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Bom dia!

A edição de hoje vem com a China botando regra no jogo da carne bovina enquanto em Santarém (PA) a briga da hidrovia saiu do decreto e foi parar no terminal, com governo voltando atrás pra destravar o caos. No resto do cardápio, tem peixe passando de 1 milhão de t, safrinha correndo atrás do relógio e um combo de tecnologia e investimento, com cacau marfinense barrado, café ganhando plataforma de rastreabilidade e a MBRF abrindo um FIDC pra turbinar o Paraná sem pagar juros de susto.

Pra você acordar bem informado

Por Enrico Romanelli

TÁ QUANTO?

MERCADO
IBOVESPA (B3) 191.490,40 18,85%
SLCE3 R$16,34 1,81%
SMTO3 R$17.45 15,41%
KLBN11 R$20,44 8,32%
VALE3 R$87,73 21,91%
Bitcoin US$64.154,75 -27,38%
Solana US$78,97 -37,03%

Os dados são publicados por BCB e Brapi.
As variações são calculadas em YTD (Year to date)

DE OLHO NO PORTO

Cotação da carne decola graças à China

Gif by Airbus on Giphy

A China fechou 2025 soltando aquela bomba que muda o jogo sem pedir licença. Cota de importação de carne bovina e tarifa extracota de 55%, enquanto o que fica dentro da cota roda com 12%. Como resultado, choveu importador chinês comprando carne a rodo, com medo de pagar mais caro depois e com a pulga atrás da orelha sobre o Brasil criar regra pra organizar o fluxo.

Essa corrida apareceu com força nas cotações e jogou o preço lá pro teto. No dia 30/12, a tonelada do dianteiro bovino brasileiro tava em torno de US$ 5,55 mil e, 15 dias depois, já foi pra US$ 6,10 mil. No fim de janeiro, bateu US$ 6,85 mil e em fevereiro já tava beirando os US$ 7 mil. É capaz que continue subindo, mas não dá pra garantir, tudo vai depender do humor do mercado.

No lado brasileiro, a discussão tá com cara de disputa de espaço no freezer. Tem gente defendendo que o governo faça um controle da cota com limites por trimestre e por empresa, justamente pra evitar a corrida desordenada do tipo quem chega primeiro paga menos e quem chega depois chora no 55%. A ideia é dar mais previsibilidade, segurar a volatilidade e deixar frigorífico sabendo quanto e quando dá pra vender, com o Comitê Executivo de Gestão da Camex, o Gecex, previsto pra votar esse sistema na sexta-feira (27).

Aí entra um recado que gelou a empolgação de quem tava sonhando em começar a exportar pra lá. O assessor especial do Mapa, Carlos Augustin, disse que a China não vai habilitar novos frigoríficos pra exportar carne bovina até 2028, só vai entrar carne de quem já tá no mercado deles. Hoje são 67 unidades habilitadas e, com esse cenário, ele bateu na tecla de que não faz sentido seguir o pedido do setor de reservar uma fatia de 3% da cota pra novos entrantes, já que não vai ter nenhum calouro nesse rolê.

DEU B.O.

A guerra de Tapajós

Foto: Raphael Salomão

O decreto 12.600/25, assinado lá em agosto do ano passado, tentou colocar no mesmo pacote 3 hidrovias do Norte, Madeira, Tapajós e Tocantins, dentro do Programa Nacional de Desestatização, com a ideia de abrir estudos e leilões pra concessão e deixar a iniciativa privada cuidando da navegabilidade, sinalização e dragagem.

Só que pra muita liderança indígena, esse corredor de exportação ameaça coisas vitais pro povo deles, como a qualidade da água, a pesca, a capacidade deles de colocar comida no prato e até a sobrevivência das florestas da região. A birra principal foi que não teve consulta prévia, livre e informada, além do grande medo da dragagem bagunçar o rio e trazer contaminação, inclusive com mercúrio, o que ferraria com a região toda.

A treta saiu do papel e foi pro cais. A mobilização dos indígenas começou em 22/01 e durou mais de 30 dias, com bloqueio no terminal da Cargill em Santarém (PA) e, no fim de semana, culminou em uma ocupação propriamente dita nesse terminal, com a Cargill relatando até violência por parte dos manifestantes. Como resultado, a operação do porto ficou toda travada bem na hora em que a soja queria escoar pro mundo todo.

Aí a política fez o que a política costuma fazer quando a pressão bate na porta, voltou atrás. O governo revogou o decreto e publicou a decisão no Diário Oficial, e as lideranças indígenas falaram em desocupar a unidade em até 48 horas. Eles ainda disseram que só falta fazer a organização do retorno por barco, a limpeza do lugar e a logística de saída do terminal pra zerar tudo, mas isso não deve demorar muito não.

O AGRO EM NÚMEROS

Peixe bate 1 milhão de t, safrinha corre atrás do relógio e o boi tá exportando no 2x

Foto: REUTERS/Juan Gonzalez

A piscicultura brasileira passou de 1,01 milhão de toneladas em 2025, alta de 4,41%, segundo o Anuário 2026 da Peixe BR divulgado na terça-feira (24). A tilápia segue mandando na bagaça toda, com 707,49 mil toneladas e avanço de 6,83%, enquanto os peixes nativos ficaram em 257,07 mil toneladas com leve recuo de 0,63% e as outras espécies somaram 46,97 mil toneladas, queda de 1,75%.

Enquanto isso, o milho safrinha tá andando, mas ainda tá atrasado. A Conab aponta plantio em 46,7% da área no Brasil até sábado (21), abaixo dos 53,6% no mesmo período de 2025 e dos 53,2% da média de 5 anos. O Mato Grosso tá tentando puxar esse pelotão e já plantou 66% da área prevista, enquanto o Paraná segue tentando ganhar tração conforme a soja libera área.

E no balcão das proteínas, a carne bovina tá com febre de exportação em fevereiro. Em 13 dias úteis, o Brasil já mandou 192,72 mil toneladas, passando o total de fevereiro de 2025 inteiro, que foi 190,40 mil toneladas em 20 dias úteis, com média diária de 14,82 mil toneladas e salto de 55,7% na comparação anual. Em receita, já são US$ 1,08 bilhão, com preço médio em US$ 5,61 mil por tonelada, alta de 13,9%, e se esse ritmo segurar até o fim do mês, a conta pode fechar perto de 266,83 mil toneladas e novo recorde pra fevereiro.

ASSUNTO DE GABINETE

Cacau barrado

Foto: Wenderson Araújo/CNA

O Brasil puxou o freio e suspendeu temporariamente a importação de amêndoas de cacau da Costa do Marfim, que é basicamente o gigante do cacau mundial. A decisão saiu no Despacho Decisório Nº 456, assinado pelo Irajá Lacerda, que tá fazendo o trampo do ministro Carlos Fávaro temporariamente, e o argumento oficial foi risco fitossanitário somado a uma pulga atrás da orelha sobre triangulação de cargas.

Traduzindo do juridiquês, o Mapa quer garantias de que o cacau que chega com carimbo marfinense não tá vindo misturado com amêndoas de países vizinhos como Gana, Guiné e Libéria, que podem não ter autorização pra exportar pro Brasil. Até a Costa do Marfim se explicar e provar rastreabilidade e controle, fica tudo no pausado, com as áreas técnicas investigando o caminho das amêndoas.

As indústrias processadoras, via AIPC, reagiram com preocupação e pediram que uma decisão desse tamanho fique ancorada em critério técnico com evidências e avaliação de risco bem amarrada. Do outro lado, Faeb e CNA comemoraram, dizendo que a medida atende uma demanda antiga, protege a produção nacional contra pragas e doenças e reforça a defesa agropecuária no que ela deveria ser, porta de entrada não é salão de festa.

CAMPO CONECTADO

App pra ficar de olho no café

Gif by bigbrotherafterdark on Giphy

A Conab lançou na terça-feira (24) a Plataforma Parque Cafeeiro, um sistema pra mapear onde o café é produzido, qual o nível de tecnologia no campo e, principalmente, se a lavoura tá limpinha no quesito desmatamento. A ideia é usar registros legais e dados oficiais pra mostrar se o café veio ou não de área desmatada, do jeitinho que importador gosta de ver.

O pacote vem turbinado com parceria da UFMG, integração com bases governamentais e monitoramento por satélite, pra rastreabilidade sair do discurso e virar prova. Na prática, a plataforma ajuda a dar segurança pra quem produz, pra quem exporta e pra quem compra lá fora, porque o café passa a chegar com mais carimbo e menos “confia”.

E tem um alvo bem claro nessa história, a União Europeia e o Regulamento (UE) 2023/1115, o EUDR, que exige comprovar que a produção não veio de área desmatada depois dezembro de 2020. Com o sistema, dá pra emitir uma declaração de conformidade e ainda checar informações ambientais e territoriais, deixando o café brasileiro mais competitivo no mercado e com menos chance de ficar preso na alfândega por falta de documento.

SAFRA DE CIFRAS

MBRF levanta R$ 375 milhões pra investir no Paraná

Giphy

A MBRF fechou um acordo com o governo do Paraná pra investir R$ 375 milhões no estado, onde ela já manda bem em frango e suíno. A engrenagem desse plano vem no formato FIDC, com R$ 300 milhões colocados pela própria empresa e mais R$ 75 milhões da Fomento Paraná, tudo dentro da estratégia do governo Ratinho Jr de turbinar a avicultura local e fazer o Paraná sonhar alto a ponto de querer passar até país na produção.

Pra destravar o pacote, o governo vai liberar créditos de ICMS que estavam parados, um caminho parecido com o que já rolou em acordos com Seara e C.Vale. A justificativa oficial é de que esse tipo de fundo vira uma alternativa pra investir quando os juros deixam qualquer um com medo de pegar crédito, e o presidente da Fomento Paraná resumiu como uma forma funcional de empurrar a agroindústria pra frente mesmo com a Selic apertando.

No destino do dinheiro, a maior fatia vai pra aumentar a produção de aves e suínos, incluindo expansão das granjas dos integrados, com juros a 9% ao ano, bem abaixo do que o mercado anda cobrando por aí. E 30% do total vai pra projetos de produtividade e eficiência nas fábricas do Paraná, aquele combo de fazer mais, melhor e gastando menos energia pra explicar.

Miguel Gularte, CEO da MBRF, disse que a ideia é fortalecer integração e infraestrutura pra valorizar produtores e ganhar competitividade, com impacto positivo nas comunidades. Ratinho Jr comemorou dizendo que já é o terceiro FIDC em funcionamento e que o modelo ajuda a alavancar investimentos, potencializar o PIB e manter o Paraná firme na pose de “supermercado do mundo”. No fundo da operação, a Suno entra como gestora, a Zera como consultoria, e o Souza Owaka na assessoria jurídica.

PLANTÃO RURAL

  • Mercosul-UE no freio de mão. A FPA recebeu Marcos Pereira (Republicanos-SP), relator do acordo Mercosul União-Europeia na Câmara, e cobrou mecanismos de defesa comercial. Pedro Lupion (Republicanos-PR) disse que o acordo não pode tirar a capacidade do produtor de abastecer mercados, e Tereza Cristina (PP-MS) pediu cautela com salvaguardas europeias de gatilho baixo.

  • Minerva perdeu o carinho da XP. A XP rebaixou o status das ações da Minerva (BEEF3) de compra pra neutro e cortou o preço-alvo pra R$ 7,20, citando 4T25 fraco e riscos no curto prazo, de China e consumo interno a câmbio e ciclo do gado. No pregão, o papel chegou a cair perto de 4%.

  • Tarifa dos EUA voltou pra 10%. As tarifas globais dos Estados Unidos entraram em vigor com alíquota de 10% por 150 dias, valendo até 24/07/2026. Mas teve lista VIP no agro, carne bovina, tomates, açaí, laranjas e suco de laranja ficaram fora, por “necessidades” da economia americana.

  • Aurora fechou 2025 forte. A Aurora Coop faturou R$ 26,9 bilhões em 2025, alta de 8,3%, e as sobras bateram R$ 1,2 bilhão, salto de 43,5%. No mercado interno, suínos lideraram com R$ 9,4 bilhões, e nas exportações a cooperativa diz que ficou com 19,7% do suíno e 8,4% do frango do Brasil.

  • Influenza aviária na Argentina. O Serviço Nacional de Sanidade e Qualidade Agroalimentar da Argentina confirmou um caso positivo de influenza aviária altamente patogênica em aves comerciais na província de Buenos Aires e ativou plano de contingência, com interdição, zona de controle e despovoamento. A Argentina deve suspender temporariamente exportações pra países que exigem status livre, mas o consumo interno segue normal.

  • Belagrícola virou balcão de recebimento. Em recuperação extrajudicial, a Belagrícola assinou acordos pra receber grãos da Coamo e da Lar em 19 unidades no Paraná na safra 2025/26. No pacote, veio troca de comando, Eron Martins assumiu a presidência executiva, com discurso de eficiência e simplificação.

  • Bioinsumos em Paris e no ritmo. O Brasil foi pra França participar de debates na OCDE sobre biopesticidas e avaliação de misturas complexas, mirando harmonizar regra brasileira com padrão internacional. A safra 2024/25 fechou com alta de 15% no uso e área estimada de 158,6 milhões de hectares considerando reaplicações.

  • Sorgo gigante chegando. A Embrapa e a Latina Seeds lançam o sorgo forrageiro gigante híbrido BRS 662, que vira LAS6002F, com ciclo de até 125 dias e potencial acima de 80 t/ha em corte único, além de rebrota de até 60%. Serve pra silagem, biogás e cogeração, e a estreia oficial rola em 11/03/2026.

  • Fogo nas planícies dos EUA. Incêndios em Oklahoma e Kansas queimaram pastagens, mataram gado e deixaram produtor correndo atrás de feno doado. O maior, Ranger Road Fire, já passou de 114,6 mil hectares, e o estrago pega num rebanho americano que já tá no menor nível em 75 anos.

SE DIVERTE AÍ

Hoje a brincadeira é geográfica. O Flagle te joga uma bandeira qualquer no meio da tela e te deixa adivinhar que país é aquele com base nas cores, formatos e nos chutes anteriores. Vale testar conhecimento de geopolítica, decorar bandeira de parceiro comercial do agro e ainda disputar quem acerta em menos tentativas no grupo da fazenda ou da firma.

VIVENDO E APRENDENDO

Resposta da edição passada: Aipim, macaxeira ou mandioca

Pergunta de hoje: Qual fruta mediterrânea inspirou o nome de uma cor e é cultivada há mais de 2 mil anos?

A resposta você fica sabendo na próxima edição!

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