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Bom dia!
Hoje é dia de conferir o que mudou de preço enquanto o feriado reinava, então pega o café que em cinco minutinhos a gente abre o caixa junto. A seguradora do Bradesco diz que fica no campo, mas só vende seguro onde a conta fecha. O trigo argentino foi negociado em Paranaguá com etiqueta mais barata, e o comprador gaúcho já refez a sua. No meio do corredor, o milho ficou com vendedor e comprador cada um na sua ponta da bancada, e ninguém cede. Tem ainda a régua que muda o plantio da soja, os dois mapas da estrada até o porto e um cobertor de morangueiro, tudo rolando a tela.
Pra você reabrir a semana por dentro das principais notícias.
Por Luciana Stival.
TÁ QUANTO?
O petróleo voltou a subir com novos ataques no Golfo, e a Aramco avisa que a pressão segue até o Estreito de Ormuz reabrir de vez. Para quem ainda vai comprar diesel e adubo nitrogenado da safrinha, vale cotar agora em vez de esperar a calmaria.
POR DENTRO DO MERCADO
O açúcar subiu 3% em Nova York no dia em que o balcão brasileiro estava fechado

Fonte: Giphy
Na lousa de Nova York, o açúcar para março fechou a segunda a 20,86 centavos de dólar por libra-peso, alta de 3,01%, e o contrato de maio subiu 2,83%. Em um mês, até a abertura de segunda, a alta chegava perto de 13%, depois de um período em que a expectativa de oferta folgada segurava o preço.
Na lista de motivos entra a chuva: no Centro-Sul, ela atrapalha a colheita da cana e interrompe a moagem, e as estimativas para a segunda quinzena de setembro apontam 2,7 milhões de toneladas de açúcar, 14,3% a menos que um ano antes, com moagem 5,5% menor. E entra o El Niño, que o mercado acompanha ganhando força e que, segundo a Barchart, pode comprometer a produção de cana, principalmente no Brasil.
A lousa mundial também mudou de sinal: o USDA cortou a projeção da Índia de 33,6 milhões para 29,5 milhões de toneladas, e a Organização Internacional do Açúcar passou a projetar déficit de 200 mil toneladas em 2026/27, depois de uma sobra de 1,1 milhão na temporada anterior. A CNN acrescenta que a previsão é de mais chuva no Brasil ao longo desta semana.
Só que a banca daqui estava com a placa virada: o mercado nacional não funcionou na segunda por causa do feriado. Quem tem cana para fixar ou açúcar no armazém abre a terça com o preço de Nova York já escrito na lousa e a conta da moagem perdida ainda por fazer.
SAFRA DE CIFRAS
A soja foi de 7% para 15% plantados em uma semana

Fonte: Giphy
A chuva destravou a plantadeira: a soja foi de 7% para 15% da área até quinta, 8 de outubro, segundo a AgRural. Na régua da consultoria, isso é um ponto à frente do ano passado, quando o plantio estava em 14%.
Ontem contamos aqui o plantio como o mais rápido já medido, pela Pátria, com 19,77%. Duas trenas na mesma lavoura, e cada uma marca um número.
A terceira régua é a da Conab, citada pela Agrolink: até 2 de outubro, 9,4% semeados nos estados monitorados, contra 8,2% um ano antes e 8,8% de média de cinco anos; Mato Grosso com 14,4%, abaixo dos 15,6% de um ano atrás. Na mesma matéria, o estrategista Ricardo Leite diz que o atraso relativo de alguns estados ainda não é perda de safra, mas que, se persistir, pode pressionar o calendário e elevar a necessidade de replantio.
E há quem ainda não largou: dos estados que a AgRural acompanha, só Maranhão e Rio Grande do Sul ainda não tinham percentual plantado até o dia 8. No Rio Grande do Sul, o excesso de umidade restringe o acesso das máquinas às lavouras e mantém a semeadura em estágio inicial.
E ESSE TEMPO, HEIN?
O milho devolveu uma migalha em Chicago, e no balcão catarinense a corda está parada a R$ 5 de distância

Fonte: Giphy
Em Chicago, o milho de dezembro fechou a segunda a US$ 4,83 por bushel, alta de 3,75 pontos; segundo a CNN, com base na Granar, o cereal vinha de perdas de mais de 9% em duas semanas, e a recuperação foi limitada e ligada principalmente a fatores técnicos, com fundos fazendo hedge. A B3 não teve negociação pelo feriado, e o mercado doméstico ficou sem novas referências futuras.
No balcão, a corda não se mexe: em Santa Catarina, quem vende pede perto de R$ 60 por saca e quem compra oferece em torno de R$ 55, e essa diferença trava os negócios; no Rio Grande do Sul, os preços vão de R$ 60 a R$ 69, com a média da Emater em R$ 62,44, queda de 0,37%.
O outro pé fincado é o do plantio: o milho verão do Centro-Sul chegou a 44% da área na quinta, 8, contra 38% uma semana antes e 45% um ano atrás, segundo a AgRural; no Sul, a semeadura perdeu parte do fôlego com as chuvas constantes, enquanto São Paulo, Minas e Goiás começam a plantar. No Rio Grande do Sul, a semeadura chegou a 75% da área prevista, com o excesso de umidade limitando os trabalhos e danos pontuais de granizo e erosão, especialmente em Ijuí e Santa Rosa, onde pode haver ressemeadura.
COMO TÁ LÁ FORA?
O USDA pôs mais soja no celeiro americano

Fonte: Giphy
Na sexta, o USDA subiu a safra americana de soja de 123,42 milhões para 124,15 milhões de toneladas, acima dos 123,59 milhões que o setor privado esperava, e o estoque final de 8,43 milhões para 8,57 milhões. É o maior volume da série, acima dos 121,51 milhões de 2021/22.
Mas a balança de Chicago mal se mexeu: na segunda, o contrato de novembro fechou a US$ 12,88 por bushel, queda de 3,75 pontos, num dia de poucos indicadores pelo feriado do Dia de Colombo nos Estados Unidos.
Quem segura o prato do outro lado da balança: no bloco das vendas americanas, as compras acumuladas da China estão em 11,14 milhões de toneladas, contra 12,66 milhões um ano antes, segundo a Agrolink; os fundos ampliaram a posição líquida comprada para 251.660 contratos na semana até 6 de outubro, e o Ministério da Agricultura chinês reduziu a estimativa da própria produção em 590 mil toneladas, para 20,36 milhões. A TF Agroeconômica, na Agrolink, recomenda vendas escalonadas ao produtor e compras graduais à indústria, de olho no câmbio.
MENTES QUE GERMINAM
Um tecido pensado para o colete do soldado virou cobertor de morangueiro

Fonte: CNN Brasil
O Plant Armor é um tecido de malha com camadas externas ligadas por uma camada interna, que dificulta a passagem do inseto e deixa passar luz, água e ar; nos testes, a quantidade de morangos aproveitáveis aumentou 3,56 vezes em relação às plantas sem cobertura. O molde veio do quartel: a pesquisa começou em tecidos para tornar o colete balístico mais confortável e proteger o soldado do mosquito.
A prova de roupa ainda é pequena: a própria matéria diz que o ganho precisa ser confirmado em condições comerciais, que faltam testes em propriedades rurais, com outras culturas e regiões, e que a cobertura não elimina todas as pragas. Mas a universidade já licenciou a tecnologia para desenvolvimento comercial.
No Brasil, a costura é na casca: pesquisadores da Unicamp criaram um método com mistura à base de açúcares e outros compostos naturais para extrair cafeína e antioxidantes da casca da semente do guaraná, que costuma ir para o lixo depois da colheita, no lugar de solventes tóxicos como o metanol. A semente é só 15% a 20% do peso do fruto fresco; o resto é casca e casquilho, e o Brasil produziu cerca de 2.460 toneladas de semente em 2025, segundo o IBGE. O extrato sai pronto para a indústria, diz a matéria, mas sem número de rendimento nem de custo.
PLANTÃO RURAL
A Bradseg quer crescer no seguro rural, mas só onde o seguro dá lucro: o presidente Ney Dias fala em apetite pelo campo sem abrir mão de rentabilidade, num mercado com cerca de 3% da área plantada com apólice no ano passado, ante 14% em 2021, segundo a CNSeg.
A Cotribá vai à assembleia da dissolução prevendo faturar menos do que deve: o novo presidente executivo, Sergio Strentske, prevê faturamento de R$ 1 bilhão em 2026, abaixo da dívida de R$ 1,4 bilhão, com a assembleia marcada para 20 de outubro em Ibirubá (RS).
O algodão já saiu do campo, e a dúvida agora é o que diz o contrato de exportação: para a advogada Cristiane Secco, o intervalo entre colheita e fibra beneficiada pode virar questão jurídica nos contratos de exportação, com a Agroconsult apontando só 35% beneficiados até 3 de setembro.
A entrega de adubo caiu no Brasil, e caiu muito mais no Sul: no recorte do consultor Antonio Prado sobre os dados da Anda, as entregas de janeiro a julho caíram 8,8%, 20,5% no Sul e 5,1% no Centro-Oeste, com alta de 5,6% no Norte e Nordeste.
O café fechou em alta em Nova York com a safra menor da Colômbia: o dezembro fechou a segunda a 289,90 centavos de dólar por libra-peso, alta de 1,03%, com a Colômbia encerrando 2025/26 em 12,65 milhões de sacas, cerca de 15% a menos, segundo o Barchart.
Trigo argentino negociado a US$ 298 em Paranaguá, e a chuva interrompe a colheita gaúcha: segundo a TF Agroeconômica, compradores em Cima da Serra passaram a indicar R$ 1.550 por tonelada para o trigo velho de melhor qualidade, antes a R$ 1.600, diante da oferta argentina mais competitiva.
A China produziu porco como nunca em 2025 e já come menos: Wang Zuli, da Academia Chinesa de Ciências Agrícolas, vê chance de novo recorde de produção em 2026, acima dos 59,38 milhões de toneladas de 2025, ano de consumo per capita 5,4% menor, em 26,6 kg.
O Inmet pintou a terça inteira de laranja em MS, PR, SC e no leste de SP: o alerta de perigo para tempestades vale o dia inteiro, com 50 a 100 milímetros por dia, ventos de 60 a 100 km/h, granizo e risco de estragos em plantações e corte de energia.
DIVIRTA-SE
No Dueto são duas palavras de cinco letras ao mesmo tempo, e cada palpite vale nas duas grades. A graça é ver a mesma letra acender numa e apagar na outra, e o chute seguinte ter de servir às duas. Abra, solte um palpite qualquer e descubra qual das grades responde melhor.
VIVENDO E APRENDENDO
Resposta da edição passada: precatório é a ordem judicial para o poder público pagar uma dívida já decidida sem recurso, numa fila quitada pelo Orçamento do ano seguinte.
Pergunta de hoje: o que é o preço FOB, que aparece na cotação do trigo e da soja?
A resposta você confere na próxima edição!
