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Bom dia!
Segunda de feriado é dia de corrida de saco no quintal, e o agro acordou cedo querendo ganhar. Na primeira raia, a laranja paulista correu para Minas, e as cidades mineiras já tiraram a murta da pista. Logo atrás, o Amazonas levantou a bandeira de emergência com fumaça na pista, e a União entrou na prova no mesmo dia. No meio do percurso, a União pediu para parar a prova inteira das usinas, e quem já cruzou a linha não quer devolver a medalha. E na reta final, a soja largou no ritmo mais rápido que já se cronometrou, mas o preço saiu correndo para o outro lado. Tem ainda ferrugem de hora marcada, dois planos de governo com a mesma lista de compras e um canivete achado na raiz da cana, tudo rolando a tela.
Pra você não perder as últimas notícias, nem o feriado, e seguir por dentro do que importa.
Por Luciana Stival.
TÁ QUANTO?
A bolsa fez festa com a eleição, mas os frigoríficos ficaram fora porque vivem de exportação e dependem pouco do juro daqui. O JPMorgan vê boi e frango perto do fundo do ciclo em mercados importantes e segue recomendando compra de JBS e MBRF.
BATEU O MARTELO
A União quer fechar o caixa de todas as usinas de uma vez

Fonte: Giphy
A conta é velha: nos anos 80 e 90, o governo controlava os preços do setor sucroalcooleiro pelo Instituto do Açúcar e do Álcool, e as usinas foram à Justiça pedir indenização pelo prejuízo. Essa fatura virou precatório, e parte dela foi parar no balanço do Banco Master, que declarava R$ 14,3 bilhões em precatórios de usinas. Depois do caso Master, Gilmar Mendes mandou STJ, CNJ e TRFs passarem um pente fino nos precatórios de usinas; agora a União quer parar o caixa inteiro.
Na quinta, a AGU pediu ao STF que suspenda, no país todo, as ações de indenização do setor que estão em fase de execução, inclusive precatórios já expedidos, e falou em risco de mais de R$ 250 bilhões. O pedido alcança os processos que citam o Tema 826, a tese do STF de que o prejuízo se apura usina por usina, não por uma conta geral da diferença de preço, e abrangeria inclusive precatórios já expedidos e pagos.
Na sexta, a Raízen e outras usinas responderam no Supremo: a suspensão pode prejudicar credores que já têm decisão definitiva, e os advogados pedem que não haja suspensão geral sem considerar as particularidades de cada processo; nas palavras deles, "seria a volta à irresponsabilidade do Estado". Quem já pagou a sua parte não quer esperar o garçom recontar a mesa.
E o tamanho da conta é a briga dentro da briga: a Globo Rural registra projeções de mercado em menos da metade dos R$ 250 bilhões, e a consultoria Makalu, a pedido da reportagem, calcula que os precatórios já expedidos somam R$ 48 bilhões, dos quais R$ 32 bilhões já foram pagos.
NOS CORREDORES DE BRASÍLIA
Listinha de campanha: adubo, mercado, pesquisa, crédito e dívida

Fonte: giphy
A Globo Rural abriu os planos de governo que Flávio Bolsonaro e Lula registraram no TSE e separou o que cada um escreveu para o agro.
Adubo: o plano de Flávio Bolsonaro promete apoiar a produção nacional de fertilizantes com o potássio e o fosfato do país e a partir do gás; o de Lula diz que a Petrobras retomou a produção com três unidades e que as obras da unidade de Mato Grosso do Sul foram reiniciadas, e promete seguir acelerando a produção nacional de fertilizantes e ampliar o fomento aos bioinsumos.
Mercado: Flávio Bolsonaro fala em soluções diplomáticas contra sanções dos Estados Unidos, da China e da Europa e numa diplomacia guiada "pelo profissionalismo e pelo pragmatismo, não pela ideologia"; Lula fala em diversificar destinos para proteger o país e os produtores de "incertezas geopolíticas", reforçando os adidos agrícolas e ampliando as missões comerciais.
Pesquisa: Flávio Bolsonaro dá "alta prioridade" a pesquisa e desenvolvimento e lista o agronegócio entre as prioridades da estratégia de inteligência artificial; Lula põe a Embrapa, com biotecnologia e edição genômica, e conectividade no campo.
Crédito e dívida: o plano de Flávio Bolsonaro fala em ampliar o seguro rural e em "securitização e reorganização das dívidas do setor"; o de Lula fala em mais recursos no Plano Safra e juros compatíveis com a rentabilidade da atividade.
Nos trechos citados acima, nenhum dos dois escreve em que safra o adubo nacional chega, quanto custa a renegociação nem quanto vai para a pesquisa. Lista de compras sem preço todo mundo faz; queremos ver quando a conta chegar no caixa.
RADAR SANITÁRIO
A chuva pode esticar o intervalo do fungicida

Fonte: Giphy
A ferrugem asiática não espera a soja nascer: as geadas fracas do vazio sanitário deixaram viva a soja da safra passada em beira de estrada, barranco e cerca, e o fungo usou essas plantas para chegar à safra nova. Foi em soja guaxa e perene que a Fundação ABC, instituição de pesquisa das cooperativas Frísia, Castrolanda e Capal, mediu a doença entre 18 e 24 de setembro, em áreas do Paraná e de São Paulo. A fila está quase quatro vezes maior: a incidência foi de 12,5% em setembro do ano passado para 47,2% agora, nas áreas avaliadas.
O problema é a agenda do fungicida. O cenário ideal, diz a fundação, é aplicar num dia de sol, ter pelo menos seis a oito horas até a primeira chuva e repetir em 14 dias; com El Niño, é muito provável que o produtor não consiga manter o intervalo, e a lavoura corre o risco de ficar desprotegida.
E a sala de espera desta semana está cheia: de 12 a 16 de outubro, a chuva pode passar de 100 milímetros no Paraná, em Santa Catarina e no norte e leste do Rio Grande do Sul, e também em Mato Grosso do Sul, onde pode atrasar a semeadura; no Centro-Oeste, o calor segue perto de 40°C mesmo com chuva.
A recomendação da fundação é começar o manejo antes do primeiro sintoma na lavoura.
DE OLHO NO PORTO
A Europa aprovou o passaporte do pescado brasileiro, mas ainda não carimbou a entrada

Fonte: Globo Rural
O pescado brasileiro não entra na União Europeia desde 2017, e a Globo Rural obteve o comunicado da diplomacia brasileira com os principais apontamentos do relatório preliminar que os auditores europeus escreveram depois da missão de junho, enviado em meados de setembro, com um mês para o Ministério da Agricultura responder.
A parte boa é o passaporte: os técnicos europeus dizem que a lei brasileira está em conformidade com as normas do bloco para importar produtos da pesca e que o sistema de controle da produção primária, implantado desde 2024, já cobre dez embarcações.
A parte que trava é o carimbo: sem o procedimento da lista de estabelecimentos implementado por inteiro e sem controles oficiais sobre a cadeia do pescado, o Brasil, diz o relatório, não consegue demonstrar que garante o que a Europa exige. E a própria equipe europeia reconhece a fila da imigração sem ninguém na fila: sem unidade habilitada a exportar para a UE, não dava para implementar o sistema de controle dos estabelecimentos. Não há data para a decisão, e uma nova missão europeia deve vir avaliar o ciclo produtivo, a inspeção e a segregação dos cortes.
Para quem produz pescado, o carimbo ainda não saiu: uma fonte ouvida pela reportagem diz que as exportadoras seguem hoje os padrões de destinos abertos, como Estados Unidos e China, e só vão adotar as regras europeias quando o mercado reabrir, a começar pelas análises laboratoriais, o que poupa custo no momento.
POR DENTRO DO MERCADO
A soja largou no ritmo mais rápido já cronometrado

Fonte: Giphy
A plantadeira largou na frente: o plantio da soja chegou a 19,77% da área na semana passada, o ritmo mais rápido já medido, contra 12,86% um ano atrás, segundo a Pátria. A soja plantada agora entra em colheita em janeiro, diz a consultoria, e, até o momento, abre bem a janela do milho safrinha.
Só que o mercado reagiu à largada rápida e o cronômetro do preço correu para trás: o indicador Cepea de Paranaguá fechou a sexta a R$ 154,75 por saca, com queda de 4,22% em outubro, e a Globo Rural cita um analista da Royal Rural dizendo que o El Niño sem seca em Mato Grosso e Goiás tende a baixar o preço ainda mais. Em praças como Ponta Grossa, Primavera do Leste e Luís Eduardo Magalhães, a saca já corre abaixo de R$ 150.
A Safras & Mercado já conta a prova inteira: 181,8 milhões de toneladas em 2026/27, 2% a mais, com área 2,1% maior. A própria consultoria avisa que área maior não garante produção maior. Largar na frente não é cruzar a linha.
MENTES QUE GERMINAM
A USP achou na raiz da cana um canivete que abre o bagaço

Fonte: Canal Rural
O etanol de segunda geração vive de um problema de oficina: o bagaço da cana é duro de abrir, e a chave que abre, um coquetel de enzimas, pertence a uma empresa dinamarquesa que detém o monopólio. Cientistas da USP acharam um canivete na própria planta: uma enzima da raiz da cana que, somada ao coquetel comercial, aumentou em até seis vezes o açúcar liberado do bagaço, o açúcar que vira etanol. Foram 17 anos de pesquisa do laboratório, contados pela Agência FAPESP, que financiou projetos do grupo; o texto do Canal Rural segue o release da agência.
A letra miúda é que o canivete ainda não saiu da bancada: o teste é de laboratório, a enzima foi produzida em levedura e somada ao coquetel comercial, e a matéria não traz custo por tonelada, escala nem prazo para a usina. O pesquisador resume: "pode ser que tenhamos descoberto um ‘barril de ouro’, mas até agora usamos uma moeda só".
No curral, outra ferramenta ainda na bancada: em simpósio marcado para 15 e 16 de outubro em Campo Grande, um pesquisador da Embrapa vai apresentar a edição gênica de bovinos para tolerar melhor o calor, com resultados que a própria matéria chama de preliminares, e a próxima etapa é ampliar a população fundadora e testar a campo. Os gametas feitos de célula-tronco, tema da outra palestra, ainda não estão disponíveis para uso em bovinos.
PLANTÃO RURAL
Produtores paulistas levaram a laranja para Minas, e quatro cidades mineiras já têm lei contra a murta: outras 11 cidades mineiras têm projeto na Câmara contra a planta, hospedeira secundária do psilídeo transmissor do greening, segundo Daniel Amorim, consultor da lei pioneira de Araxá.
O Amazonas decretou emergência em 36 municípios, e a União reconheceu no mesmo dia: o Painel do Clima do governo estadual registra 6.901 focos de queimadas de 1º a 11 de outubro, alta de 91,38% sobre um ano antes, com 11 aeronaves na força-tarefa federal.
No Pantanal, um experimento segura o bezerro desmamado por cerca de 100 dias em vez de vendê-lo na seca: o experimento na Fazenda Aparecida (MS), de Pecus com Grupo Real e Embrapa, projeta ganho líquido de R$ 800 a R$ 900 por cabeça sobre custo estimado de R$ 500, conforme lote e mercado.
O Inmet põe o feriado sob alerta de granizo no Centro-Sul e de ar seco no Nordeste: o alerta de granizo inclui o norte do Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul, com chuva de até 100 milímetros por dia no oeste catarinense e paranaense.
DIVIRTA-SE
Um ponto azul, um ponto preto plantado no caminho e a tela inteira para riscar. Em Desenhe uma Linha cada traço começa onde o anterior terminou, e a curva precisa recolher os pontos coloridos sem encostar no preto. Abra no celular e tente limpar o primeiro nível de uma só tacada.
VIVENDO E APRENDENDO
Resposta da edição passada: DEP é a Diferença Esperada na Progênie: quanto os filhos de um touro devem ficar acima ou abaixo da média da raça numa característica, como peso ao desmame ou área de olho de lombo.
Pergunta de hoje: o que é um precatório?
A resposta você confere na próxima edição!
