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Bom dia!

A edição de hoje tem a Adecoagro fechando 2025 no vermelho com a Profertil pesando no balanço e na alavancagem, enquanto o crédito privado do setor volta a ganhar tração e passa de R$ 1,4 trilhão. No Agro em números, etanol já promete safra recorde, soja e milho seguem no cronômetro da colheita e do plantio e o PIB do agro começou 2026 com freada. No porto, a ureia disparou e o Brasil já flerta com o sulfato de amônio pra doer menos no bolso. Ainda tem a Embrapa abrindo vagas de bolsa no Amazonas e o B100 sendo testado em caminhão na rota de grãos.

Pra você acordar bem informado

Por Enrico Romanelli

TÁ QUANTO?

FOCUS 2026 Semana 2027 Semana
Câmbio (R$/US$) 5,40 -0,18% 5,47 -0,63%
IPCA (%) 4,10 4,83% 3,80 0,11%
PIB (%) 1,83 0,58% 1,80 0,00%
Selic (% a.a.) 12,25 1,03% 10,50 0,00%

Os dados são publicados por BCB. A variação considerada nesta tabela é semanal.

SAFRA DE CIFRAS

Adecoagro fecha 2025 no vermelho, compra a Profertil e a alavancagem dispara

GIF: Giphy

A Adecoagro, que hoje é controlada pela Tether, fechou 2025 com o caixa pedindo socorro. A queda nos preços de grãos e açúcar se juntou com a compra da Profertil e o ano terminou com prejuízo líquido de US$ 18 milhões, piorando bastante contra o lucro de US$ 203 milhões em 2024. No pacote, a alavancagem pulou de 1,2 vez pra 4 vezes no fim do ano, num ritmo que não combina com ano de ajuste. A receita bruta caiu 2,1% pra US$ 1,45 bilhão e o Ebitda recuou 37,7% pra US$ 277 mi, com a margem indo pra 20%.

No setor sucroalcooleiro, que é o principal gerador de caixa da empresa e inclui 3 usinas de cana no Brasil, o Ebitda foi 19,9% menor e fechou em US$ 291,5 milhões, sufocado pela moagem, que foi menor, pelo açúcar, que tá mais barato, e pelo volume vendido, que caiu. A Adecoagro tentou salvar a pose lembrando que ainda roda com um dos menores custos operacionais do setor, 12,8 centavos de dólar por libra/peso, só que com menos cana moída a conta de diluição fica mais ingrata. No negócio agrícola, o Ebitda desabou 82,7% pra US$ 18 mi, apanhando de preço em queda junto com custo em dólar subindo.

A Profertil entrou no balanço só a partir de 18 de dezembro e ainda assim somou US$ 6,1 milhões de Ebitda, mas o impacto real tá no cheque. A empresa já desembolsou US$ 676 milhões e ainda faltam cerca de US$ 400 milhões pra pagar no 1º semestre, o que ajudou a empurrar o capex pra US$ 938 milhões e a dívida líquida pra US$ 1,12 bilhão. Pra esse ano, a Adecoagro diz que quer reduzir alavancagem com melhora do operacional, cortou 22% da área ao não renovar arrendamentos fora do padrão, aumentou a aposta em arroz especiais e espera se beneficiar da alta da ureia com a guerra no Oriente Médio, enquanto projeta moagem de cana subindo em 2 dígitos baixos e 49% do açúcar já fixado a 15,7 centavos de dólar por libra peso.

COLHENDO CAPITAL

Crédito privado do agro passa de R$ 1,4 trilhão e a Faria Lima volta a olhar pra roça

GIF: Giphy

Depois de uns anos em que o crédito privado do agro ficou mais arisco por causa da inadimplência e de empresa grande tropeçando, o jogo virou de novo. O Boletim de Finanças Privadas do Agro do Mapa mostrou que, em fevereiro de 2026, o estoque de instrumentos como CPR, LCA, CRA, CDCA e FIDC passou de R$ 1,4 trilhão, alta de 12% em 1 ano. O ministério ainda lembra que tem instrumento servindo de lastro pra outro, mas o recado é simples: o apetite por papel do agro voltou a crescer.

Na ponta do ranking, a CPR segue mandando no jogo. O estoque chegou a R$ 561,3 bilhões, avanço de 16% em 12 meses, com o número de operações subindo de 356 mil pra 402 mil e o ticket médio indo pra perto de R$ 1,40 milhão por CPR. Só que o ritmo de novas emissões deu uma respirada na safra 2025/26: de julho de 2025 a fevereiro de 2026 foram R$ 248,4 bilhões, queda de 8% contra o mesmo período da safra anterior, sinal de que parte do produtor tá diversificando a fonte de grana.

Nas LCAs, o estoque bateu R$ 588,21 bilhões, alta de 9% no ano, com regra mais exigente nas captações: na safra 2025/26, bancos precisam direcionar 60% do que captam em LCA pro agro, acima dos 50% das safras anteriores, e ainda aplicar pelo menos 45% em operações de crédito rural. Do lado do mercado de capitais, os CRAs também engordaram e foram pra R$ 176,94 bilhões, alta de 15%, enquanto os Fiagros chegaram a R$ 48,35 bilhões em janeiro de 2026, crescimento de 10%, com 220 fundos em operação, 61% acima de janeiro de 2025. A exceção do rolê foi o CDCA, que caiu 8% e foi de R$ 35,1 bilhões pra R$ 32,2 bilhões, porque nem todo papel gosta do mesmo clima.

O AGRO EM NÚMEROS

Etanol acelera, soja avança e o PIB dá aquela freada curta

Foto: Reuters

A indústria de etanol já tá vendendo otimismo pra safra 2026/27, com projeção de 40 bilhões de litros segundo Unica e Unem. O salto fica perto de 4 bilhões de litros em comparação com o ciclo anterior, na aposta de uma cana mais alcooleira e de mais etanol de milho entrando no jogo. O setor ainda tenta emplacar a tese de que o etanol segura o tranco do petróleo com produção 100% nacional, sem precisar de muleta fiscal.

Na soja, a AgRural diz que a colheita chegou a 61% da área, um bom avanço em relação à semana anterior, mas ainda atrás dos 70% do mesmo período do ano passado e no ritmo mais lento desde 2020/21. O foco agora tá no estrago do clima nas áreas mais tardias, com excesso e falta de chuva se revezando no papel de vilão, e o RS ainda sentindo a estiagem sem a reposição de umidade que a lavoura queria. No milho, a safrinha no Centro-Sul chegou a 91% plantada, só que ainda faltavam 1,3 milhão de hectares, bem acima do que faltava 1 ano atrás, com a janela ideal já ficando curta em várias regiões.

E o Banco Central trouxe um número que dá aquele banho de realidade no setor, a agropecuária caiu 1,5% em janeiro em comparação com dezembro no IBC-Br, que é um spoiler do PIB. No mesmo mês, a economia como um todo subiu 0,8%, com indústria crescendo 0,37% e serviços 0,81%, enquanto o agro começou 2026 mais travado do que o roteiro costuma prometer pra época de colheita.

DE OLHO NO PORTO

Ureia sobe 35% e o Brasil já olha pro sulfato de amônio como plano B

Foto: Canva/Creative Commons

A ureia resolveu virar protagonista do caos e encareceu 35% em só 2 semanas no preço CFR pro Brasil, segundo análise da StoneX. A treta no Oriente Médio bagunçou a logística e a oferta de nitrogenados bem na região que manda nesse mercado, então o jogo virou. Com a ureia mais cara, o apetite por alternativas mais econômicas tá subindo, e deve continuar.

Tomás Pernías, da StoneX, lembra que quando a ureia acelera desse jeito ela perde competitividade e o comprador começa a recalcular rota, olhando de novo pra fertilizantes de menor concentração, tipo sulfato de amônio, que pode aparecer com condição de compra bem mais atrativa nessas horas. E isso cai num timing ruim pro produtor, porque insumo caro com crédito mais restrito e preço agrícola menos animador deixam a margem no talo.

Os números já tão dando spoiler do movimento. Nos 2 primeiros meses de 2026, as importações brasileiras de ureia acumulam uma queda de quase 33% em comparação com o mesmo período do ano passado, enquanto o sulfato de amônio cresce 19%. Se a tensão lá fora continuar apertando a oferta ou travando a logística, a tendência é a ureia seguir pressionada e o Brasil continuar procurando um adubo que dói menos no bolso.

MENTES QUE GERMINAM

Embrapa abre bolsa no AM e chama a turma pro laboratório e pro Alto Solimões

Foto: Maria José Tupinambá

A Embrapa Amazônia Ocidental abriu 2 editais, um pra quem quer começar a vida científica com crachá de laboratório e outro pra quem vai botar a pesquisa pra rodar junto de comunidades tradicionais.

No Programa de Iniciação Científica 2026/27, a inscrição vai até o fim desse mês, com cadastro de reserva voltado pra estudantes de graduação de Manaus e região metropolitana, de instituições públicas ou privadas, em cursos alinhados às áreas da unidade. A proposta do programa é jogar o universitário dentro do método científico antes que ele precise descobrir isso na marra na pós, com orientação de pesquisador e rotina em laboratório ou campo experimental.

Na outra ponta, tem a Chamada Pública 101/2026, ligada ao Projeto Embrapa Cenargen com TED do MDA pra Povos e Comunidades Tradicionais, com abrangência nacional em 13 estados. No Amazonas, as atividades rolam em Tabatinga e Benjamin Constant, com exigência de o candidato morar em um desses municípios do Alto Solimões. A vaga é de bolsa Estímulo à Inovação Embrapa (H), com 32 horas semanais, R$ 1.950,00 por mês, contrato de 12 meses e início previsto pra maio de 2026. As inscrições também vão até o fim desse mês.

PAUTA VERDE

Volkswagen e Amaggi botam B100 no tanque e deixam o diesel no banco de reservas

Foto: Reprodução Revista Cultivar/Divulgação

A Volkswagen Caminhões e Ônibus puxou a Amaggi e decidiu fazer teste de verdade com biodiesel B100, nada de experiência de prateleira. Um Meteor 29.530 Highline 6x4 vai rodar por 12 meses no transporte de grãos só na base do biodiesel, com composições de 9 eixos fazendo o trecho Sinop (MT), Matupá (MT) e Miritituba (PA). O bicho vai moer entre 8 mil e 10 mil km por mês pra ver se aguenta o tranco da rotina.

O teste vai medir tudo que importa quando o assunto é caminhão e boleto: desempenho, consumo, desgaste de componentes, impacto na manutenção e confiabilidade operacional. Pra não virar comparação injusta, o B100 vem de soja e de fonte única, produzido pela própria Amaggi numa usina em fazenda em Lucas do Rio Verde (MT), com abastecimento padronizado durante todo o período. A Volks encaixa isso na estratégia de descarbonização e cita estudos de ANP, Abiove e EPE apontando redução de até 90% nas emissões de CO2 em relação ao diesel fóssil, aquela diferença que faz o relatório ESG brilhar na apresentação do fim de ano.

E o B100 já tá rodando em outro front também. Num projeto com a EcoRodovias, a Volks já soma 100 mil km em 5 meses na Ecovias Noroeste Paulista, com quatro caminhões na frota, um Meteor 29.530, dois Delivery 11.180 e um Constellation 17.190, tocando guincho e caminhão pipa. O termômetro ali tá alto, disponibilidade técnica acima de 95%, pouca manutenção e operação assistida indo até agosto, quando fecha 12 meses e dá pra ver se o combustível 100% renovável veio só pra visita ou se chega pra roubar o espaço de vez.

PLANTÃO RURAL

SE DIVERTE AÍ

Hoje o desafio é o Contexto, aquele jogo em que você tenta adivinhar a palavra secreta chutando termos e vendo o quão perto tá pelo sentido, não pelas letras. Vale começar com palavras do agro tipo soja, boi, clima, crédito, fertilizante e ir afinando até chegar na resposta. Joga aí, testa seu dicionário e depois conta quantos chutes você precisou pra matar a charada.

VIVENDO E APRENDENDO

Resposta da edição passada: Castanheira do Brasil

Pergunta de hoje: Qual capim africano mudou a pecuária brasileira ao dominar as pastagens tropicais?

A resposta você fica sabendo na próxima edição!

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