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Bom dia!

Hoje tem Cargill liberando o terminal em Santarém depois de 30 dias de bloqueio, alerta vermelho de chuva no Sudeste e Mato Grosso colhendo soja no barro com prejuízo batendo R$ 1.800 por hectare. No tabuleiro político, Uruguai e Argentina saíram na frente e carimbaram o acordo Mercosul-UE, enquanto a Belagrícola ganhou puxão de orelha da Justiça e vai ter que escolher entre RJ ou fatiar a extrajudicial.

Pra você acordar bem informado

Por Enrico Romanelli

TÁ QUANTO?

MERCADO
IBOVESPA (B3) 191.005,02 18,54%
SLCE3 R$16,62 3,55%
SMTO3 R$17,84 17,99%
KLBN11 R$20,81 10,93%
VALE3 R$89,21 23,97%
Bitcoin US$67.424,49 -23,68%
Solana US$86,00 -31,43%

Os dados são publicados por BCB e Brapi.
As variações são calculadas em YTD (Year to date)

NAS CABEÇAS DO AGRO

Lili cantou pra Cargill

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Os manifestantes indígenas que tavam ocupando o terminal da Cargill em Santarém (PA) arrumaram as malas e meteram o pé do local depois que o governo federal derrubou o Decreto 12.600, aquele que tinha colocado as hidrovias dos rios Madeira, Tocantins e Tapajós no Programa Nacional de Desestatização. A pauta era essa, derrubar o decreto, e acabou sobrando pro terminal e pra Cargill que nada tinham a ver com a história.

A Cargill disse que o acesso ao terminal tava bloqueado tinha mais de 30 dias e que agora, com o portão aberto de novo, tá focada em retomar as operações e os embarques. A empresa ainda lançou o discurso de voltar a trabalhar com agricultores, clientes e parceiros pra manter o transporte de alimentos rodando com segurança e confiabilidade. No recado, também teve agradecimento à resiliência dos funcionários no período de interrupção.

Depois da revogação do decreto, os manifestantes tinham indicado que iam sair em 48 horas e, no fim, cumpriram o prazo. Terminal desocupado, portão livre e todo mundo olhando pra fila que ficou pra trás. E o detalhe é que a empresa não abriu números, nem prazo, nem o tamanho do estrago logístico acumulado nesse bloqueio, tá tudo na especulação por enquanto.

E ESSE TEMPO, HEIN?

Chuva no talo no Sudeste

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O Inmet soltou alerta vermelho e deu o aviso de que o céu tá com perigo grande pra acumulado de chuva no Sudeste até a noite de hoje (27). Na projeção, a água vem sem modéstia, acima de 60 mm/h ou passando de 100 mm/dia, aquela chuva que transforma rua em rio, rio em enchente e encosta em notícia ruim.

E não é só o alerta vermelho que tá fazendo barulho. O Inmet também botou aviso de perigo pra chuva intensa, com 30 a 60 mm/h ou 50 a 100 mm/dia e ventos de 60 km/h a 100 km/h em áreas do Centro-Oeste, Norte, Nordeste e também em algumas partes do Sudeste, com chance de queda de energia, galho no chão, alagamento e raio. Pro fim de semana, entre sábado (28) e domingo (1), rola perigo potencial em várias regiões, com 20 a 30 mm/h ou até 50 mm/dia e ventos de 40 km/h a 60 km/h, então vale deixar a Defesa Civil no radar e o guarda-chuva na área.

O AGRO EM NÚMEROS

Boi com upgrade de genética, seguro com freio de mão puxado e ajuda pro arroz

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Em 2025, o boi brasileiro foi bem em todas as frentes, até as menos faladas. A inseminação artificial bovina cresceu 15,57% e cravou recorde com 30,37 milhões de doses, com 23,10 milhões produzidas aqui e 7,28 milhões importadas. E o Brasil ainda saiu exportando genética com corte subindo 29% pra 598,72 mil doses e leite avançando 41% pra 519,62 mil, basicamente o touro virando produto de exportação de alto valor.

No seguro pecuário, a boa notícia veio, mas veio no sapatinho. A arrecadação cresceu 24% de janeiro a outubro de 2025 e chegou a R$ 187,6 milhões, com o seguro pecuário levando quase tudo, R$ 165 milhões e alta de 25,9%, enquanto o seguro de animais somou R$ 22,6 milhões e cresceu 11,4%. Só que a estimativa de cobertura continua magra, só 3% do patrimônio bovino segurado num rebanho de 238,2 milhões de cabeças valendo perto de R$ 600 bilhões. Traduzindo, o risco tá grandão e o seguro tá pequeno, aquele clássico do agro.

Pra tentar ajudar o arroz, o governo decidiu botar mais lenha no fogão pra escoar a safra 2025/2026. A Conab liberou mais R$ 73,6 milhões, com R$ 61,3 milhões indo pro Rio Grande do Sul, e a grana vai rodar via Pepro e PEP quando o preço de mercado fica abaixo do mínimo. No RS, a diferença média tá perto de R$ 10 por saca, com o mercado em torno de R$ 53,27 e o mínimo em R$ 63,74, e a expectativa é empurrar 300 mil toneladas pra fora do estoque. O detalhe é que o start depende de portaria, já que aqui até o arroz precisa de autorização pra andar.

No cofre das siglas, o agro segue fazendo dinheiro com letra. Os títulos privados do setor somaram R$ 1,407 trilhão em estoque até o fim de janeiro, alta de 13,5% em 12 meses, e a CPR foi a estrela do rolê, subiu 17% e chegou a R$ 560,26 bilhões com 402 mil certificados e tíquete médio de R$ 1,39 milhão. A LCA ficou em R$ 589,79 bilhões com alta de 11% e reaplicação de pelo menos R$ 353,87 bilhões, 34% a mais em 1 ano, enquanto o CRA foi a R$ 177,87 bilhões com alta de 6% e o CDCA caiu 15% pra R$ 31,52 bilhões. Pra finalizar, os Fiagros fecharam dezembro com R$ 47,42 bilhões em 256 fundos, com crescimento de 12%.

SAFRA DE CIFRAS

Em MT, a chuva virou prova de resistência pra soja

Foto: Aprosoja-MT

Lá no Mato Grosso, a soja entrou na fase de colheita e encontrou mais de 30 dias de chuva intensa e contínua, daquelas que transformam máquina em peça de decoração. O resultado é colheita andando no passo do barro e a semeadura do milho 2ª safra também tomando atraso. Até agora, 66% da área de soja foi colhida no estado, com muita lavoura esperando a janela certa que nunca chega.

Só que o problema não é só a lentidão, é o prejuízo no grão mesmo. A Aprosoja-MT diz que o excesso de chuva tá segurando a retirada no ponto ideal, derrubando produtividade e estourando avarias, com soja brotando na vagem e umidade acima do padrão dos armazéns. No extremo norte do estado, o Imea junto com a Secretaria Municipal de Agricultura de Marcelândia já contabilizou perdas perto de R$ 1.800 por hectare, somando grão avariado e desconto por umidade.

E pra piorar ainda mais, o grão que conseguiu ser colhido, às vezes não consegue sair da fazenda. Como muita via rural não tem pavimento, o cenário já inclui atoleiro, ponte de madeira caindo e tráfego interrompido, além de fila grande em armazém que também sofre pra receber grão úmido. Tem relato até de caminhão passando mais de 3 dias esperando vencer um atoleiro, com a carga úmida e avariada piorando dentro da carroceria.

DE OLHO NO PORTO

Uruguai e Argentina carimbaram o Mercosul-UE

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O acordo Mercosul-UE, que ficou 25 anos rodando no rascunho, ganhou 2 carimbos de uma vez. O Uruguai virou o 1º país entre os fundadores do Mercosul a ratificar o pacto, com 91 votos a favor e só 2 contra na Câmara, depois de o Senado já ter aprovado por unanimidade. Teve um deputado dizendo que esperou 25 anos, mas não topa esperar nem mais 1 segundo.

Na Argentina, o roteiro foi parecido. O Senado aprovou o tratado por 69 votos a 3, e o país também entrou no time do sim, reforçando a pressão pros vizinhos acelerarem o passo.

No Brasil, a Câmara já disse ok na quarta-feira (25) e agora o texto segue pro Senado. O detalhe é que esse tipo de aprovação tramita como PDL, então não precisa de sanção do presidente e vira um caminho mais direto. Mesmo assim, o acordo só entra em vigor quando todo mundo concluir os trâmites, e aí tem fila dos 2 lados do Atlântico.

Do lado europeu, o clima ainda tá estranho. Alemanha e Espanha puxam o sim, a França lidera o time do pé atrás com medo de mais carne bovina e açúcar batendo na porta, e o Parlamento Europeu já fala em revisão legal e até em mandar o acordo pra análise jurídica, o que pode atrasar a decisão por meses. A Comissão Europeia sinaliza que pode tentar uma aplicação provisória quando rolar ratificação do Mercosul, e enquanto isso o agro brasileiro tá de olho no decreto de salvaguardas prometido pra blindar setor sensível antes de a porteira virar avenida.

COLHENDO CAPITAL

Belagrícola leva puxão de orelha e vai ter que escolher um só caminho pra recuperação

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A Belagrícola tava tentando achar um atalho pra passar pela crise, com um plano de recuperação extrajudicial único pra amarrar o grupo inteiro. Só que a Justiça do Paraná mandou dar uma segurada. Em despacho do juiz Pedro Ivo Lins Moreira, a empresa recebeu um ultimato: ou converte o caso em recuperação judicial, ou faz recuperações extrajudiciais separadas, CNPJ por CNPJ, sem misturar ativos e dívidas como se todo mundo fosse um devedor só.

O argumento central é de que a lei não prevê consolidação processual e substancial na recuperação extrajudicial, então não dá pra usar um procedimento mais simples, SA-BOR recuperação judicial, e esperar ter o mesmo efeito. Do jeito que tava, o plano vinha com quórum calculado no combo do grupo, e aí o juiz entendeu que a empresa tava tentando usar mecanismo de RJ sem pagar o pedágio da RJ.

E tem mais. O plano tenta reestruturar R$ 2,2 bilhões em créditos quirografários, com um universo de cerca de 9,7 mil credores, e o processo ainda tem briga com credor pesado, tipo Corteva e Bayer, com treta envolvendo acesso a sistema de sementes. Pra Justiça, esse tamanho de encrenca pede mais fiscalização e ritual completo, com assembleia, administrador judicial e companhia acompanhando o jogo. A extrajudicial, por natureza, não tem essa estrutura de vigia permanente.

Pra completar o combo, a decisão não deu o stay period automático da recuperação judicial, aquele escudo temporário contra cobranças. Mesmo assim, manteve uma proteção excepcional por mais 15 dias pra empresa ajustar o pedido. A Belagrícola disse que vai recorrer e defende que já passou do quórum mínimo, citando a adesão de mais de 1,3 mil credores, com cerca de 1,2 mil pequenos e médios produtores no pacote. Agora é escolha de rota. Se virar RJ, ganha 180 dias de fôlego, mas entra num processo mais vigiado. Se insistir na extrajudicial, vai ter que fatiar o plano e refazer a conta CNPJ por CNPJ, com o risco de credor grande ganhar ainda mais poder de barganha.

PLANTÃO RURAL

  • SNAG11 quer R$ 618 milhões. O Fiagro SNAG11, da Suno, lançou uma oferta pra captar até R$ 618 milhões e, se vender tudo, vira o 3º maior Fiagro listado na bolsa, empatando com o VGIA11. O fundo já passa de 120 mil cotistas, negocia levemente acima do VP e rendeu 14,94% em dividendos em 12 meses.

  • Cicopal morde Minas com R$ 180 milhões. A Cicopal investiu R$ 180 milhões numa fábrica em Patrocínio (MG), mirando o Sudeste. A unidade tem capacidade de 27 mil toneladas por ano e faz chips, batata palha, salgadinhos de milho e tortilhas. O plano pode bater R$ 250 milhões, com RJ e ES no radar ainda em 2026.

  • S&P vê a 3Tentos ganhando tração em 2026. A S&P projeta que a 3Tentos vai ampliar a originação de grãos pra 6,9 milhões de toneladas em 2026, acima dos 6,1 milhões em 2025, e acelerar o processamento em 49% com esmagamento e etanol de milho. A agência estima EBITDA de R$ 1,27 bilhão e margem perto de 6%, com capex de R$ 500 milhões.

  • RS apreende 342 toneladas de semente ilegal. A Polícia Civil do RS apreendeu 342 toneladas de sementes de azevém em Dom Pedrito, avaliadas em mais de R$ 1,5 milhão, com irregularidades documentais e operacionais. A investigação vai atrás da origem e do tamanho do esquema, porque semente sem certificação pode trazer praga, doença e custo extra pra quem joga limpo.

  • Kepler diz que o balanço não mexe com a GPT. A Kepler Weber afirmou que o resultado trimestral não mudou as conversas com a GPT e a GSI Brasil sobre uma combinação de negócios. A exclusividade termina sexta-feira (27) e a proposta que tá na mesa inclui R$ 11 por ação, ou um mix de ações com pagamento em dinheiro.

  • Argentina confirma 2º caso comercial de gripe aviária. A Argentina confirmou um 2º foco de IAAP H5 em aves comerciais, agora em Lobos, na província de Buenos Aires. O Senasa interditou a granja, reforçou restrições e a Argentina perdeu o status de país livre, com suspensão de exportações pra destinos que exigem isso. Se não aparecer novo foco, dá pra se declarar livre após 28 dias.

  • Biotrop cresce 23% e mira mais de R$ 1 bilhão. A Biotrop fechou 2025 com faturamento perto de R$ 900 milhões, alta de 23%, e tá mirando passar de R$ 1 bilhão em 2026. A empresa diz que tratou mais de 50 milhões de hectares com biológicos, quer registrar 10 tecnologias novas e prepara até um herbicida biológico. O fundo de apoio ao cliente já tá em R$ 200 milhões.

  • Embrapa Soja chama pro campo em Londrina. A Embrapa Soja vai fazer um Dia de Campo de Verão, em Londrina, na sexta-feira (06), das 8h às 12h, com inscrições grátis. Na pauta entram cultivares de soja e feijão, soja de baixo carbono, diversidade de plantas no sistema, manejo de percevejo com parasitoides e o pacote de lições pra controle de daninhas na safra 2025/2026.

  • Agrodefesa destrói 350 mudas com cancro cítrico. A Agrodefesa destruiu 350 mudas de citros em Itumbiara (GO) após laboratório confirmar cancro cítrico por Xanthomonas citri, e as mudas ainda tavam sem documentação. A agência reforçou que a principal porta de entrada é muda contaminada, e que chuva, vento e equipamento também espalham. Compra só de viveiro certificado, pra não trazer a praga pra dentro do pomar.

SE DIVERTE AÍ

Hoje o rolê é testar se tu reconhece mais lavoura que o Google. No GeoGuessr, o jogo te joga no meio de uma estrada aleatória do planeta, em visão de rua, e tu tem que adivinhar onde tá no mapa. Vale procurar pista em placa, tipo de solo, pivô de irrigação, padrão de cerca, tipo de caminhão e até formato de telhado de galpão. Entra lá, escolhe um modo mundo ou América do Sul, chuta o lugar e depois conta pra gente se tu mandou o palpite certeiro ou jogou uma fazenda do Kansas no meio do Mato Grosso.

VIVENDO E APRENDENDO

Resposta da edição passada: Erva-mate

Pergunta de hoje: Qual fruta asiática, parente do limão, era usada como antisséptico natural em viagens marítimas?

A resposta você fica sabendo na próxima edição!

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