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Bom dia!
Quarta-feira é o dia em que as promessas da segunda começam a pedir recibo, e o agro amanheceu com várias delas em cima da mesa, então serve o café e vem conferir quem consegue cumprir. A reserva chinesa promete desovar a soja velha antes de sentar com Trump, a Conab prometeu milho no balcão do Nordeste a partir de outubro, o Uruguai prometeu ao Brasil uma cadeira numa mesa que é da China, e o algodão chegou ao congresso com promessa de área para todo gosto, do tamanho de quem conta. Descendo a página tem mais promessa esperando recibo.
Pra você tomar as melhores decisões no agro.
Por Luciana Stival
TÁ QUANTO?
Os dados são publicados por BCB e Brapi.
As variações são calculadas em % diária e %YTD (Year to date)
Crédito caro ainda segura o silo novo na fazenda, mesmo com grão e margem dando sinal de melhora. Entre o orçamento e o armazém de pé o caminho é longo, e quem espera o dinheiro baratear pode chegar à próxima colheita sem teto para o grão.
SAFRA DE CIFRAS
O algodão cresce conforme quem mede

Fonte: Giphy
Quanto algodão o Brasil vai plantar em 2026/27 depende de quem segura a fita métrica. Ontem, na abertura do Congresso Brasileiro do Algodão, em Belo Horizonte, a Abrapa, a associação dos produtores, deu a medida mais larga: área de 8% a 10% maior nesta safra, com o El Niño pesando pouco, porque o algodão fica no Centro-Oeste e no Nordeste e a chuva dele deve ir para o Sul.
No mesmo congresso, em outra cadeira, a fita nem saiu do bolso. Numa entrevista gravada no estande da AgriConnection, para uma série feita em parceria com a própria empresa, o diretor comercial dela prevê área parada, sem espaço para crescer enquanto a geopolítica embaralha o jogo, mesmo com o preço da pluma melhorando. Um mês atrás, lembra ele, o setor falava era em encolher.
A Conab, com a fita do governo, projetou em 15 de setembro a área de volta ao tamanho de 2024/25. Em Mato Grosso, pelo Imea, o preço já negociado até agosto da safra que vem paga o custo de rodar a lavoura, mas fica R$ 17,80 por arroba abaixo do custo total.
Mas quem for encomendar mede pelo Imea, não pelo palco.
NAS CABEÇAS DO AGRO
A JBS fecha a portaria de um prédio quase vazio

Fonte: Globo Rural
Se você tem BDR da JBS, o recibo negociado na B3 que representa a ação da holandesa JBS N.V., ele segue negociando normalmente. Quem pediu para sair foi outra peça do grupo. Na segunda, a JBS S.A., a subsidiária brasileira, aprovou em assembleia e pediu à CVM para deixar de ser companhia aberta, o registro que obriga a empresa a prestar contas ao mercado; a saída depende da análise da CVM.
É fechar a portaria de um prédio com um morador só. Pelos documentos entregues à CVM, a S.A. tem uma única acionista, outra empresa do grupo. O papel que estava na mão de gente de fora, R$ 400 milhões em debêntures, os títulos de dívida emitidos em julho para três usinas de biodiesel e um terminal portuário, tem um dono só, o Itaú, que votou a favor. Se a CVM aprovar, esses títulos só poderão trocar de mão em bolsa e balcão organizado entre investidores profissionais, os de grande porte.
Dois dias antes, a J&F, a holding controlada pelos irmãos Batista, tinha pedido para entrar na CVM na categoria B, a porta de quem só emite dívida, sem vender ação; a JBS fica fora da reorganização societária da J&F. Em dois dias, uma empresa do grupo pediu a chave do balcão de empréstimo e a outra devolveu a chave do registro brasileiro.
A CONTA CHEGOU
O Fiagro do Bradesco paga mesada com o cofrinho

Fonte: Giphy
A parcela da soja que o produtor não pagou em maio e junho apareceu no extrato de quem investiu num Fiagro, o fundo que empresta a produtor e a revenda e reparte o juro com o cotista. Desde julho, o BRFT11, o Fiagro da Bradesco Asset com a Farmtech, parou de pagar rendimento e passou a devolver cerca de R$ 1 por cota ao mês, o mesmo valor que antes vinha de dividendo. Só que agora é amortização, o dinheiro do próprio cotista voltando para casa. É mesada paga com o cofrinho do filho.
O buraco está na carteira de produtores e revendas, com o atraso acima de 90 dias em 9,75% do total na safra 2025/26, contra 5,59% um ano antes. A gestão admite prejuízo contábil e põe a piora na conta da margem apertada do agricultor, da dívida maior dele e do juro alto. Na bolsa, a cota vale uns 40% menos do que o patrimônio do fundo diz que ela vale.
Os vencidos encolheram em agosto, diz a gestão, que agora busca um perfil mais defensivo e empresta mais no Sul e no Sudeste. Quando o rendimento volta, a gestão não diz. Até lá, a mesada sai do cofrinho, e quem esvaziou o cofrinho foi a soja que não pagou.
DE OLHO NO PORTO
O Uruguai empresta a cadeira, e a mesa é chinesa

Fonte: Giphy
A cota é o tanto de carne que entra na China sem a sobretaxa, e a do Brasil neste ano já esbarrou no teto. Mas na segunda apareceu uma cadeira extra na mesa: a autorização para o Brasil usar a sobra da cota do Uruguai, que usou pouco mais de 30% da dele. Pela conta da Safras & Mercado, cerca de 80 mil toneladas poderiam vir para cá.
O detalhe é que a mesa é da China, e Pequim ainda não confirmou se põe mais um prato. No começo do ano, a China já tinha negado ao Brasil a redistribuição de sobras de cota. E, pela imprensa uruguaia, a mesma cadeira foi oferecida também à Austrália.
Se o sim vier, o jantar tem hora para acabar. A China conta a carne pela data de chegada, a viagem leva de 45 a 60 dias, e isso deixa outubro como praticamente a única janela segura, na conta da Safras; embarque de novembro corre o risco de entrar só na cota de 2027. Os frigoríficos, pela Abiec, veem efeito limitado neste ano e, para 2027, o mecanismo pode virar uma alternativa importante.
POR DENTRO DO MERCADO
A chuva virou a corretora do etanol

Fonte: Giphy
Choveu tanto no Centro-Sul que diversas usinas de cana pararam de moer, sem previsão de voltar, e o etanol hidratado, o que vai puro no tanque, subiu 7,27% numa semana, para R$ 2,64 o litro no indicador do Cepea em São Paulo. Em 16 de setembro a gente contou a chuva travando colheita e moagem; agora tem usina parada sem data para voltar.
Na semana passada, a chuva virou a melhor corretora do etanol: quanto menos a usina mói, mais vale o que ela tem no tanque. A alta vem de antes, e com outros motores. Do começo de agosto até a semana de 11 de setembro, o hidratado nas usinas paulistas já tinha subido quase 20%, pela conta do Itaú BBA, com demanda aquecida e moagem interrompida; em julho, as distribuidoras venderam o maior volume de hidratado já registrado para o mês.
A corretora ainda não passou pelo posto. Na bomba paulista, a mesma semana registrou alta de 0,27%, para R$ 3,77 o litro, pela ANP.
Nas áreas mais encharcadas, o mercado já teme cana ficando no campo para a próxima safra e contrato de entrega atrasando; a Hedgepoint cortou a projeção de açúcar do Centro-Sul para 38,5 milhões de toneladas, e o Cepea vê algumas usinas podendo esticar a moagem até fevereiro, embora muitas planejem parar entre dezembro e janeiro.
A CONTA DA LAVOURA
O ministro garante o adubo, não o preço dele

Fonte: Giphy
Quem ainda vai comprar adubo para a safra que começa ganhou um fiador para o volume. O governo afastou o risco de faltar fertilizante em 2026/27, numa fala do ministro André de Paula no Congresso do Algodão, em Belo Horizonte, com duas garantias: o compromisso do Marrocos, que já saiu aqui em 12 de setembro, de cobrir a maior parte do fosfatado, o P do NPK, que o país usa; e as fábricas de nitrogenado, o N, da Petrobras.
A fiança tem cláusulas. No nitrogenado, a conta do próprio ministro põe a produção nacional perto de 35% do consumo só em meados de 2027, quando ficar pronta a fábrica de Três Lagoas. No fosfatado, a indústria pede subsídio para importar enxofre, a matéria-prima que ficou mais de três vezes mais cara, como a gente contou em 18 de setembro. Perguntado sobre o subsídio, o ministro não disse se o governo vai atender.
E fiador de volume não assina pelo preço. A ureia no porto subiu perto de 20% em cinco semanas, para US$ 488 a tonelada, e a StoneX põe a alta na conta da demanda aqui dentro, do gás caro e do pessimismo com a negociação entre Estados Unidos e Irã. O ministro garantiu que o adubo chega; quanto vai custar quando chegar, a garantia não cobre.
PLANTÃO RURAL
A China vai esvaziar o armazém antes de sentar com Trump: a Sinograin, dona da reserva estatal chinesa, leva a leilão na segunda, 28/09, 514 mil toneladas de soja importada velha, depois de vender só 62,4% do lote desta terça.
O milho foi parar no asfalto, em dose de tempero: a Petrobras mistura no asfalto da Revap o óleo técnico, sobra do etanol de milho da Inpasa, em 1% a 2% da matéria-prima, a cerca de R$ 6,5 mil a tonelada.
Goiás tem cocho sobrando e boi faltando: nos confinamentos visitados pela expedição da Faeg, 501 mil animais ocupavam 755 mil lugares, com o confinador goiano apontando a falta de boi magro para repor.
A Conab encheu o balcão de milho de olho no El Niño: a estatal comprou 191 mil toneladas por R$ 228 milhões em dois leilões, nos dias 18 e 21, para vender a pequenos criadores a partir de outubro, sobretudo no Nordeste.
O brasileiro tomou mais café, e a rodada começou mais barata na porteira: o consumo cresceu 4,65% entre maio e agosto, pela Abic, a associação da indústria, com o arábica 32,8% mais barato no mercado interno em um ano, pelo Cepea.
A batata barateou em agosto e já pediu revanche em setembro: o quilo caiu 11,6% no atacado das Ceasas em agosto, pela Conab, com o próprio boletim já mostrando a chuva de setembro desfazendo a queda na Ceagesp e na CeasaMinas.
A Receita abriu a porta de trás da DITR a nove dias do fim: desde 21/09 o programa de computador da DITR 2026 recebe a declaração de todos os imóveis rurais, depois de produtor travado no cadastro reclamar, com o prazo mantido em 30 de setembro.
A Fazenda Colorado bateu no teto e cresce vendendo novilha: sem espaço nem água para crescer em Araras, a fazenda de cerca de 102 mil litros por dia vende perto de 500 novilhas por ano, a uns R$ 18 mil cada, quase 10% do negócio.
DIVIRTA-SE
Cinco tabuleiros contra o computador, cada um com um número exato de lances para dar xeque-mate, e as posições trocam quatro vezes por dia. Na rodada de ontem à noite, o mate em dois tinha só os reis, a dama branca e um peão preto, e nenhum xeque à mão: resolve um lance calado da dama que deixa o rei com uma casa só. Abra o Desafios de Xadrez e suba até o mate em seis.
VIVENDO E APRENDENDO
Resposta da edição passada: a terceira safra do feijão é a de inverno, plantada entre abril e junho, boa parte sob pivô de irrigação no Cerrado, e colhida no segundo semestre, quando as outras duas já saíram do campo.
Pergunta de hoje: o que é o boi China?
A resposta você confere na próxima edição!
