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Bom dia!

Hoje a estrada tá ameaçando virar feriado forçado, com caminhoneiro falando em parar se o diesel continuar correndo na frente do frete bem na hora em que a safra precisa de roda girando. No gabinete, as cooperativas pedem regra clara e crédito pra 2026 e espera sentado no CNPE. Nos preços, a soja levou um tombo, o açúcar escorregou e o etanol segurou a pose, enquanto o buraco do armazenamento segue gigante. No lado empresa, a Brandt investe em Cambé e a SLC engorda a pecuária com sinergia de lavoura. E no Plantão tem compra grande no mercado de alimentos, leite abaixo do custo, javali sob controle e CNA querendo cortar custo de insumo.

Pra você acordar bem informado

Por Enrico Romanelli

TÁ QUANTO?

MERCADO
IBOVESPA (B3) 180.409,73 11,97%
SLCE3 R$18,32 14,14%
SMTO3 R$18,06 19,44%
RAIZ4 R$0,61 -24,69%
TTEN3 R$14,96 -9,33%
Bitcoin US$74.614,84 -15,54%
Ethereum US$2.335,77 -21,82%

Os dados são publicados por BCB e Brapi.
As variações são calculadas em YTD (Year to date)

NAS CABEÇAS DO AGRO

Greve no GPS dos caminhoneiros e diesel volta ao centro das atenções

GIF: heyarnold on Giphy

O diesel subiu, o frete não acompanhou, e o caminhoneiro resolveu tirar o caminhão da estrada. Depois de assembleias e uma reunião lá no Porto de Santos (SP), as lideranças dos caminhoneiros confirmaram a articulação de uma greve nacional que pode começar na quinta-feira (19), com Santa Catarina, São Paulo e Bahia já confirmados nessa lista.

A estratégia tá diferente dessa vez, pelo menos no discurso. Na largada, o rolê tá mais pra uma greve home office, com os motoristas ficando em casa e recusando carga pra não rodar no preju, ao invés do mais tradicional bloqueio das estradas. Teve gente falando que a fatura do cartão pra fazer a rota entre Paraná e Minas Gerais subiu R$ 890 em 1 semana, sem reajuste no frete, e que já recusou 15 cargas, porque essa conta não tá fechando.

Do lado dos números, o susto tá bem documentado. A ValeCard apontou que o diesel S-10 subiu 18,86% desde 28 de fevereiro, quando a guerra no Oriente Médio começou a bagunçar petróleo e combustíveis, e o diesel comum decolou mais de 22%, enquanto gasolina avançou 10% e o etanol hidratado quase 9%. A Petrobras ainda reajustou o diesel A em 11,6% e a ANTT atualizou a tabela do piso mínimo com reajustes de até 7%, mas a reclamação segue a mesma, sem fiscalização, não adianta nada.

Se a paralisação engrenar, o risco aparece no pior timing possível, com escoamento de safra e logística já no limite. A ANTC calcula que o reajuste nas refinarias pode puxar o frete pra cima entre 10% e 12%, mas a categoria diz que esse repasse demora, e aí a conta estoura no caminhão antes de chegar no contrato. No agro, isso costuma virar fila em armazém, atraso em porto e dor de cabeça em cadeia inteira, do grão ao fertilizante ao consumidor, tudo movido a diesel e muita paciência.

ASSUNTO DE GABINETE

Cooperativas soltam a lista de desejos pra 2026 e pedem menos susto e mais crédito

GIF: Spongebob Squarepants

Com margem espremida e endividamento no cangote, o Sistema OCB lançou na terça-feira (17) a Agenda Institucional do Cooperativismo e levou pra Brasília os pedidos do setor: 2026 precisa de regra clara, dinheiro rodando e menos montanha-russa na renda. No topo da lista aparecem a regulamentação da reforma tributária, a ampliação do crédito rural e mecanismos pra dar previsibilidade pro produtor, já que ninguém planta boleto e colhe milagre.

Na reforma tributária, o ponto central é proteger o ato cooperativo, aquele coração do modelo que evita que tenham que pagar imposto em cima de imposto nas operações entre cooperativa e cooperado. A OCB também reforça que cooperativa não é só negócio, é desenvolvimento regional, renda e inclusão produtiva, com mais de 1 milhão de produtores no sistema, então mexer na regra sem cuidado vira custo extra pra quem já tá contando cada centavo.

Do lado do caixa, a pressão é pra fortalecer as linhas oficiais de crédito e os instrumentos de financiamento pra produção e investimento, com tecnologia e modernização no radar. E a pauta não para por aí, entra também defesa agropecuária, seguro rural mais moderno, sustentabilidade e mercado de carbono, regularização ambiental e uma série de ajustes regulatórios pra reduzir a insegurança jurídica no campo, que já virou uma velha conhecida dos produtores. Tudo isso pra diminuir os quebra-molas que freiam os cooperados e cooperativas.

O AGRO EM NÚMEROS

Soja leva tombo, açúcar escorrega, etanol segura a pose e o silo segue curto

Foto: Getty Images

O preço da soja acordou de mau humor ontem (17). Com o preço lá em Chicago caindo 5,71% no contrato de maio e o dólar recuando 1,60%, o indicador do Cepea em Paranaguá (PR) foi junto e caiu pra R$ 129,36 a saca. Em algumas praças, a pancada foi mais tranquila, com Rio Verde (GO) caindo R$ 5,00 e indo pra R$ 108,00, Ponta Grossa (PR) fechando em R$ 121,50 com queda de R$ 3,50, Primavera do Leste (MT) em R$ 102,00 com R$ 3,00 a menos e Luís Eduardo Magalhães (BA) em R$ 111,50 com recuo de R$ 1,50.

No açúcar, o mercado físico em SP deu aquela murchada clássica de semana com pouca conversa e muito ajuste. O cristal branco no indicador Cepea ficou em R$ 97,62 a saca e março tá acumulando uma queda de 0,98%, mesmo com a leve recuperação dos últimos dias. Já o etanol fez o contrário e segurou o nariz pra cima. Na entressafra, com oferta mais curta e o petróleo dando empurrão, as usinas paulistas bateram o pé no preço e as distribuidoras compraram só o essencial. O hidratado fechou em R$ 2,9439 por litro e o anidro em R$ 3,2731, com variações pequenas, mas com a mensagem de que o biocombustível não tá a fim de promoção agora.

Na balança das carnes, março começou com um retrato meio misto, mas com bovinos e suínos andando pra frente. A média diária da bovina subiu 2,11% e o preço médio por tonelada avançou 17,64%, enquanto a suína cresceu 6,02% em volume com preço praticamente estável. O frango recuou 1,73% na média diária, mas com leve alta no preço por tonelada, então o retrato é mais de ajuste fino do que de crise.

E o gargalo do silo continua firme e forte, como se fosse uma praga que a gente não consegue eliminar. A capacidade estática de armazenagem pode chegar a 221,8 milhões de toneladas em 2026, mas a colheita projetada vai ser de 354 milhões, deixando um buraco de 132 milhões de toneladas. O armazenamento dentro da fazenda cresce e já representa 16,5% do total, mas quando falta armazém, o produtor vende cedo demais ou apela pro silo-bolsa.

NOS CORREDORES DE BRASÍLIA

Fávaro deixa o B16 na fila e diz que governo tá com outras urgências no tanque

Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil

O biodiesel voltou pra pauta, mas sem tapete vermelho. Carlos Fávaro falou que aumentar a mistura tá na mesa, só que não é a prioridade agora. Mesmo assim, o CNPE deve se reunir na quinta-feira (19) e a expectativa nos bastidores é que entre no cardápio a subida pra 16%, um empurrãozinho pra tentar amortecer o petróleo caro na bomba em plena turbulência do Oriente Médio.

Fávaro não prometeu canetada nem fez suspense de novela, só deixou a porta entreaberta. Ele lembrou que o B15 já puxou a demanda por matéria-prima pra cima em pelo menos 50%, ajudando a reduzir a dependência do barril, que tá surtado, e botando mais renda na cadeia dos biocombustíveis. Ou seja, já tem etanol e biodiesel fazendo trabalho dobrado, mas o governo não quer vender o aumento de mistura como remédio milagroso, principalmente com o assunto virando uma disputa de narrativa.

E pra temperar o assunto, o ministro chamou a alta recente dos combustíveis de movimento especulativo, citou relatos de aperto em alguns estados e ainda cutucou a privatização da BR Distribuidora lá em 2021, durante o governo de Jair Bolsonaro, que ele enxerga como uma pancada na soberania nacional. No pacote pra segurar a onda, ele citou ações do governo como redução de impostos, tributação de exportações e combate a práticas irregulares, num recado de que o alvo do momento é segurar oportunismo antes de mexer na mistura.

SAFRA DE CIFRAS

Brandt abre a carteira no PR e põe R$ 110 milhões em sementes e bioinsumos

GIF: Giphy

A Brandt resolveu parar de namorar o Brasil à distância e tá tirando do bolso R$ 110 milhões pra colocar em 2 fábricas novas em Cambé (PR). A maior fatia, R$ 65 milhões, vai pra uma unidade de tratamento de sementes, que vai produzir um portfólio que nasceu há 2 safras nos EUA e mira soja, milho, algodão, feijão e amendoim, pra deixar a semente sair de casa já vestida pra guerra. O resto do cheque vai pra uma planta de biológicos, com biofungicidas e biopesticidas.

O CEO da Brandt Brasil, Wladimir Chaga, diz que a jogada deixa a empresa bem na fita de um setor em que o Brasil já brilha. Depois que a fábrica de biológicos tiver rodando, a subsidiária quer até exportar o que sair de Cambé pro resto da América do Sul e pra Europa. E o timing conversa com o mercado, a CropLife Brasil aponta que o uso de bioinsumos cresceu 15% na safra 2024/25 e o setor costuma avançar, em média, 22% ao ano, com faturamento de R$ 4,5 bilhões em 2024, ainda bem atrás dos agroquímicos, que bateram R$ 81,6 bilhões, mas com crescimento constante.

No curto prazo, a Brandt tá animada, mas sem fazer dancinha. Chaga joga a cautela na mesa, citando chance de commodities mais baratas na próxima safra, com expectativa de maior área de soja nos EUA, o que pode apertar preço pro Brasil em 2026/27. Ele também aponta o câmbio como tempero do 2º semestre com eleição no radar. A aposta vai ser barter, pra tentar travar custo na hora da troca e rezar pra fugir do susto. A Brandt tinha prometido investir R$ 130 milhões em 2023, mas segurou a mão por conta do crédito travado. Agora voltou pro ataque, cresceu 16% de 2024 pra 2025 e mira passar de R$ 1 bilhão no Brasil em 5 anos, num grupo que fatura perto de US$ 500 milhões no mundo.

COLHENDO CAPITAL

SLC bota o boi no Excel e a pecuária já ensaia virar protagonista

GIF: MeinMontafon on Giphy

A SLC Agrícola quis mostrar pra todo mundo que não vive só de soja, milho e algodão. A companhia entrou na pecuária em 2018 querendo aprender, na encolha, e agora, 8 anos depois, o rebanho já tá de respeito. Em 2025, a SLC vendeu mais de 60 mil cabeças e, com gado espalhado por 7 fazendas em MT e MS, a meta é comercializar 78 mil animais em 2026, segundo o CEO Aurélio Pavinato.

Pra uma empresa que cultiva mais de 800 mil hectares e fatura mais de R$ 8 bilhões por ano, a pecuária ainda parece uma notinha de rodapé, mas esse rodapé tá engordando tanto que tá quase virando um “rodaperna”. A receita do gado chegou a R$ 383 milhões em 2025, um salto de quase 90% na comparação com o ano anterior. E com o boi gordo em alta e o crescimento contratado, a conta pode encostar em R$ 500 milhões nesse ano.

O truque não é tentar virar mais um pecuarista raiz, é fazer o solo trabalhar melhor. A SLC pegou áreas de borda com menor potencial pra soja, principalmente naqueles solos mais arenosos, e transformou em pastagem permanente. Somando esses pontos em todas as fazendas, dá uns 8 mil hectares de pasto fixo, ou seja, área que já existia e agora rende mais do que ficar encostada esperando milagre.

E o boi ainda entra como 3ª safra na lógica da casa. A empresa tem 2 confinamentos em MS e usa um sistema de ILP logo depois do milho safrinha, adicionando 9,3 mil hectares no esquema de terminação intensiva a pasto. A SLC diz que as áreas com braquiária e pastejo entregam mais soja no ano seguinte, então o gado ajuda até quando não tá indo pro açougue. A margem da pecuária segue mais magra, perto de 10% contra mais de 30% da agricultura, mas com pouco capital novo e muita sinergia, o boi tá deixando de ser figurante e ganhando fala.

PLANTÃO RURAL

SE DIVERTE AÍ

Hoje a brincadeira é geográfica. O Flagle te joga uma bandeira qualquer no meio da tela e te deixa adivinhar que país é aquele com base nas cores, formatos e nos chutes anteriores. Vale testar conhecimento de geopolítica, decorar bandeira de parceiro comercial do agro e ainda disputar quem acerta em menos tentativas no grupo da fazenda ou da firma.

VIVENDO E APRENDENDO

Resposta da edição passada: Braquiária

Pergunta de hoje: Qual raça bovina indiana, adaptada ao calor, passou a predominar no rebanho do país?

A resposta você fica sabendo na próxima edição!

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