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Bom dia!
Hoje a conversa é sobre quem ficou esperando. No custeio de soja e milho, o banco espera uma fatia grande do dinheiro que não voltou. Em Chapecó, ninguém esperava um tornado, e ele passou pela cidade ontem. No açougue, o freguês não espera a carne baixar, muda de fila, e um banco diz que é isso que vai travar a arroba no ano que vem. E a notícia que abre a edição é a da John Deere, que vai fazer quem quer colhedora de cana, até nos Estados Unidos, esperar por Goiás. Descendo a tela tem mais.
Pra você saber o que espera e o que resolve hoje.
Por Luciana Stival
TÁ QUANTO?
Os dados são publicados por Cepea.
As variações são calculadas em YTD (Year to date).
O petróleo despencou com a aposta de que a vitória democrata no Congresso americano esfria o conflito com o Irã, e é ele que pesa no diesel e no frete da safra. Só que a queda depende de um acordo de paz, que o Rabobank ainda vê como improvável.
NAS CABEÇAS DO AGRO
A John Deere vai concentrar em Catalão toda a produção de colhedoras de cana

Fonte: AgFeed
Se a sua usina vai trocar colhedora nos próximos anos, anota o endereço: Catalão, em Goiás. A John Deere decidiu que, a partir do ano fiscal de 2029, a linha que hoje roda em Thibodaux, na Louisiana, passa para Catalão, e a fábrica goiana vira o único centro do grupo no mundo para esse produto.
Em volume, é pouca coisa: Thibodaux faz cerca de 35 colhedoras por ano para o mercado americano, e Catalão já fabrica o mesmo equipamento. Em sinal, é muita: a partir de 2029, a cana da Louisiana vai ser colhida com máquina feita em Goiás.
O pacote inteiro é a John Deere arrumando a casa nos Estados Unidos, mudando linha de lugar e prevendo fechar duas fábricas americanas, a de Ottumwa entre elas, nenhuma de cana. E apresenta tudo isso como resposta à mudança na demanda e ajuste de capacidade.
Pra quem compra, o efeito esperado é em prazo de entrega e custo de manutenção: produto feito no país tem menos câmbio e menos frete internacional no preço. Mas não corre: a linha só muda de endereço no ano fiscal de 2029.
A CONTA DA LAVOURA
Com o crédito curto, chegou 10% menos adubo ao campo até agosto

Fonte: Giphy
Tem muito produtor olhando o preço do adubo e deixando o pedido para depois, e agora isso tem tamanho: as entregas de fertilizante caíram 10,4% de janeiro a agosto, e só em agosto a queda foi de 17,6%. A Anda, a associação do setor, é direta: a safra segue crescendo e a demanda estrutural continua, o que mudou foi a capacidade financeira e a hora de decidir a compra.
Do outro lado do balcão, a fatura chegou. A Mosaic fechou o trimestre no vermelho também no Brasil: prejuízo operacional de US$ 21 milhões onde um ano antes havia lucro, quase um terço menos toneladas vendidas, e o crédito limitado ao cliente aparece entre as causas. Dois lados do balcão, uma história só: o adubo não ficou sem comprador porque a lavoura dispensou, ficou porque o dinheiro não chegou.
O detalhe é que a janela não espera. O Rabobank projeta entregas 5% maiores em 2027, com a margem do produtor mais estável, mas avisa que a importação de nitrogenados está 25% atrasada em relação ao ano passado, sem recuperação à vista, e que o fosfatado segue caro por mais 12 a 18 meses. Pelo banco, o problema do produtor hoje não é margem, é custo financeiro.
COMO TÁ LÁ FORA?
O atraso do B16 já pesa no balanço da ADM

Fonte: AgFeed
A ADM esmaga soja nos dois hemisférios, e o balanço do trimestre mostra as duas pontas da mesma máquina. De um lado, o lucro saltou para US$ 821 milhões, 7,6 vezes o de um ano antes, com o esmagamento de oleaginosas saindo de US$ 13 milhões para US$ 311 milhões de resultado operacional. Do outro está a América do Sul, onde a empresa escreve que as margens de esmagamento foram pressionadas pelo atraso nas mudanças da política brasileira de biocombustíveis.
Essa política tem nome: B16, a mistura de biodiesel subindo de 15% para 16%, que a Lei do Combustível do Futuro previa para março de 2026 e que ainda depende de aprovação regulatória e de testes técnicos. Como já contamos aqui, a Safras & Mercado diz que o aumento pode ficar só para agosto de 2027, e cada ponto a mais na mistura vale cerca de 480 mil toneladas de óleo de soja por ano.
A letra miúda é que a ADM não abre a margem de esmagamento no Brasil nem diz quanto o aperto custou. E a frase da empresa fala em política brasileira de biocombustíveis, sem dizer B16: quem põe o nome e a conta é a reportagem, com a Safras.
O que mudou é que o atraso do B16 deixou de ser projeção de consultoria e virou linha de balanço de quem compra a sua soja.
PAPO DE CURRAL
O Rabobank vê o brasileiro comendo 6,2% menos carne bovina em 2027

Fonte: CNN Brasil
Se você está decidindo se segura ou vende o boi em 2027, o reflexo é olhar para a China; já o Rabobank manda olhar para o açougue da esquina. O banco projeta o consumo de carne bovina caindo para 31,4 quilos por habitante, 6,2% menos que neste ano, com o frango e o suíno ganhando competitividade sobre o boi. E o mercado interno não é detalhe: leva cerca de 61% de toda a carne bovina do país.
A conta do banco é essa: a oferta encolhe, a produção cai 3%, e mesmo assim a arroba não firma acima de R$ 400: média um pouco abaixo disso em 2027 e picos acima disso ao longo do ano. O mercado futuro já embute arroba acima de R$ 400, e o próprio analista acha plausível no pico, não na média.
O que sustenta a tese sem depender do banco está no atacado paulista: em 29 de outubro, um quilo de carcaça bovina comprava 3,17 quilos de frango, a maior relação desde setembro e acima da média histórica de 2,68. Traduzindo, a carne bovina ficou cara demais perto do frango ao lado, e é assim que o freguês muda de fila.
Mas a exportação é alívio, não âncora: o banco espera embarques 1,5% maiores, vê Japão e Coreia do Sul como compensação possível ao embargo europeu e lê, na Comissão Europeia, que a UE não deve voltar a comprar pelo menos nos próximos dois anos.
POR DENTRO DO MERCADO
A safra 2027/28 do Centro-Sul vai ser mais açucareira, prevê o Rabobank

O açúcar cristal paulista subiu 15 semanas seguidas, a sequência mais longa desde 2020 pelo Cepea, e chegou no fim de outubro ao maior preço desde junho de 2025. E a torneira fechou: a chuva atrasou a colheita e tirou cana da moagem. Quem fixa açúcar ou decide o mix da usina está olhando para esse número.
A resposta da usina já apareceu na projeção do Rabobank: a safra 2027/28 do Centro-Sul deve destinar 49,5% da cana ao açúcar, mais do que esta safra vem fazendo, e fazer 42,6 milhões de toneladas, 14% a mais, porque o mercado está pagando bem e a fixação da safra que vem anda. O banco vê o açúcar em Nova York entre 17 e 19 centavos de dólar por libra-peso em 2027, contra 16 até o fim deste ano.
Só que a bolsa, por enquanto, conta outra história: três semanas de queda, o menor preço em cinco semanas na terça, e a Índia produzindo oito vezes mais açúcar do que no mesmo período do ano passado.
Na ponta do lápis, o preço de hoje é alta de falta, e o de 2027 ainda é aposta.
MENTES QUE GERMINAM
A Bayer entra de vez nos biológicos com marca própria e oito lançamentos

Fonte: TheAgriBiz
A Bayer tem 45 biológicos na América Latina e só três à venda no Brasil até agora, e decidiu que isso muda: são 17 lançamentos prometidos na região até 2030, oito aqui, quatro de biocontrole e quatro de performance de cultivo. A marca chega antes da prateleira.
O que já está à venda é o Curvet, tecnologia da americana Sound Agriculture, investida da Bayer. Em testes da própria empresa, em 114 locais de oito estados, ele rendeu, em média, três sacas a mais por hectare de soja, e um segundo produto, o Aspire, vem ainda nesta safra. Repare que o teste é da própria vendedora.
Na pesquisa, o acordo é com a IdeeLab, de Piracicaba, para um biofungicida contra doenças foliares da soja que só deve chegar em quatro anos. A Bayer não abre o valor: paga um aporte inicial e, se a tecnologia andar, royalties. E a startup atende também concorrentes, como Syngenta e ICL.
O que a Bayer não diz é quanto espera faturar com tudo isso: a meta global de 1,5 bilhão de euros até 2035, dada em 2024, virou projeção da época, sem número novo, e o próprio head de biológicos diz que os quatro últimos podem sair em 2028 ou 2029, a depender de atraso regulatório.
Pra você, produtor, o biológico da Bayer não vem para substituir o químico da Bayer: vem primeiro como ferramenta a mais. E a conta que você faz é o preço do Curvet contra três sacas medidas pela vendedora.
PLANTÃO RURAL
A MBRF Pet exporta aos EUA e mira a liderança no Brasil: a divisão de ração quase vendida pela BRF em 2023 agora quer a primeira posição do mercado brasileiro, hoje da GrandFood, com o exterior já em quase 20% do faturamento.
Comissão da Câmara pede ao TCU a conta do leite importado: a Comissão de Agricultura aprovou a proposta de Pedro Lupion para o tribunal auditar os órgãos federais e medir o impacto das importações no setor leiteiro, ainda sem data para o relatório final.
Isenção de 24 meses para o agro que exporta passa em comissão: a Comissão de Agricultura da Câmara aprovou o parecer ao PL 3.989/2025, com PIS, Cofins, CSLL e IRPJ zerados por dois anos para agroexportadoras preponderantes e renegociação de dívidas com até 70% de desconto em multas e juros.
Um quinto do custeio de soja e milho já está irregular: pela Veeries, com dados do Banco Central, 20% desse crédito estavam atrasados ou inadimplentes em agosto, R$ 15 bilhões, com 46,4% no Maranhão e 42,1% no Tocantins.
Massa polar chega no sábado com risco de geada tardia: pelo Meteored, o ar polar entra pelo Rio Grande do Sul no sábado (7), com mínimas perto de 0 °C nas serras gaúcha e catarinense e no sul do Paraná na segunda (9).
Um tornado passou por Chapecó com ventos de até 126 km/h: a Defesa Civil de Santa Catarina confirmou por radar o tornado da manhã de quarta no Oeste catarinense, com os 126 km/h medidos pelo Inmet, o aeroporto fechado sem prazo e os estragos por levantar.
Temporais com granizo causaram perdas em milho e canola no RS: entre terça e a madrugada de quarta, o granizo e o vento causaram perdas em lavouras do Noroeste gaúcho, com mais de mil pessoas atingidas só em Passo Fundo.
Plantio direto por 32 anos guarda 30% mais carbono na superfície: num experimento do IPTA no Paraguai, a camada de zero a dez centímetros manteve estoques de carbono pelo menos 30% acima do preparo convencional e de nitrogênio até 36% maiores, sem calagem em três décadas.
DIVIRTA-SE
Cinco pessoas de um lado, uma lamparina com 30 minutos de óleo e uma ponte que só aguenta duas por vez. Cada uma atravessa no seu ritmo, de 1 a 12 minutos, e o par anda no passo do mais lento. A tentação é mandar o rápido ir e voltar carregando a luz; faça a conta antes da chama apagar. Leve todo mundo para o outro lado no Ponte Escura. Boa sorte.
VIVENDO E APRENDENDO
Resposta da edição passada: a TIR, taxa interna de retorno, é o juro anual que um investimento rende por conta própria, a taxa que faz o dinheiro que entra ao longo do tempo pagar o que saiu no começo.
Pergunta de hoje: o que é o mix de uma usina de cana?
A resposta você confere na próxima edição!

