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Bom domingo!

Domingo é dia de banho sem pressa, daqueles em que a água quente demora a acabar. A vaca que, na maior fazenda de leite do país, vive tomando mais de um banho demorado. E o agrônomo que estava quebrado, depois de gastar as economias numa represa, encheu as redes sociais de seguidores. Descendo a tela, ainda tem mapa de geada, oficina numa carreta, jogo e eventos.

Pra você começar bem a semana.

Por Luciana Stival.

RURALIDADES

  • Quando Ouvi a Voz da Terra (série documental, YouTube, grátis): quatro episódios de 15 a 20 minutos em que a pecuarista Carmen Perez visita produtores de cacau, café, leite e mel, e dá para ver tudo num intervalo de almoço.

  • Vidas Secas (livro, Graciliano Ramos, Editora Record, R$ 54,90): 176 páginas sobre uma família de retirantes no sertão nordestino, de 1938, que se lê numa tarde e ainda explica muito do Brasil que o leitor atravessa de carro.

  • Agro Depende (podcast semanal, Apple Podcasts, grátis): mais de 400 episódios de conversa com pesquisador e consultor, e o mais recente fala de soja em terra baixa no Rio Grande do Sul, bom de ouvir na estrada.

  • Raízes do agro (podcast mensal, Apple Podcasts, grátis): o episódio 42 conta como um consultor virou sócio de três confinamentos com capacidade para 38 mil animais, e vale pelo que ele diz sobre receber má notícia rápido.

  • Mel Silvestre Iraê (produto, mel cru em bisnaga de 500g, loja do apiário em Itapetininga, R$ 35,00): vem direto do produtor, sem industrialização, e o desconto sobe a 5% já na compra de duas.

TRAMPO NO CAMPO

Tem vaga em fazendas nos EUA, e um dos requisitos é o inglês que você já tem

Fonte: Giphy

Sabia que uma empresa estrangeira no currículo pode ser o carimbo que faz o recrutador grudar o olho em você? Um estudo europeu de 2014, com cerca de 80 mil respondentes, olhou para quem estudou ou estagiou fora: cinco anos depois da formatura, o desemprego desse grupo é 23% menor do que o de quem não foi. Entre os estagiários do programa Erasmus, mais de um em cada três recebe oferta da empresa onde estagiou, e para pouco mais de seis em cada dez empregadores, quem tem experiência internacional recebe mais responsabilidade e avança mais rápido na carreira. O estudo é de estudantes europeus, mas a lógica vale para você: passaporte carimbado é um grande diferencial.

O ponto é que procurar vaga em multinacional é uma coisa, ser procurado por ela é outra. O diretor da empresa que organiza esse intercâmbio afirmou que todos os ex-intercambistas que ela mapeia ou estão bem posicionados em multinacionais e grandes distribuidores do agro, ou lideram e inovam nos negócios da família. O Adhemar Oliver é um exemplo: fez o intercâmbio em Iowa em 1991 e, em 2022, era gerente de Tecnologia e Qualidade de Aplicação no Seedcare Institute LATAM da Syngenta. Carimbo de 1991, crachá de 2022.

O inglês intermediário, aquele de quem entende e se faz entender, sem a cobrança de parecer gringo, é uma das chaves para poder participar. Inclusive, muitos participantes desenvolvem o idioma justamente durante o programa. Além disso, o programa exige outras chaves para abrir essa porta: idade dentro da faixa, o curso ligado ao agro, em andamento ou concluído, ou experiência prática equivalente, e pelo menos um ano de experiência de campo. O guia fala em bolsa de, no mínimo, US$ 1.000 por mês.

Quem organiza esse intercâmbio no Brasil há mais de um quarto de século é a CAEP. A organização nasceu em 1972, em Minnesota, nos Estados Unidos, como Communicating for Agriculture; o programa de intercâmbio veio em 1979, e a operação brasileira, em 1999, hoje dirigida por Flavio Salvadego, que fez o primeiro intercâmbio pela CAEP nos EUA. Pelo site, milhares de brasileiros já fizeram o intercâmbio agrícola, e a temporada 2027 está aberta.

Entre o inglês que você já tem e o carimbo que o currículo ainda não tem, vale pesquisar e ver se essa não é a oportunidade que você tanto esperava.

O AGRO EM NÚMEROS

A mulher já é maioria entre os formandos, e deve menos

Fonte: Globo Rural

A foto da formatura do agro mudou de cara. Pelo Censo da Educação Superior do MEC, as mulheres foram 50,9% dos formandos de 2024 em agricultura, silvicultura, pesca e veterinária. Na fazenda, um estudo da ABAG estima que elas são 40% dos 10,7 milhões de produtores rurais que tomam decisão no Brasil. Além disso, nos dados de crédito da Serasa Experian, as produtoras aparecem com inadimplência menor que a dos homens. Aí sim.

TRAMPO NO CAMPO

O trator ficou mais moderno, e o RS abriu uma oficina de graça

Fonte: Giphy

Quem quer trabalhar com máquina agrícola sem passar por faculdade tem uma porta aberta no interior gaúcho, mas ela é apertada.

O programa Carretas do Saber, do governo do Rio Grande do Sul com o Senai-RS, leva para os municípios uma carreta com um trator praticamente completo, motores e eixo de transmissão para cursos gratuitos de manutenção de máquinas agrícolas.

A prioridade é de desempregado, subocupado, informal, jovem atrás do primeiro emprego e de quem quer entrar numa nova atividade, e as vagas que sobrarem poderão ir para empregados que busquem aperfeiçoamento ou transição profissional. Depois de Quevedos, o programa passa por União da Serra, de 24 de novembro a 5 de dezembro.

O SIMERS, sindicato que representa a indústria de máquinas e implementos agrícolas do Rio Grande do Sul, destaca a iniciativa, e o recado do presidente, Claudio Bier, é que não basta ter máquina moderna no campo, é preciso gente preparada para fazer a manutenção.

E ESSE TEMPO, HEIN?

Santa Catarina tem mapas que avisam a chance de geada com até cinco dias de folga

Fonte: Giphy

Geada não se controla, mas dá para saber se vale a pena perder a madrugada brigando com ela.

A Epagri/Ciram mantém um sistema de previsão de geadas que mostra a chance de geada com até cinco dias de antecedência, em três mapas, de probabilidade máxima, média e mínima. Para usar, o produtor escolhe a classe de geada conforme a cultura e lê a chance na localidade de interesse.

Dá para ler a chance como uma faixa: se os mapas marcam 50 e 60, a chance de geada ali fica entre 50% e 60%. E a própria página do Ciram avisa que os três primeiros dias têm acerto elevado, enquanto o quarto e o quinto indicam tendência. Traduzindo, é um despertador que pode tocar até cinco dias antes, e que merece mais confiança nos três primeiros.

Quem calcula o benefício é a própria Epagri, que faz o sistema: a conta dela é de R$ 84,7 milhões em perdas evitadas desde 2021. E o mapa é de Santa Catarina.

Para quem tem pomar ou lavoura em Santa Catarina, o despertador já está pronto; para quem está fora, vale perguntar ao órgão de pesquisa do seu estado se ele tem coisa parecida.

MENTES QUE GERMINAM

A bomba solar regou quase o dobro, mas a produtividade não correspondeu

Fonte: Giphy

Irrigação movida a sol, sem ligação com a rede elétrica, tem uma tentação embutida: regar mais. Pesquisadores do INTA Manfredi, na Argentina, avaliaram por quatro anos um gotejamento subterrâneo movido só a painéis solares, em trigo, soja e milho, e concluíram que estavam aplicando quase o dobro de água para ganhar pouco em produtividade. No milho, o rendimento foi de 15 para 16 toneladas por hectare. Em rodízio, a planta também para de comer antes do garçom parar de servir.

A virada foi dividir o mesmo cano. Nos dois anos seguintes, os pesquisadores dobraram a área irrigada, de 6 para 12 hectares, mantendo a mesma bomba, e chegaram a uma referência para dimensionar: cerca de 2 metros cúbicos por hora para cada hectare.

Repare que as informações vêm de divulgação do governo argentino sobre a pesquisa, e o pesquisador avisa que a comparação é de dez anos de sistema elétrico contra dois de solar, então os dados pedem cautela. É ensaio de Córdoba, com gotejamento enterrado.

Para quem pensa em irrigar onde a rede elétrica não chega, a pesquisa aponta que espalhar a água por mais área pode render mais do que encharcar cada hectare.

POR AÍ NAS REDES

Quebrado depois da represa, ele pediu o celular e hoje soma 7 milhões de seguidores

Fonte: Canal Rural

A chácara de Isnael Nonato chegou a pagar as despesas da família, mas passou por um aperto, e foi aí que a câmera ligou.

Filho e neto de trabalhadores rurais, ele virou técnico agrícola e depois engenheiro agrônomo porque o pai não tinha assistência técnica, e com a esposa, Gabriela, começou a trabalhar com hortaliças, sobretudo alface, numa chácara de três hectares em Vera, em Mato Grosso.

Depois de investir as economias numa represa, o casal estava com o financiamento do carro e o da energia solar atrasados, e as publicações, que no começo serviam para divulgar os produtos da chácara, viraram dica de agrônomo. Os perfis do Agrônomo de Vera, criados em outubro de 2024, reúnem hoje 7 milhões de seguidores somando as redes, 2,3 milhões só no Instagram, segundo a matéria.

O método dele cabe numa pergunta: “Por que o sujeito tem que falar análise de solo e não pode falar análise de terra?” E os comentários ajudam a decidir a pauta: se dez pedem jabuticaba e um pede goiaba, ele olha o que as pessoas estão pedindo. Traduzindo, assistência técnica na língua de quem ouve virou grande audiência.

Para quem pensa em ensinar o que sabe na internet, o começo dele foi divulgar os produtos da chácara, e a régua dele é falar a língua de quem mais ouve.

PRA DENTRO DA PORTEIRA

Na maior fazenda de leite do país, tem vaca que banha até seis vezes por dia

Fonte: Giphy

Na Fazenda São José, em Tapiratiba (SP), dona da marca Fazenda Bela Vista, as vacas em lactação passam pela sala de banho antes e depois da ordenha, e algumas chegam a ir seis vezes por dia, segundo a Globo Rural. Ela voltou ao primeiro lugar do ranking MilkPoint/Abraleite e tirou o posto da Fazenda Colorado. Pelo visto, lá, o chuveiro faz parte da ração.

O detalhe é que o banho não trabalha sozinho: as práticas de bem-estar animal, com atenção especial ao conforto térmico, são descritas como um dos pilares do avanço da fazenda, que foi de 47 mil para 102 mil litros por dia em oito anos. Em 2019, a recria começou a ir para o compost barn, e a média por vaca foi de 28 para 42 litros por dia. Ou seja, não é luxo, é investimento.

E AÍ, BORA?

Outubro

  • SIAL Paris: cinco dias para ver o que a indústria de alimentos do mundo está pondo na prateleira e onde cabe o que você exporta, de 17 a 21 de outubro, no Paris Nord Villepinte, em Paris (França). Ingresso pelo site.

  • Seafood Show Latin America: feira da cadeia do pescado e da aquicultura. De 20 a 22 de outubro em São Paulo (SP). Gratuito para comprador e profissional do setor, com validação de perfil.

  • 26ª Conferência Internacional DATAGRO: safra, preço e regulação do sucroenergético com quem decide, dias 26 e 27 de outubro, em São Paulo (SP).

  • AveSui América Latina 2026: a feira de referência em aves, suínos e peixes, com tecnologia e negócios da proteína animal, de 27 a 29 de outubro, em Cascavel (PR).

  • FICCA 2026, com o espaço do Senar Goiás: simulador de plantio e colheita, a Carreta Senar 360 e vaga de emprego no agro no mesmo estande, com o dia 29 dedicado ao agro e o DemoDay do Desafio AgroStartup, de 27 a 29 de outubro, no Centro de Convenções de Goiânia (GO).

Novembro

  • Prêmio ABAG/RP de Jornalismo José Hamilton Ribeiro: R$ 12 mil por trabalho vencedor na categoria profissional e até R$ 5 mil no Jovem Talento, com envio de matérias até 1º de novembro.

  • AgTech Summit: agricultura 4.0, rastreabilidade e inteligência artificial aplicada ao campo, dia 5 de novembro, em Florianópolis (SC) e on-line. Exige inscrição.

  • 16º Seminário DATAGRO de Custo de Produção de Cana, Açúcar e Etanol: a atualização das projeções de custo da safra 26/27, com preço de insumo agrícola e industrial destrinchado, para você comparar com a sua planilha, dia 5 de novembro, on-line. Exige inscrição.

  • Agro World Fórum: geopolítica, comércio internacional e competitividade brasileira resolvidos num dia, dia 5 de novembro, no Renaissance São Paulo Hotel, em São Paulo (SP). Credenciamento pelo site.

  • Curso para Aplicação Aeroagrícola Remota (CAAR): as 36 horas on-line (a Portaria 298 do MAPA exige no mínimo 28) para quem vai pulverizar com drone, com a equipe da Unesp de Botucatu, de 9 a 23 de novembro, com prova no fim. Pago, R$ 1.500 à vista ou dez parcelas de R$ 180, e a inscrição fecha em 5 de novembro.

  • EuroTier: para ver as soluções inteligentes de manejo do rebanho funcionando antes da sua próxima obra, de 10 a 13 de novembro, em Hannover (Alemanha). Pago, a partir de 33 euros o dia na compra on-line.

  • EIMA International: trator, implemento e máquina de fabricante do mundo todo no mesmo parque, para você comparar antes da próxima troca de frota, de 10 a 14 de novembro, em Bolonha (Itália). Pago, a partir de 22 euros o dia, só on-line, e gratuito para empresário estrangeiro que pedir o ingresso eletrônico no site.

  • CONACREDI Agro: o encontro de quem decide o crédito que chega até você, dias 11 e 12 de novembro, no Centro de Convenções Frei Caneca, em São Paulo (SP). Inscrições abertas.

  • Semana Internacional do Café: simpósios, salas de cupping e o concurso Coffee of the Year, de 11 a 13 de novembro, no Expominas, em Belo Horizonte (MG).

  • ENAPecan 2026: dois dias de mercado, rodada de negócios e tarde de campo em pomar de noz-pecã, para quem pensa em plantar ou já colhe e quer saber a quem vender, dias 12 e 13 de novembro, em Bento Gonçalves (RS). Pago, R$ 300 no lote regular, e a inscrição vai até 12 de novembro.

  • XXII FENACAM: camarão e aquicultura com simpósios internacionais, de 17 a 21 de novembro, no Centro de Convenções de Natal (RN). Pago, e quem deixar para depois de 29 de outubro paga R$ 100 a mais na inscrição.

  • Conexão Batata Brasileira: produtor, distribuidor e fornecedor da batata na mesma feira, para você sair com mercado, máquina e comprador no mesmo caderno, dias 20 e 21 de novembro, no Expo Boulevard Iguatemi, em Campinas (SP). Pago, por ingresso.

  • AgTech Summit: inteligência artificial aplicada ao agro catarinense, dia 24 de novembro, em Florianópolis (SC) e on-line. Exige inscrição.

  • Fórum de Irrigação da Bahia (FIBA): dois dias para acertar a conta da água e da energia da irrigação, com tecnologia, gestão hídrica e custo do manejo na mesa, no maior polo irrigado do país, dias 27 e 28 de novembro, no Complexo Bahia Farm Show, em Luís Eduardo Magalhães (BA). Inscrições abertas.

Dezembro

  • Food Africa: quatro dias dentro da maior feira de alimentos e bebidas da África, para ver de perto quem compra alimento num dos mercados que mais crescem no mundo, de 7 a 10 de dezembro, no Egypt International Exhibition Center, no Cairo (Egito). Exige cadastro de visitante pelo site.

Janeiro

  • Dinetec 2027: o maior evento agro do Vale do Araguaia, para comparar máquina, semente e insumo antes de fechar a compra do ano, de 13 a 15 de janeiro, em Canarana (MT). Entrada gratuita.

SE DIVERTE AÍ

Nas Charadas do Racha Cuca você lê o enigma, chuta a resposta e só então toca em "Mostrar Resposta". Uma delas manda dez vacas para o pasto, uma morre e pergunta quantas ficaram. A conta é de escola, a pegadinha é da fazenda. Chute antes de tocar e veja se você cai.

VIVENDO E APRENDENDO

Resposta da edição passada: SISBOV é o sistema do Ministério da Agricultura que identifica e certifica bovinos e búfalos, um a um, para rastrear a origem e o trânsito do animal.

Pergunta de hoje: o que é o compost barn, usado na criação de vaca?


A resposta você confere na próxima edição!

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