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Bom dia!

Hoje é dia de conferir o que mudou de preço enquanto o feriado reinava, então pega o café que em cinco minutinhos a gente abre o caixa junto. A seguradora do Bradesco diz que fica no campo, mas só vende seguro onde a conta fecha. O trigo argentino foi negociado em Paranaguá com etiqueta mais barata, e o comprador gaúcho já refez a sua. No meio do corredor, o milho ficou com vendedor e comprador cada um na sua ponta da bancada, e ninguém cede. Tem ainda a régua que muda o plantio da soja, os dois mapas da estrada até o porto e um cobertor de morangueiro, tudo rolando a tela.

Pra você reabrir a semana por dentro das principais notícias.

Por Luciana Stival.

TÁ QUANTO?

MERCADO valor % dia % YTD
IBOVESPA (B3) R$209.066,90 1,38% 29,75%
IFIX R$3.988,54 0,98% 5,55%
AGRO3 R$19,08 0,05% -4,31%
SOJA3 R$8,68 2,97% -3,98%
CSAN3 R$5,40 3,05% 1,50%
KNCA11 R$91,15 1,28% -5,54%
FGAA11 R$8,20 1,49% -10,38%
Ethereum US$2,482.61 0,46% -16,90%
Bitcoin US$82,490.95 1,01% -6,63%

Os dados são publicados por BCB e Brapi.
As variações são calculadas em YTD (Year to date)

O petróleo voltou a subir com novos ataques no Golfo, e a Aramco avisa que a pressão segue até o Estreito de Ormuz reabrir de vez. Para quem ainda vai comprar diesel e adubo nitrogenado da safrinha, vale cotar agora em vez de esperar a calmaria.

POR DENTRO DO MERCADO

O açúcar subiu 3% em Nova York no dia em que o balcão brasileiro estava fechado

Fonte: Giphy

Na lousa de Nova York, o açúcar para março fechou a segunda a 20,86 centavos de dólar por libra-peso, alta de 3,01%, e o contrato de maio subiu 2,83%. Em um mês, até a abertura de segunda, a alta chegava perto de 13%, depois de um período em que a expectativa de oferta folgada segurava o preço.

Na lista de motivos entra a chuva: no Centro-Sul, ela atrapalha a colheita da cana e interrompe a moagem, e as estimativas para a segunda quinzena de setembro apontam 2,7 milhões de toneladas de açúcar, 14,3% a menos que um ano antes, com moagem 5,5% menor. E entra o El Niño, que o mercado acompanha ganhando força e que, segundo a Barchart, pode comprometer a produção de cana, principalmente no Brasil.

A lousa mundial também mudou de sinal: o USDA cortou a projeção da Índia de 33,6 milhões para 29,5 milhões de toneladas, e a Organização Internacional do Açúcar passou a projetar déficit de 200 mil toneladas em 2026/27, depois de uma sobra de 1,1 milhão na temporada anterior. A CNN acrescenta que a previsão é de mais chuva no Brasil ao longo desta semana.

Só que a banca daqui estava com a placa virada: o mercado nacional não funcionou na segunda por causa do feriado. Quem tem cana para fixar ou açúcar no armazém abre a terça com o preço de Nova York já escrito na lousa e a conta da moagem perdida ainda por fazer.

SAFRA DE CIFRAS

A soja foi de 7% para 15% plantados em uma semana

Fonte: Giphy

A chuva destravou a plantadeira: a soja foi de 7% para 15% da área até quinta, 8 de outubro, segundo a AgRural. Na régua da consultoria, isso é um ponto à frente do ano passado, quando o plantio estava em 14%.

Ontem contamos aqui o plantio como o mais rápido já medido, pela Pátria, com 19,77%. Duas trenas na mesma lavoura, e cada uma marca um número.

A terceira régua é a da Conab, citada pela Agrolink: até 2 de outubro, 9,4% semeados nos estados monitorados, contra 8,2% um ano antes e 8,8% de média de cinco anos; Mato Grosso com 14,4%, abaixo dos 15,6% de um ano atrás. Na mesma matéria, o estrategista Ricardo Leite diz que o atraso relativo de alguns estados ainda não é perda de safra, mas que, se persistir, pode pressionar o calendário e elevar a necessidade de replantio.

E há quem ainda não largou: dos estados que a AgRural acompanha, só Maranhão e Rio Grande do Sul ainda não tinham percentual plantado até o dia 8. No Rio Grande do Sul, o excesso de umidade restringe o acesso das máquinas às lavouras e mantém a semeadura em estágio inicial.

E ESSE TEMPO, HEIN?

O milho devolveu uma migalha em Chicago, e no balcão catarinense a corda está parada a R$ 5 de distância

Fonte: Giphy

Em Chicago, o milho de dezembro fechou a segunda a US$ 4,83 por bushel, alta de 3,75 pontos; segundo a CNN, com base na Granar, o cereal vinha de perdas de mais de 9% em duas semanas, e a recuperação foi limitada e ligada principalmente a fatores técnicos, com fundos fazendo hedge. A B3 não teve negociação pelo feriado, e o mercado doméstico ficou sem novas referências futuras.

No balcão, a corda não se mexe: em Santa Catarina, quem vende pede perto de R$ 60 por saca e quem compra oferece em torno de R$ 55, e essa diferença trava os negócios; no Rio Grande do Sul, os preços vão de R$ 60 a R$ 69, com a média da Emater em R$ 62,44, queda de 0,37%.

O outro pé fincado é o do plantio: o milho verão do Centro-Sul chegou a 44% da área na quinta, 8, contra 38% uma semana antes e 45% um ano atrás, segundo a AgRural; no Sul, a semeadura perdeu parte do fôlego com as chuvas constantes, enquanto São Paulo, Minas e Goiás começam a plantar. No Rio Grande do Sul, a semeadura chegou a 75% da área prevista, com o excesso de umidade limitando os trabalhos e danos pontuais de granizo e erosão, especialmente em Ijuí e Santa Rosa, onde pode haver ressemeadura.

COMO TÁ LÁ FORA?

O USDA pôs mais soja no celeiro americano

Fonte: Giphy

Na sexta, o USDA subiu a safra americana de soja de 123,42 milhões para 124,15 milhões de toneladas, acima dos 123,59 milhões que o setor privado esperava, e o estoque final de 8,43 milhões para 8,57 milhões. É o maior volume da série, acima dos 121,51 milhões de 2021/22.

Mas a balança de Chicago mal se mexeu: na segunda, o contrato de novembro fechou a US$ 12,88 por bushel, queda de 3,75 pontos, num dia de poucos indicadores pelo feriado do Dia de Colombo nos Estados Unidos.

Quem segura o prato do outro lado da balança: no bloco das vendas americanas, as compras acumuladas da China estão em 11,14 milhões de toneladas, contra 12,66 milhões um ano antes, segundo a Agrolink; os fundos ampliaram a posição líquida comprada para 251.660 contratos na semana até 6 de outubro, e o Ministério da Agricultura chinês reduziu a estimativa da própria produção em 590 mil toneladas, para 20,36 milhões. A TF Agroeconômica, na Agrolink, recomenda vendas escalonadas ao produtor e compras graduais à indústria, de olho no câmbio.

MENTES QUE GERMINAM

Um tecido pensado para o colete do soldado virou cobertor de morangueiro

Fonte: CNN Brasil

O Plant Armor é um tecido de malha com camadas externas ligadas por uma camada interna, que dificulta a passagem do inseto e deixa passar luz, água e ar; nos testes, a quantidade de morangos aproveitáveis aumentou 3,56 vezes em relação às plantas sem cobertura. O molde veio do quartel: a pesquisa começou em tecidos para tornar o colete balístico mais confortável e proteger o soldado do mosquito.

A prova de roupa ainda é pequena: a própria matéria diz que o ganho precisa ser confirmado em condições comerciais, que faltam testes em propriedades rurais, com outras culturas e regiões, e que a cobertura não elimina todas as pragas. Mas a universidade já licenciou a tecnologia para desenvolvimento comercial.

No Brasil, a costura é na casca: pesquisadores da Unicamp criaram um método com mistura à base de açúcares e outros compostos naturais para extrair cafeína e antioxidantes da casca da semente do guaraná, que costuma ir para o lixo depois da colheita, no lugar de solventes tóxicos como o metanol. A semente é só 15% a 20% do peso do fruto fresco; o resto é casca e casquilho, e o Brasil produziu cerca de 2.460 toneladas de semente em 2025, segundo o IBGE. O extrato sai pronto para a indústria, diz a matéria, mas sem número de rendimento nem de custo.

PLANTÃO RURAL

DIVIRTA-SE

No Dueto são duas palavras de cinco letras ao mesmo tempo, e cada palpite vale nas duas grades. A graça é ver a mesma letra acender numa e apagar na outra, e o chute seguinte ter de servir às duas. Abra, solte um palpite qualquer e descubra qual das grades responde melhor.

VIVENDO E APRENDENDO

Resposta da edição passada: precatório é a ordem judicial para o poder público pagar uma dívida já decidida sem recurso, numa fila quitada pelo Orçamento do ano seguinte.

Pergunta de hoje: o que é o preço FOB, que aparece na cotação do trigo e da soja?


A resposta você confere na próxima edição!

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