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Bom dia!
Quinta é dia de conferir o molho de chaves antes de sair de casa, e o de hoje gira nos dois sentidos. A primeira chave destrancou o Sudão para a carne e a genética do Brasil, a segunda vai abrir mais uma porteira para o gado mexicano voltar aos Estados Unidos, e a terceira continua no bolso de quem assina a cédula do custeio, só que a fechadura da safra pode ter trocado de dono. Já a Arábia Saudita girou a chave ao contrário e trancou só a porta de Santa Catarina, enquanto a Malásia, que trancou o Brasil inteiro e compra bastante frango. Descendo a tela tem mais.
Pra você saber qual porta está aberta antes de fechar negócio.
Por Luciana Stival
TÁ QUANTO?
Os dados são publicados por Cepea.
As variações são calculadas em YTD (Year to date).
Especialistas avaliam que o comércio exterior com a China não muda de uma hora para outra, seja quem vencer a eleição, porque a relação se apoia em contrato. Para a EY, o biodiesel americano consome mais soja por lá e mantém o chinês dependente da safra brasileira.
POR DENTRO DO MERCADO
Newcastle: a Arábia Saudita suspendeu só as compras de Santa Catarina

Fonte: Giphy
Pela nova atualização do Ministério da Agricultura, a Arábia Saudita suspendeu a carne e os produtos cárneos de aves de Santa Catarina, sendo hoje o quarto maior importador de frango do Brasil, com 8% das exportações, ou 327,8 mil toneladas de janeiro a setembro, pelos dados oficiais.
Já a Malásia suspendeu carne, produtos cárneos e miúdos de aves do Brasil inteiro; o país responde por menos de 0,5% das exportações de janeiro a setembro, e em 2025 nem figurou entre os 25 maiores compradores do frango brasileiro, segundo a ABPA.
O que vem agora é o calendário: o protocolo prevê dois períodos de 21 dias, 42 dias de acompanhamento, e o Brasil poderá voltar a ser considerado livre da doença após 90 dias. Será que alguém vende “paciência” no atacado? Tem gente que vai precisar.
NAS CABEÇAS DO AGRO
A Cosan encerrou sem acordo a negociação exclusiva para vender parte da fatia na Rumo

Fonte: AgFeed
A placa de “vende-se” saiu da porta da Rumo sem negócio fechado.
No começo da noite de terça (20), a Cosan informou que o período de tratativas se esgotou sem acordo, depois de meses em negociação exclusiva para vender parte da sua participação na Rumo. A holding de Rubens Ometto disse que não chegou a nenhum acordo que considerasse estrategicamente e comercialmente adequado para vender qualquer fração da participação.
Quem chegou a negociar, segundo o UOL, foram as tradings Bunge e Cofco, numa negociação para vender 15% dos 20% que a Cosan tem na Rumo, e as imposições da Cosan e do BTG Pactual teriam travado a conversa.
A Cosan vem se desfazendo de ativos para reduzir a dívida, que era de R$ 9,2 bilhões, a líquida expandida, no segundo trimestre de 2026, depois de chegar a R$ 23,5 bilhões no fim de 2024. E a próxima placa estaria na porta da Compass, a empresa de gás do grupo, com 20% à venda para um investidor estrangeiro.
PRA DENTRO DA PORTEIRA
A Federarroz alerta que o grão pode passar ao credor sem ação judicial

Fonte: Giphy
Se você vai assinar o custeio, leia que garantia está na cédula antes da assinatura. Em nota de quarta (21), a Federarroz, que reúne os arrozeiros do Rio Grande do Sul, alertou que a Cédula Rural Pignoratícia está sendo trocada pela Cédula de Crédito Bancário com alienação fiduciária da safra, mudança que, segundo a entidade, já foi identificada em diversos casos.
A diferença é de dono. Com o penhor, a produção continua do agricultor, vinculada à dívida; com a alienação fiduciária, o credor fica com a propriedade fiduciária dos grãos até a quitação, e o produtor com a posse direta. Pela leitura jurídica da entidade, em caso de atraso o credor pode consolidar a propriedade dos grãos sem ação judicial e vendê-los sem leilão nem avaliação prévia.
A conta da cláusula aparece num levantamento de contratos de safras consecutivas feito pelo escritório Agroplan e citado pelo analista Sergio Cardoso, do Canal Pampa Gaúcho: a cobertura exigida em garantia subiu de 100% para 200% do saldo devedor, com cinco dias para reforço, e um financiamento de R$ 2 milhões poderia pedir R$ 4 milhões em garantia. O mesmo levantamento viu os juros de mora irem de 1% ao ano para 1% ao mês, condição cuja validade depende de avaliação jurídica.
A ressalva vem da própria análise: o analista diz que não há afirmação de ilegalidade nem indicação de que todos os bancos usem as mesmas cláusulas. Para o analista, a comparação de contratos de safras consecutivas revelou condições que podem ampliar o controle dos bancos sobre a produção financiada. O inquilino continua com a chave do silo; a “escritura” do grão é que “mudou de nome”.
A CONTA CHEGOU
O Banco do Brasil espera passar de R$ 20 bilhões de renegociação só dele até dia 12/11

Fonte: Giphy
O contador andou, mas ainda está longe do teto. Pelo balanço do Banco Central a que o Valor teve acesso, a MP 1.376 tinha renegociado R$ 10,17 bilhões até terça (20), menos de 10% do potencial de R$ 120 bilhões identificado pelo governo. Ontem contamos aqui que seriam R$ 5,98 bilhões até 5 de outubro, pelo estudo do Cepea.
O Banco do Brasil, por conta própria, espera passar de R$ 20 bilhões renegociados até 12 de novembro, data final para contratar. Até agora o BB fez R$ 3,3 bilhões, outros R$ 6,5 bilhões estão na esteira para aprovação e mais R$ 6,1 bilhões em propostas iniciais chegaram às agências. O que está em análise, lembra o Canal Rural, ainda não representa recursos efetivamente renegociados.
Só que, no contador, só entra o que já virou contrato. O enquadramento nas regras da MP não garante a aprovação automática do financiamento, a perda tem de ser comprovada por laudo técnico e cada pedido passa pela análise da capacidade de pagamento do produtor.
O próprio vice-presidente de Agronegócios e Agricultura Familiar do BB, Gilson Bittencourt, avisa que a MP não deve mudar a inadimplência do agro no banco no curto prazo.
A UNIÃO FAZ A FORÇA
A Cotribá aprova a liquidação extrajudicial sem plano de negociação com os credores

Fonte: Globo Rural
Se você entrega grão na Cotribá ou tem dinheiro a receber dela, a assembleia de terça decidiu, e decidiu com a sala quase vazia. A cooperativa de Ibirubá (RS), fundada em 1911, aprovou por unanimidade a liquidação extrajudicial na terça (20), com 375 associados presentes, de 11.393 cooperados. O passivo é estimado em cerca de R$ 1,4 bilhão, com instituições financeiras, fundos de investimento e produtores rurais.
A liquidação vem com continuidade: segundo a Globo Rural, o processo permite suspender as cobranças por 12 meses, prorrogáveis por mais 12, e o liquidante Sergio Strentzke assegura que a entrega de soja, milho e trigo e o recebimento de leite seguem sem risco de retenção por arresto judicial.
O que falta é o que o credor queria ouvir. Por ora, segundo o AgFeed, não há plano de negociação com os credores, e a própria direção admite estar sem auditoria externa contratada; nesse modelo, a adesão do credor às condições propostas é voluntária. O patrimônio está avaliado em cerca de R$ 800 milhões, mas 90% dele já está comprometido em garantias de alienação fiduciária, hipoteca ou penhoras judiciais.
Do lado do caixa, a cooperativa registrou faturamento de R$ 313 milhões em 2026 e projeta fechar o ano com prejuízo da ordem de R$ 164 milhões. E as críticas do liquidante à gestão anterior, registra o Agrolink, vieram sem documentos ou conclusões de investigação que confirmem responsabilidades individuais.
MENTES QUE GERMINAM
A Yara quer até 30% da margem com bioinsumos até 2030

Fonte: Giphy
Na Yara, o segmento que a empresa chama de bioinsumos e foliares já responde por 14% do Ebitda da companhia no Brasil, e ela espera chegar a até 30% de toda a margem gerada na empresa até 2030, segundo a própria companhia. O segmento ainda representa pouco perto dos fertilizantes tradicionais, e o AgFeed apurou o tamanho: a receita global da Yara com biológicos estaria perto de US$ 300 milhões em 2025, contra faturamento total de US$ 15,7 bilhões. A empresa prevê lançar no próximo ano um produto à base de peptídeos, e o produto com microrganismo vivo deve chegar ao mercado por volta de 2028 ou 2029, considerando o processo de registro.
Na bancada, as pesquisas com o pulgão também seguem em condições controladas. Pesquisadores da Pennsylvania State University e da Montana State University, nos Estados Unidos, montaram uma mistura sintética de compostos do odor da joaninha que reduziu em 27% a população do pulgão-verde-do-pessegueiro após 14 dias em casa de vegetação, mas os resultados ainda não demonstram eficácia em campo, segundo a Cultivar. Outro estudo, na França, viu uma planta invasora que pode funcionar como reservatório tanto da praga quanto do inimigo natural, o parasitoide do pulgão, com 48% de emergência do parasitoide contra 18% na beterraba, também em condições controladas e sem prova de menos infestação na lavoura.
PLANTÃO RURAL
A Raízen propôs um aumento de capital de no mínimo R$ 3,5 bilhões, a R$ 0,25 por ação: a proposta, com subscrição mínima de 14 bilhões de ações e período de preferência previsto de 6 de novembro a 7 de dezembro, ainda depende de aprovações societárias.
A FMC mudou o contrato de crédito com os bancos para viabilizar a venda da operação na Índia: pelo documento enviado à SEC, a venda tem 31 de dezembro de 2026 como referência para ser concluída, sem identificação do comprador nem do valor do negócio.
A OMM prevê o El Niño mais intenso entre novembro e janeiro, com a região Niño 3.4 do Pacífico até 3,8 graus acima da referência: para o mesmo trimestre, o documento aponta maior probabilidade de chuva abaixo da média no norte da América do Sul e acima da média no sudeste do continente.
O Sudão abriu o mercado para carnes, miúdos, aves de um dia e ovos férteis do Brasil: pela nota conjunta do Mapa e do MRE, o aceite da autoridade sanitária sudanesa vale também para bovinos e búfalos de reprodução e para embriões bovinos e bubalinos.
Uma MP abriu crédito extraordinário de R$ 6,5 bilhões para financiar exportadoras atingidas pelas tarifas dos EUA e pela guerra no Golfo Pérsico: o Planejamento justifica a medida pela demanda por crédito no BNDES, superior ao dobro do limite de R$ 7 bilhões autorizado até então para 2026.
Os EUA vão reabrir Columbus ao gado mexicano em 26 de outubro, e Nogales deve vir em 30 de novembro: o bloqueio, iniciado em maio de 2025 contra a mosca-varejeira do Novo Mundo, contribuiu para os preços recordes da carne moída nos EUA, segundo a Reuters, citada pelo Portal DBO.
Com a estimativa de setembro do Deral, o déficit de trigo do Paraná em relação à moagem subiu para cerca de 1,7 milhão de toneladas: no Norte do estado, a presidente do Sinditrigo-PR, Paloma Venturelli, projeta cerca de 750 mil toneladas, com apenas 400 mil de Tipo 1, o trigo adequado à panificação.
A importação de tratores da China cresceu 117% até setembro e empatou com a da Índia: no total, as compras externas somaram 11,2 mil tratores agrícolas de janeiro a setembro, alta de 42%, num mercado interno com vendas de máquinas agrícolas no varejo 15,8% menores de janeiro a agosto.
DIVIRTA-SE
Um pôster de cinema em nove quadrantes, só um deles nítido, o resto pixelado. Cada palpite de título libera mais um pedaço, e você tem seis tentativas para reconhecer o filme. Abra o Cinedle, escolha o modo Poster e veja com quantos quadrantes você descobre.
VIVENDO E APRENDENDO
Resposta da edição passada: o ATR é o Açúcar Total Recuperável, os quilos de açúcar que a usina extrai de cada tonelada de cana, base do pagamento da cana no Consecana.
Pergunta de hoje: o que é a bicheira?
A resposta você confere na próxima edição!

