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Bom dia!

Esta semana o gerente do banco anda com o calendário na mão, e o agro amanheceu igual, com cada assunto preso a uma data, então pega o café que em cinco minutinhos a gente marca os dias. Já de cara, a Cosan mostra dividendo que paga só um pedaço do juro. Mais adiante, a escala 6x1 ganhou dia para ir a voto no Senado. Na folha da urna, o dólar mais barato encontrou a soja sem preço e o adubo já comprado. E no cocho, a arroba no recorde do Cepea paga um mês de confinamento no Sudeste, com o bezerro só chegando em 2027. Descendo a página tem mais dia circulado te esperando.

Pra você começar o dia sabendo que data pesa no seu caixa.

Por Luciana Stival

TÁ QUANTO?

MERCADO valor % dia % YTD
IBOVESPA (B3) R$205.835,30 -0,52% 27,75%
IFIX R$3.908,78 2,26% 3,44%
BEEF3 R$4,50 7,40% -21,88%
JALL3 R$2,80 4,87% 1,08%
SOJA3 R$7,93 1,80% -12,28%
KNCA11 R$89,49 2,52% -7,26%
JGPX11 R$55,25 2,33% -20,43%
Ethereum US$2,695.33 -0,75% -9,78%
Bitcoin US$85,603.95 -0,43% -3,10%

Os dados são publicados por BCB e Brapi.
As variações são calculadas em % diária e %YTD (Year to date)

O JP Morgan rebaixou o BB por ver inadimplência mais difícil no crédito agrícola, com o real forte e o El Niño na conta. O banco do Plano Safra apanhou na bolsa por causa da lavoura, e é nele que muito produtor vai pedir o custeio.

MEXEU NO SEU BOLSO

Dólar abaixo de R$ 5: a soja sem preço sentiu primeiro, e o adubo já estava comprado

Fonte: CNN Brasil

Se você ainda tem soja sem preço, a semana começou com o dólar dando a maior queda diária em mais de oito anos, como já contamos aqui ontem. A novidade é que fechou a R$ 4,9745, o menor fechamento desde 12 de maio. E a soja sem preço? Sentiu já na segunda: as indicações de compra caíram de R$ 6 a R$ 8 por saca, dependendo da praça, pela Safras & Mercado, e em Rio Verde ficou em R$ 141. Só que caiu a indicação do comprador, não o negócio: o produtor segurou a oferta.

E o custo? Parte dos insumos desta safra foi contratada com o dólar mais alto, e o alívio do câmbio deve aparecer principalmente nas próximas compras, as da safrinha, e se o câmbio ficar baixo, pelo pesquisador do Insper. Pela Agrinvest, cerca de 90% do adubo da soja 2026/27 já foi comprado, e cerca de 55% das compras para o milho 2027 ainda estão em aberto.

Do lado de quem já vendeu, a conta está feita: 33% da safra nova já tem preço, contra 20% a 22% no ano passado, e a maioria fixou custo antes da queda, o que, por enquanto, pesa pouco na margem, pela Safras. E Chicago segurou um pouco a saca: a colheita americana estava em 25% da área, abaixo da média de 33%, pelo USDA.

O segundo turno é 25 de outubro. O Focus do Banco Central divulgado na segunda manteve R$ 5,20 para o fim do ano pela 16ª semana seguida, e, pela AW Capital, o mercado já começa a pôr o dólar abaixo de R$ 5 nas projeções.

A CONTA CHEGOU

O juro futuro caiu um ponto, e a renegociação da MP fecha em 12 de novembro

Fonte: Giphy

Se a sua dívida vence em 2029 ou depois, o juro da tela caiu um ponto na segunda (5). O DI para janeiro de 2029 recuou de 13,749% para 12,650%, e o de 2031, de 13,99% para 12,70%; o de janeiro de 2027 caiu 0,12 ponto, para 13,413%. O juro do ano que vem mal se mexeu. A curva passou a apostar numa Selic de 13,20% no fim de 2026 e 12,50% em 2027, num pregão em que um dos economistas ouvidos pediu cautela, e o segundo turno é 25 de outubro.

Para quem deve, a decisão com data é outra. A MP 1.376 abre linha para quem perdeu pelo menos 30% da receita em duas safras ou mais entre 2019 e 2025, por clima ou por queda de preço, com laudo de profissional habilitado e sem precisar de decreto de calamidade; para quem está fora do Pronaf e do Pronamp, até R$ 4 milhões a 12% ao ano, em até oito anos, com dois de carência, pela Faesp. Nos dois primeiros anos paga-se só o juro, e a contratação vai até 12 de novembro, pela regulamentação do CMN. O gerente olha o calendário e pergunta se o laudo já está pronto.

E quem não tem laudo, mas perdeu o comprador? O Manual de Crédito Rural permite prorrogar o financiamento mantendo os encargos contratados quando a dificuldade vem da comercialização, e a Lei 7.843/1989 assegura o alongamento quando falta mercado ou o rendimento não paga a dívida; o pedido entra antes do vencimento, com aviso de suspensão de abate, histórico de vendas e projeção de caixa, pelo advogado Julio Bornelli, em artigo relatado pelo Agrolink.

E crédito novo? Pelo diretor de uma comercializadora de Sinop, o crédito está no mercado, só mudou de mão e ficou mais seletivo. Do lado da terra, a gestora que compra fazendas tomadas em garantia por bancos e fundos vê o comprador capitalizado querendo parcelar em cinco ou seis anos e o vendedor querendo à vista, com desconto, e diz que precifica como se o mercado fosse continuar muito ruim.

E ESSE TEMPO, HEIN?

El Niño rumo a 3 °C: a Embrapa dá a regra por região, e o trigo já mostra a conta

Fonte: Giphy

Planta agora ou espera? Uma coisa é certa: o Pacífico não espera. A região Niño 3.4 está 2,3 °C acima da média e, pelo meteorologista da Meteored, pode chegar perto de 3 °C até dezembro, com o efeito chegando por volta de meados de novembro a fim de dezembro, e o fenômeno ativo pelo menos até abril. A Embrapa publicou a regra por região.

No Centro-Oeste, o período mais crítico de seca vai de novembro a janeiro, e a orientação é seguir o Zarc, escalonar o plantio e, se a soja atrasar muito, reavaliar a troca do milho safrinha por sorgo ou milheto, que custam e arriscam menos.

O compadre de Mato Grosso que já comprou a semente da safrinha pergunta se joga fora. Por enquanto, não. O Imea manteve as projeções de soja e de milho do estado, com a soja em 62,44 sacas por hectare e 48,88 milhões de toneladas, porque o atraso está em fase inicial e não muda a estimativa.

No Sul, a regra é a inversa: cultivar que aguenta doença e acamamento, semeadura escalonada, drenagem, e colheita, secagem e armazenagem planejadas desde já, porque a chuva vem concentrada de setembro a dezembro. O campo está na frente do calendário. A soja chegou a 9,4% da área até 2 de outubro, contra 8,2% no ano passado, o milho verão a 30,8%, e só o feijão, em 13,1%, corre atrás da média, pela Conab.

No Paraná, a soja está em 36%, o maior ritmo em oito safras, e a chuva prevista para o começo da semana que vem deve limitar temporariamente a semeadura, pelo Deral. Nas lavouras já plantadas, a umidade alta e a falta de sol podem alongar o ciclo e, se isso persistir, mexer na janela da safrinha. Em Mato Grosso a safrinha pode apertar por falta de chuva; no Paraná, por excesso.

E o trigo? Pelo Cepea, cresceu a oferta de tipos 2 e 3 com peso hectolítrico (PH) baixo, caiu a de tipo 1, e quem ainda tem lote superior está pedindo mais. A Conab contava 36,4% da área colhida até 2 de outubro, dano irreversível na Campanha e nas Missões, e prevê até 200 milímetros no norte do Rio Grande do Sul, oeste de Santa Catarina e centro-sul do Paraná, com quase dois terços ainda no campo.

Falando em riscos, a lei de 30 de setembro liga o seguro rural ao crédito e abre a porta para juros, prazos, limites diferenciados e prêmio financiável, e o Ministério da Agricultura pôs Zarc, seguro e previsão numa página só.

Por fim, a Embrapa lança as notas técnicas por região na sexta (9), e a gente te conta aqui na edição seguinte.

PAPO DE CURRAL

No Sudeste, uma arroba já paga um mês de cocho, e o bezerro ainda custa caro

Fonte: Canal Rural

Quem vende boi gordo nesta semana encontrou o preço mais alto que o indicador do Cepea já marcou, sem descontar a inflação: R$ 372,95 na segunda (5), com escalas de abate, de modo geral, entre três e sete dias.

Mas então, por que falta boi? Pelo pesquisador do Cepea, a incerteza da tarifa chinesa desanimou muitos confinadores de pôr gado no cocho em junho e julho, e é esse gado que estaria pronto agora.

No Sudeste, uma arroba passou a pagar 30,77 dias de cocho em setembro, a primeira vez acima de 30 na região, com a arroba a R$ 356 e o custo alimentar em R$ 11,57 por cabeça ao dia, pelo índice da Ponta. No Centro-Oeste foi o contrário: o custo alimentar subiu 6,64% no mês, e a lucratividade por cabeça caiu 7,77%, para R$ 906,75. O recorde é paulista: na segunda quinzena de setembro, a arroba de Mato Grosso ficou R$ 36,41 abaixo da de São Paulo, e o diferencial de base do mês, de -9,71%, foi o mais alongado desde fevereiro, com a demanda externa mais fraca limitando a alta, pelo Imea.

Repor? O bezerro custou 8,85 arrobas em São Paulo na segunda, a menor relação desde 23 de abril, contra 9,46 em julho, mas ainda acima da média de dez anos, de 8,62, pela Terra Investimentos. Na B3, o contrato futuro cotava entre R$ 393 e R$ 395 por arroba para novembro a janeiro; o bezerro comprado agora só será terminado em 2027, depois desses vencimentos.

E o comprador de fora? A China cobra sobretaxa de 55% sobre a carne brasileira desde 1º de outubro, com a cota do ano atingida, e, pela Abiec, a cota nova, de 1,128 milhão de toneladas a 12%, deve começar a ser embarcada em novembro. Até lá, a cota americana com tarifa menor cobre aparas e recortes magros e vale até 30 de novembro.

POR DENTRO DO MERCADO

Cadê o milho, e o preço dele?

Fonte: Giphy

Se o seu milho está no armazém, o comprador mudou de endereço. Em Mato Grosso, o consumo interno deve passar a exportação pela primeira vez na série do Imea, que começa em 2022/23: 27,09 milhões de toneladas na safra 2026/27, contra 17,50 milhões embarcadas. E quem faz o preço agora? Pela Cofco, a exportação já não faz preço no milho; quem faz, principalmente perto das usinas, é a indústria de etanol e DDG, e o exportador carrega mais para manter a logística girando na entressafra da soja do que por fundamento.

O Brasil exportou 5,21 milhões de toneladas de milho em setembro, 31% menos que um ano antes, e 5 milhões a menos no trimestre; projeções que falavam em 42 a 43 milhões no ciclo passaram a se aproximar de 38. O mesmo milho vale preço diferente conforme o CEP:

  • em Goiás, com menos exportador no corredor entre Rio Verde e Santos, a liquidez caiu e o preço cedeu mesmo com safra menor;

  • em Mato Grosso, onde usina e porto atendem a mesma região, a disputa pelo grão pode ser maior, pelo analista da Agrinvest. E o estoque final de Mato Grosso ficou curto: o Imea o cortou para 199,93 mil toneladas, menos de dois dias de demanda, com produção 7,5% menor na safra que vem.

Na soja, a capacidade de esmagamento subiu 13,1%, para 86,4 milhões de toneladas, com mais 7,4 milhões que podem entrar em 12 meses e R$ 7,65 bilhões anunciados, e Mato Grosso com 21,6% do total, pela Abiove. Comprador grande, bolso apertado. Pelo BTG, a utilização caiu de 88% em 2022 para uma estimativa de 80% em 2026, o lucro bruto por tonelada está no pior nível desde dezembro de 2022, e o B16 pode ficar para 2027.

Em agosto, o frete em Mato Grosso ficou firme para a época mesmo com a maioria das rotas recuando, e a Conab liga isso ao milho indo para ração e combustível dentro do estado.

HORA DO CAFÉ

Café com ou sem açúcar?

Fonte: Giphy

Se você tem café para vender, Nova York subiu de novo. O arábica para dezembro fechou a terça (6) a 304,45 centavos de dólar por libra-peso, alta de 4,07%, no terceiro pregão seguido de alta. E quem empurrou? Em boa parte, o real: pelo Barchart, a moeda brasileira na maior cotação em cerca de quatro meses reduz o incentivo do produtor a vender lá fora. O mesmo câmbio que sustenta a bolsa corta a conversão para reais: pela Safras & Mercado, a queda do dólar tende a pressionar o preço interno e a deixar o produtor mais retraído.

Fixar ou esperar? Pela Price Futures, a tendência segue positiva em Nova York, com preocupação com a qualidade do arábica pelo excesso de chuva, embora as condições gerais da próxima safra sejam favoráveis. Do outro lado, para Leonardo Rossetti, da StoneX, há poucas chances do café ficar nos patamares atuais, porque setembro teve chuva acima da média em todas as áreas de arábica, sem efeito negativo do El Niño por enquanto.

Enquanto a bolsa subia, o Brasil já tinha embarcado 3,93 milhões de sacas de café verde em setembro, o maior volume em 20 meses, com preço médio 9,8% menor que o de setembro de 2025, pela Secex.

Na cana, o açúcar também está no topo: o contrato de março fechou a terça a 20,82 centavos de dólar por libra-peso, a maior cotação em 19 meses, com o real e com a chuva do Centro-Sul atrasando a colheita e interrompendo a moagem em algumas usinas. Mas cana colhida úmida rende menos açúcar e favorece o etanol, e consultorias citadas pelo Cepea indicam que a moagem de boa parte da produção pode ficar para a próxima safra, até o fim de fevereiro ou começo de março. E o açúcar de setembro saiu mais barato e em menor volume: preço médio 9,7% abaixo, a US$ 359,2 por tonelada, com 16,8% menos embarcado, pela Secex.

PLANTÃO RURAL

DIVIRTA-SE

Hoje o jogo é o Sopa de Letras, grade de cinco por cinco, e você liga letras vizinhas, para qualquer lado, até sair palavra. A lista só entrega a primeira letra e os buracos. E a de dez letras lá embaixo? Essa separa quem passou o olho de quem sentou para jogar. Começa por ela.

VIVENDO E APRENDENDO

Resposta da edição passada: barter é a troca em que o produtor recebe adubo, semente ou defensivo agora e paga depois com parte da colheita, em sacas de grão.

Pergunta de hoje: o que é o falling number do trigo?

A resposta você confere na próxima edição!

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