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Bom dia!

O jogo de hoje é daqueles em que a gente vai riscando o que não pode ser até sobrar o que tem de ser, e o agro amanheceu assim, com pista batendo em pista, então pega o café que em cinco minutinhos a gente risca junto. A gordura que o frigorífico jogava fora virou artigo de exportação, e o sebo brasileiro saiu do fim da fila do mundo para perto do topo. O produtor de arroz parou de vender e o preço entendeu o recado. O que trava o adubo fosfatado não é o fósforo, é o enxofre, e o alerta de escassez veio de quem fabrica o adubo. E a renegociação da dívida rural está em vigor sem chegar a quase ninguém, com o relógio correndo. Descendo o dedo tem mais te esperando.

Pra você entrar na quarta sabendo onde a conta não fecha.

Por Luciana Stival

TÁ QUANTO?

MERCADO valor % dia % YTD
IBOVESPA (B3) R$186.502,64 0,54% 15,75%
IFIX R$3.744,89 0,36% -0,90%
JBSS3 R$63,30 -2,38% -20,01%
RAIZ4 R$0,27 0,00% -66,67%
TTEN3 R$10,38 -1,98% -37,09%
AGRO3 R$18,21 -0,44% -8,68%
RZAG11 R$8,39 0,96% -11,22%
CPTR11 R$7,55 0,80% -7,81%
Ethereum US$2,395.52 -5,95% -19,82%
Bitcoin US$75,592.68 -4,03% -14,44%

Os dados são publicados por BCB e Brapi.
As variações são calculadas em % diária e %YTD (Year to date)

O dinheiro está voltando para a bolsa brasileira, só que com endereço escolhido, e o endereço é banco e energia, não as agro listadas, que foram para o outro lado. Para quem vai captar nos próximos meses, isso aparece primeiro na régua de risco de quem empresta, e só depois na cotação da saca.

A CONTA CHEGOU

Pagou o custeio em dia? Pois é, ficou de fora

Fonte: Giphy

Dá para contar com a renegociação da dívida rural para a safra que vem? Quem tentou tem uma resposta.

Os sindicatos que o Sistema FAEP ouviu no Paraná contam o mesmo, pouca gente se enquadrou. A regra pede atraso no fim de maio e, pelo relato de Guarapuava, a maioria dos custeios vence entre junho e agosto, então o pontual ficou de fora por ter pago em dia, e o teto por operação deixa de fora, na região, boa parte do médio e do grande. Lá, o banco oferece juro acima do contrato original, e em São Mateus do Sul o banco, que liga para vender cartão, sobre a renegociação nem responde.

O detalhe é que governo e bancos não falaram em nenhuma das duas fontes, o lado deles chega só pelo relato dos sindicatos e da FPA, e quem relata, Sistema FAEP e FPA, representa o setor que cobra a renegociação. A própria carta da FPA chama a MP de avanço e só pede ajustes para a renegociação chegar ao produtor.

Por enquanto, se você estava em dia em maio ou passa do teto, a regra respondeu pelo banco. Se você cabe, a briga é com o banco e com o calendário ao mesmo tempo. A adesão termina em 12 de novembro, e em São Mateus tem banco dizendo que só dá posição em outubro.

POR DENTRO DO MERCADO

Cana encharcada, usina atrasada e preço adiantado

Fonte: CNN Brasil

O preço do açúcar na sua tela mudou de patamar, e quem mexeu nele foi o céu do Centro-Sul. Choveu tanto que a colheita parou, parte das usinas que costumam desligar em novembro pode moer até janeiro e, com menos produto saindo, o cristal no Cepea foi a R$ 119,41 a saca.

Cana com chuva demais é que nem adolescente, estica e demora a amadurecer, e rende menos açúcar. E o Itaú BBA cortou a projeção do Centro-Sul, enquanto a Unica, a casa das usinas, nem deve soltar o boletim agora, o que dá o tamanho do buraco.

O estrago não pesa igual, porque caldo ruim às vezes nem cristaliza, vira mel e depois etanol, então parte do que iria para o açucareiro pode ir para o tanque. E o hidratado paulista sobe desde agosto, puxado, segundo o Itaú BBA, por demanda maior, açúcar firme e moagem travada.

Antes de segurar o seu açúcar esperando mais, saiba que hoje ele não falta, o mercado cobra adiantado pelo susto, e o Itaú BBA avisa que subir mais depende de comprador físico aparecer. Traduzindo, você está sendo pago pelo medo dos outros, e a chuva que vem é quem alimenta esse medo.

NAS CABEÇAS DO AGRO

Corteva na Justiça, Basf e Syngenta na fila da bolsa

A separação da Corteva a gente já contou aqui em agosto e de novo no começo do mês, e o capítulo novo, a duas semanas da data, é na Justiça. Procuradores-gerais americanos, puxados por Rob Bonta, da Califórnia, pediram que a Justiça trave a cisão, e Bonta acusa a Corteva de mandar cerca de US$ 39 bilhões em ativos para a Vylor e deixar a conta dos PFAS, uma família de químicos, com os defensivos. Na versão de Bonta, é como quem passa a fazenda para o filho e deixa a conta, se vier, no CPF antigo.

A Corteva rejeita a leitura, chama de especulação sem prova as alegações sobre o passivo de PFAS, promete se defender, nega qualquer intenção de fraudar credor, diz que quem fica com a marca terá capital para o que aparecer e que nunca produziu nem vendeu PFOA ou PFOS desde que existe. E do lado dela o calendário segue, o conselho aprovou a separação e as sementes estreiam em Nova York como Vylor na virada do mês, se a liminar não sair antes.

E a Corteva não está sozinha nessa fila. A Basf escalou os bancos para levar a divisão agrícola a Frankfurt no ano que vem, ainda sem dia marcado, e a Syngenta, segundo fontes, pediu abertura de capital em Hong Kong, tão confidencial que só gente sem nome conta, e a Syngenta não comenta. São três gigantes de semente e defensivo mexendo na própria estrutura na mesma temporada, cada uma do seu jeito.

PAPO DE CURRAL

O recorde no gancho que a Conab já desconta em 2027

Fonte: Giphy

O IBGE contou, em dado ainda preliminar, o maior abate de um segundo trimestre, 10,72 milhões de cabeças, e a Conab projetou queda de 3,6% na produção de carne bovina em 2027 contra este ano. Pois é.

Quase metade desse recorde foi fêmea, e é aí que ele chega em você. Fêmea é a fábrica, não o produto, e o trimestre fez recorde com a fábrica na linha. Descarte nesse tamanho pode limitar a reposição dos próximos anos, e a Conab, por sua vez, espera menos animal à medida que a retenção avançar.

A própria Conab vê a virada do ciclo mais gradual do que se projetava, já que o abate seguiu acima do ano passado no primeiro semestre, sustentado por fêmea disponível, carcaça mais pesada e confinamento. A retração que ela mesma esperava ainda não chegou com força na produção, e o abate de fêmeas ter recuado um pouco em um ano, mesmo subindo contra o trimestre anterior, pode ser sinal de mudança gradual na oferta.

Cada vaca que você manda ou segura agora é a sua assinatura na oferta de 2027, e ciclo virando devagar não é ciclo virado.

DEU B.O.

Mais suíno no papel, menos dinheiro na granja

Fonte: Globo Rural

Encher a próxima baia ou segurar é uma decisão que pede a projeção de ontem e o resultado de agosto lidos juntos.

A Conab projetou mais carne suína neste ano e no que vem e, no mesmo documento, avisou que demanda e exportação não acompanharam e que ficou menos no bolso do independente. É o churrasco em que a carne chega mais rápido do que a turma.

O Itaú BBA, olhando do balcão do banco, chegou ao mesmo diagnóstico com número, e em agosto o prejuízo ficou, em média, em cerca de R$ 180 por animal, com o vivo pagando bem menos do que custa terminar.

Colocando um ao lado do outro, o que chama atenção é que a Conab diz que reequilibrar a cadeia no ano que vem deve exigir moderar o crescimento dos alojamentos e seguir abrindo mercado lá fora, enquanto o Itaú BBA ainda não vê sinal claro de produção caindo, com investimento previsto para ampliar capacidade.

Ou seja, a planilha pede pra tirar o pé, o plano de investimento continua no acelerador, e, como a Conab avisa, decisão sobre matriz demora a chegar no abate, então o excedente pode durar parte do próximo ano.

A CONTA DA LAVOURA

O aviso da Mosaic e o preço do MAP não combinam

Fonte: Giphy

No Sul e no Sudeste ainda tem fosfatado da compra de verão por fechar, e o Itaú BBA vê esses pedidos em aberto. O preço, enquanto isso, está cedendo, porque o MAP recua aqui por demanda fraca, mesmo custando mais que no Golfo americano.

Já um executivo da Mosaic diz que o mercado mundial de fosfatado gira em torno de 75 milhões de toneladas por ano e estima que se produza uns 45 milhões neste, porque os produtores não conseguem obter enxofre nem pagar por ele. O enxofre é o sal dessa receita, que ninguém repara até faltar, e, segundo ele, quintuplicou de preço, culpa que ele põe no Estreito de Ormuz fechado e em outros conflitos. Sem lucro na produção, a Mosaic paralisou fábricas, uma delas só em parte, e a maior parte da produção de fosfato dela no Brasil.

Mas quem avisa que vai faltar é quem vende, e quando é o vendedor que avisa, a Agro Espresso confere. No aviso dele só aparece preço subindo, e aqui ele cai, o contrário do que falta faria esperar, e quem mede é o Itaú BBA, banco, que não vende adubo.

PLANTÃO RURAL

SE DIVERTE AÍ

Cinco suspeitos, dez pistas, uma resposta só possível. No Problemas de Lógica você vai eliminando o que não pode ser até sobrar o que tem de ser. A pista sete é a que desfaz o que você montou na três, e de repente o tabuleiro fecha. Centenas de problemas esperando. Começa pelo médio.

VIVENDO E APRENDENDO

Resposta da edição passada: Letra de Crédito do Agronegócio, um título que o banco emite lastreado em crédito rural e que é isento de imposto de renda para a pessoa física.

Pergunta de hoje: o que é um Fiagro?

A resposta você confere na próxima edição!

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