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Bom dia!
Terça é dia de feira em muita cidade do interior, e quem passa pelas bancas sabe que a lista na mão nem sempre cabe no dinheiro do bolso, então pega o café que em cinco minutinhos a gente faz essa feira junto. Numa banca nova, a XP montou um Fiagro para tirar do balanço papel da própria casa. Na do doce, o açúcar subiu de preço com a chuva atrasando a usina. Na do insumo, o adubo continua na lista do produtor, só que ele passou menos no caixa em julho. E em Goiás, o guichê do banco que libera crédito ficou mais curto, mandando a fila para o guichê do lado. Descendo a página tem mais banca te esperando.
Pra você seguir a terça sabendo em qual guichê o dinheiro da safra sai mais caro.
Por Luciana Stival.
TÁ QUANTO?
Os dados são publicados por BCB. A variação considerada nesta tabela é semanal.
O dólar teve a maior queda diária desde 2018, e há analista vendo espaço para mais se o segundo turno confirmar o primeiro. Quem ainda tem grão para fixar decide agora se trava a saca em reais ou espera o segundo turno para ver até onde o câmbio vai.
A CONTA CHEGOU
Crédito rural em Goiás cai 43%, o menor em oito anos

Fonte: Giphy
O guichê do banco ficou mais curto para quem planta. Em Goiás, o crédito rural liberado de junho a agosto caiu 43% sobre o mesmo período de 2025, nos dados do Banco Central analisados pela Faeg, a Federação da Agricultura do Estado de Goiás. Entre os dez estados que mais recebem crédito rural, foi a maior queda, e o custeio, que é o dinheiro que paga a safra, caiu um pouco mais. Nos vinte maiores municípios agrícolas do estado, todos, saiu menos crédito.
Ao mesmo tempo, a federação vê crescer o financiamento por CPR, barter, trading, revenda, fabricante de insumo, títulos do agro como LCA e CRA, fundos e recursos próprios, em grande parte das vezes com juro, prazo e garantia menos favoráveis. Para a federação, isso tem feito o produtor se endividar cada vez mais para plantar a safra seguinte. No Brasil todo, a queda no mesmo período foi de 21%. É, rapadura é doce, mas não é mole não.
A CONTA DA LAVOURA
Entrega de adubo caiu 22% em julho, com a safra ainda crescendo

Fonte: CNN Brasil
As entregas de fertilizante caíram 22% sobre julho de 2025, nos números da Anda, a Associação Nacional para Difusão de Adubos. A queda já aparecia desde maio, depois do início da guerra no Irã, quando os negócios novos esfriaram.
A safra brasileira segue crescendo e mantém a demanda estrutural, e o que mudou foi a capacidade financeira do produtor e o momento de decidir a compra. O principal ponto de atenção são os nitrogenados, com o segundo semestre costumando concentrar uma aceleração das compras, de olho nas próximas safras e no milho, e a importação de nitrogênio cerca de 20% abaixo de 2025 nos primeiros oito meses.
Caso a importação siga abaixo do ritmo de 2025 enquanto a demanda avança, o mercado pode chegar aos próximos meses com menos folga de estoque. Por outro lado, se as cargas programadas para o país desembarcarem e as compras do produtor reagirem, parte desse aperto pode ser absorvida.
Com o nitrogênio do seu milho ainda na lista, a decisão é entre comprar com o dinheiro de hoje ou contar com as cargas programadas para o país chegando a tempo.
ASSUNTO DE GABINETE
Diesel terá tributo novo em 2027

Fonte: Giphy
O diesel que você compra para a fazenda e paga no frete muda de imposto no ano que vem, quando a CBS, a contribuição da reforma tributária, entra no lugar do PIS e da Cofins. Uma portaria publicada nesta segunda diz como a alíquota vai ser calculada, não quanto ela vai ser.
O que já existe é o teto. Em 2027, a CBS de cada combustível não pode passar de um valor calculado com as alíquotas de PIS e Cofins de julho de 2025 a junho de 2026, corrigido pela inflação passada e pela meta de 2027, mais o imposto pago nos insumos que a empresa não conseguiu abater. Para o combustível que teve alíquota cortada entre março e junho de 2026, esses meses entram na conta com a alíquota de fevereiro. Traduzindo, o imposto novo nasce com régua, e a régua é o imposto velho atualizado.
Etanol e biodiesel vão pagar menos, com alíquota entre 40% e 90% da cobrada do fóssil equivalente. As alíquotas saem, de preferência, até 30 de setembro do ano anterior, e para 2027 essa data já passou.
Para quem compra diesel, a leitura do advogado Genaro, da MLGE, é que a portaria garante um teto da carga, mas mantém na conta o imposto dos insumos que a reforma prometia tirar. Ele alerta ainda que o PIS e a Cofins acabam no início de janeiro e que a CBS não pode ser cobrada antes de passarem 90 dias da publicação das alíquotas.
PAPO DE CURRAL
Falta boi nos EUA, e preço alto pode não agradar pecuarista nem frigorífico

Fonte: Giphy
Em agosto, entrou nos confinamentos de lá o menor número de animais para o mês desde que o USDA começou a série, em 1996. Essa entrada menor tende a aparecer na oferta de animais terminados entre o fim de 2026 e o começo de 2027. Com menos carne e preço alto, o país tende a precisar importar mais, principalmente para hambúrguer e outros processados, o que pode favorecer o Brasil.
Para a consultoria Pasto & Mercado, o mercado de lá pode ter preço alto e, ainda assim, deixar pecuarista e frigorífico insatisfeitos. Se o boi custa mais e a receita não acompanha, a margem do frigorífico aperta, e a Tyson fechou plantas de carne bovina em Nebraska e em Illinois ligando a reorganização à escassez de gado. A Cargill lucrou 52% menos no trimestre até agosto, com o gado caro entre as causas. E o pecuarista que vendia para a planta de Illinois passou a negociar com frigoríficos mais distantes. Quem tem a mercadoria que todo mundo quer viu o comprador mudar de cidade.
Para o Brasil, a oportunidade não vira arroba automaticamente: depende do acesso ao mercado americano, das tarifas, das habilitações e do quanto o frigorífico repassa ao produtor. A pergunta que fica é que hora a gente vai poder entrar.
NAS CABEÇAS DO AGRO
UPL põe o Sucessor à venda e não diz o preço

Fonte: Globo Rural
A UPL apresentou o Sucessor nesta segunda (5), e ele já está disponível para o agricultor. Ele junta bifentrina e etiprole, de dois modos de ação diferentes. São duas chaves no mesmo chaveiro. Mas o preço ficou de fora, e a empresa diz só que ele vai ser competitivo com o que já existe no mercado.
O resto a bula já diz. Na soja, a aplicação começa depois que a floração termina, são até duas por ciclo e 20 dias de carência até a colheita. O produto é classe ambiental II, muito perigoso ao meio ambiente, e a bula avisa que ele é altamente tóxico para abelhas e não pode ser aplicado na floração. Pelo menos vai ajudar com o percevejo na soja, a cigarrinha no milho ou com o bicudo no algodão.
COMO TÁ LÁ FORA?
Óleo de palma deve sobrar na Malásia e disputa espaço com o de soja

Fonte: Giphy
Numa prateleira de óleo do outro lado do mundo pode estar um pedaço do preço da sua soja. O óleo de palma disputa espaço com o de soja e o de girassol, e quando o preço de um mexe, pode mexer no da soja e na margem do biodiesel aqui.
Na Malásia, o estoque de óleo de palma deve bater recorde em setembro, com a produção na maior marca da história e a exportação caindo no mês. A Índia compra óleo de soja e de girassol principalmente da Argentina, do Brasil, da Rússia e da Ucrânia. Em setembro, com a guerra na Ucrânia travando os embarques de girassol, as refinarias de lá compraram a maior quantidade de óleo de palma em sete meses. Traduzindo, onde o girassol faltou, a refinaria foi buscar óleo de palma.
Para 2027, o presidente da associação indonésia do óleo de palma já fala no contrário, com o El Niño devendo trazer tempo mais seco às áreas produtoras e o óleo podendo valer mais que o de soja. Se você está segurando soja esperando preço, o óleo de palma é o vizinho de prateleira que vale acompanhar, sobrando hoje e talvez mais curto no ano que vem.
PLANTÃO RURAL
Depois de Itaú e BTG, a XP montou um Fiagro de R$ 5,3 bilhões: o fundo vai investir principalmente em CRAs e cotas de Fiagro com origem esperada na própria XP, na leitura do The AgriBiz um veículo para tirar do balanço CRAs estruturados pelo banco de investimento.
A BrasilAgro diz que a hora é muito mais de comprar terra do que de vender: quatro anos depois da última fazenda comprada, o CEO André Guillaumon vê parte dos produtores, com crédito a CDI mais três ou quatro pontos, perdendo capacidade de investir e comprar terra.
O Banco do Brasil promete barter fechado em minutos para quem já é cliente: o Barter Fácil, do Broto com a Grão Direto, já vale no país inteiro para soja e milho, e o produtor precisa ter relação também com a empresa da outra ponta.
A FPA elegeu ou reelegeu 200 parlamentares e diz sair mais forte no Senado: na agenda de negociação com o próximo governo, o presidente da frente, Pedro Lupion, põe o endividamento rural e os problemas de acesso ao crédito.
A chuva que trava a usina levou o açúcar ao maior preço em 19 meses: o contrato de março subiu 4% em Nova York e passou de 20 centavos de dólar a libra-peso, com a colheita atrasada e a moagem interrompida no Centro-Sul, segundo o Barchart.
O dono da Bolsa de Chicago lançou contratos de sorgo e de carne bovina para processamento: o CME Group promete mais contratos em 2027 e a entrada no mercado europeu de lácteos, com clima extremo, tensão geopolítica e mudança de consumo levando investidores ao mercado futuro, na avaliação de John Ricci.
O Grupo Scheffer quer multiplicar por dezesseis o que planta na Colômbia: são 6 mil hectares de soja e milho em Vichada, no leste do país, e a meta da família é 100 mil em dez anos, depois da visita do novo presidente colombiano à fazenda em julho.
O Ibama já diz o que faz com os bioinsumos antes de a regulamentação sair: o texto segue na Casa Civil e com os ministros, e com ele em vigor o órgão sinaliza que vai avaliar só os pedidos de registro de biológicos novos.
DIVIRTA-SE
Nove por nove, e cada número de 1 a 9 só pode aparecer uma vez por linha, coluna e quadrado. O que prende é tocar numa casa vazia: abre um teclado que acende só os números que ainda cabem ali, e às vezes sobra um só. Escolha entre Muito Fácil e Muito Difícil no Sudoku do Geniol e vá fechando o tabuleiro casa por casa.
VIVENDO E APRENDENDO
Resposta da edição passada: DDG é o grão seco que sobra do milho depois que a usina tira o etanol, rico em proteína e fibra e vendido para a ração de boi, aves e suínos.
Pergunta de hoje: o que é o barter no agro?
A resposta você confere na próxima edição!
