais estratégicos e mais capacidade industrial.
Para dar tamanho ao Cereal, ele recebe cerca de 2 milhões de toneladas de soja e milho por ano e faturou R$ 5,2 bilhões em 2025. E a Zen-Noh não é estreante na origem do grão brasileiro: desde 2017 é sócia da ALZ, com Amaggi e Louis Dreyfus, no Matopiba. O faturamento é do balanço que o próprio Cereal publicou no site.
Para quem entrega grão em Goiás, o saldo é um comprador de sócio novo e um silo que ainda está no papel, e nenhum dos dois tem preço escrito.
POR DENTRO DO MERCADO
O açúcar bateu máxima de 18 meses com o armazém cheio

Fonte: Globo Rural
Quem tem açúcar para fixar em dólar viu nesta quinta o melhor preço em um ano e meio. O açúcar bruto em Nova York fechou a 18,94 centavos de dólar por libra, depois de tocar 19,05, a máxima em 18 meses. O que empurra é medo da safra que vem: operadores temem produção menor em 2026/27 na Índia, na Tailândia e na União Europeia, e, para a Hedgepoint, o risco está inclinado para menos açúcar nas origens que importam.
Só que o açúcar de hoje não falta. Os mesmos operadores dizem que a oferta está ampla agora, e o vencimento de outubro entregou 1,45 milhão de toneladas, a maior entrega de 2026, lida como fator de baixa. É a loja com o estoque cheio cobrando mais caro pela encomenda do ano que vem.
Por enquanto, o El Niño trabalha para os dois lados. Na Índia e na Tailândia é seca; na maior parte do Centro-Sul, a Hedgepoint espera chuva acima da média de outubro a dezembro, o que provavelmente estica as interrupções na colheita e reduz o ATR, o açúcar que a sua cana colhida agora entrega, mas prepara a cana de 2027/28. A própria consultoria ressalva que as estimativas de ATR e de colheita correm risco de revisão para baixo.
Na sua tela, de um lado um preço que sobe pela safra que ainda não veio, do outro um armazém que acabou de entregar a maior carga do ano, e os dois são do mesmo pregão.
A CONTA DA LAVOURA
Venda de máquinas cai 22,4%, e quem fabrica culpa a dívida

Fonte: Giphy
Adiou a troca da máquina este ano? A indústria já contou quanto isso custou a ela. A receita das fabricantes de máquinas agrícolas caiu 22,4% de janeiro a agosto, para R$ 36,3 bilhões, e a Abimaq, que representa quem fabrica, aponta duas causas: o endividamento do produtor e o câmbio comendo o preço da commodity. O culpado, na versão de quem fabrica, está no extrato do cliente, talvez no seu. A colheitadeira foi a que mais encalhou: a venda da fábrica para a rede caiu 60% no ano, e a entrega ao produtor, quase 40%.
No Banco Central, a inadimplência do crédito rural de pessoa física chegou a 9,7% em agosto, o maior da série, vindo de 8,8% em julho. E aí que entra o balcão da renegociação. O Banco do Brasil diz ter renegociado R$ 40 bilhões no Novo Desenrola, somando famílias, empresas, Fies, rural e outras renegociações do próprio banco; no rural, foram R$ 216 milhões, com 11,7 mil produtores. Meio por cento do bolo foi para o campo, dentro do prazo que, como contamos ontem, foi esticado até janeiro. A exportação de máquinas subiu 12,7% no período e compensou parte da queda, não a queda.
PAPO DE CURRAL
Vai faltar trigo? Quem disse?

Fonte: Globo Rural
Vender o boi pronto agora ou segurar mais um mês é a conta que setembro acabou de mudar.
O boi gordo paulista fechou o mês com alta de 5,78% no indicador do Cepea, a R$ 364,30 a arroba, e o bezerro bateu o recorde da série, que começa em 2000. A carcaça subiu 3%, pouco mais da metade.
Traduzindo, a alta inteira ficou na porteira, e chegou pela metade na indústria. O Cepea atribui a alta a menos boi pronto na entressafra e à exportação melhor que agosto, e a HN Agro conta mais de 20% menos gado confinado do que um ano atrás. O detalhe é quem sente cada ponta: na leitura do Cepea, a reposição cara pesa em quem recria e termina, e a carne abaixo da arroba limita o espaço da indústria.
Na conta da Safras, a escala curta aperta o frigorífico pequeno e médio, e o grande se abastece de parceria e confinamento próprio. E o Cepea mede que, no atacado de São Paulo, a carne bovina tinha subido 1% na média de setembro até o dia 28 sobre agosto, contra 12% do frango.
O porco subiu também: o suíno vivo e a carcaça tiveram em setembro a primeira alta mensal do ano em várias regiões, e só os cortes recuaram. E até o boi em pé saiu em volume recorde: a exportação de bovinos vivos de agosto foi recorde para o mês, e a Scot avisa que agosto é pico, não tendência.
Quem repõe ouve da HN Agro que o que falta é boi magro, curto e caro, e que a arroba engordada ainda paga a troca pelo milho. Você sai de setembro vendendo o boi mais caro e repondo o bezerro no recorde, e é nessa troca, não na arroba sozinha, que a sua margem se decide.
DE OLHO NO PORTO
A Europa dá semanas ao frango e dois anos ao boi

Fonte: Giphy
A Europa, fechada para a proteína brasileira desde 3 de setembro, sinalizou prazo nesta semana, e ele muda conforme o bicho.
A decisão sobre frango e mel sai nas próximas semanas: foi o que a missão da UE no Brasil levou ao GAFFFF, em São Paulo, depois da auditoria que, como contamos na quarta, fechou sem pedir correção. Um dia antes, em Milwaukee, os ministros brasileiros ouviram do comissário de Comércio da UE a mesma indicação, retomada no curto prazo, e a nota do Itamaraty e do MDIC registra.
Para a carne bovina, a resposta foi outra: depende do ciclo de vida do animal, dois anos mais ou menos. O Brasil pediu via acelerada para o boi, e a nota registra a expectativa, não o sim. Se o seu frango ia para a Europa, a janela agora tem nome, semanas, e a palavra final é do comitê técnico europeu, previsto para 20 e 21 de outubro.
Acontece que a porta do acordo Mercosul-UE é a mesma para os dois países, e o vizinho já está vendendo mais por ela. A Argentina vendeu US$ 1,92 bilhão em produtos agroindustriais à Europa de maio a agosto, os quatro primeiros meses do acordo, 21% acima da média dos três anos anteriores, pela conta do próprio governo argentino. Do lado de cá, o europeu citou uva e café vendendo mais depois do acordo.
Para quem exporta, sobra a fila: o frango com semanas e um comitê em outubro, o boi com dois anos, e a Argentina já faturando pelo acordo.
PLANTÃO RURAL
A Adecoagro vende a usina que a trouxe à cana no Brasil: a Monte Alegre, em Minas, passa a um fundo da Milenio Capital, sem valor divulgado e com conclusão prevista para este ano, dentro da estratégia de concentrar a cana em Mato Grosso do Sul.
O Barra Mansa quer ampliar o confinamento próprio em 2027: o frigorífico paulista, de cerca de 330 mil abates no último ano, pretende voltar a uma divisão próxima de meio a meio entre exportação e mercado interno diante da salvaguarda chinesa.
O piso do frete foi recalculado com o diesel a R$ 7,33: a ANTT atualizou a tabela mínima por gatilho da lei, acionado quando o diesel varia mais de 5%, com os novos coeficientes em vigor desde 30 de setembro e fiscalização pelo CIOT.
O Painel El Niño prevê chuva abaixo da média no Centro-Oeste de outubro a dezembro: no centro-norte de Mato Grosso, no norte de Goiás e no DF, o Inmet e os demais órgãos do Painel veem risco de menos água no solo para a semeadura da primeira safra.
A exportação de DDG deve dobrar para cerca de 2 milhões de toneladas em 2026: a projeção da ILL Consultoria, em evento da Novonesis, soma-se à estimativa da própria Novonesis de China em 44% dos embarques até agosto e à mira da indústria na ração de aves e suínos.
A importação de fertilizante caiu de 29,4 para 25,4 milhões de toneladas até agosto: a Conab atribui o recuo a compradores adiando a compra por tensão no Oriente Médio, risco logístico e crédito difícil, com Santos em alta e Paranaguá e Arco Norte em queda.
Os rios Branco e Negro são o principal ponto de atenção do relatório federal sobre a Amazônia: o relatório traz relatos de navegação comprometida em municípios do Acre e do Amazonas, e o Cemaden, 197 municípios do país em seca severa em setembro, 44 a mais que em agosto.
As principais gestoras de agtechs apostam em IA para desafogar os investimentos: no debate do GAFFFF, em São Paulo, Felipe Guth, da SP Ventures, vê nos biológicos o setor mais promissor para novos negócios em meio ao capital escasso.
DIVIRTA-SE
Uma cruzadinha de números, com uma única linha já preenchida e o resto do tabuleiro em branco. Do lado, a lista do que precisa caber ali, cada número uma vez só. O jogo pega quando o segundo encaixa bonito e o terceiro não tem onde entrar: é hora de voltar uma casa e rever a conta. Abra o Quase Nada, e que comecem os jogos.
VIVENDO E APRENDENDO
Resposta da edição passada: B15 é o diesel vendido no posto com 15% de biodiesel na mistura, proporção obrigatória no Brasil desde 1º de agosto de 2025, quando subiu de 14%.
Pergunta de hoje: o que é o CIOT do frete?
A resposta você confere na próxima edição!
