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Bom dia!
Quarta é dia de tirar senha e esperar chamar, então pega o café que em cinco minutinhos a gente acompanha a fila junto. A primeira senha é da Europa, que marcou reunião para a semana que vem, mas ainda não vai chamar a carne de aves e o mel do Brasil ao balcão. Na cadeira ao lado, a Timbro descobriu que o comprador africano que leva o açúcar dela também leva carne, e o arroz vem de outro guichê. Mais à frente, a Heringer trocou de novo quem assina, e o relógio dos credores segue correndo. E a senha que todo mundo olha é a da ureia, que anda entrando menos pelo porto, enquanto o adubo em geral dá em outubro o primeiro sinal de volta. Descendo a tela tem mais senha esperando.
Pra você entrar na quarta sabendo que fila vale a espera.
Por Luciana Stival
TÁ QUANTO?
Os dados são publicados por BCB e Brapi.
As variações são calculadas em % diária e %YTD (Year to date)
O FMI cortou a previsão de crescimento do Brasil para este ano e o próximo, com juro alto segurando o consumo e o desemprego subindo. Quem vende carne, leite e hortifrúti no mercado interno deve encontrar o cliente mais contido nos próximos meses.
A CONTA DA LAVOURA
A ureia entrou menos no carrinho

Fonte: Giphy
Quem planta milho safrinha e ainda não fechou a ureia deixou o carrinho parado no corredor, e a dúvida do mercado é se você volta para pegá-lo ou se riscou o item da lista.
Pela StoneX, as importações de ureia de janeiro a setembro ficaram 21% abaixo das do mesmo período de 2025, e as de MAP e SSP também caíram. O cenário que a consultoria põe na mesa é o de destruição de demanda, e, se ele se confirmar, o Brasil entra na safrinha de milho 2026/27 com estoque de nitrogênio potencialmente mais baixo.
Acontece que outubro deu a primeira pista de carrinho voltando a andar pro rumo do caixa: nos sete primeiros dias úteis do mês, pela Secex, a média diária de importação de fertilizantes ficou 6,3% abaixo da de outubro de 2025, contra 24,5% abaixo em setembro. A ressalva vem junto com o dado: a retomada do ritmo de importação não deve ser lida automaticamente como mudança na quantidade de adubo aplicada na lavoura, e segue em aberto se parte das compras foi só adiada.
É aí que entra o relatório trimestral da própria StoneX: ureia, sulfato de amônio e nitrato de amônio podem seguir com cotações firmes por boa parte do fim do ano, e o potássio é o adubo de melhor relação risco-retorno do momento.
E o enxofre, essencial para fabricar o fosfatado, custava US$ 435 a tonelada em janeiro e chegou a US$ 1,2 mil em meados do ano, pela Globo Rural, em matéria sobre a carta da indústria de fertilizantes.
Fica você entre a consultoria que fala em destruição de demanda e a Secex que mostra outubro menos ruim que setembro.
PAPO DE CURRAL
A arroba de vitrine é R$ 385, e a que passa no caixa é R$ 377,80

Fonte: Canal Rural
Quem tem boi pronto em São Paulo ouviu falar em R$ 385, e a arroba, como já contamos aqui, vem subindo. Já a etiqueta que o Cepea assina é outra: o indicador fechou sexta em R$ 377,80, à vista e livre de Funrural, com alta de 3,71% em outubro, e a arroba foi negociada entre R$ 370 e R$ 380, com negócios pontuais chegando a R$ 385. Parte dos pecuaristas passou a esperar oferta de R$ 390, e essa espera contribuiu para reduzir o volume de negócios.
A Scot vê a mesma vitrine por outro ângulo: no interior paulista, o boi sem padrão de exportação vale R$ 380 e o boi-China, R$ 385, valores brutos e no prazo, e, na B3, o contrato de novembro fechou a R$ 396,70 no pregão de sexta. Repare que o prêmio tem nome de comprador, e o porto conta outra história: pela Secex, nos sete primeiros dias úteis de outubro a carne bovina embarcou 39,9% menos por dia do que em outubro de 2025, com o preço médio por tonelada 11,3% maior.
O que segura o preço, pela Safras, é a oferta: animais restritos, escalas de cinco a seis dias úteis na maior parte das praças e viés de alta no curto prazo, e a consultoria aponta o limite, a menor competitividade da carne bovina frente ao frango e ao suíno, que limita reajustes mais intensos no atacado.
Você sai com uma vitrine a R$ 385, um caixa a R$ 377,80 e um navio que leva quase 40% menos carne por dia.
A CONTA CHEGOU
A Heringer trocou de comandante pela quinta vez, e o copiloto é o financeiro

Fonte: Giphy
Se você compra adubo da Heringer, vende para ela ou tem crédito a receber, a cabine trocou de comandante de novo: em fato relevante à CVM na terça (13), a empresa controlada pela EuroChem informou a renúncia do presidente Daniil Bazdyrev, a quinta mudança de comando em pouco mais de um ano. Quem assume é Fernando Yagura Maeda, o diretor financeiro e de relações com investidores, e o documento agradece ao presidente que saiu sem dizer o motivo.
O painel que o novo comandante encontra está nos documentos da própria empresa. Em 31 de agosto, a Justiça de São Paulo suspendeu, por sessenta dias corridos e improrrogáveis, as execuções, cobranças e penhoras dos credores convidados à mediação, e negou, por ora, o pedido genérico de impedir o vencimento antecipado das obrigações que estão na mediação.
Traduzindo o painel: a proteção é parcial, vale para os credores convidados à mediação, e sessenta dias corridos contados de 31 de agosto acabam no fim de outubro. No segundo trimestre, o volume entregue foi de 103 mil toneladas, 62,4% menos que um ano antes, e o patrimônio líquido estava negativo em R$ 1,34 bilhão, com o auditor apontando incerteza relevante sobre a continuidade da operação.
O detalhe é que a turbina não está pior: o prejuízo bruto de um ano antes virou lucro bruto de R$ 16,7 milhões, e o prejuízo de R$ 37,3 milhões no trimestre a empresa atribui principalmente ao menor ganho de variação cambial. Em 31 de agosto, a empresa dizia que as operações industriais e comerciais seguiam plenamente operacionais.
Para quem negocia com ela, a conta é de contraparte, não de produto: pela própria empresa, a operação em agosto seguia de pé, e o que vence no fim de outubro é o escudo contra o credor.
COLHENDO CAPITAL
O BNDES aprovou a entrada, e as três cooperativas ainda vão comprar a casa

Fonte: Giphy
Para o cooperado da Cotrijal, da Cotripal e da Cotrisal, a soja em grão que ele entrega hoje ganhou uma indústria no papel: o BNDES aprovou um limite de crédito de R$ 150 milhões do Fundo Clima para a Soli3, a central das três, sediada em Cruz Alta, comprar máquinas e equipamentos da planta de soja e biodiesel que está em construção. Quem conta é o banco e a própria cooperativa, e o que eles contam é limite aprovado, com dois anos para usar e mais doze meses de prorrogação.
A casa inteira está orçada em R$ 1,25 bilhão, e o BNDES é um dos bancos da fila: Banrisul e BRDE já aprovaram crédito, e o Badesul ainda negocia. O presidente da Soli3 fala em 225 mil metros cúbicos de biodiesel por ano, a conclusão da obra está prevista para maio de 2028, e o plano diretor, diz ele, já desenha a duplicação.
Só que a fila do Fundo Clima anda rápido: o diretor do BNDES diz que a demanda do agro por crédito verde não caiu em 2026 e estima que o dinheiro do fundo seja totalmente consumido ainda neste ano.
Para quem planeja obra com esse fundo, a mudança da Soli3 está marcada para 2028, e a vaga no caixa do banco é agora.
NOS CORREDORES DE BRASÍLIA
O Senado vota hoje o fim da 6x1, e as confederações empresariais mandaram a conta

Fonte: Giphy
A folha de quem emprega no campo entra hoje no cronômetro do Senado: a PEC do fim da escala 6x1 vai a voto em primeiro turno nesta quarta, e, se o requerimento de calendário especial da líder do governo passar, os dois turnos podem sair no mesmo dia. Aprovada sem mudança de mérito, a emenda vai direto à promulgação, e o relógio começa nela: dois meses depois, a jornada máxima cai para 42 horas semanais, e um ano e dois meses depois, para 40, valendo para os contratos em curso e sem corte de salário.
Do outro lado da mesa está a calculadora. Em nota de 7 de outubro, CNA, CNI, CNT, CNC, CNseg e OCB avisaram do custo, e a estimativa é da CNI: até R$ 267,2 bilhões a mais em custo de produção, preços ao consumidor que podem subir 6,2% em média e PIB 0,7% menor.
No campo, a SRB pede liberdade contratual e adequação a cada sistema produtivo. Na mesma matéria, uma pesquisa do Cepea com a CNA aponta que 94,8% dos produtores têm dificuldade para contratar mão de obra.
A letra miúda para quem tem safrista e tratorista na folha: a regra de transição para MEI, micro e pequena empresa pode vir de uma lei complementar futura, condicionada a manter o nível de emprego.
Para quem paga a folha, o cronômetro de dois meses começa na promulgação, a calculadora é da CNI, e o apito são 49 votos de 81 senadores. Boa hora pra mandar uma mensagem pra quem você ajudou a eleger.
MENTES QUE GERMINAM
A tesoura do CRISPR já levou 109 carimbos da CTNBio, e cortou mais micróbio do que soja

Fonte: Giphy
Quando você ouve edição gênica, pensa na soja que vai chegar na sua lavoura, e a fila do cartório conta outra história. Um levantamento obtido pelo AgFeed, e é dele que saem todos os números daqui, mostra que a comissão já reconheceu 109 produtos agro como editados geneticamente desde 2018. Setenta deles são microrganismos; só 32 são vegetais, como soja, milho, cana e eucalipto, e sete são animais.
O carimbo vale porque o produto editado, sem gene de outro organismo, passa pelo guichê como convencional, e as classificações cresceram todo ano até chegar a 25 em 2024. Em 2025, porém, caíram para 16, e em 2026 vão sete até aqui; o presidente da CTNBio chama a queda de pontual e diz que os pedidos de análise seguem aumentando, e quem diz isso dirige o cartório.
E o carimbo de convencional não é a porta da loja: pelo AgFeed, esses organismos ainda passam por avaliação e deliberação da CTNBio, uma etapa intermediária, antes de ir ao mercado.
Para quem espera a soja editada no talhão, a senha já foi tirada 109 vezes, e a maior parte delas é de microrganismo, não de semente.
PLANTÃO RURAL
A Yara pôs dinheiro na agtech que mede no solo o nitrogênio que ela mesma vende: a entrada na alemã Stenon, de valor não divulgado, é o segundo fechamento de uma Série B com € 18 milhões já captados, com o Brasil entre os mercados prioritários da empresa.
O Bradesco aprovou R$ 50 milhões do EcoInvest para recuperar 3 mil hectares de terra degradada em Mato Grosso: o empréstimo à Novapec, em CPR-F de dez anos com dois de carência e custo final não revelado, entra na conta das sete operações já aprovadas pelos bancos do programa, R$ 2,31 bilhões.
A UE se reúne em 20 e 21 de outubro sem previsão de votar a volta da carne de aves e do mel do Brasil: o ministro André de Paula imagina uma formalidade a ser cumprida, por um relatório de auditoria sem reparo nem sugestão, com a expectativa de volta à lista ainda este ano.
A Timbro quer vender carne pelo canal do açúcar na África, e o arroz que ela prepara vem da Ásia, não do Brasil: a operação de proteína congelada começou no fim de 2025 com carne bovina e de frango do Brasil, com a originação de arroz na Índia e na Tailândia em montagem para 2027.
O Brasil leva delegação recorde de 156 empresas à SIAL Paris, e a ApexBrasil projeta US$ 3,5 bilhões: a feira de 17 a 21 de outubro é a primeira depois da entrada em vigor provisória do acordo Mercosul-UE, com dez cooperativas da agricultura familiar estreando com estande próprio.
O algodão gastou R$ 8,22 bilhões em defensivo na safra passada, recorde, com menos área em Mato Grosso: pela Kynetec, a conta subiu 14,3% com mais passadas e produto mais caro, 107 tratamentos em média contra 95 e preço por tratamento 21% maior, com R$ 2 bilhões só no controle do bicudo.
O milho dos Estados Unidos ainda não é opção para a China, pela conta de um analista da Cofco Futures: segundo Zhang Dalong, da Cofco Futures, a China deve importar 3,5 milhões de toneladas de milho em 2026/27, com o grão do Golfo americano em prejuízo teórico de US$ 2,32 a US$ 8,93 por tonelada.
O El Niño fechou setembro com a segunda maior anomalia para o mês desde 1950, pela conta do Inmet: a anomalia da região Niño 3.4 foi de +2,08 °C no mês, atrás só dos +2,15 °C de setembro de 1997, com o dado semanal de outubro, de janela diferente, já em +2,4 °C.
DIVIRTA-SE
Tem um bicho escondido hoje e 20 palpites para achá-lo. Chute "gato" no Metazooa e ele não diz só que errou: mostra o parente que os dois têm em comum e vai desenhando a árvore da vida, galho a galho. Um bicho novo por dia: veja até onde você chega hoje.
VIVENDO E APRENDENDO
Resposta da edição passada: preço FOB, de Free on Board, é o da mercadoria posta no ponto de embarque, com o frete e o seguro dali em diante por conta de quem compra.
Pergunta de hoje: o que é a ILPF, sigla que anda junto com recuperação de pasto?
A resposta você confere na próxima edição!
