
APRESENTADO POR
Bom domingo!
Domingo é dia de almoço demorado, e o cardápio de hoje vem em tempos. De entrada, um intercâmbio em fazenda dos Estados Unidos para quem já pensa na mala, servido com a novela do Pantanal para quem prefere o sofá. Entre um prato e outro, a agenda de eventos passa pela mesa para alguém marcar a semana. A sobremesa é o chocolate de um casal que fechou a loja que dava mais lucro em Ilhabela, e o prato principal, que abre a edição, é o queijo que está segurando o pequeno produtor de leite no Sul. Descendo a tela tem mais.
Pra você chegar na segunda com o prato cheio.
Por Luciana Stival.
RURALIDADES
InterAgri (programa de intercâmbio): estudante ou profissional das ciências agrárias, de 19 a 28 anos, passa de 3 a 12 meses estagiando em propriedades e empresas rurais dos Estados Unidos, com remuneração por volta de US$ 1.000 por mês, e volta com inglês do dia a dia e outras tecnologias e modelos de produção no currículo.
Pantanal (novela, remake de 2022, Globoplay): a pecuária pantaneira da novela de 1990 contada de novo.
S. Bernardo (livro, Graciliano Ramos): 288 páginas em que Paulo Honório, que trabalhou na roça e acabou comprando a fazenda onde um dia foi empregado, conta como juntou tudo e por que nem a terra nem o casamento lhe deram sossego.
AGRO360 (podcast semanal, Apple Podcasts): Rafael Vilella, produtor rural e locutor da PBR Brasil, solta toda sexta uma conversa de agricultura, pecuária e cavalo, e o episódio 210 tem 38 minutos com o pecuarista Sérgio Leitão sobre recria e engorda em Mato Grosso do Sul.
Farming Simulator 25 (jogo, Steam, R$ 143,95 o jogo base): mais de 400 máquinas de mais de 150 marcas e 25 culturas para plantar, com legenda em português e modo cooperativo para dividir a fazenda com o filho ou com o vizinho.
PRA DENTRO DA PORTEIRA
No RS, queijo artesanal ajuda o pequeno produtor de leite a ficar na atividade, e a entrada começa em R$ 35 mil

Fonte: Giphy
No Rio Grande do Sul, mais de 55 mil pecuaristas largaram o leite entre 2015 e 2025, uma queda de 65%, pela conta da Farsul. Allan Tormen, que coordena a Comissão do Leite e Derivados da federação, aposta no queijo artesanal para manter o pequeno no campo, agregando valor ao leite sem pedir mais escala.
Em Soledade, Eloiza Debona começou em 2016, depois de uma greve de caminhoneiros, para não perder o leite que tinha ficado parado na propriedade. Hoje industrializa 95% do que tira, e o queijo dela levou ouro no Mundial do Queijo do Brasil deste ano.
Medalha, no queijo, mexe com o movimento da porteira. A Queijaria Irmão Queijeiro, de Chopinzinho (PR), ganhou o Super Ouro no prêmio estadual de 2025, a procura cresceu, segundo a FAEP, que promove o prêmio, e a família investiu no turismo rural para receber visitantes.
Entrar custa menos do que parece: o Sebrae-RS calcula pelo menos R$ 35 mil para montar uma agroindústria queijeira, numa estrutura de contêiner. Crescer é que esbarra em dois limites. Na Irmão Queijeiro, a mão de obra é só da família, o que segura o volume; no Rio Grande do Sul, Tormen cobra do estado normas que não exijam do pequeno a mesma estrutura de uma indústria com selo SIF.
RETRATO DO CAMPO
Em Ilhabela, o casal do chocolate fechou a loja que dava mais lucro e ficou com o cacau

Fonte: Giphy
Arquiteta e cantora lírica, Fabíola Emendabili de Carvalhosa voltou ao Brasil em 2024, depois de sete anos se apresentando na Europa, com o marido, o advogado português Frederico Pauleta, para cuidar da quinta da família em Ilhabela. Para aprender o ofício, os dois fizeram cursos de cultivo e manejo de cacau orgânico na Bahia, e ela ainda fez o de chocolatier em São Paulo. Da agrofloresta com cacau saiu o Cacau da Ilha, chocolate feito na própria quinta.
A colheita é pequena: segundo Fabíola, de 600 a 700 quilos de cacau por ano, sem adubo químico, e quase tudo vira chocolate, vendido em feira, evento e na lojinha da quinta, ao lado da Cachoeira do Veloso.
Neste ano, o casal levou o chocolate para o centro da cidade, numa loja que durou quatro meses: os dois concluíram que o balcão estava atrapalhando os cuidados com a filha pequena e o jeito de viver que eles adotaram desde a mudança para a quinta. A loja dava mais lucro, diz Fabíola, mas o sonho virava pesadelo; hoje ganham menos, gastam menos e ela diz que estão mais felizes.
PAUTA VERDE
Tira água de rio ou poço no Paraná? A FAEP fez uma cartilha grátis da outorga

Fonte: Giphy
Quem tira água de poço ou de rio no Paraná precisa de autorização do Instituto Água e Terra, salvo em rio federal, que é com a ANA: a outorga, que vale por prazo definido, ou, para pequenos volumes, uma declaração. Para quem nunca correu atrás desse papel, o Sistema FAEP lançou uma cartilha gratuita com os tipos de autorização, os documentos, os custos, a relação com o licenciamento ambiental e o passo a passo do pedido.
O pedido é pela internet, no SIGARH. O uso pequeno, o chamado insignificante, pode ser pedido sem custo, e o próprio sistema gera a declaração quando o uso atende aos critérios técnicos. Já a Outorga Prévia e a Outorga de Direito de Uso pedem paciência: a análise leva em torno de 90 dias, se não houver pendência de quem pediu.
E o papel não fica na gaveta: segundo a FAEP, uma das formas de regularização é condição para o produtor tirar licenças ambientais como a LAS e a LAC, ou a dispensa de licenciamento ambiental municipal, a DLAM.
MENTES QUE GERMINAM
Bordão-de-velho no pasto deixa o solo menos ácido que o eucalipto

Fonte: Embrapa
O eucalipto cresce rápido e é plantado no Brasil para madeira, sozinho ou junto do pasto. Henrique Nery Cipriani, da Embrapa, em pesquisa orientada no Cena/USP, perguntou outra coisa: o que a árvore faz com o solo. Em Porto Velho (RO), a mesma pastagem de capim-marandu recebeu, em 2018, uma faixa de bordão-de-velho, leguminosa nativa que fixa nitrogênio, e outra de eucalipto.
Quatro anos depois, o solo sob o bordão-de-velho estava menos ácido e com mais diversidade de bactérias e arqueias, dois grupos de microrganismos do solo, do que o do eucalipto, e a influência sobre a microbiota aparecia a até cinco metros da árvore.
No artigo científico, os autores fazem uma ressalva: a nativa pode melhorar a saúde do solo sobretudo quando produzir madeira não é o objetivo. E nenhuma das duas faixas chegou ao potássio da floresta usada como referência, o que, para os autores, pede adubação dirigida nos dois sistemas.
COMO TÁ LÁ FORA?
Agtech paga até US$ 6 mil por mês para testar

Fonte: Giphy
Danny Bernstein passou 20 anos no Vale do Silício, em empresas como Google e Microsoft, e viu startup fazendo sensor sem nenhum engenheiro com experiência de campo. Daí nasceu, em 2024, a Reservoir Farms, que põe agtech para testar dentro de uma fazenda comercial em Salinas, na Califórnia.
Lá, a startup paga aluguel pela estrutura. A tabela vai de uma faixa gratuita, só para entrar na fazenda com máquina segurada, a US$ 3 mil por mês na residência e US$ 6 mil no pacote completo. A John Deere entra com outra parte: fechou em agosto US$ 10 milhões em três anos com a iniciativa, dinheiro que, segundo a AgFeed, subsidia sobretudo a entrada das startups nos campos de teste. A Deere também é a fornecedora exclusiva de equipamento da fazenda e não descarta comprar startups de lá. Com mensalidade e patrocínio somados, Bernstein diz que a Reservoir já dá lucro.
No Brasil, o campo de teste existe no AgNest, da Embrapa e do Banco do Brasil, em Jaguariúna, em universidades e em associações, mas, pela apuração da AgFeed, tende a ser gratuito ou subsidiado.
A HISTÓRIA POR TRÁS
Em Patos de Minas, o prêmio pela qualidade do leite virou poupança

Fonte: Giphy
Na Fazenda Alagoas, em Patos de Minas (MG), o leite já foi pouco para sustentar a casa, e Gilson Cardoso completava a renda trabalhando para os vizinhos. A fazenda tinha passado do avô para o pai dele e depois para ele, que vendeu o carro para comprar novilhas.
A virada começou com um pedido de ajuda. Gilson procurou a Nestlé atrás de apoio para ampliar a ordenha e recebeu uma proposta de compra do leite. Inseguro, dividiu a entrega entre a cooperativa e a multinacional para comparar, e a diferença paga pela qualidade virou, nas palavras dele, “uma espécie de poupança que fui adquirindo mês a mês”. Esse adicional passou a ser fonte de recursos para o ciclo de melhorias que segue até hoje; ao longo dos anos, entraram instalações, equipamentos e genética.
Juliana Cardoso, mulher de Gilson, atribui parte do resultado a mudanças no manejo e na alimentação e, principalmente, na gestão da equipe: “Sem pessoas, nada acontece. Tem gente que fala que a solução é máquina, mas sempre vai ter uma pessoa por trás dessa máquina.” A fazenda treina os funcionários na rotina, na segurança e no bem-estar animal.
Foi dela também a desconfiança em relação à cobertura vegetal do solo. A família testou numa parte da área, veio uma estiagem depois do plantio do milho e, pelo relato dela, o milharal coberto saiu mais uniforme. A fazenda adotou práticas de agricultura regenerativa com incentivo de um programa da própria Nestlé. Hoje faz plantio direto e rotação de culturas e devolve os dejetos à lavoura como adubo. A Nestlé também apoia a genotipagem do rebanho e paga bonificação pelas práticas sustentáveis.
E AÍ, BORA?
Outubro
26ª Conferência Internacional DATAGRO: safra, preço e regulação do sucroenergético com quem decide, dias 26 e 27 de outubro, em São Paulo (SP).
AveSui América Latina 2026: a feira de referência em aves, suínos e peixes, com tecnologia e negócios da proteína animal, de 27 a 29 de outubro, em Cascavel (PR).
FICCA 2026, com o espaço do Senar Goiás: simulador de plantio e colheita, a Carreta Senar 360 e vaga de emprego no agro no mesmo estande, com o dia 29 dedicado ao agro e o DemoDay do Desafio AgroStartup, de 27 a 29 de outubro, no Centro de Convenções de Goiânia (GO).
Novembro
Prêmio ABAG/RP de Jornalismo José Hamilton Ribeiro: R$ 12 mil por trabalho vencedor na categoria profissional e até R$ 5 mil no Jovem Talento, com envio de matérias até 1º de novembro.
AgTech Summit: agricultura 4.0, rastreabilidade e inteligência artificial aplicada ao campo, dia 5 de novembro, em Florianópolis (SC) e on-line. Exige inscrição.
16º Seminário DATAGRO de Custo de Produção de Cana, Açúcar e Etanol: a atualização das projeções de custo da safra 26/27, com preço de insumo agrícola e industrial destrinchado, para você comparar com a sua planilha, dia 5 de novembro, on-line. Exige inscrição.
Agro World Fórum: geopolítica, comércio internacional e competitividade brasileira resolvidos num dia, dia 5 de novembro, no Renaissance São Paulo Hotel, em São Paulo (SP). Credenciamento pelo site.
Curso para Aplicação Aeroagrícola Remota (CAAR): as 36 horas on-line (a Portaria 298 do MAPA exige no mínimo 28) para quem vai pulverizar com drone, com a equipe da Unesp de Botucatu, de 9 a 23 de novembro, com prova no fim. Pago, R$ 1.500 à vista ou dez parcelas de R$ 180, e a inscrição fecha em 5 de novembro.
EuroTier: para ver as soluções inteligentes de manejo do rebanho funcionando antes da sua próxima obra, de 10 a 13 de novembro, em Hannover (Alemanha). Pago, a partir de 33 euros o dia na compra on-line.
EIMA International: trator, implemento e máquina de fabricante do mundo todo no mesmo parque, para você comparar antes da próxima troca de frota, de 10 a 14 de novembro, em Bolonha (Itália). Pago, a partir de 22 euros o dia, só on-line, e gratuito para empresário estrangeiro que pedir o ingresso eletrônico no site.
CONACREDI Agro: o encontro de quem decide o crédito que chega até você, dias 11 e 12 de novembro, no Centro de Convenções Frei Caneca, em São Paulo (SP). Inscrições abertas.
Semana Internacional do Café: simpósios, salas de cupping e o concurso Coffee of the Year, de 11 a 13 de novembro, no Expominas, em Belo Horizonte (MG).
ENAPecan 2026: dois dias de mercado, rodada de negócios e tarde de campo em pomar de noz-pecã, para quem pensa em plantar ou já colhe e quer saber a quem vender, dias 12 e 13 de novembro, em Bento Gonçalves (RS). Pago, R$ 300 no lote regular, e a inscrição vai até 12 de novembro.
XXII FENACAM: camarão e aquicultura com simpósios internacionais, de 17 a 21 de novembro, no Centro de Convenções de Natal (RN). Pago, e quem deixar para depois de 29 de outubro paga R$ 100 a mais na inscrição.
Conexão Batata Brasileira: produtor, distribuidor e fornecedor da batata na mesma feira, para você sair com mercado, máquina e comprador no mesmo caderno, dias 20 e 21 de novembro, no Expo Boulevard Iguatemi, em Campinas (SP). Pago, por ingresso.
AgTech Summit: inteligência artificial aplicada ao agro catarinense, dia 24 de novembro, em Florianópolis (SC) e on-line. Exige inscrição.
Fórum de Irrigação da Bahia (FIBA): dois dias para acertar a conta da água e da energia da irrigação, com tecnologia, gestão hídrica e custo do manejo na mesa, no maior polo irrigado do país, dias 27 e 28 de novembro, no Complexo Bahia Farm Show, em Luís Eduardo Magalhães (BA). Inscrições abertas.
Dezembro
Food Africa: quatro dias dentro da maior feira de alimentos e bebidas da África, para ver de perto quem compra alimento num dos mercados que mais crescem no mundo, de 7 a 10 de dezembro, no Egypt International Exhibition Center, no Cairo (Egito). Exige cadastro de visitante pelo site.
Janeiro
Dinetec 2027: o maior evento agro do Vale do Araguaia, para comparar máquina, semente e insumo antes de fechar a compra do ano, de 13 a 15 de janeiro, em Canarana (MT). Entrada gratuita.
Fevereiro
Show Rural Coopavel 2027: cinco dias de vitrine do agro para ver a tecnologia de perto antes de fechar a compra, de 1º a 5 de fevereiro, na BR-277, em Cascavel (PR). Entrada e estacionamento gratuitos.
SE DIVERTE AÍ
O Worldle mostra só o contorno de um país, e você tem seis chutes para acertar qual é. A cada erro, ele devolve a distância, a direção e o quanto você chegou perto, e é aí que a seta começa a puxar para o lado certo do mapa. Acertou? Tem rodada extra com a bandeira e a capital. Chuta o primeiro.
VIVENDO E APRENDENDO
Resposta da edição passada: a doença de Newcastle é causada por um vírus que ataca aves domésticas e selvagens, com sintomas respiratórios que costumam vir seguidos de sinais neurológicos.
Pergunta de hoje: o que é uma comitiva pantaneira?
A resposta você confere na próxima edição!
