
APRESENTADO POR

Bom dia!
O jogo de hoje é daqueles em que a gente vai riscando o que não pode ser até sobrar o que tem de ser, e o agro amanheceu assim, com pista batendo em pista, então pega o café que em cinco minutinhos a gente risca junto. A gordura que o frigorífico jogava fora virou artigo de exportação, e o sebo brasileiro saiu do fim da fila do mundo para perto do topo. O produtor de arroz parou de vender e o preço entendeu o recado. O que trava o adubo fosfatado não é o fósforo, é o enxofre, e o alerta de escassez veio de quem fabrica o adubo. E a renegociação da dívida rural está em vigor sem chegar a quase ninguém, com o relógio correndo. Descendo o dedo tem mais te esperando.
Pra você entrar na quarta sabendo onde a conta não fecha.
Por Luciana Stival
TÁ QUANTO?
Os dados são publicados por BCB e Brapi.
As variações são calculadas em % diária e %YTD (Year to date)
O dinheiro está voltando para a bolsa brasileira, só que com endereço escolhido, e o endereço é banco e energia, não as agro listadas, que foram para o outro lado. Para quem vai captar nos próximos meses, isso aparece primeiro na régua de risco de quem empresta, e só depois na cotação da saca.
A CONTA CHEGOU
Pagou o custeio em dia? Pois é, ficou de fora

Fonte: Giphy
Dá para contar com a renegociação da dívida rural para a safra que vem? Quem tentou tem uma resposta.
Os sindicatos que o Sistema FAEP ouviu no Paraná contam o mesmo, pouca gente se enquadrou. A regra pede atraso no fim de maio e, pelo relato de Guarapuava, a maioria dos custeios vence entre junho e agosto, então o pontual ficou de fora por ter pago em dia, e o teto por operação deixa de fora, na região, boa parte do médio e do grande. Lá, o banco oferece juro acima do contrato original, e em São Mateus do Sul o banco, que liga para vender cartão, sobre a renegociação nem responde.
O detalhe é que governo e bancos não falaram em nenhuma das duas fontes, o lado deles chega só pelo relato dos sindicatos e da FPA, e quem relata, Sistema FAEP e FPA, representa o setor que cobra a renegociação. A própria carta da FPA chama a MP de avanço e só pede ajustes para a renegociação chegar ao produtor.
Por enquanto, se você estava em dia em maio ou passa do teto, a regra respondeu pelo banco. Se você cabe, a briga é com o banco e com o calendário ao mesmo tempo. A adesão termina em 12 de novembro, e em São Mateus tem banco dizendo que só dá posição em outubro.
POR DENTRO DO MERCADO
Cana encharcada, usina atrasada e preço adiantado

Fonte: CNN Brasil
O preço do açúcar na sua tela mudou de patamar, e quem mexeu nele foi o céu do Centro-Sul. Choveu tanto que a colheita parou, parte das usinas que costumam desligar em novembro pode moer até janeiro e, com menos produto saindo, o cristal no Cepea foi a R$ 119,41 a saca.
Cana com chuva demais é que nem adolescente, estica e demora a amadurecer, e rende menos açúcar. E o Itaú BBA cortou a projeção do Centro-Sul, enquanto a Unica, a casa das usinas, nem deve soltar o boletim agora, o que dá o tamanho do buraco.
O estrago não pesa igual, porque caldo ruim às vezes nem cristaliza, vira mel e depois etanol, então parte do que iria para o açucareiro pode ir para o tanque. E o hidratado paulista sobe desde agosto, puxado, segundo o Itaú BBA, por demanda maior, açúcar firme e moagem travada.
Antes de segurar o seu açúcar esperando mais, saiba que hoje ele não falta, o mercado cobra adiantado pelo susto, e o Itaú BBA avisa que subir mais depende de comprador físico aparecer. Traduzindo, você está sendo pago pelo medo dos outros, e a chuva que vem é quem alimenta esse medo.
NAS CABEÇAS DO AGRO
Corteva na Justiça, Basf e Syngenta na fila da bolsa

A separação da Corteva a gente já contou aqui em agosto e de novo no começo do mês, e o capítulo novo, a duas semanas da data, é na Justiça. Procuradores-gerais americanos, puxados por Rob Bonta, da Califórnia, pediram que a Justiça trave a cisão, e Bonta acusa a Corteva de mandar cerca de US$ 39 bilhões em ativos para a Vylor e deixar a conta dos PFAS, uma família de químicos, com os defensivos. Na versão de Bonta, é como quem passa a fazenda para o filho e deixa a conta, se vier, no CPF antigo.
A Corteva rejeita a leitura, chama de especulação sem prova as alegações sobre o passivo de PFAS, promete se defender, nega qualquer intenção de fraudar credor, diz que quem fica com a marca terá capital para o que aparecer e que nunca produziu nem vendeu PFOA ou PFOS desde que existe. E do lado dela o calendário segue, o conselho aprovou a separação e as sementes estreiam em Nova York como Vylor na virada do mês, se a liminar não sair antes.
E a Corteva não está sozinha nessa fila. A Basf escalou os bancos para levar a divisão agrícola a Frankfurt no ano que vem, ainda sem dia marcado, e a Syngenta, segundo fontes, pediu abertura de capital em Hong Kong, tão confidencial que só gente sem nome conta, e a Syngenta não comenta. São três gigantes de semente e defensivo mexendo na própria estrutura na mesma temporada, cada uma do seu jeito.
PAPO DE CURRAL
O recorde no gancho que a Conab já desconta em 2027

Fonte: Giphy
O IBGE contou, em dado ainda preliminar, o maior abate de um segundo trimestre, 10,72 milhões de cabeças, e a Conab projetou queda de 3,6% na produção de carne bovina em 2027 contra este ano. Pois é.
Quase metade desse recorde foi fêmea, e é aí que ele chega em você. Fêmea é a fábrica, não o produto, e o trimestre fez recorde com a fábrica na linha. Descarte nesse tamanho pode limitar a reposição dos próximos anos, e a Conab, por sua vez, espera menos animal à medida que a retenção avançar.
A própria Conab vê a virada do ciclo mais gradual do que se projetava, já que o abate seguiu acima do ano passado no primeiro semestre, sustentado por fêmea disponível, carcaça mais pesada e confinamento. A retração que ela mesma esperava ainda não chegou com força na produção, e o abate de fêmeas ter recuado um pouco em um ano, mesmo subindo contra o trimestre anterior, pode ser sinal de mudança gradual na oferta.
Cada vaca que você manda ou segura agora é a sua assinatura na oferta de 2027, e ciclo virando devagar não é ciclo virado.
DEU B.O.
Mais suíno no papel, menos dinheiro na granja

Fonte: Globo Rural
Encher a próxima baia ou segurar é uma decisão que pede a projeção de ontem e o resultado de agosto lidos juntos.
A Conab projetou mais carne suína neste ano e no que vem e, no mesmo documento, avisou que demanda e exportação não acompanharam e que ficou menos no bolso do independente. É o churrasco em que a carne chega mais rápido do que a turma.
O Itaú BBA, olhando do balcão do banco, chegou ao mesmo diagnóstico com número, e em agosto o prejuízo ficou, em média, em cerca de R$ 180 por animal, com o vivo pagando bem menos do que custa terminar.
Colocando um ao lado do outro, o que chama atenção é que a Conab diz que reequilibrar a cadeia no ano que vem deve exigir moderar o crescimento dos alojamentos e seguir abrindo mercado lá fora, enquanto o Itaú BBA ainda não vê sinal claro de produção caindo, com investimento previsto para ampliar capacidade.
Ou seja, a planilha pede pra tirar o pé, o plano de investimento continua no acelerador, e, como a Conab avisa, decisão sobre matriz demora a chegar no abate, então o excedente pode durar parte do próximo ano.
A CONTA DA LAVOURA
O aviso da Mosaic e o preço do MAP não combinam

Fonte: Giphy
No Sul e no Sudeste ainda tem fosfatado da compra de verão por fechar, e o Itaú BBA vê esses pedidos em aberto. O preço, enquanto isso, está cedendo, porque o MAP recua aqui por demanda fraca, mesmo custando mais que no Golfo americano.
Já um executivo da Mosaic diz que o mercado mundial de fosfatado gira em torno de 75 milhões de toneladas por ano e estima que se produza uns 45 milhões neste, porque os produtores não conseguem obter enxofre nem pagar por ele. O enxofre é o sal dessa receita, que ninguém repara até faltar, e, segundo ele, quintuplicou de preço, culpa que ele põe no Estreito de Ormuz fechado e em outros conflitos. Sem lucro na produção, a Mosaic paralisou fábricas, uma delas só em parte, e a maior parte da produção de fosfato dela no Brasil.
Mas quem avisa que vai faltar é quem vende, e quando é o vendedor que avisa, a Agro Espresso confere. No aviso dele só aparece preço subindo, e aqui ele cai, o contrário do que falta faria esperar, e quem mede é o Itaú BBA, banco, que não vende adubo.
PLANTÃO RURAL
O frete subiu justamente no mês em que o diesel caiu de novo: o escoamento da segunda safra de milho sustentou a procura por caminhão em agosto, no quarto mês seguido de queda do combustível.
O Brasil saiu do 31º lugar para o 2º vendendo gordura de boi: o diesel renovável americano transformou um resíduo barato de frigorífico em commodity de exportação em dez anos, segundo a Bolsa de Comércio de Rosário.
O ajuste mundial da celulose começou, e não é do lado do eucalipto: o Santander vê a indústria saindo das paradas temporárias para fechamentos definitivos de fábrica, concentrados na fibra longa europeia, enquanto a fibra curta brasileira segue pressionada pela própria expansão de capacidade.
A geada pegou o trigo gaúcho no pior momento possível: lavouras do Rio Grande do Sul em floração e enchimento de grão foram atingidas, sem que a Emater consiga ainda dimensionar o estrago.
O produtor de arroz segurou a venda e o preço reagiu: a saca subiu 11% em um mês com menos produto no mercado à vista e indústria disputando lote para repor estoque, segundo o Itaú BBA.
A safra fechou o ano como a maior já colhida no país: a Conab cravou 361,7 milhões de toneladas na 2025/26, com recorde em soja, milho, algodão e sorgo, enquanto arroz, feijão e trigo vieram menores que na temporada passada.
Mato Grosso do Sul virou o estado onde a suinocultura mais cresce: o abate sob inspeção federal avançou bem acima da média brasileira até julho, bancado por cerca de R$ 250 milhões de crédito vindos quase todos do FCO.
Dois anos de assistência técnica dobraram a produtividade do cacau: pequenos produtores de 3 a 5 hectares acompanhados pelo projeto CCA 2030 saíram da média nacional de 300 quilos por hectare para 600.
SE DIVERTE AÍ
Cinco suspeitos, dez pistas, uma resposta só possível. No Problemas de Lógica você vai eliminando o que não pode ser até sobrar o que tem de ser. A pista sete é a que desfaz o que você montou na três, e de repente o tabuleiro fecha. Centenas de problemas esperando. Começa pelo médio.
VIVENDO E APRENDENDO
Resposta da edição passada: Letra de Crédito do Agronegócio, um título que o banco emite lastreado em crédito rural e que é isento de imposto de renda para a pessoa física.
Pergunta de hoje: o que é um Fiagro?
A resposta você confere na próxima edição!
