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Bom dia!
A edição de hoje tem cota chinesa atrapalhando o mercado de carne bovina, silêncio da Raízen faz a empresa ir de mal a pior, Ibovespa batendo recorde atrás de recorde, dólar no menor valor em anos, RJs viram vilão do agro e muito mais.
Pra você acordar bem informado
Por Enrico Romanelli
TÁ QUANTO?
Ibovespa passou de 190.000 e nem pediu licença. O índice fechou com alta de 2,22% e bateu 190.058,97 pontos pela 1ª vez no intradia, embalado por gringo comprando ação e por blue chips puxando o bonde, tipo Vale, Petrobras e Itaú. No tempero do dia, Suzano explodiu mais de 13% e a TIM subiu 8%.
DE OLHO NO PORTO
China bota teto na carne, e o Brasil tenta colocar ordem no curral

Foto: Claudio Belli/Valor
A China decidiu aplicar salvaguardas na importação de carne bovina e, pra 2026, carimbou pros frigoríficos brasileiros uma cota de 1,1 milhão de toneladas. O detalhe que faz o setor suar frio é que o Brasil exportou quase 1,7 milhão de toneladas em 2025, e a conta não fecha sozinha. Dentro da cota, a tarifa fica em 12%. Fora dela, vira 67%, ou seja, o que passa do limite não vira exportação, vira quase um castigo.
Com esse cenário, o Ministério da Agricultura formalizou a sugestão de criar um sistema brasileiro de controle dos embarques pra China, num ofício enviado pra secretaria executiva da Camex. O Gecex se reúne hoje (12), mas ainda não tem consenso pra votar o tema, e dentro do governo rola debate jurídico sobre até onde um mecanismo desses interfere na livre concorrência e se pode parecer, no limite, uma trava oficial nas exportações.
Na proposta, o controle sairia pelo Decex do MDIC, com emissão de licenças de exportação e um bloqueio automático quando o volume estourar o autorizado. A ideia inclui dividir a cota entre os 67 frigoríficos habilitados, com distribuição proporcional ao histórico recente de vendas, alocação por CNPJ e base na participação de cada exportador nas vendas pra China em 2025. Também entrariam uma reserva técnica e uma quantidade mínima pra garantir espaço pra pequenos e novos exportadores, além de fatiar a cota por trimestres, monitorar o uso e realocar sobras pra não deixar carne encalhada no papel.
O argumento diz que sem coordenação, pode rolar uma corrida desordenada de frigoríficos tentando embarcar o mais rápido possível, pressionando contratos e preços numa disputa que pode virar fire sale e derrubar valores não só na China, mas também nos mercados alternativos pra onde a produção poderia ser empurrada. O documento fala em risco de forte desorganização, com potencial colapso de preços e de emprego, além do medo de a cota acabar ficando na mão de poucos grupos grandes, deixando o resto da turma olhando pela cerca.
NAS CABEÇAS DO AGRO
O silêncio ensurdecedor da Raízen

A Raízen passou de falar abertamente sobre captação de grana pra adotar um tom bem mais fechado, sem descartar conversas que lembrem reestruturação, e isso ajudou a acender a luz amarela nas agências. Como falamos essa semana, a S&P Global Ratings meteu um rebaixamento de 7 níveis, a Fitch Ratings veio na sequência com cortes em série, e agora a Moody’s Local Brasil também entrou no coro, derrubando o rating de AAA.Br pra CCC+.Br, e ainda tá na mira pra cair um pouco mais.
Esse caldo não nasceu do nada. A companhia já vinha apanhando há meses de juros altos, safras piores do que o esperado e uma conta de investimento que pesou no caixa. O mercado esperava uma solução costurada entre Cosan e Shell, já que estimativas apontavam que a Raízen precisava de pelo menos R$ 20 bilhões em capital novo, só que o impasse foi virando novela. Teve hora em que os bonds derreteram, depois respiraram quando a empresa negou que buscava reestruturação, mas na semana passada voltou a circular que cenários com corte de dívida tavam na mesa e a companhia não saiu pra desmentir. Na segunda-feira, ela avisou que tava contratando assessores pra avaliar opções de liquidez e estrutura de capital, e o mercado leu isso como quem lê placa de “desculpe-nos pelos transtornos, estamos em obras”.
No meio disso, a Raízen diz que tá tocando um pacote de ajuste, com venda de ativos não essenciais, corte pesado de capex especialmente em projetos de etanol de 2ª geração, menos dividendos, mexidas na alta gestão e mais disciplina de custo. Também entrou na roda a contratação de Pinheiro Neto Advogados e Cleary Gottlieb Steen & Hamilton LLP como assessores, e a possibilidade de venda de ativos na Argentina pra Mercuria Energy Group num negócio que pode passar de US$ 1 bilhão, ainda sem acordo vinculante. Agora, com resultado do 3º trimestre da safra 2025/26 chegando hoje (12), o que o mercado mais quer é menos suspense e mais roteiro com data, valor e plano de execução.
O AGRO EM NÚMEROS
Laranja contratando, ovelha se valorizando e o crédito mudando de cara

Giphy
A citricultura começou a safra 2025/26 com mais gente entrando no pomar e dando trabalho pro RH. De julho a dezembro de 2025, foram 23.637 admissões, alta de 32,3% sobre o mesmo período do ano anterior, com SP puxando a fila com 17.402 vagas e avanço de 34,2%. MG veio na sequência com 3.375 admissões e alta de 48,3%, o PR somou 990 e subiu 42,2%, e o MS fez aquele salto que chama atenção com 485 admissões e alta de 307,6%. No acumulado do ano de 2025, o setor chegou em 55.400 admissões, 7% acima de 2024 e no melhor patamar em 7 anos, segundo a CitrusBR.
Na pecuária, a ovinocultura passou 2025 com a autoestima em dia e o caderno de registros mais preenchido. A Arco registrou alta de 5% nas inscrições genealógicas, com 44.770 animais, e de 6,5% nas transferências, que foram de 30.819 pra 32.844. A explicação vem do trio que mais convence produtor, preço melhor, consumo crescendo e produto ganhando vitrine, com a lã voltando a se valorizar depois de anos de remuneração fraca, a carne ovina aparecendo mais no mercado interno e os derivados de leite ovino tipo queijos, iogurtes e doce de leite ganhando espaço, principalmente lá no RS.
No dinheiro, o Plano Safra 2025/26 mostrou que o produtor andou preferindo garantir o arroz com feijão do custeio e deixar investimento pra depois. Entre julho de 2025 e janeiro de 2026, o crédito rural empresarial contratado somou R$ 316,57 bilhões, alta de 6%, e o pix já enviado chegou em R$ 307,11 bilhões, alta de 3%.
Nos portos, fevereiro começou com a fila de embarque engrossando. A Anec revisou pra cima a soja e agora fala em até 12,41 milhões de toneladas no mês, acima da estimativa anterior de 11,42 milhões, e também elevou milho pra 953.217 toneladas, farelo de soja pra 1,92 milhão de toneladas e trigo pra 258.951 toneladas.
SAFRA DE CIFRAS
Dólar derrete na bolsa e a soja sente no bolso

Foto: Adobe Stock
O dólar viu uma enxurrada de investimento gringo chegando na bolsa brasileira, não tankou, e caiu com força. A moeda fechou ontem (11) a R$ 5,1872, queda de 0,20% e o menor fechamento desde maio de 2024. No ano, a queda acumulada já tá de 5,50%, e teve momento de mínima em R$ 5,1697 quando o Ibovespa batia recorde e o mercado virou uma liquidação de dólar.
Teve um sustinho no meio do caminho porque o payroll dos EUA veio mais forte do que a turma imaginava e deu força pro dólar lá fora, mas aqui o que pesou foi o fluxo gringo pra bolsa. Mas o Banco Central do Brasil repetiu mais uma vez que pretende começar a calibragem da Selic a partir de março, depois de segurar a taxa em 15% ao ano, enquanto os EUA seguem bem abaixo disso. E esse diferencial continua funcionando como um ímã de capital e ajuda a explicar por que o real tá mais firme, mesmo com o BC fazendo rolagem de swap e o fluxo cambial semanal vindo negativo em US$ 294 milhões.
Só que o câmbio em queda não chega igual pra todo mundo, e na soja ele costuma bater primeiro no caixa. A Biond Agro lembra que um real mais forte derruba o valor recebido em reais por cada dólar exportado, então nem CBOT acima de US$ 11 por bushel salva. Com prêmios mais baixos e paridade de exportação entre R$ 95 e R$ 100 por saca em regiões importantes, mais custos subindo 7% a 10% e preços cerca de 10% menores que um ano atrás, a margem vai ficar bem espremida e muita gente vai chegar perto do zero a zero. Tá ruim, mas poderia ser bem pior.
COLHENDO CAPITAL
RJ no agro vira trunfo e Bradesco e CNA pedem calma

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Recuperação judicial no agro tá virando aquele atalho que começa com uma vontade de reorganizar a casinha e termina com restrição de tudo quanto é lado, principalmente no crédito. Durante o Show Rural Coopavel 2026, o Bradesco avisou que a enxurrada de pedidos de RJ aumentou a percepção de risco no sistema financeiro e já tá empurrando o custo do dinheiro pra cima, com o diretor Roberto França dizendo que tem caso que não nasce de incapacidade operacional, mas de uso exagerado, às vezes até incentivado por advogado.
A conta chega rápido. Segundo o banco, muita gente só entende o tamanho do estrago depois que entra no processo e descobre que perde margem de manobra e capacidade de crédito, e sem crédito não tem milagre, não tem custeio, não tem fôlego. O Bradesco diz que mais de 90% da base segue saudável e que tenta puxar negociação antes do vencimento pra alongar prazo e evitar a RJ, mas deixou no ar que pode vir regulação pra limitar o uso da ferramenta, do jeito que a coisa tá indo.
Do outro lado, a CNA subiu o tom e chamou de abuso. João Martins jogou o holofote nos excessos da fase boa, quando o campo colheu resultado e parte do produtor colheu compra desnecessária junto, e citou a virada da inadimplência de menos de 2% pra 12%. Pra ele, não precisa mexer na lei porque o tempo faz a o trabalho sujo, mas tem uma condição básica pra faxina andar, juros voltarem pra um nível economicamente viável, porque com dinheiro caro, qualquer tropeço vira tombo com plateia.
PLANTÃO RURAL
BrasPine carimbou passaporte e largou US$ 250 mi no Uruguai. A empresa recebeu aval da COMAP pra erguer sua 1ª planta florestal fora do Brasil, em Rivera, com projeto florestal industrial pra processar madeira de pinus. A construção começa em 2026 e a operação entra em 2027, com promessa de 400 empregos e produção mirando exportação, num plano que ainda prevê expansão escalonada nos próximos anos.
Klabin lucrou menos. A companhia teve lucro líquido de R$ 168 milhões no 4º tri, queda de 69% na comparação anual, enquanto o Ebitda ajustado ficou em R$ 1,83 bilhão e a margem segurou 35%, abaixo do que parte do mercado esperava. A receita líquida recuou 2% e, em celulose, caiu 14%, com a empresa citando oscilações globais e mudanças nas cadeias produtivas como parte do cenário.
SRB manteve o comando e o recado foi bem direto. Sérgio Bortolozzo foi reeleito presidente da Sociedade Rural Brasileira e fica até 2028 no cargo, prometendo manter a interlocução com governos em temas como endividamento rural, seguro rural, viabilidade econômica e defesa do direito de propriedade. A nova diretoria também ganhou vice-presidentes e a entidade disse que vai seguir com diálogo e transparência, mesmo em ano eleitoral.
Suzano apertou o botão de recompra e mira até 40 mi de ações. O conselho aprovou um novo programa de recompra com prazo de até 18 meses, que pode chegar perto de R$ 2 bilhões a depender do preço, e a execução vai rolar na B3 via um time de corretoras.
Yara saiu do vermelho e fechou 2025 com lucro de gente grande. A empresa registrou lucro líquido de US$ 344 milhões no 4º tri e fechou o ano com US$ 1,37 bilhão, com Ebitda mais que dobrando no trimestre pra US$ 773 milhões, puxado por margens melhores em nitrogenados e melhora comercial no Brasil. A companhia ainda projetou ganhos adicionais de Ebitda até 2027 e 2030, e disse que o mercado global de nitrogênio segue apertado.
Syngenta trouxe molécula nova pra caçar nematoide no braço. No Show Rural Coopavel, a empresa apresentou o Victrato, tratamento de sementes com a tecnologia Tymirium, recém aprovada no Brasil, mirando nematoides e doenças iniciais em soja, milho, algodão e outras culturas. A Syngenta citou que esses parasitas aparecem em mais de 90% das amostras de solo e podem derrubar produtividade em até 25%, então a promessa do produto é dar controle amplo e já deixar a lavoura menos vulnerável logo na largada.
SE DIVERTE AÍ
Hoje a brincadeira é geográfica. O Flagle te joga uma bandeira qualquer no meio da tela e te deixa adivinhar que país é aquele com base nas cores, formatos e nos chutes anteriores. Vale testar conhecimento de geopolítica, decorar bandeira de parceiro comercial do agro e ainda disputar quem acerta em menos tentativas no grupo da fazenda ou da firma.
VIVENDO E APRENDENDO
Resposta da edição passada: Urucum
Pergunta de hoje: Qual cereal, domesticado há 9 mil anos na China, se tornou o ingrediente principal do saquê japonês?
A resposta você fica sabendo na próxima edição!
