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Bom dia!
A edição de hoje vem com a Tereos passando a usina Andrade pra Viralcool pra aliviar a dívida e redesenhar a operação, enquanto o Centro-Sul recalibra açúcar e etanol e a Argentina planta quase tudo, mas ainda pede chuva pra não azedar a safra. No caminho, tem fusão nos fertilizantes, investimento em ração, a tal universidade do búfalo no Marajó e um Plantão Rural com TCU, cigarrinha e M&A no radar.
Pra você acordar bem informado
Por Enrico Romanelli
TÁ QUANTO?
COLHENDO CAPITAL
Tereos vende usina pra Viralcool, corta peso da dívida e deixa o açúcar um pouco de lado

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A Tereos fechou a venda da usina Andrade pra Viralcool, ali em Pitangueiras (SP), pertinho de Ribeirão Preto, região que sentiu o calor dos incêndios de 2024 e viu a produtividade da colheita de 2025/26 sofrer. A unidade tem capacidade pra moer mais de 3 milhões de toneladas de cana por temporada, mas já tava rodando bem abaixo disso, então a francesa decidiu que era hora de enxugar e reorganizar o parque industrial.
A venda faz parte de um ajuste interno pra segurar o endividamento num ciclo de baixa das commodities, aquele período em que a planilha começa a olhar torto pra todo mundo. Em janeiro, a Tereos falou com investidores que a alavancagem podia encostar em 6x nesta safra, e essa transação ajuda a aliviar a pressão nas margens, além de reorganizar a operação de cana no Brasil em torno de 5 unidades.
Os números recentes explicam o frio na espinha. Nos 6 primeiros meses da safra 2025/26, a receita caiu 19% e ficou em R$ 3,2 bilhões, enquanto o Ebitda levou um tombo de 66% e foi pra R$ 173 milhões, com parte desse baque vindo justamente dos problemas de produtividade no Brasil depois dos incêndios. E tem mais um peso no ombro, o açúcar na Europa tá barato e a empresa disse que não espera recuperação antes de setembro de 2026.
No Brasil, o cenário também não ajuda quando o açúcar global perde força, principalmente porque a Tereos tem um perfil bem açucareiro. As usinas dela conseguem direcionar de 55% a 70% da cana pra commodity, enquanto a média do mercado gira em torno de 50%, então quando o preço azeda, a dor chega mais rápido. Do outro lado, a companhia vê o biocombustível com mais suporte de preços, o que deixa a decisão de reorganizar ainda mais lógica, mesmo pra quem gosta de adoçar a vida.
Pra Viralcool, a compra é uma expansão mais agressiva e com a cana já no carrinho, já que o acordo inclui 2 milhões de toneladas de cana pra abastecer a usina vindas da Tereos. A empresa da família Toniello também mostrou interesse na usina do Grupo Furlan, em recuperação judicial, e vem de uma safra 2024/25 com receita líquida perto de R$ 2,6 bilhões e lucro líquido de R$ 366 milhões, margem de 14%. Já a Tereos reforça que segue grande no Brasil, lembra que é o 2º maior produtor de açúcar do país, diz que as operações brasileiras representam 40% do Ebitda global e aposta que, mesmo vendendo a Andrade, a moagem pode crescer na próxima temporada de 18 milhões pra 19 milhões de toneladas.
SAFRA DE CIFRAS
Fusão nova nos fertilizantes

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A Massari Fértil, que faz fertilizantes naturais e é dona de uma mina de calcário em Salto de Pirapora (SP), resolveu juntar os trapos com a Morro Verde, produtora de fosfato e outros produtos em Pratápolis em Minas Gerais que é controlada pela Ore Investments. O acordo foi fechado na noite de quinta-feira (30) e a fusão vai rolar por troca de ações, sem Pix pra nenhum lado. No fim, a Massari fica com o controle da empresa combinada e o objetivo é jogar mais pesado num mercado que eles estimam com potencial acima de R$ 50 bilhões.
O encaixe das duas é bem de manual, só que com poeira de mineração. A Massari chega com um portfólio enorme, cerca de 500 produtos, muitos feitos sob medida pro cliente, tipo farmácia de manipulação só que pra solo. A Morro Verde vem com bem menos itens, cerca de 20 produtos mais padrão, mas entra com o principal ingrediente da receita, fosfato natural reativo, aquele que não precisa passar por processo químico pra virar útil. Sérgio Ailton Saurin, fundador da Massari, vira CEO da nova companhia e disse que a sinergia vem do desenvolvimento de novos produtos, enquanto George Fernandes, CEO da Morro Verde, quer consolidar a turma como a maior empresa de fertilizante natural misto do Brasil.
E não é só mistura de produto, é mistura de mapa também. A Massari já abastece São Paulo e chega no Centro-Oeste e no Matopiba por unidades em Bodoquena (MS) e Formoso do Araguaia (TO) via joint ventures, enquanto a Morro Verde ficava mais concentrada em 3 plantas em Pratápolis (MG) e vendia pra São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo. O plano agora é ampliar o portfólio, aumentar a equipe comercial e crescer a capacidade, que hoje tá perto de 3 milhões de toneladas, com meta de chegar a 5 milhões de toneladas em 3 anos, puxado por novas joint ventures que miram produção em Mato Grosso, Goiás e Paraná, e pelo menos 2 dessas negociações podem sair do papel em 2026.
O AGRO EM NÚMEROS
Açúcar recua, etanol cresce e a soja argentina pisa no freio

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A StoneX chegou com a tesoura na mão e cortou a projeção da produção de açúcar do Centro-Sul na safra 2026/27 pra 40,7 milhões de toneladas, 800 mil toneladas a menos que a previsão anterior, num momento em que o adoçante perdeu força e o etanol ficou mais atraente. A estimativa da moagem tá na mesma, 620,5 milhões de toneladas, já a produção total de etanol do Centro-Sul, somando cana e milho, subiu pra 36,5 bilhões de litros, sinal de que o setor deve ficar mais beberrão no novo ciclo.
Na Argentina, o plantio de soja praticamente fechou a porteira, mas a lavoura começou a perder um pouco de brilho. A semeadura chegou a 99,5% da área prevista de 17,6 milhões de hectares, avanço de 3,3 pontos percentuais na semana, só que a parte dessa soja que tá em condição boa ou excelente caiu de 53% pra 47%, enquanto a regular ou ruim subiu de 13% pra 16%. A parte hídrica também apertou, a área com umidade considerada adequada ou ótima caiu de 67% pra 64% e a parte regular ou de seca avançou pra 36%. Tá tudo plantado, mas nem tudo tá confortável.
No milho, o roteiro foi parecido, quase tudo semeado e o clima ainda segurando a caneta da produtividade. O plantio avançou 4,1 pontos percentuais e chegou a 97,2% da área, com chuvas no oeste de Buenos Aires e no sul de Córdoba melhorando a água no solo, principalmente no milho tardio. Mesmo assim, a condição boa ou excelente caiu de 52% pra 46% e a regular ou ruim subiu de 11% pra 14%, com a condição hídrica adequada ou ótima em 51% e a regular ou de seca indo pra 49%. Tradução, a lavoura tá praticamente toda no chão, mas o mapa ainda quer ver chuva pra parar de fazer cara feia.
NAS CABEÇAS DO AGRO
Auster bota R$ 20 milhões na linha e quer fatia ainda maior do cocho

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A Auster Nutrição Animal, que já domina cerca de 30% do mercado de ingredientes e aditivos pra ração, decidiu gastar uma bolada pra crescer ainda mais. A empresa vai investir R$ 20 milhões nesse ano pra aumentar a capacidade de produção em 25%, saindo de 3,2 mil toneladas por mês pra 3,7 mil toneladas por mês. Pode não parecer algo tão significativo assim, mas pra um ingrediente que entra de pitada na ração, é um crescimento bem grande.
O diretor-presidente, Paulo Portilho, diz que a meta é ganhar mais espaço dentro do volume total de ração produzido no país, saindo de 18 milhões de toneladas pra 20 milhões de toneladas, num mercado que o Sindirações estima em 94 milhões de toneladas. O plano de vendas prevê crescer 18% e o dinheiro vai principalmente pra automação da linha de embalagens, pra tirar a operação do “puxa, pesa, fecha” e colocar mais máquina no jogo, além de uma nova linha de produção ainda este ano, com obra prevista pra terminar em outubro.
E esse cash investido ainda vem junto com a mudança de cardápio da empresa, com mais soluções de maior valor agregado, como complexos enzimáticos, e menos itens mais simples que eram usados em maior volume. Segundo Portilho, há 15 anos ingredientes especiais eram 80% das vendas e hoje não chegam a 5%. Em 2025, a Auster registrou faturamento recorde de R$ 485 milhões, alta de 17% sobre 2024, quando somou R$ 415 milhões, apoiada na gestão de custos de matérias-primas dolarizadas e num modelo que combina premixes, aditivos e especialidades com diagnóstico técnico e consultoria no campo. Agora é esperar pra ver se o investimento vai se pagar, ou não.
MENTES QUE GERMINAM
Universidade de búfalo

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Na Ilha do Marajó (PA), búfalo não é só mais um bicho, não, é praticamente um pedaço da paisagem e da economia de lá andando livre pela rua. A região concentra o maior rebanho bubalino do Brasil, com algo entre 650 mil e 800 mil animais, e o bicho tá em todas, do transporte à segurança pública, passando pela gastronomia com o clássico filé mignon com queijo de búfala.
É aí que entra a ideia da família da Fazenda e Empório Mironga, criar o Centro de Estudos da Bubalinocultura, que já tá sendo chamada pelos íntimos de universidade do búfalo, pra tocar as pesquisas aplicadas em genética, manejo e em como aproveitar o bicho por inteiro, sem deixar sobrar nadinha. O plano deles é ter um centro que puxe melhoramento genético, agregação de valor no leite, couro, carne e sanidade, além de envolver outras áreas, de tecnologia de alimentos a turismo e medicina.
Enquanto a matrícula, o RA e o campus não saem do papel, a Mironga já colocou o búfalo pra render no turismo. Desde 2017, a Vivência Mironga leva visitante pra ver de pertinho a produção artesanal de queijo de búfala e práticas agroecológicas, e o negócio ficou tão forte que hoje o turismo responde por dois terços da grana da fazenda. E o queijo do Marajó também virou grife, a Mironga foi a 1ª queijaria da região a ter inspeção oficial em 2013, depois veio a Indicação Geográfica do INPI com apoio do Sebrae, e aí o produto ganhou visibilidade e valor agregado, porque quando tem selo, o mercado presta mais atenção.
PLANTÃO RURAL
Soja sem RG no biodiesel. O Tribunal de Contas da União apontou que 60% da soja usada no biodiesel não tem comprovação ambiental adequada de origem, mesmo com o Renovabio vetando matéria prima de área desmatada depois de 26/12/2017.
Influencer da roça sem roteiro. Em Jaraguaíva (PR), o Lucas Gabriel da Silva, de 13 anos, viralizou mostrando a rotina no sítio onde mora e já soma mais de 330 mil seguidores. Tem vídeo carpindo, tem chimarrão raiz e até participação especial da vaca Belinha, que virou celebridade com perfil próprio. A mãe monitora tudo e o guri já avisou que a ideia não é trocar a roça por cidade, o plano é seguir no campo e estudar Veterinária ou Agronomia no futuro.
Copa do Mundo com fumaça e picanha. A Copa do Mundo de 2026 animou o mercado de carne premium, que tá apostando em mais churrasco durante os jogos, ainda mais com 38 dias de torneio e horário mais “brasileiro” por ser em EUA, México e Canadá. Programas como Angus e Hereford dizem que o evento costuma puxar demanda por picanha, fraldinha, maminha, contrafilé e costela.
Cigarrinha do milho virou boleto. Um estudo feito por Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, Embrapa e Epagri estimou prejuízo de US$ 25,8 bilhões com a cigarrinha-do-milho entre 2020 e 2024. Em média, o Brasil deixou de colher 31,8 milhões de toneladas por safra no período, e o custo por aplicação de inseticida subiu 19%, de US$ 7,8 por hectare pra US$ 9,2.
Aliança Agrícola diz que não é RJ. A Aliança Agrícola do Cerrado afirmou que não tá em recuperação judicial e que a paralisação das atividades é temporária, apesar de unidades fechadas, reclamação de falta de retorno e demissão de mais de 300 funcionários. A empresa do grupo russo Sodrugestvo pediu uma medida cautelar pra suspender cobranças por 60 dias e enfrenta passivo estimado acima de R$ 1 bilhão, com rolo envolvendo CRAs e execuções de garantias.
M&A no agro voltou a respirar Um estudo da PwC contou 59 operações de fusões e aquisições no agro em 2025, alta de 20% e fim de uma sequência de queda desde 2022. A leitura é simples, juro alto e crédito travado empurraram empresas pra venda de ativos ou fusão como saída de emergência, enquanto comprador apareceu pra pagar mais barato. A consultoria aposta que o ritmo segue em 2026 e 2027, com crescimento de 10% a 20% no agro, dependendo do humor dos juros e do barulho eleitoral.
SE DIVERTE AÍ
Hora de dar um descanso pros números e espremer o cérebro em outra lavoura: o vocabulário. Hoje a pedida é o Termo, aquele jogo em que você tem 6 tentativas pra adivinhar a palavra do dia. Vale combinar com o pessoal da fazenda, do escritório ou da república e ver quem acerta primeiro. Depois do café, já sabe: abre o Termo, chuta uma palavra qualquer e deixa a cor dos quadradinhos dizer se sua cabeça tá mais pra lavoura bem manejada ou pra área que precisa de reforço técnico.
VIVENDO E APRENDENDO
Resposta da edição passada: Gengibre
Pergunta de hoje: Qual grão africano serviu de base para a dieta de faraós egípcios e até hoje é essencial na Etiópia e no Sudão?
A resposta você fica sabendo na próxima edição!
