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Bom dia!

Quinta é dia de conferir o molho de chaves antes de sair de casa, e o de hoje gira nos dois sentidos. A primeira chave destrancou o Sudão para a carne e a genética do Brasil, a segunda vai abrir mais uma porteira para o gado mexicano voltar aos Estados Unidos, e a terceira continua no bolso de quem assina a cédula do custeio, só que a fechadura da safra pode ter trocado de dono. Já a Arábia Saudita girou a chave ao contrário e trancou só a porta de Santa Catarina, enquanto a Malásia, que trancou o Brasil inteiro e compra bastante frango. Descendo a tela tem mais.

Pra você saber qual porta está aberta antes de fechar negócio.

Por Luciana Stival

TÁ QUANTO?

MERCADO valor % dia % YTD
Soja (Paranaguá, R$/saca 60kg) R$152,13 -0,83% 7,89%
Boi gordo (R$/arroba 15kg) R$380,40 -0,01% 19,17%
Arroz (R$/saca 50kg) R$81,82 -0,26% 53,08%
Café Arábica (R$/saca 60kg) R$1.620,92 0,67% -25,47%
Trigo (Paraná, R$/tonelada) R$1.560,04 -0,21% 31,96%

Os dados são publicados por Cepea.
As variações são calculadas em YTD (Year to date).

Especialistas avaliam que o comércio exterior com a China não muda de uma hora para outra, seja quem vencer a eleição, porque a relação se apoia em contrato. Para a EY, o biodiesel americano consome mais soja por lá e mantém o chinês dependente da safra brasileira.

POR DENTRO DO MERCADO

Newcastle: a Arábia Saudita suspendeu só as compras de Santa Catarina

Fonte: Giphy

Pela nova atualização do Ministério da Agricultura, a Arábia Saudita suspendeu a carne e os produtos cárneos de aves de Santa Catarina, sendo hoje o quarto maior importador de frango do Brasil, com 8% das exportações, ou 327,8 mil toneladas de janeiro a setembro, pelos dados oficiais.

Já a Malásia suspendeu carne, produtos cárneos e miúdos de aves do Brasil inteiro; o país responde por menos de 0,5% das exportações de janeiro a setembro, e em 2025 nem figurou entre os 25 maiores compradores do frango brasileiro, segundo a ABPA.

O que vem agora é o calendário: o protocolo prevê dois períodos de 21 dias, 42 dias de acompanhamento, e o Brasil poderá voltar a ser considerado livre da doença após 90 dias. Será que alguém vende “paciência” no atacado? Tem gente que vai precisar.

NAS CABEÇAS DO AGRO

A Cosan encerrou sem acordo a negociação exclusiva para vender parte da fatia na Rumo

Fonte: AgFeed

A placa de “vende-se” saiu da porta da Rumo sem negócio fechado.

No começo da noite de terça (20), a Cosan informou que o período de tratativas se esgotou sem acordo, depois de meses em negociação exclusiva para vender parte da sua participação na Rumo. A holding de Rubens Ometto disse que não chegou a nenhum acordo que considerasse estrategicamente e comercialmente adequado para vender qualquer fração da participação.

Quem chegou a negociar, segundo o UOL, foram as tradings Bunge e Cofco, numa negociação para vender 15% dos 20% que a Cosan tem na Rumo, e as imposições da Cosan e do BTG Pactual teriam travado a conversa.

A Cosan vem se desfazendo de ativos para reduzir a dívida, que era de R$ 9,2 bilhões, a líquida expandida, no segundo trimestre de 2026, depois de chegar a R$ 23,5 bilhões no fim de 2024. E a próxima placa estaria na porta da Compass, a empresa de gás do grupo, com 20% à venda para um investidor estrangeiro.

PRA DENTRO DA PORTEIRA

A Federarroz alerta que o grão pode passar ao credor sem ação judicial

Fonte: Giphy

Se você vai assinar o custeio, leia que garantia está na cédula antes da assinatura. Em nota de quarta (21), a Federarroz, que reúne os arrozeiros do Rio Grande do Sul, alertou que a Cédula Rural Pignoratícia está sendo trocada pela Cédula de Crédito Bancário com alienação fiduciária da safra, mudança que, segundo a entidade, já foi identificada em diversos casos.

A diferença é de dono. Com o penhor, a produção continua do agricultor, vinculada à dívida; com a alienação fiduciária, o credor fica com a propriedade fiduciária dos grãos até a quitação, e o produtor com a posse direta. Pela leitura jurídica da entidade, em caso de atraso o credor pode consolidar a propriedade dos grãos sem ação judicial e vendê-los sem leilão nem avaliação prévia.

A conta da cláusula aparece num levantamento de contratos de safras consecutivas feito pelo escritório Agroplan e citado pelo analista Sergio Cardoso, do Canal Pampa Gaúcho: a cobertura exigida em garantia subiu de 100% para 200% do saldo devedor, com cinco dias para reforço, e um financiamento de R$ 2 milhões poderia pedir R$ 4 milhões em garantia. O mesmo levantamento viu os juros de mora irem de 1% ao ano para 1% ao mês, condição cuja validade depende de avaliação jurídica.

A ressalva vem da própria análise: o analista diz que não há afirmação de ilegalidade nem indicação de que todos os bancos usem as mesmas cláusulas. Para o analista, a comparação de contratos de safras consecutivas revelou condições que podem ampliar o controle dos bancos sobre a produção financiada. O inquilino continua com a chave do silo; a “escritura” do grão é que “mudou de nome”.

A CONTA CHEGOU

O Banco do Brasil espera passar de R$ 20 bilhões de renegociação só dele até dia 12/11

Fonte: Giphy

O contador andou, mas ainda está longe do teto. Pelo balanço do Banco Central a que o Valor teve acesso, a MP 1.376 tinha renegociado R$ 10,17 bilhões até terça (20), menos de 10% do potencial de R$ 120 bilhões identificado pelo governo. Ontem contamos aqui que seriam R$ 5,98 bilhões até 5 de outubro, pelo estudo do Cepea.

O Banco do Brasil, por conta própria, espera passar de R$ 20 bilhões renegociados até 12 de novembro, data final para contratar. Até agora o BB fez R$ 3,3 bilhões, outros R$ 6,5 bilhões estão na esteira para aprovação e mais R$ 6,1 bilhões em propostas iniciais chegaram às agências. O que está em análise, lembra o Canal Rural, ainda não representa recursos efetivamente renegociados.

Só que, no contador, só entra o que já virou contrato. O enquadramento nas regras da MP não garante a aprovação automática do financiamento, a perda tem de ser comprovada por laudo técnico e cada pedido passa pela análise da capacidade de pagamento do produtor.

O próprio vice-presidente de Agronegócios e Agricultura Familiar do BB, Gilson Bittencourt, avisa que a MP não deve mudar a inadimplência do agro no banco no curto prazo.

A UNIÃO FAZ A FORÇA

A Cotribá aprova a liquidação extrajudicial sem plano de negociação com os credores

Fonte: Globo Rural

Se você entrega grão na Cotribá ou tem dinheiro a receber dela, a assembleia de terça decidiu, e decidiu com a sala quase vazia. A cooperativa de Ibirubá (RS), fundada em 1911, aprovou por unanimidade a liquidação extrajudicial na terça (20), com 375 associados presentes, de 11.393 cooperados. O passivo é estimado em cerca de R$ 1,4 bilhão, com instituições financeiras, fundos de investimento e produtores rurais.

A liquidação vem com continuidade: segundo a Globo Rural, o processo permite suspender as cobranças por 12 meses, prorrogáveis por mais 12, e o liquidante Sergio Strentzke assegura que a entrega de soja, milho e trigo e o recebimento de leite seguem sem risco de retenção por arresto judicial.

O que falta é o que o credor queria ouvir. Por ora, segundo o AgFeed, não há plano de negociação com os credores, e a própria direção admite estar sem auditoria externa contratada; nesse modelo, a adesão do credor às condições propostas é voluntária. O patrimônio está avaliado em cerca de R$ 800 milhões, mas 90% dele já está comprometido em garantias de alienação fiduciária, hipoteca ou penhoras judiciais.

Do lado do caixa, a cooperativa registrou faturamento de R$ 313 milhões em 2026 e projeta fechar o ano com prejuízo da ordem de R$ 164 milhões. E as críticas do liquidante à gestão anterior, registra o Agrolink, vieram sem documentos ou conclusões de investigação que confirmem responsabilidades individuais.

MENTES QUE GERMINAM

A Yara quer até 30% da margem com bioinsumos até 2030

Fonte: Giphy

Na Yara, o segmento que a empresa chama de bioinsumos e foliares já responde por 14% do Ebitda da companhia no Brasil, e ela espera chegar a até 30% de toda a margem gerada na empresa até 2030, segundo a própria companhia. O segmento ainda representa pouco perto dos fertilizantes tradicionais, e o AgFeed apurou o tamanho: a receita global da Yara com biológicos estaria perto de US$ 300 milhões em 2025, contra faturamento total de US$ 15,7 bilhões. A empresa prevê lançar no próximo ano um produto à base de peptídeos, e o produto com microrganismo vivo deve chegar ao mercado por volta de 2028 ou 2029, considerando o processo de registro.

Na bancada, as pesquisas com o pulgão também seguem em condições controladas. Pesquisadores da Pennsylvania State University e da Montana State University, nos Estados Unidos, montaram uma mistura sintética de compostos do odor da joaninha que reduziu em 27% a população do pulgão-verde-do-pessegueiro após 14 dias em casa de vegetação, mas os resultados ainda não demonstram eficácia em campo, segundo a Cultivar. Outro estudo, na França, viu uma planta invasora que pode funcionar como reservatório tanto da praga quanto do inimigo natural, o parasitoide do pulgão, com 48% de emergência do parasitoide contra 18% na beterraba, também em condições controladas e sem prova de menos infestação na lavoura.

PLANTÃO RURAL

DIVIRTA-SE

Um pôster de cinema em nove quadrantes, só um deles nítido, o resto pixelado. Cada palpite de título libera mais um pedaço, e você tem seis tentativas para reconhecer o filme. Abra o Cinedle, escolha o modo Poster e veja com quantos quadrantes você descobre.

VIVENDO E APRENDENDO

Resposta da edição passada: o ATR é o Açúcar Total Recuperável, os quilos de açúcar que a usina extrai de cada tonelada de cana, base do pagamento da cana no Consecana.

Pergunta de hoje: o que é a bicheira?


A resposta você confere na próxima edição!

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